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31 outubro, 2004

Obituário da Abelha
Por Fran Pacheco

"Adoro ler obituários. Sempre encontro agradáveis surpresas."
Fernando Sabino (R.I.P.)

Falleceu neste dia de las brujas, 31 de outubro do ano da graça de 2004, aproximadamente às dezenove horas e trinta minutos, na sede do TRE em Manáos, a candidatura do sr. Amazonino Armando Mendes, vulgo Negão25, abatido, ironicamente, por 25 mil votos de diferença a favor de Serafim Corrêa, vulgo Sarafa. Deixa órfãos dezenas de xerimbabos, de diversos quilates, espalhados pelos quatro cantos da administração pública.

A coroa de flores havia sido encomendada com antecedência por seu discípulo Sabino Pozinho Branco, responsável pelo arquipatético Caso Soraya. Na fita da coroa foi inscrito o valor do IPTU devido por Amazonino, revelado por Sarafa no debate da Globo. Os pregos no caixão foram providenciados pela Polícia Federal, que calou a boca-de-urna, último (e milionário) remédio possível para evitar o óbito.

Não comparecerá ao enterro o governador Aliviado Braga, salvo de bancar as delirantes idéias de seu fallecido padrastro, através da abortada "Ação Conjunta Paga pelo Governo".

Durante os meses de luto seguintes, os discípulos da Abelha que infestam a Prefeitura Carijó cuidarão de homenageá-lo raspando o tacho do erário e triturando a papelada comprometedora. Grande quantidade de Cherokees será adquirida por subalternos, nesse período.

O féretro sairá na barca Amistad, de dois milhões de dólares, rumo ao Inferno, conduzida pelo barqueiro Caronte e protegida pelo cão Cérbero. Paulo Salim Maluf está no aguardo e já se dispôs a servir de cicerone.



Post Scriptum de filme de terror B.
O cadáver político, embalsamado no caixão, abre os olhos (em close) e ouvimos seu riso satânico: "Ahahahah! Dois mil e seis! Dois mil e seis!"


FIM

 
Orai por ele.

 

Silêncio
Por irmão Paulo

A couraça das palavras protege nosso silêncio e esconde aquilo que somos, disse o jovem poeta Thiago de Mello. Na infindável hora-morta que antecede o resultado do pleito, nada se move, tudo é estático. E, de repente, do momento imóvel far-se-á o drama. Fatalmente teremos dois prefeitos, a partir do dia primeiro de outubro. A Era Galinácea se extinguirá, pouco a pouco, esmaecendo o brilho e a autoridade do Galo Velho (que sai empapuçado de dinheiro), ao tempo em que, na razão inversa, ganhará força a nova era da Abelha ou da Anta, conforme o resultado. Nós aqui, ao longo desses meses de agradável convívio, nos dedicamos a expor idéias (quase nunca compreendidas) e pugnar pela autonomia das consciências (esquecidos de questionar antes, é verdade, se existem consciências). Fatalmente, por igual, vencerá o pior.

O resultado próximo, ao menos, nos anistiará desse tema aldeão, compreensível e/ou interessante apenas para os iniciados nos sórdidos mistérios da política amazonense. Anistiado, esquecido de que falamos de políticos, já antevejo o prazer de re-explorar outros temas. Música – ah, a música, belas letras, belas artes, artes populares. A natureza humana, em instância final, pois a arte só tem valor se feita com sangue. Qualquer dos resultados é possível, e não será zebra. A vitória de um ou de outro não será folgada, mas perderemos sempre, seja qual for o resultado. Desejo apenas, com a humildade dos convencidos pelos fatos que, nesta hora fatídica e final, Deus tenha piedade de nossa atroz miséria.

 

In Memoriam
Por Fran Pacheco

Niemeyer, Millôr, Dercy, Fidel, Arafat, Saramago, García Márquez, Romário, para todos esses anciãos os grandes jornais e revistas do páis já têm, prontinhos, os obituários com os espaços em branco para o dia, hora e circunstâncias da passagem desta para a melhor.

Serafim e Amazonino (alguém merece isso?), já tenho prontos os dois obituários políticos. Vou esperar a noitinha cair para preencher as lacunas. E me anistiar dessas duas nulidades.

(Enquanto isso, Stella labuta nas ruas, Cartier dá uns flagras, Ishtar se recupera do sábado, Cecezinho assedia Ava Garner, Batatinha e Torquato viajam e Irmão Paulo curte uma Billie Holiday em seu novo Gramofone Edison).

 

30 outubro, 2004

O Debate
Por irmão Paulo

Os candidatos se fizeram presentes, mediados por uma bela jornalista, Daniela Assayag. A primeira vez que vi Daniela, e só agora ligo o nome à pessoa, foi na persona de cunhã-poranga do Boi Caprichoso – o azul. Belíssima, forma e formas perfeitas, cavalgando um cetáceo que girava, como girou, ao longo de toda a encenação. Ela, portanto, passou metade da apresentação de cabeça para baixo, o que destacou o fato de que ela estava com tudo em cima.

Daniela estreou validamente a participação de profissionais manauaras em programas exibidos em rede nacional. Já freqüentou o mais importantes jornalísticos e informativos do Brasil, sempre com reportagens simples, claras e confiáveis. De fato, não surpreende que tenha sido escolhida para conduzir o debate de ontem. Sobretudo diante do fiasco que foi o debate anterior, mediado por um ser alienígena que nada sabia da realidade local.

Daniela desincumbiu-se com louvor da tarefa espinhosa que foi conferida à sua competência. Equilibrada, serena, dona do seu espaço, segura de sua condução, conteve os ânimos das bestas em cena. Segundo me contam, Daniela foi casada com um filho do dono da emissora, não sei ao certo a história do fim, mas se estivesse no lugar do sujeito não teria perdido tão bela mulher. Nem por desinteresse, nem por ânsia de exclusividade. Waaal.

Cabelo correto, terninho discreto, de linhas sóbrias e bem cortadas, maquiagem leve, entonação grave e firme, não há como deixar de dizer que Daniela foi a melhor, senão a única, coisa (no bom sentido) boa no programa. Daniela tem uma beleza cabocla, sim, mas ao mesmo tempo clássica, exótica. O olhos afastados, os lábios misteriosos, Daniela poderia ter sido imortalizada por um Miguel Ângelo, por exemplo. Imortalizou-se, em minha lembrança, como aquela mulher linda que, em trajes sumários, cavalgava um boto no meio do rio. E viajava, rumo a nossas mentes e corpos cavernosos.

 


O início do fim?


 

...
Por irmão Paulo

Heaven, I'm in heaven
And my heart beats so that I can hardly speak
And I seem to find the happiness I seek
When we're out together dancing cheek to cheek.


Waaaal.

 

Mercado livre / AM
Por Fran Pacheco

No 1º turno, um voto no Amazonino estava saindo por R$ 50,00. Pela última cotação do pregão eleitoral que obtive o Negão agora está pagando só 35 merrecas pelo voto da arraia-miúda. Milhares de 35 merrecas. Em troca você diz a cor da camisa que o Capiroto está usando na foto da urna. Uma dica: além da papada dele ocultar quase todo o colarinho, a foto (ou "fotinha", no portugrês da internet) está em preto e branco. Pode anular tranquilo no 69 do prazer e levar a grana pra beber.

Comprar votos é arriscado, mas quase sempre dá certo: o governador Joaquim Roriz (PMDB), de Brasília, escapou de ser cassado, embora tenha usado ostensivamente recursos públicos em sua campanha e comprado milhares de votos. O TSE só viu no processo "indícios" contra ele.

Já o senador João Capiberibe (PSB), do Amapá, foi cassado por ter supostamente comprado 2 (dois) votos. O TSE viu no processo "provas" contra ele.

Por que, ó Zeus, os serafetes engajados e a imprensa serafete não armam uma arapuca, para flagrar e documentar 1, unzinho voto sendo comprado? Ou um, unzinho servidor sendo coagido? Seria o bastante para por em sério risco um futuro e hipotético mandato do Mau Menino.

Mas isso é querer demais deles.

 

Ecos do Passado
Por Herculano

O GLOBO – 27/05/1997
“- Testa-de-ferro denuncia negociata de Amazonino com empreiteira. O empresário Fernando Bonfim denunciou o governador do Amazonas, Amazonino Mendes, como verdadeiro dono da empreiteira Econcel, que tem feito obras para a prefeitura de Manaus e o governo do estado. Bonfim gravou a conversa com o filho de Amazonino, Armando, e mais dois sócios da empreiteira. Ele foi afastado da direção da empresa e revelou que funcionava como testa- de-ferro do governador. Seu antecessor é cunhado do empreiteiro Otávio Raman Neves, dono da casa em que Amazonino mora. A denúncia envolve também o secretário de Fazenda, Samuel Hannan. Amazonino recentemente foi envolvido na denúncia de compras de votos para aprovar a emenda da reeleição na Câmara. (pág. 1 e 3)”

ZERO HORA – 30/05/1997
“- O governador Amazonino Mendes (PFL), entrou em desespero. "Sou um homem morto", declarou na noite de quarta-feira a um grupo de 20 empresários e políticos que mandou convocar às pressas para fazer uma revelação. Na varanda de sua mansão, contou que uma nova fita enviada ao presidente Fernando Henrique Cardoso e a Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), presidente do Senado, traz um diálogo comprometedor gravado em seu quarto entre ele e o empresário Fernando Bonfim. Na conversa, Amazonino e Bonfim acertam a comissão que seria cobrada na compra de geradores de energia de uma empresa norte-americana, em 1996. Ontem à noite Bonfim negou pelo telefone a um repórter do "Correio Braziliense" que tenha enviado a fita a autoridades, mas confirmou a existência de outras em seu poder. (pág. 12)”

CORREIO BRAZILIENSE – 30/05/1997
“- Além das construtoras Econcel, Exata e Capa, uma outra empreiteira - a Decisão - também estaria ligada ao governador do Amazonas. Em 1996, a Decisão faturou R$ 17 milhões da prefeitura de Manaus. Na capital, só mesmo recorrendo à Internet é possível ler o "Correio Braziliense" e os demais jornais com denúncias contra Amazonino. Os exemplares não chegam às bancas. Os "apagões" também fazem parte da censura: falta luz na cidade na hora do Jornal Nacional da TV Globo. (pág. 1 e 11)”

ZEROHORA – 31/05/1997
“- Na reunião que fez com os empresários mais importantes do Amazonas, na noite da última quarta-feira, o governador Amazonino Mendes revelou uma nova história que o compromete ainda mais. Desesperado, enxugando lágrimas que corriam pelo rosto, Amazonino Mendes contou que, na conversa de alcova que teve com o ex- amigo e empresário Fernando Bonfim, admitiu que tinha mandado pedir 20% de comissão da empresa Intec, de engenharia elétrica. "Fui eu que mandei pedir", disse a Bonfim, dentro do seu quarto, segundo relato que fez aos empresários. "Caí numa cilada", continuou o governador. Amazonino está convencido de que a conversa foi gravada. E continuou: "A fita não chegou à imprensa, mas está nas mãos do presidente Fernando Henrique Cardoso e do senador Antônio Carlos Magalhães, presidente do Senado". (pág. 8)”

JORNAL DO BRASIL – 02/06/1997
“- Procuradores do Ministério Público Federal (MPF) querem convencer o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, a pedir ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a quebra do sigilo bancário do governador do Acre, Orleir Cameli (sem partido), suspeito de envolvimento, juntamente com o governador do Amazonas, Amazonino Mendes (PFL), no escândalo da compra de votos a favor da emenda da reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. (pág. 2)”

O ESTADO DE SÃO PAULO – 05/06/1997
“- (Manaus) - A Procuradoria da República no Amazonas vai convocar o governador Amazonino Mendes (PFL) para que apresente defesa em quatro representações contra seu governo. Segundo o procurador- chefe no estado, Sérgio Lauria, Amazonino terá de provar que não é proprietário da empreiteira Econcel, não comprou votos dos ex-deputados acreanos para aprovação da emenda da reeleição na Câmara, não favoreceu a empreiteira Marmud Cameli em obras de seu governo nem houve superfaturamento na compra de geradores para a Companhia Energética do Amazonas (Ceam). A data da convocação ainda não está definida. (...) (pág. A8)”
 
FECHO DE OIRO
 
A mansão hollywoodiana de Amazonino


 

BRASÍLIA_ A última do governador Amazonino Mendes, do Amazonas: sua mansão com ares de hollywood, com quatro piscinas e muito luxo, construída em frente ao igarapé Tarumã, em Manaus, em meio à floresta, ganhou destaque na primeira página do Jornal do Brasil da sexta-feira (25-08), em matéria assinada pelo competente repórter Abnor Gondim.
Amazonino Mendes, que governa o Amazonas pela terceira vez, está sendo investigado pelo Ministério Público Federal por indícios de enriquecimento ilícito. Os procuradores da República já retomaram as investigações sobre um susposto depósito de US$ 500 mil em uma conta aberta em Luxemburgo, um dos principais paraísos fiscais da Europa. O dinheiro teria sido depositado na conta de Amazonino pelo empresário Juarez Barreto Filho a título de comissão por compras superfaturadas.
Durante muito tempo, Juarez Barreto Filho teria fornecido geradores de energia elétrica para as Centrais Elétricas do Amazonas (CEAM) a preços superfaturados. O governador também esteve envolvido em denúncias de que teria montado duas empreiteiras, colocando na direção amigos mais chegados _ uma delas a Econcel, empresa que ganhou a maioria das concorrências abertas pelo governo amazonense para a execução de obras no Estado.
Acredite se quiser: o governador alega que construiu sua mansão cinematográfica com R$ 300 mil obtidos por empréstimo junto à Caixa Econômica Federal e com a venda de outros imóveis. É isso que o Ministério Público já começou a investigar.”

 

29 outubro, 2004

Enquanto os Terríveis não vêem a fita do debate
Por Stella Maris - especial para o Club

Ninguém aqui na redação. Todos de porre, curtindo o feriado dos funcionários fantasmas. Mandei-lhes o videoteipe. Já avisei: o melhor foi o terninho da Danny Assayag. E Osama voltou. Talvez digitalizado. The Doors também voltaram e estão no Brasil. Com um clone que não chega aos pés do Jim Morrisson. Imperdoável. Bastava ter trazido o Val Kilmer.



 

28 outubro, 2004

Sob o império da lei
Por Cezário Camelo, "Cecezinho"

Já que os Terríveis, em decisão coletiva e sem direito a apelação, resolveram tirar o próximo domingo para baixar no zé-povinho e fazê-lo anular seu voto votando 69 (o slogan da campanha é “apesar da frustração, vote pelo prazer...”), precisamos pelo menos dourar a pílula. Lei, como qualquer analfabeto desconfia, é o nome dado ao resultado direto do trabalho intelectual dos parlamentares, daí só serem manipuladas com luvas cirúrgicas e em condições específicas (latrinas de tribunais, mictórios de assembléias legislativas, cagadouros de rodoviárias, digo, de escritórios de advogacia, balcões de negócios escusos et caterva). Algumas se tornam famosas e criam jurisprudência, como dura lex, sed lex, no cacete só jontex. A maioria das leis, infelizmente, não pega nem por decreto. É por isso que o Cordeirinho continua solto. De qualquer maneira, existem algumas leis célebres que você, defensor do voto nulo, não pode desconhecer. Elas vão redobrar a sua coragem cívica e ajudá-lo a mandar os dois rufiões adversários lá pra puta que os pariu:

Lei de Popper, sobre a transferência de culpa: “É menos importante encontrar soluções do que ter bodes expiatórios”.

Lei de Charles de Gaulle, sobre o discurso direto: “As promessas só comprometem aqueles que as recebem”.

Lei de John Randolph, sobre a autonomia do Estado: “O mais delicioso dos privilégios é gastar o dinheiro dos outros”.

Lei de Getúlio Vargas, sobre as licitações públicas e as concorrências fraudulentas: “Os ministérios se compõem de dois grupos: um formado por gente incapaz e outro por gente capaz de tudo”.

Lei de Homero, antigo pensador grego, sobre o desprendimento político: “Agamenon é pastor do povo. Como tal, protege os rebanhos, mas também tosquia a lã e come a carne dos carneiros’”.

Lei de Bismarck, sobre tudo: “As leis são como salsichas. É melhor não ver como elas são feitas”.

Lei de Nelson Rodrigues, sobre a essência parlamentar: “Toda coerência política é, em princípio, bastante suspeita”.

Lei de Hubert Humphrey, sobre os eleitos: “É verdade que há vários idiotas no Congresso. Mas os idiotas constituem boa parte da população e por isso mesmo devem estar bem representados”.

Lei de Montesquieu, sobre a demagogia inata: “O político deve buscar sempre a aprovação, porém jamais o aplauso”.

Lei de King Murphy, sobre o futuro: “Não estão seguras a vida, a liberdade e a propriedade de ninguém enquanto a legislatura estiver em sessão”.

Lei de Mario Cuomo, sobre a tradição literária na política: “Faz-se campanha política em ritmo de poesia e governa-se em ritmo de prosa”.

Lei de Campos-Merquior, sobre a baderna cotidiana: “A política é a arte de fazer hoje os erros de amanhã, sem esquecer de cometer os erros de ontem”.

Lei de Kropotkin, sobre as macacas de auditório de algum político: "Deus gosta muito de ignorantes idiotizados. Deve ser por isso que fez tantos".

Lei de Millôr Fernandes, sobre a injustiça social, a má distribuição de riqueza e o IEBEM: “Ser pobre não é crime mas ajuda muito a chegar lá”.

E não esqueçam: nesse domingo basta digitar 69 e confirmar. Apesar da frustração, você vai estar votando pelo prazer. O resto, eu quero mais é que se foda!

 

Meus Discos Favoritos (2)
Por Cartier, Free-Lancer


Todos os Olhos. Tom Zé, Ano da Graça de 1973.
A Censura nem imaginou de quem
(ou de onde, melhor dizendo) é esse olho.

 

Um corte. Milhares de votos a mais.
Por Fran Pacheco

Só percebeu (ou entendeu como eles queriam que fossem entendida) a mensagem, um público seleto: os milhares de deseperados que fizeram o concurso para professor da Secretaria Municipal de Educação. Na vinheta "Compromisso com os servidores", veiculada diariamente na TV, o candidato Amazonino, em imagens do debate na Bandeirantes, diz o seguinte: "houve um concurso para professor. Muitos passaram. Muitos não passaram." Nesse ponto há um corte na imagem. "Mas se eu estou dizendo que vou fazer o pré-escolar, é claro que eu vou precisar de todo mundo. E lá pra frente eles farão o seu concurso. Eu não vou demitir ningúem."

O que vocês, que não fizeram o concurso entenderam? Que ele não vai demitir ninguém da prefeitura, ou seja, os milhares de servidores temporários estão garantidos. De fato, foi isso que ele disse no debate.

Porém, porém, graças à manhosa edição, o que os milhares que fizeram o concurso e não passaram entenderam? Que "Amazonino vai chamar todo mundo! Até os que não passaram no concurso!"

Cinema é edição, como pregava Eisenstein.

Bingo.

 

NULO
Por irmão Paulo

Só há uma forma de manter a coerência nas eleições de domingo e contribuir ativamente para que tenhamos oportunidade de renovação. Anular o voto. Dos piores, foram os piores para o segundo turno, como sempre. Aliás, com exceção, talvez, do pequeno Herbert, de quem nada sei, o elenco disponível para a escolha do eleitor manauara foi sofrível desde o início.

A falta de quadros políticos tem muitas explicações possíveis e plausíveis, embarco na que me parece mais razoável. As lideranças políticas nascentes, salvo algum fenômeno excepcional de um líder carismático tão poderoso que mesmerize (de Mesmer) a todos falando de sobre uma caixa de engraxate, cevam-se nas tetas das lideranças políticas consolidadas, para ficarmos no Amazonas: Gilberto Mestrinho foi “criado” por Plínio Coelho, Amazonino por Gilberto, Eduardo por Amazonino. (Quem é Alfredo Nascimento?). Assim, a falta de quadros decorre do fato de que as lideranças políticas deliberadamente sufocam os poucos que têm algum potencial, pois são concorrentes em potencial e não há espaço para muitas lideranças. Eduardo precisou romper para sobreviver, por exemplo. Outros exemplos: não existem lideranças no PCdoB, além do casal imperial – em torno do qual tudo gira, nem no PSDB além da família Artur, muito menos no PSB, um partido de desdentados controlado com mão-de-ferro (ou seria dedo-de-ferro) por Serafim. Assim, se o elenco de candidatos é uma merda, devemos isso aos próprios candidatos.

Votar nulo e conclamar, utopicamente talvez, as mentes livres a fazerem o mesmo é a forma mais efetiva de questionar a legitimidade do pleito e de seu resultado. É protesto, de fato. Jurista não sou, mas parece meio óbvio que um pleito onde menos de 50% dos eleitores votaram não pode ser considerado válido. Há exemplo recente disso. A Anulação em massa é a rejeição aos candidatos que se apresentaram e é um direito do eleitor. O eleitorado, meus filhos, não é obrigado a escolher um dos que se apresentam pelo simples fato de se terem apresentado à escolha, pode rejeita-los. E, ao rejeita-los, provocar novo debate, desta feita com novos candidatos – vez que aqueles foram rejeitados. Não deixa de ser um cenário hipotético interessante.

Evidentemente o pleito estaria exposto às tramóias de todos, sobretudo à genialidade política de Amazonino que, em favor de um laranja qualquer, poderia repetir a engenharia que desbaratou o “grupo” político de Alfredo Nascimento e aclamou Carijó Prefeito-tampão, garantiu o apoio de mais de 15 deputados estaduais e diversos prefeitos do interior, além do Sen. Mestrinho, do governador do Estado e diversos deputados federais. Mas isso, já outra história que, no rol das suposições, vem bem depois da anulação da eleição de domingo.

Minha contribuição darei ao possuir o Jeca na hora em que este for votar. Vou toma-lo de assalto e tascar um voto nulo! Desculpem o alongado das palavras e o erros, não tive tempod e fazer a síntese, como diria Pe. Antonio Vieira. E nem a revisão.

 

A todo vapor, podes crer!
Por Torquato Piauí

Quando eu a recito ou quando eu a escrevo, uma palavra - um mundo poluído - explode comigo e logo os estilhaços desse corpo arrebentado, retalhado em lascas de corte e fogo e morte (como napalm) espalham imprevisíveis significados ao redor de mim: informação. Informação: há palavras que estão nos dicionários e outras que não estão e outras que eu posso inventar, inverter. Todas juntas e à minha disposição, aparentemente limpas, estão imundas e transformaram-se, tanto tempo, num amontoado de ciladas. Uma palavra é mais do que uma palavra, além de uma cilada. Elas estão no mundo e portanto explodem, bombardeadas. Agora não se fala nada e tudo é transparente em cada forma. Qualquer palavra é um gesto e em sua orla os pássaros de sempre cantam nos hospícios. No princípio era o Verbo e o apocalipse, aqui, será apenas uma espécie de caos no interior tenebroso da semântica. Salve-se quem puder. O irmão Paulo está sabendo. Fran Pacheco também. Batatinha mais ou menos. Ishtar e Stella não contam porque são mulheres. Cartier fica só de mutuca, mas tá sabendo. Claro que tá sabendo. As palavras inutilizadas são armas mortas e a linguagem de ordem impõe a ordem de hoje. A imagem de um cogumelo atômico informa por inteiro seu próprio significado, sua ruína, as palavras arrebentadas, os becos, as ciladas. Serafim e o 40. Serão ladrões? Ou 25 menos um. Negará o negão? Então, amizade, vote no vórtice, no vértice, no sub-texto de um dos dois répteis. Depois a gente confere as paradas de sucesso do Ibope. Sujeira é sujeira. Vou achar muita graça. Escrevo, leio, deleto, toco fogo e vou ao cinema na praça São Sebastião. Informação? Cuidado, amigo. Cuidado contigo, comigo. Imprevisíveis significados. Partir pra outra, partindo sempre. Uma palavra: Deus e o Diabo, Bush e Kerry, Serafim e Amazonino, Edir Macedo e padre Sérgio. As duas faces da mesma moeda. Da mesma moenda. Da mesma miasma. Da miesma mierda. Pra não me ligar nisso, cogito:
Eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
Eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
Eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
Eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.


 

27 outubro, 2004

A última aberração da eleição
Por Fran Pacheco


O horror! O horror!


Escanearam o Amazonino! O resultado, sacolejante, ao som de um medonho funk, é o Bonde do MC Negão 3D - uma mistura digital de Don King com Jabba The Hut. A que ponto chegamos, senhores...

 

UM INSTANTE MAESTRO!
Por irmão Paulo

Quem comanda o discurso não é a voz, como se sabe, e sim o ouvido. Da mesma forma que quem comanda a leitura não é o escritor, mas o leitor. Assim, não espanta que achem que este espaço anarcho-philosophico possui um lado. Os Serafetes de plantão, silenciosos agora, crêem que somos, sou, Amazonino Mendes desde criancinha. Os Amazonetes, por sua vez, vêem o lugar como um ponto de encontro vermelho. Repito, não admira que a escumalha me lê não me compreenda, já me acostumei a isso. Como disse o Jabor, quando morri, tem gente que não gostava de mim porque eu era (sou!) muito inteligente e, às vezes, não era (sou!) compreendido.

Uma égua que se intitula Aquela que diz, mas que pode ser um asno assinando com pseudônimo feminino (um maricas, portanto), tenta fazer ligação entre este espaço e um Blog que fala mal do Serafim. Aliás, segundo afiança a anônima criatura, o site é apócrifo e, inclusive, foi enviado um email divulgando o site também de forma apócrifa. Achei interessantíssimo o Blog, li-o de cabo à rabo, com perdão da expressão. Mas peca o lugar pela falta de cre-di-bi-li-da-de, pois que francamente amazonista. Mas gostei, porque não creio em santos, muito menos em Saint Serafin.

Política, por definição, é uma atividade para a escória da sociedade. Dona Zilda Arns, por exemplo, faz seu trabalho belo, mas não quer saber de política, porque não é escória, apesar de católica. Apenas os piores, os mais brutos e selvagens, dissimulados e traidores, mentirosos e criminosos prosperam no mundo cão da política profissional. Por uma razão simples, o homem que vive entre feras sente inevitável necessidade de também ser fera. O que quero dizer é que na escala da evolução moral, pra minzinho, Serafim e Amazonino - Amazonino e Serafim, estão no fundo do poço, não passam de dois cagalhões enormes, atravessados na latrina de nossas vidas, sem que ninguém tenha coragem de amassa-los para que corram esgoto abaixo.

Considero uma ofensa ser rotulado de amazonista, como considero ofensa maior ser rotulado de Serafete. Pra mim, povo bunda que me lê, Serafim é pior que Amazonino em todos os sentidos, o que não significa que este último sirva pra alguma coisa além de matéria-prima de adubo, como todo monte de esterco que se preze.

Serafim é mentiroso (segundo Jefferson Peres), dedo-duro, corrupto e incompetente (segundo Artur Neto), fraudador de eleição, etc. Amazonino é um ladrão contumaz, cercado de um eclético e heterogêneo grupo de bandidos da pior espécie, que vai de um Sabino “Cálebro” até um De Carli, passando por Egmerdo Rasputinsta, para homenagear Fran com um trocadilho mais que infame. Mas Amazonino é autêntico em sua malandragem e arrogância, e os seus são autênticos ao assumir a filosofia do “rouba mas faz”. Serafim, ao contrário, quer enganar, se fazer de santo, aparecer como detentor do monopólio da honestidade (tal qual Jéferson Peres) e, por isso, desperta-me asco. Um pelo outro, sobra um peido de troco. E Já que estamos falando de funções excretoras, ao defender a isenção de nosso café, gostaria de concluir desejando Àquela que diz, bem como ao distinto público, honradas famílias e digníssimas mães, que tomem no olho dos vossos cus.


 

Por que me ufano de meu país
Por Fran Pacheco

  • Estudos indicam que em 20 anos, 90% da população mundial estará comendo merda.
  • Estudos indicam que em 20 anos só haverá merda para alimentar 25% da população mundial.
  • O Brasil é o único país do mundo que caminha para a auto-suficiência no setor.

 

26 outubro, 2004

Receitas secretas dos Terríveis (1)
Por Fran Pacheco

Processo Produtivo Básico de Uísque Paraguaio

Ingredientes:
01 (hum) litro (seco) de uísque de qualquer marca;
01 (hum) litro (cheio) de álcool;
01 (huma) colher (sopa) de mercurocromo;
04 comprimidos de cibalena;
01 padre.

Modus operandi:
1) Encha o litro seco de uísque com 1 litro de álcool;
2) Adicione a colher de mercurocromo e agite;
3) Misture os comprimidos de cibalena (já prevendo a dor de cabeça);
4) Remexa até a mistura ficar uniforme;
5) Peça para o padre batizar.

Parabéns, você acabou de produzir na Zona Franca de Manaus o primeiro uísque paraguaio 100% nacional. Consumir depois das eleições.

 

Halloween freak, fake e free
Por Ishtar dos 7 Véus, a hedonista


Ishtar e seu bofito-escândalo Mister K numa aparição fantasma no Halloween Free. O flagrante foi conseguido por uma máquina Rolliflex-Kirlian de Cartier.

Polêêêêêêmica, fofitos!!! Enquanto Fran, Cecezinho e irmão Paulo não gostaram dos últimos ralóins que rolaram na city, Mister K e algumas bibetes friends of mine, amaram!... Ai, linditos... Difícil agradar a todos, né?... Mas tenho certeza que o meu boss-lindito-fofito-que-se-Deus-quiser-vai-aumentar-o-meu-salariozito, Fran Pacheco, fez o possible pra agradar e divertir a todo mundo na sua fantasia hilária de Dr. Strangelove no Convento das Freiras Taradas... Josué Neto, lindito do meu heart, eu cheguei meio tarde à festa de quinta-feira no Bora Bora e não vi o tumulto na entrada... Mas quanto ao som... até que eu gostei e vi que o people tava se divertindo... Bibetes, barbies, barbapapas, susies, bate-palminhas... Todos estavam saltitantes, felizes e suando horrores!... A camisa negra com a aplicação da abelhinha em flúor era de uma cafonice incrível, mas no corpito de Egreen (filha da poderosa Márcia Baranda, de Parintins), Sueline Chíxaro, Marjorie Peres, Michele (filha da poderosa Glória Carrate, da Compensa), Thalita Gonzalez, Gisela Venturini, Lívia (filha da poderosa Tarcila Mendes, da Colméia), Christina Melo (idem e esposa do big boss da rádio Novidade, Humberto), Suely Moss, Vânia Lopes e Raissa Leite, até que dava pro gasto... Agora, como sou linda-loura-e-franca, realmente senti falta da pista revival... que é a minha cara!... Sempre faz falta uma Gloria Gaynor, um Village People, uma Donna Summer... Mas o que estava fazendo ali o Bob Hoffman, campeão de wrestling da WWF?... Ele confundiu a pista do Bora Bora com o ringue do Jungle Fight?!... Me poupem... E no sábado, meus linditos, o que vocês fizeram?... Se divertiram na Usina Londrina, com a Heleninha e a Milena?... Ai... Ai... Eu pintei minhas madeixas de castanho-escuro na Vitória Fernandes, coloquei uma roupita bem anos 20 e me soltei, fofitos... Eu e Mister K nos acabamos na pista... Sim!!! Ele estava lá comigo, ao vivito e a cores... Claro que eu tive que fazer umas caritas feias (Huuum... como se eu conseguisse ficar feia...) para umas bibetes que se assanharam para o lado do meu bofito... Uma coisita básica tipo "desaquenta biba que o bofe é meu!"... Mas a night foi óóóótima... E a trava-music deu o tom da festa com muita bibete "strong enough" se achando a própria Cher... Tão tá... Força no narigão e na peruca, linditos!... Agora, quem tava superfofito e arrasou no queijo foi o meu fanzito-que-eu-amo-de-paixão Alex Deneriaz, conhecido no basfond do high-society como colunista Aléxia... Ferveu horrores com um pirulito na boquita e com uma coreô que deixaria Christina (a Aguilera) orgulhossééééérrima de seu discípulo!... Vi tudo, my friend... Congratulations!!! Você foi tão sucesso que até minha ex-diarista Lucinaura (de Manacapuru) resolveu blogar about you... Aliás, Luci e seu bofe carioca estão agitando horrores na wonderfull city do rio Solimões... Beijos, fofita!... Mudando de Londrina para o Jardim das Américas (I'm sorry but eu sou uma mulher internacional...), no mesmo sábado também coloquei os meus pezitos no Halloween Free... Huuuum... Huuuum... Até que os DJs tocaram uns tóimtóimtóins interessantes... Melissa, Sabrina, Frida, Alline, Ana Júlia e Larissa estavam oferecendo pastel de keijo, mas não sei se alguém comeu... A maioria dos boys presentes tinha pinta de que não era chegada ao produto... Abafa... Mas o melhor da noite foi mesmo o meu poderoso big-black-brazilian-guy Mister K, que baixou no DJ Graciano Rebelo e foi tudo... Igual a um cavalo ensinado (ayô, Silver?), Graci colocou barbies, playmobils, fofoletes e barbapapas para sacudirem os quadrizitos com muito plim plim plim e tóimtóimtóim luxo... Mas o place é caloreeeeeeento... Acabou a água e o refri e euzita fui obrigada a tomar uma cevejita... tá, tá... duas cervejitas... tá, tá... enfiei o pé na jaca!... Fiquei tchuuuurva e comecei a ouvir o tema do seriado Dallas em minha mind... Ui, me transformei numa Sue Ellen Ewing básica... Antes ela do que a Santana... Ééé... porque Sue Ellen vai linda-rica-e-colocada se tratar na clínica Betty Ford junto com Liz (a Taylor) e Whitney (a Houston)... Luuuuxo!... Quero ver o ralóim desse final de semana nas boates GLS (Glamour, Luxo e Seduction) do centro da cidade e, se der pedal, vou dar uma passadinha na escolha da Garota Laje 2004 do Mauazinho... Música do dia: "Fame" com Irene Cara, pra vocês saltitarem no meio do engarrafamento uó da Djalma Batista... "Faaaaame... I wanna live foreveeeer..." Fui!


 

25 outubro, 2004

Sabedoria do Além (3)
Por Fran Pacheco

"Não entro em clube que me aceita como sócio."
Groucho Marx (1890-1977), declinando de nosso convite.

 

Pensamentos
Por irmão Paulo

I
Hoje em dia chamar alguém de preto ou de nego, apesar do apelo telúrico e absolutamente incorreto do Negão25, é crime. No meu tempo, branco era branco e preto era preto. Chamar um mulatinho de azulão, por exemplo, era um gesto de carinho, um acolhimento - hoje é ofensa. Os boçais que se ofendessem e fossem reclamar, levavam logo um catiripapo de nossos pais e saiam sambando. Pra aprender o que é bom.
II
Um pouco de Dante nessas eleições cairia bem. Lasciate ogne speranza, voi ch'intrate. Essas palavras, em cores escuras, deviam estar escritas no alto das portas das seções eleitorais. Em bom português, percam todas as esperanças, os que entram.
III
Em um exercício intelectual identifiquemos os maiores defeitos de Serafim (dedo-duro, fraudador de eleição, filhote da ditadura, incompetente e mentiroso - segundo Jefferson Peres) e Amazonino (ladrão contumaz). Identificados os defeitos, como num comando de Photoshop, estirpemo-os das respectivas personalidades. E então, o que resta? Resta alguém que nunca fez nada e alguém que fez tudo.
IV
Serafim é apoiado por Alfredo Nascimento, Lula e Miguel Arraes. É preciso 200 intelectuais para, pelo menos, zerar o Q.I. dessa junção que, ao menos agora, bate fácil a casa dos mil pontos negativos. Serafim posa de oposição mas tem o apoio do homem público que governou Manaus por mais tempo durante esses vinte tão falados anos, Alfredo Nascimento. Aliás, não admira que 1. a cidade esteja uma merda e 2. Serafim esteja caindo pelas tabelas.
V
Torpe, é o mínimo que se pode dizer da ação do "célebro" (Sabino, pra quem não conhece). Tudo é desculpável, chamar de corno, ladrão e viado. Hostilizar os familiares e descobrir filhos bastardos, mas foi um golpe baixo do "Célebro" revelar que Serafim não passa de um tarado. Foi muito chato todo mundo saber que o cara gosta de baranga. Só falta agora o cara se engraçar com a Dercy Gonçalves.
VI
Lá pelas tantas, no horário eleitoral, algumas caiporinhas a mais, AnalfaLULA chegou a desejar transformar-se em um morador de Manaus, o que me fez ficar pensando como se daria isso. Bom, atarracado e buchudo ele já é. Ficaria, progressivamente glabro, moreninho, perderia os caninos para as cáries (seu português permaneceria intacto, entretanto) e, ao final da transformação, sairia dançando boi ao som do último hit de campanha.


 

24 outubro, 2004

Fran Pacheco acusado de engravidar noviças rebeldes
Por Stella Maris - especial para o Club


Irmãs montam guarda no convento para impedir nova incursão do espírito sedutor. Percebam a satisfação nos semblantes.

O festival de grávidas que assolam o país chegou ao Club dos Terríveis. Irmãs do convento das Madres Cenobitas, nos confins da Botocúndia, denunciaram o falecido Fran Pacheco à Comissão Demolidora de Reputações como sendo contumaz deflorador de carolas. O espectro bigodudo de Fran teria engravidado ao menos 27 noviças nos últimos 2 meses. Para isso, teria se valido dos mais sórdidos artifícios. Ora teria se passado por um zelador retardado, mudo e bem-dotado. Ora teria feito as vezes do Barão Von Trapp, cantarolando Edelweiss e atraindo as almas inocentes para o bote. Algumas noviças afirmam ter visto Fran ao natural, só de bigode e chapéu coco, fazendo traquinagens em seus claustros. A porta-voz do convento, Sóror Lisbela Espanca (150 kg), afirma ter sido ela própria "sondada" pelo defunto sedutor. "Ele estava só com um barrete de Bispo. O bafejo gélido de Fran está até hoje impregnado em meu corpo", suspira a religiosa.

O depoimento de Sóror Espanca causou furor nas galerias do parlamento, quando ela desceu aos detalhes mais picantes do suposto enlace. Em respeito à linha editorial deste órgão noticioso, preferimos omitir tais descrições. Podemos adiantar que o ectoplasma de Fran fez "barba, cabelo e bigode" na depoente, além das arrojadas variantes "cossacos de Cossovo" e "sete anões ao mesmo tempo agora". "O defunto era um verdadeiro súcubo sexual", afirmou Sóror, com indisfarçável satisfação no rosto.

Fran Pacheco nega tudo, exceto os elogios a seus atributos espectrais. Afirma que apenas "rodeou o convento" e "vez por outra dei umas entradinhas, para conferir os belos vitrais bizantinos. Jamais interromperia os serviços religiosos. No máximo, avaliei o estado de conservação dos claustros e do vestuário das noviças. Talvez tenha me manifestado para uma ou outra, mas de longe. Raríssimas vezes travei um contato mais próximo e sempre contra a minha vontade. Não, não podem ter sido 27, até para mim seria demais..."

Fran considera tudo uma "armação" da Operação Rasga Mortalha, deflagrada por extintos órgãos de repressão para apurar possíveis falcatruas cometidas pelos Terríveis. Para ele, o caso está "natimorto" e desafia: "elas que apresentem os curumins!" Quando informado que os curumins bigodudos estão sendo providenciados, Fran, um pouco acuado, prometeu conseguir o depoimento de seu advogado do diabo, Padre Quevedo. O velho e ranzinza jesuíta é radicalmente contrário às relações sexuais entre vivos e mortos, mesmo dentro do casamento. E vai logo avisando: "amante morrto non paga pensão! Non paga!"

 

23 outubro, 2004

Meus Discos Favoritos (1)
Por Cartier, Free-Lancer


The Black&White Album (1961-2004)

 

22 outubro, 2004

Eles sarafam e o Negão seferra
Por Fran Pacheco

(Eu tinha pensado em outro título para este post, mas tenho uma queda incurável por trocadilhos infames...)

Empate técnico ou vantagem literária para o Sarafa? Aníbal, que é poeta à Beça, aderiu à campanha do carequinha. Não sei se foi ele, com sua verve no manejo da última flor do Lácio, quem cunhou o verbo "serafar". A seu favor, o fato de ninguém lembrar dos arcaicos "malufar" ou "brizolar". Aníbal aparece na Tv, todo bonachão, brincando com a máscara do "pai de Jimmy Neutron" e declamando: "Sarafa, o futuro mais que prefeito... do indicativo!" Dá-lhe, poetão!

Na disputa intelectual, Amazonino Mendes tinha largado com um Estatutos do Homem de vantagem. Com a adesão de seres de Q.I. negativo, como Sabino Pozinho Branco e Bruno Babbaca às suas hostes, a conta começou a pender pro lado da oposição. Agora está posta a questão:

(1 Aníbal Beça + 1 Márcio Souza) > (1 Thiago de Mello)?

P.S. Momento Prof. Pasquale: No anúncio da Tv, o verbo "sarafar" é conjugado errado, pois o correto é "vós sarafais" e não "vós sarafeis". É isso.



 

O "célebro" do Super Sabrino
Por Fran Pacheco


 

21 outubro, 2004

Debate Amazonino X Amazonino: não vi e não gostei
Por Fran Pacheco

Foi o que me disseram os vivos. O debate da Rede Bandeirantes entre os candidatos Amazonino Mendes e Amazonino Mendes, mediado por Otávio Ceschi Jr., de São Paulo (Brasil), correu sem maiores incidentes. Os participantes concordaram em todos os pontos questionados. Não houve troca de acusações ou agressões verbais. Pelo contrário, Amazonino Mendes elogiou, repetidas vezes, a competência e experiência de seu debatedor, Amazonino Mendes. Mantendo a elegância, evitaram tocar em pontos nevrálgicos como Operação Albatroz, prisão de ex-secretários, indiciamento de vice por formação de quadrilha, desbunde do Bisneto, bimbadas do Sarafa, porrada na Câmara Municipal, volta do Omar Habib's ao ninho das cobras, tráfico de cocaína no currículo do vereador mais votado, compra de votos no dia do pleito, armações do bruxinho Egmerdo Batista, uso eleitoreiro da máquina pública municipal e estadual, coação de funcionários públicos, novo iate de dois milhões de dólares, dossiê secreto de 34 denúncias contra o Sarafa, coleção de processos no STJ contra Amazonino e Halloween VIP do Negão.

O mediador mostrou-se imparcial, não favorecendo nenhum candidato. O clima amistoso estendeu-se aos cabos eleitorais e assessores dos debatedores, que se confraternizaram ao fim do debate. Cada candidato desejou ao outro a vitória na eleição. Pesquisa instantânea do instituto Ocus Pocus, entre as 20 pessoas na cidade que assistiram à transmissão na íntegra indicou empate técnico quanto a quem ganhou a contenda. Única ocorrência médica: a exposição prolongada a 1 hora de discurso do Negão deixou certos fãs, como o Moço do Flog, em estado irreversível de êxtase tântrico.

 


 

Toma que o filho é teu!
Por Fran Pacheco


Adote um candidato. Mas não me chame para criar!
(em coro, os nenéns cantarolam: "mãmã eu télo mamá!")



 

Todo poder aos anencéfalos!
Por Fran Pacheco

"O sofrimento não degrada a dignidade humana. É, ao contrário, essencial na vida humana. (...) O sistema judiciário só repudia o sofrimento por atos injustos, o que não é o caso.”
Ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal


O caso em questão é o sofrimento das mães de fetos anencéfalos, obrigadas por Lei a carregar no ventre um cadáver em formação, um organismo cujo coração deixará de bater assim que, digamos, "nascer".

O ministro em questão, o Dr. Cezar Peluso, é o primeiro caso relatado de anecéfalo ambulante e com notável saber jurídico. Ele e mais 6 fundamentalistas togados (inclusive 1 mulher, a Dra. Ellen Gracie) mantiveram ontem (20/10/04), na prática, a proibição e o caráter criminoso do aborto nesse tipo de gravidez.

Registre-se que tudo é provisório. O mérito da questão ainda não foi julgado. A votação foi relativa a uma filigrana processual, incompreensível aos não iniciados na mecância quântica jurídica brasileira. Mas o simples fato de a proibição a este tipo de aborto voltar a vigorar indica que os anencéfalos (legisladores ou julgadores) estão vivos sim, e à solta. E têm o poder nas mãos.

 

20 outubro, 2004

Nossa Senhora do Peixe Frito
Por Wally Sailormoon

Tudo aperto e nada abarco além desse ramo de capim santo, cheio de razão ardente, descarregado de mim mesmo, ando no mundo dos vivos, dos muito vivos, por entre mesas e cadeiras do mercado Adolpho Lisboa, andando à toa, com um back no bolso. Easy rider em slow-motion. E este ar impregnado de peixe frito, de peixe frito em um azeite queimado desde a era glacial, me faz gestar uma idéia maluca de uma Nossa Senhora do Peixe Frito, uma cunhan-poranga sestrosa como um dia foi Daniela Cicarelli Assayag, a musa dos grandes lábios de mel e de rabo cheio de espinhas. Tento recitar de cor o poema do jesuíta Hopkins “the blessed virgin compared to the air we breathe”, mas não consigo. Compadecei-vos de nós,oh! senhora, de nossa tibieza, da moleza de nossa língua sem ossos, das nossas secretárias que não transmitem recados e sofrem do mal geral de “me esqueci”, da nossa inaptidão total para romper o atraso, nós os impontuais por natureza e pois atrasados e atrasados e atolados na mais absoluta indigência, indigência maior do que o palude em que se afundou “the House of Usher”, indigência maior do que ver criancinhas entoando o hino da ditadura no palanque do Serafim, entoando o hino de Dom e Ravel no sagrado chão de Santa Etelvian, a padroeira da leseira baré, indigência maior do que ver o Negão falando mal de seu ex-afilhado Alfredo Buchada, falando mal do jegue potiguar que até alguns anos atrás era tratado a leite de pato quando descascava tucumã na colméia do tarumã, oh! bocas podres, ulceradas e sifilíticas que só gotejam pus e pestilências, e se duvidar que a nossa cárie é sem remédios descei a Getúlio Vargas até a Leonardo Malcher e olhai aquele prédio com azulejo que era tão lusitano e belo e hoje não passa de uma pústula cariada e sem obturação possível, nós os infestados de impaludismo alma a dentro, oh! Nossa Senhora do Peixe Frito, compadecei-vos dos nossos garçons e garçonetes, risonhas bananas moles, afora os que por sorte cursaram os primeiros socorros de culinária no restaurante do Sesc e que são tão peritos e bons em servir peixe frito & farofa de uairini & pimenta malagueta & vinagrete de cheiro verde & cerveja choca & que depois continuam desempregados porque o homem que manda na Manaustur não olha para aqui em baixo e não vê passar a um palmo de seu nariz arrebitado de “status seeker” e cheirador de cocaína uma Antônia, um Marcileudo, uma Lucimar, um Severino qualquer, recém despejado do curso de primeiros socorros do restaurante do Sesc pois uma nova turma recrutada por Madre Tereza de Calicut já arrombou o ferrolho ou a taramela da pesada porta, oh! Nossa Senhora do Peixe Frito, rogai, rogai por nós que recorremos a Vós. Oh! Virgem abençoada comparada ao ar que respiramos! Vós que não fostes sequer imaginada pelo celestial pintor Fra Angélico que admiro e amo tanto e que nesta taba de tabaréus se conta nos dedos das duas mãos quem já ouviu falar, e cabe nos cincos dedos de uma só mão quem viu alguma tela dele. Aqui campeia a mentira cínica e deslavada a que os nativos se referem dizendo “mas quando já? nem com nojo!”, de étimo indeterminado diria qualquer dicionário etimológico que fizesse o registro do termo. E os motoristas são os mais grosseiros e os pedestres os mais folgados do planeta, ambos caboclos simplórios ilhados entre o porto e o aeroporto fazendo do trânsito um fliperama letal. Emputecido estou, oh! doce mãe da broa de trigo e do enjoativo cafezinho com três dedos de açúcar no fundo do copo, eu bem que tento, mas caber não caibo na moldura deste quadro, não me enquadro por entre os caibros desta oca, gitano andaluz sou e madastra esta cidade onde reinais ao meu olfato e invisível aos Vossos inconscientes adoradores, sois um bezerro de ouro fervente em cima dos fogareiros de latão batido assando churrasquinhos de queijo. Um olho agudo aguçado me diz que nem todos os santos e santas orando na língua dos anjos reverterão a tragédia, que não há salvador que salve este armento da sua amazonina ou desbragada corrosão. Não pressinto remissão possível, oh! sagrada senhora, para esta cidade-presépio-presepeira da planície e das casas de forró. Rogai por nós,oh! senhora do manto amarelo-gema de ovo de galinha caipira. Que tudo abarco e nada aperto além deste capim santo. Eia pois, advogada nossa! Salve Madona imaculada que se adornou do cocô de caganeira da Carmem Doida na Praça do Congresso! Salve Rainha, nossa santificada Nega Charuto do torpor do beco da Bosta no bairro dos Tocos! Salve Soberana do empata-foda, da futrica, do fuxico, da fofoca e do banzo! Valei-me, oh! senhora, antes que a merda dê no boné, e nos mande um ciclone extratropical para avacalhar a bovina festa de aniversário da cidade que ora se avizinha! Deo gratias.

 

Vou ralar no ralóim!
Por Ishtar dos 7 Véus, a hedonista

Ai, que dia lindito!!! Será que eu vou até a Cachoeira das Almas mostrar o meu abdomizito definidééééérrimo para as videntes da Mãe Zulmira? Huuum... sei não... Tô tão largadita aqui nessa cama... Refletindo... Olhando para o teto... Ui, que rachadinho uó é aquele?... Já sei! Lá pelas cinco, coloco meus patins e vou passear pela Faixa de Gaza (Calçadão da Suframa)... Aproveito e dou um beijito fantasmagórico nas bibetes friends e faço um social básico... Tou louca pra saber como foi a beijação-protesto em frente à Câmara Municipal, em desagravo ao Sarafa, que está sendo ameaçado de morte pelo Ibama por ter comido um tribufu em extinção... Também, o fofo que come um tribufu daqueles já deve ter mamado em onça... Abafa... O vereador Jorge Maia, a deusa pink das Alvoradas, disse que tava louco pra descolar um bofito escândalo engajado na causa gay... Que ia beijar moooooito... Ai, será que eles cantaram "Caminhando e Cantando" ou "I Will Survive"? Sou mais "So Many Men, So Little Time" (Traduzindo: tantos homens, tão pouco tempo)... Bem... era!... Porque agora fofitos, o único man da minha life é o meu Mister K... Ai, que saudade!... Não... Eu não fui à maratona de cinema Um Manaus no Largo de São Sebastião... Aaaah... Fiquei meio deprê... Comecei a ouvir "The Winner Takes It All" e a pensar em Mister K... Depois, coloquei na vitrola: "Chiquitita", "Fernando" e "I Have a Dream"... Fofitos, fiz uma sessão "Abba deprê" no meu quartito... Ai... Agnetha... Só você me entende... Em compensação dei um rolê na Gaiola das Loucas, o badaladéééérrrrriiiiimo aniversário da Vitória Verçosa que rolou sábado, no Village... Mais de 200 periquitas acesas saídas diretamente da academia Cagin... Um luxo!... Helena Britto, que preparou as massas, peixes e carnes (os frangos não... os frangos eram todos professores de dança da academia...) servidos na boca-livre, não fala mais comigo desde que fui pra Sampa e não psicografei a cartinha que ela mandou para a Hebe... Tentei subornar uma vendedora da Daslu que tinha o telefone da loura poderosa... Aaaai, não deu certo!... É muito caro subornar uma vendedora da Daslu!... I'm sorry, Helena... Tadinha, ela também tá deprê desde que espalharam que a festa de ralóim na Usina Londrina, organizada pelas fofitas Heleninha e Milena, está sendo bancada pelo Negão... Triste, né? Coisas da vida... Já dizia minha avó Bianca: "Às vezes a vida é como um Kinder Ovo: cheia de surpresas sem-graça"... Anotem e pensem... Ai, linditos... Preciso de um lugar para refletir, reunir forças, pensar sobre a condição do ser humano na sociedade moderna... Vou ao shopping bater umas pernitas! Isso! Vi uma blusita na Yes que é a minha cara... Ela fica lá na vitrine, me chamando: "Hedô... Hedô... me leva pra casa... Fico tudo em você!" Ai...ai, tá bom blusinha... vou te comprar! Hum... tem também uma calça da Forum... Se eu passar perto da vitrine e ela mexer comigo... Fran, me dá um aumento?... Bem... Mudando de um assunto pra outro... Mininiiiiiitos, foi só eu assistir a um programa sobre depilação artística que fiquei crazy da minha pussy pra experimentar esse babadito... Tá... Tá... vocês não sabem o que é depilação artística? Ai, se pluguem linditos! São aqueles desenhitos que as fofitas fazem na pexereca! Um luxo! Tô pensando em fazer um coraçãozito... ou uma florzita... Quem sabe um pac-man (os oitenta voltaram, né?). Uma amiga minha desenhou uma maçãzita mas ninguém consegue saber se é um morango, uma nuvem ou um balãozinho... Tadinha, ela ficou mal... Mas eu consolei, né? - "Liga não fofita, vai ver isso é igual àquelas manchas de teste psicológico. Cada um vê um desenho diferente!" Aaaaaai... Já sei! Vou pôr um K!!! E por falar nele... Tá tocando aquela música dos Tribalistas que o meu bofito adoooora cantarolar ao pé do meu ouvidito... Ai... Ai... (pausa para suspirar e revirar os olhinhos...) "Meu riso é tão feliz contiiiiigo... Meu melhor amigo é o meu amoooor... Seus olhos, meu clarão, me guiam dentro da escuridão. Seus pés me abrem os caminhos... Eu sigo e nunca me sinto só..." Beijitos!.. E até o ralóim na Usina Londrina... Ou será lindona?... Fui!

 

Histórias de Phadas e Phodas (1)
Por Fran Pacheco

Do Livro dos Seres Políticos Imaginários: O Gog

O Gog é um feto ambulante, o concepto de uma bruaca com uma mala preta recheada de vil metal. Nenhuma equipe da Real Sociedade Científica jamais conseguiu registrar sua imagem. Arredio, vive sob cárcere privado, em paradeiro errante, ora nos confins do Grão-Pará, ora nos limites difusos da Cisplatina. Nunca dá com a língua nos dentes, pois sua arcada dentária fica na testa. Não possui documento oficial de nascença, parido que é no valhacouto da clandestinidade, pelas mãos das 3 fúrias (Megera, Alecto e Tsífone). Sua tipologia é variável, ao sabor das oferendas, conforme o pai que se lhe queira imputar. Às vezes é um feto barbudo, às vezes glabro e calvo. Até turco ele pode ser. Não confundir com os Delfins, vastíssima casta de filhos de Botos-Tucuxis, seres em estado terminal no folclore político.

O Gog manifesta-se sempre na estação das eleições tropicais (entre o equinócio de primavera e o solstício de verão). Ele é atraído pelos estertores do grande verme Cândida Turaofficialis (consultar verbete sobre este monstro) em vias de ser defenestrado. De sua existência ficam sabedores os druidas batistas, que fazem espalhar a notícia pela voz dos eqüídeos sabinos. Seu advento causa grande comoção nas massas. O infeliz a quem é imputada a paternidade do Gog torna-se um sonâmbulo, inapto para debates na Tv, até que se desafaça o encantamento. Ao final da apuração, exaurido como assunto, o Gog recolhe-se ao aconchego do Tártaro, onde se põe a hibernar.

Quando, no fim dos tempos, o Gog encontrar-se com seu antípoda, o Magog (a serviço da coligação contrária), reinará o Caos Final no sistema eleitoral. Os oráculos prevêem uma orgia dionisíaca, com a Grande Unificação de todos os clãs políticos numa suruba sanguinolenta (financiada pelos aldeões).

 

19 outubro, 2004

O Bebê de Amazonery (I)
Por Fran Pacheco

Um voto (cafajeste) de confiança em Serafim Corrêa:


... não... essa nem eu comeria...


 

Política e verdade
Por Cezário Camelo, "Cecezinho"

Pelo que vejo nos jornais locais, quando trajando meu uniformezinho de internauta (alguém que não tenha titica de galinha na cabeça ainda gasta dôsrréa com aquelas porcarias? Não creio!), está havendo uma certa revoada de acusações nas altas esferas políticas de Manaus. Como aliás está sempre havendo uma revoada de acusações no mundo da política quando o assunto é verdade ou mentira. Até há pouco, nos Estados Unidos, só se falava na incapacidade de o presidente George W. Bush distinguir uma coisa da outra, ou seja, distinguir entre verdade e mentira. Quer dizer, verdade e mentira, em essência, são a matéria prima da política. As coisas públicas ou são ou não são. Elas não podem dar a aparência de outra coisa que não a verdade. Mas nós podemos sempre confiar nos americanos. Não confiar no sentido de que eles são sensacionais e não só servem de esplêndido modelo para nós, povo mulato e inzoneiro, como também nos tratam de igual para igual com fidalguia e fairplay. Não, não. Eu digo confiar no sentido de que eles sempre aparecem com uma besteira que faz o resto do mundo rir e se divertir um pouco, que é bem melhor do que ser bombardeado ou invadido por marine. Lembro que nas eleições de novembro de 2000, em Massachusetts, o candidato rival ao sete vezes senador democrata Edward Kennedy - conhecido por não ser um apaixonado da verdade -, um cidadão por nome Jack E. Robinson III, na disputa pela cadeira no Senado, decidiu promover sua campanha na base da verdade. Criou um site na Internet e deu o pontapé inicial na contenda política. Robinson III cismou de só dizer a verdade. E tacou lá: foi preso por dirigir embriagado. Foi preso por excesso de velocidade. A polícia o encontrou de posse de perigoso implemento nas artes marciais. Foi acusado de plagiarismo. Foi processado diversas vezes pelos motivos os mais variados. Foi até acusado duas vezes de assédio sexual embora o caso não tenha ido aos tribunais. O povo americano ficou muito impressionado com a honestidade de Jack E. Robinson III, que é um dos políticos mais conhecidos nos Estados Unidos. Só teve um detalhe: uma semana depois de o site estar no ar, ele deixou de ser o candidato do partido Republicano à cadeira no Senado americano. Foi rifado pelos cardeais do partido. Fica aí, pois, a lição. Verdade, sim. Mas devagar, que também ninguém é de ferro. E isso vale tanto pro Sarafa quanto pro Negão.


 

18 outubro, 2004


 

Falou, Amistad!
Por Fran Pacheco

Amistad é coisa pra se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração, assim falava a canção
Que no Amazonas ouvi ...


Consta que quase tudo o que Amazonino Mente usufrui é de propriedade de seus amigos do peito. Com muito sacrifício, muita camisa suada, economizando o ordenado de governador e tomando um dinheirinho emprestado à Caixa, ele ergueu uma casa, digamos, decente, às margens de um igarapé. Essa, Pelo menos, está em seu nome. É coisa rara. Os figurões da Receita Federal, os mesmos que te enchem o saco por um erro na tua mísera declaração do Imposto de Renda, acreditaram na história. Como diria Edir, toda crença tem seu preço.

A casa, ou melhor, o feudo anterior onde o negão morava pertencia a seu amigo Otávio Raman Neves. Agora, o nababesco iate Amistad (Amizade), cuja existência foi revelada pela Agência Maskate, pertence a seu amigo Carlos Edson, que toca o ramo gráfico da colméia, a Editora Novo Tempo.

É uma pena que a Lei não possa ser feita tendo em vista uma só pessoa. Se pudesse, que se baixasse uma norma personalizada: "fica decretado que o cidadão Amazonino Mente deverá relacionar, em sua declaração de bens, o rol completo de seus amigos". Afinal, pelo que podemos constatar, eles são o seu maior patrimônio.

 

17 outubro, 2004

Quadro póstumo de Fran Pacheco barrado na Bienal
Por Stella Maris - especial para o Club


Transeunte aprecia a obra de Fran.

Botocúndia - O monumental quadro póstumo do bigodudo terrible Fran Pacheco, intitulado Branco com um Buraco no Meio foi impedido de integrar a mostra oficial da Bienal Mediúnica de Arte de Uberaba. O curador do evento, o babalorixá norueguês Häns Björg Luambala, alegou o não cumprimento do prazo de inscrição, que se encerrou, pelas suas contas, há trinta e cinco anos. Fran alega um complô contra a Zona Franca de Manaus e patrulhamento estético, pois a bienal estaria dominada pelas "panelinhas das funerárias paulistas e dos necro-modernistas cariocas do Cemitério Parque Lage".

Fran não poupa críticas à curadoria: "só de girassol de Van Gogh paraguaio já vi uns quinze. Bandeirinha junina do Volpi, umas duzentas, todas chinesas. Os Gasparettos fizeram a festa. Estão privilegiando uma sub-arte funcional para pendurar em parede de centro espírita. A minha obra tem atitude. Atitude!!"

O polêmico quadro já surge revolucionário na forma: um quadrado com 20 metros de altura por 32 de largura. "É o primeiro quadrado em proporção áurea da história", explica Fran. O "buraco no meio" a que se refere o título, feito com uma ponta de agulha, "provoca" os espectadores a encontrá-lo. Uma dica de Fran: "não é bem no meio, não. A composição ficaria monótona e sem sentido. Fugiria à minha proposta". A obra joga com conceitos de chiaro-chiaro, suprematismo-muralista-minimalista e boi-bumbá. "Não podia deixar de dar um toque regionalista", explica o artista, sem entrar em detalhes.

Pacheco pretende reunir outros mortos marginalizados ou simplesmente pirados, como Bispo do Rosário e o profeta Gentileza, para compor uma aparição coletiva em plena alameda principal da necrópole de Uberaba. Costinha e Aracy de Almeida foram convidados para compor o júri do happening. Fran confessa que desde 1955 sonha em ser esculhambado pela Aracy.

A entrevista é bruscamente interrompida quando Fran Pacheco, num sobressalto, corre em direção ao quadro: "Porra! Penduraram de cabeça pra baixo!"

 

Poderia ser pior, manauaras...
Por Fran Pacheco


 

16 outubro, 2004

Passaram a mão no ferrão da abelha!
Por Cartier, Free-Lancer


Uma imagem (ou um dedo) falam mais que mil palavras. Amparado fora de sua cadeira de rodas por sádicos e masoquistas ensandecidos, o candidato Nino Negrón é vítima de sessão coletiva de apalpamento e deduramento. Ossos do ofício...


 

Assunto pessoal
Por Torquato Piauí

Na geléia geral brasileira que este blog sem nexo anuncia: alguma novidade? Porque eu mesmo não sei de nada, estou por fora. O último fim de semana eu passei por aí, de boteco em boteco, igual a esse. E agora acabou.

Alguns “viajantes das estrelas” (ou “vagabundos”, como foi traduzido, erroneamente, no título do famoso livro do Kerouac publicado no Brasil. Não me peçam para citar o nome original. Vocês não são idiotas. A não ser que, dele, só conheçam “On The Road”, que é uma roubada) me escreveram concordando ou discordando do que eu comecei escrevendo por aqui. Já pensei em responder a alguns desses bovinos, mas desisti.... Tirésias, que não está cego e vive dando palpite em tudo que emule inteligência, acertou em cheio com seu palpite: tudo ainda está doendo muito, amizade, mas pelo menos está sangrando por aqui. Deixo sangrar. E vou experimentar cocadaboa, conforme me recomendou um otário. Podes crer, amizade.

Ao poeta Sailormoon estou devendo a fé que eu já havia esquecido. Mas eu nunca disse pra ninguém e digo logo desta vez: era um grilo zumbindo e eu não acreditava mais que as palavras pudessem me servir de nada. MACUNAÍMAZONINO e SERAFINADOPONTEPRETA, palavras-destaque nesse estúpido show da vida, desfizeram meu absurdo encantamento pelo grilo. Não é nada daquilo e é o mesmo de sempre: tudo é perigoso, divino, maravilhoso. E as palavras, eu aprendi novamente, não são armas inúteis.

Mas o importante, eu continuo, o importante mesmo é não desistir nunca. La noche en que me quieras será de plenilúnio: não digo: adeus batucada: não digo: pra dizer adeus: não digo: nunca. Na disputa pelo posto de alcaide, os dois kandidatos (mixto-quente de kandidíase & hiato no cerebelo) têm as mãos sujas de sangue.

É isso mesmo que eu soube, que eu li, que me informaram: um é dedo-duro, o outro, ladrão contumaz. Dedo-duro é pior, porque quem entrega alguém não tem classificação, amizade. Nem desculpa. Ladrão, não. A gente pode chamá-lo de filho da puta e torcer pela justiça. Às vezes, muito raramente, eles, os ladrões, se fodem. Basta estarmos na torcida. Algumas vezes a corda bamba rompe e não tem rede de proteção. Eles se quebram todo. Quebram a cara. Se fodem. Vê-los algemados, amizade, é algo que ninguém esquece! Algumas vezes. Mas dedo-duro não tem perdão. Ele não corre risco. Ele acompanha tua desgraça de longe e ri com soberba. Ele acha que nunca ninguém vai ficar sabendo. Por isso é mais perigoso. Ele se acha Deus, acima do bem e do mal. Sacco e Vanzetti que o digam. Isso me diz algum respeito? Não me diz nenhum respeito, graças a Deus.

E chega. Amanhã, na mesa branca do Rebanhão, eu penso nisso tudo. Ou não.

 

15 outubro, 2004

Bom FDS VIP a todos!
Por Fran Pacheco

No princípio, eu não entendia a linguagem da Teia de Alcance Mundial. Eu só conhecia o RSVP, mas isso é do tempo em que as pessoas ruborizavam (e morriam com golpes de ar). De qualquer forma, neste FDS (fim-de-semana, tia Coló) , jovens eleitores VIPs de Amazonino Mendes (PFL) colocarão o bloco na rua. Nosso amigo do flog (eu também não sabia o que era flog) estará rindo, rindo a bandeiras despregadas, em belíssima companhia feminina. Quem negará o pedido encarecido de uma Luciana Lady Smorigo, na janela do seu carro, para pregar um broche da abelha na testa? E um apelo manhoso da Milena Fagundes, sob um sol de rachar catedrais? Resistir quem há de?

(Para menininhas e liberais: Josué Neto.)

Consta que todo um background musical bovino estará à disposição da moçada. Pelo menos foi o que deduzi do We Are The World que 99% dos crooners de boi e brega da cidade gravaram para o Caboco Suado. Mas creio que os VIPs gostam mesmo de bate-estaca (estou certo? Ou techno é do tempo do Kraftwerk?). E de Halloween (sem Curupira ou Matinta-Pereira).

A Juventude Amazonista VIP se mobiliza, a bordo de Cherokees e Land Rovers. Quero crer, como atenuante, que movida apenas pela perspectiva de muitos e bons negócios para si ou para os papitos. Capitalismo precoce, meus caros. Por outro lado, os que entrarem nessa por "ideologia", por "conta própria", sem almejar uma pontinha no Sistema e por puro "amor e admiração" pela figura do negão, estes são eleitores com os pés no chão. E as mãos também.

 

E durma-se com um barulho destes 2
Por irmão Paulo

A origem da frase todos já conhecem, falemos, pois, do que nem todos sabem. Em ordem cronológica, as diversas faces de Serafim:

Nada a esconder - "O site de Serafim na Internet não mostra as “atividades profissionais” do elemento no período de 1965 (quando ele tinha 18 anos) a 1976 (quando ele entrou para a Receita Federal). É que nesse período ele era “araponga” do Serviço Nacional de Informação e fiel militante da Aliança Renovadora Nacional (Arena). Quantas pessoas ele “dedurou” para os militares, acusando-as de “subversivas”? O senador Fábio Lucena falava em 37 sindicalistas e 26 estudantes, mas o número deve ser bem maior."

Trabalhador - "Ele exerceu o cargo de vereador por oito anos (1988-1996), mas nunca teve um projeto de lei aprovado. Sua produção legislativa é pífia. Sequer produziu cópias dos seus discursos para a posteridade."

Defensor da zona Franca - "Em 1993, Serafim denunciou a Kia Motors de estar “maquiando” utilitários em Manaus, porque a empresa usava o sistema drawback, e entrou com um processo na Justiça Comum, atrasando em 10 anos a implantação da fábrica sul-coreana no Distrito Industrial. Desfeito o nó na Justiça, o projeto do utilitário Cross Lander foi aprovado na Suframa em 2002, com investimentos de US$ 30 milhões em três anos. Mas, por via das dúvidas, a nova fábrica da Hyundai, que comprou a Kia Motors, será construída na Bahia."

Oposicionista convicto - "Em 2000, quando não passou para a disputa do segundo turno pela prefeitura, Serafim lançou uma carta aberta ao povo de Manaus, distribuída à imprensa, onde dizia: "Na democracia é assim: ganhar ou perder faz parte do jogo. E Manaus preferiu duas outras candidaturas, o que pode ser comparado ao final de uma Copa do Mundo ou Olimpíada. Se o Brasil perde, ele não tem porque interferir no jogo dos que ganham e disputam a final". Aí liberou seus militantes para votarem em Alfredo Nascimento, candidato da situação, que acabou derrotando Eduardo Braga, o candidato das oposições."

Ah! Lembro também que Amazonino construiu uma mansão no Tarumã a um custo incompatível com sua renda (Nem pra pegar isso o Serafim serviu). Tem um castelo na Europa, seis quilômetros de litoral em São Paulo, é sócio do DB, da Rádio FM, de umas 5 construtoras, do Diário do Amazonas e do Estado do Amazonas, da Hermasa dentre outras ousadas atividades empresariais.

 

E durma-se com um barulho destes
Por irmão Paulo

Como anota o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, a polca-tango " E...durma-se com um barulho destes", de autoria de J. Garcia Cristo, foi inspirada na frase-desabafo de Lopes Trovão (que ajudou a redigir a ata da Proclamação da República) contra os apitos dos guardas noturnos, que o impediam de dormir à noite. Lopes Trovão e J. Garcia sumiram nas brumas do tempo, mas a frase ficou.

Dissipando cuidadosamente as brumas do tempo, lembro que em 1978, dois anos depois de ter sido nomeado auditor da Receita Federal pelo general Ernesto Geisel, Serafim Correa, ao lado de Raul Veiga, Raimundo Parente, Jamil Seffair e Mário Haddad, participaram da maior fraude política daquela época, elegendo senador João Bosco Ramos de Lima –Arena (alguém lembra desse sujeito?) e derrotando Fábio Lucena –MDB (incensado por 10 entre 10 lideranças progressistas amazonenses). As cédulas eleitorais eram fraudadas no escritório do Raul Veiga, a vinte metros do TRE (que funcionava no prédio da rádio Rio Mar). Bosco morreu alguns meses depois de assumir o cargo (o cara já tava condenado). Serafim continuou na Arena (depois PDS) até 1986, quando entrou para o PDT junto com os “fraudadores” citados anteriormente. PDT que, hoje, reúne na mesma latrina Jefferson Peres, Mário Frota e Paulo de Carli. Eis os fatos.

Ah! Lembro também que Amazonino construiu uma mansão no Tarumã a um custo incompatível com sua renda (Nem pra pegar isso o Serafim serviu). Tem um castelo na Europa, seis quilômetros de litoral em São Paulo, é sócio do DB, da Rádio FM, de umas 5 construtoras, do Diário do Amazonas e do Estado do Amazonas, da Hermasa dentre outras ousadas atividades empresariais.

 

14 outubro, 2004

Viola enluarada
Por Cezário Camelo, "Cecezinho"

No início desta década perdida, se não me falha a memória, os saborosos tablóides ingleses abriram suas primeiras páginas com fotos apimentadíssimas para informar que a Rainha Elizabeth II havia tido um fim de semana que poderíamos chamar, digamos assim, de interessante. Em um determinado sábado, segundo as fotos publicadas nos ditos tablóides, uma pequena facção de republicanos se não exaltados ao menos debochados, resolveu fazer um protesto diante do Palácio de Buckingham. O movimento intitulava-se, em inglês, “Mooning Against Monarchy”. Vamos tentar destrinchá-los, ou, conforme se diz nos círculos pedantes, desconstruí-los. Em primeiro lugar, “mooning”, do verbo “to moon”, ou seja, “luar”, “fazer luar”. Em bom e simples português, não temos uma palavra boa e simples para o fato que, em sua essência e objetivo, limita-se a um fenômeno muito popular nos meios sem-vergonha da vida: mostrar o bumbum. O bumbum nu, a descoberto. Não vale nudez total. A pessoa – homem ou mulher – tem que estar vestida para abaixar as calças, ou levantar a saia, curvar-se ligeiramente para a frente num ângulo de aproximadamente 45 graus, e aí então exibir o traseiro para a vítima do desaforo. Sabemos que, em certas sociedades, não há desaforo maior, na linguagem corporal, do que mostrar a parte posterior do corpo. Chinês diante disso, ao que parece, manda bala, faca, o que tiver à mão. Russo, idem. Daí tantos incidentes de fronteira entre os dois países quando seus guardas – e atenção que vou cunhar o verbo – quando seus guardas “enluaravam-se” mutuamente. Aqui no Ocidente, isso vale tanto para a Inglaterra quanto para os Estados Unidos e o Brasil, a coisa não é tão grave. Mas não deixa de ser desaforo, a não ser que a pessoa “enluadora” seja, digamos, a Gisele Bündchen ou a Rita Cadillac, “enluarando” a galera do Flamengo. De acordo, ainda, com os tablóides sensacionalistas a polícia inglesa foi lá e prendeu dois ou três gatos pingados que foram passar uma noite na cadeia para ver – exato – a lua nascer quadrada. O incidente parou por aí. Pois é, minha gente, esse “nariz de cera” foi apenas para dizer que não vi nada demais no fato do deputado Artur “Bundinha” Bisneto ter “enluarado” uma delegada, dois policiais, três adolescentes, quatro cachorros, cingo gatos e meia dúzia de banhistas no, para mim, desconhecido município de Eusébio (CE). O único Eusébio que conheci e ainda me lembro foi aquele centroavante português nascido em Moçambique que despachou o Brasil da Copa da Inglaterra em 1966, num dos maiores fiascos da Seleção Canarinho no século passado. Ontem, no plenário da ALE, o deputado tucano, que está em fase de muda da plumagem, não esqueçamos, pediu desculpas públicas por ter se excedido nas comemorações pelo honroso quinto lugar obtido na disputa da Prefeitura de Manaus e negou que tivesse exibido o bumbum para os transeuntes cearenses. Acredito na sinceridade do rapazola. Quem é do meio sabe que ele gosta de praticar karatê boliviano e se empapuçar de uísque, tequila e outros destilados, mas isso, para quem tem 23 anos, é perfeitamente normal. Apesar desses excessos, o Bisneto não tem cacoete de quem queima a rosca – condição “sine qua non” para mostrar o bumbum em lugares públicos (aliás, bunda masculina ao natural é um verdadeiro atentado ao pudor), mesmo que seja no cu do Ceará (o garçom do Caranguejo não, o Estado). Portanto, até prova em contrário, vamos deixar em paz a bunda do rapaz e nos atermos ao que interessa: o Cordeirinho vai ou não vai ser cassado? E, em sendo cassado, vai devolver a “babita” que saqueou dos cofres públicos? O resto da quadrilha vai bater ponto no presídio do Puraquequara? As coleções de relógios Cartier, bolsas Louis Vuitton, BMWs e Ferraris irão à leilão? Quando?... É isso que o povo quer saber, o resto é conversa pra boi dormir, ou melhor, para “enluarar” bovinos. Quanto ao segundo turno, eu quero mais é que aqueles dois se fodam e os eleitores deles idem! Caguei para essa merda!

 

Se fores capaz de negar, negar e negar...
Por Fran Pacheco

"...Então, meu filho, agora és um Político!"

Disso pode se orgulhar o Senador Virgillius Nectus, após o pedido de desculpas de seu "tesouro", Virgillius Bisnectus, o Moço, no palco da Assembléia Legislativa. Bisnectus desculpou-se humildemente perante seus pares, por não ter feito bundalelê no Ceará, por não ter apresentado a régia buzanfa na delegacia como testemunha de defesa, não ter dito que seu relógio valia mais do que a delegada, não ter tomado um porre homérico, não ter agredido um turista holandês no hotel, não ter urinado na rua, não ter jogado latas de cerveja em transeuntes muito menos ter tentado atropelar um incauto, ainda que de brincadeirinha. Tudo isso teria sido uma alucinação coletiva, amplificada pela polícia cearense e pela mídia nacional (todos petistas) interessados em calar a voz do tribuno Virgillius Nettus, o Destemido.

Bisnectus, o Diamante (essa é da lavra do Liberman Moreno), pediu perdão à sociedade por ter, única e exclusivamente, levantado a voz (um pouco acima do tom) para um truculento guarda que estaria perpetrando uma arbitrariedade contra um amigo indefeso. Quanta humildade! Subir à tribuna para se escusar por tão pequeno excesso, cometido com o ímpeto genético de um guerreiro highlander ainda imberbe, na flor da idade!

Sempre relembrando o clã a que pertence, o jovem Príncipe Valente finalizou a "retratação" com o desejo de "um dia ter a bunda, perdão, o nome gravado na Galeria de Honra da Assembléia!" Comoção geral entre os pares. Só faltaram as flores serem jogadas no palco e os nobres deputados gritarem: "Bravo! Bis! Bis! Mostra! Mostra!"

Pelo menos nos anais do folclore político regional ele já foi introduzido. E aqui se encerra o batismo de fogo da nova liderança que este abonado País das Amazonas ganhou.

"...És um político, meu filho! Pode comemorar! Pena que a Okotberfest já tenha terminado..."

 

Experimentado linguagens
Por irmão Paulo

Diferença entre o Solteiro e o Casado


Solteiro


Casado
Soninha sempre foi uma mulher atípica e à frente de seu tempo. Mas casamento é mesmo estranho, na maioria das vezes destrói a individualidade e aquela réstia de mistério imprescindível à manutenção do tesão, lato sensu. Experimento, pela primeira vez, a linguagem pictórica para comunicar-me neste ambiente virtual. Não sei se consegui.

 

13 outubro, 2004

Superprodução na Vivenda Verde
Por Ishtar dos 7 Véus, a hedonista


No chill out da festança, o ectoplasma da Hedonista
assedia um conviva ligeiramente morgado
.

Pois é Lêda e Paulo Nery, meus leitores linditos... O que foi aquela festa de inauguração do sítio Casa Branca 7, hein? Tuuuuudo de bom!!! Tá... Tá... eu cheguei meio atrasadita, because eu tive que passar no níver de uma bibete friend que eu amo de paixão... Tadinha, tava meio deprê porque o namorado a trocou por uma Barbie que é uma mistura de Lisa Simpson com Dolph Lundgren... Meeeedo total!!! Mas não vamos falar de coisas tristitas... Se eu tenho alguma fofoca? Huuuum... Huuuum... Tão achando que isso aqui é o programa da Leão Loba? Tá... tá... eu sei que eu prometi! Mas resolvi que não vou ficar entregando ninguém because meu falecido professor de Power Yoga disse que isso dá um karma pesadíssimo! Éééé!!! Ishtar dos 7 Véus não veio a esse world pela 2ª vez pra ficar detonando bibetes, pocheteiras e indefinidos... Se bem que... Aaaah!!! Só um pouquito não faz mal, né? Sendo assim, o Troféu Uó vai para o casal que quebrou a maçaneta de um dos quartos pra ficar trancados e... e... fazer um trelelê básico. Tuuuudo bem, se eles não fossem pegos por um dos seguranças... Miiiiiiico total! Linditos, querem fazer neném? Vão prum motel básico... Tem uns baratinhos... Dedé me contou que o Vanity (Felipão, para os íntimos) tá com uma promoção liiiinda! Quebrem o cofrinho de porquinho e sejam felizes! O Troféu Tuuuudo foi para a parte lounge do place que tava um babadito só... Toooodos se jogaram nas almofaditas, trocaram figurinhas, brincaram de bafo-bafo... Tudo muito up como mi gusta (Ui... baixou uma Perla básica!). Eu também fiquei jogada, largada, leve e solta.... Uma coisa meio comunidade hippie, meio releitura de Hair, meio Chill Out com a Janis (Joplin)... Amei!... Agora... errado, errado, errado... Foi o bofe de camisa verde com uma rodela de suor uó debaixo do suvaco, que se colocou e veio cantar "My Funny Valentine" ao pé do ouvidito da Isabella Nunes. Honey, essa song é tuuuudo de bom... Mas a sua voz, o seu bafito e o seu cecê era tuuuudo de ruim! Nobody merece!!! No final da festa, vi ele tentando cantar um dos seguranças... Huuuum... bofe versátil esse... Deve ter cantado "I'm Every Woman" no ouvidito dele... Abafa!... Ai linditos, eu amei quando meu boss Fran Pacheco veio contar que alguns leitores perguntaram sobre minha presença na festa! Queeeem foi? Me senti tão... tão... procurada! Essas coisas me emocionam... (pausa para limpar e enxugar o teclado que ficou molhadito com as minhas lágrimas... Mentira... Onde já se viu alma penada chorar?!...). Agora, um recadito pro meu fanzito que pintou suas madeixas louras de preto... Titia Hedô não tá brava com você nããão... Ouviu, Bruno Leal? Ficou luxo! Cabelo bom foi feito pra gente mudar, aprontar, experimentar... Você deu um tempo para o seu Blond Power? Ok! Não ligue para as críticas negativas de bibetes com cabelito tóinnhóinnhóim! Puuuura inveja! Toca aqui e grita comigo: "Supergêmeos... Ativar!!!" E poder para sua morenice momentânea!!!


 


 

Preparando o terreno com Thiago de Mello
Por irmão Paulo

Arte de amar

Não faço poemas como quem chora,
nem faço versos como quem morre.
Quem teve esse gosto foi o bardo Bandeira
quando muito moço; achava que tinha
os dias contados pela tísica
e até se acanhava de namorar.
Faço poemas como quem faz amor.
É a mesma luta suave e desvairada
enquanto a rosa orvalhada
se vai entreabrindo devagar.
A gente nem se dá conta, até acha bom,
o imenso trabalho que amor dá para fazer.

Perdão, amor não se faz.
Quando muito, se desfaz.
Fazer amor é um dizer
(a metáfora é falaz)
de quem pretende vestir
com roupa austera a beleza
do corpo da primavera.
O verbo exato é foder.
A palavra fica nua
para todo mundo ver
o corpo amante cantando
a glória do seu poder.

 

12 outubro, 2004

Cada um em seu devido lugar
Por Fran Pacheco

Só tenho uma coisa a dizer a favor de Serafim Correia: ele não é Amazonino Mendes.

 

11 outubro, 2004

Notas do Subterrâneo
Por Fran Pacheco

No Céu, no Céu...
Feriado oficial em reverência à santa padroeira do Brasil, Estado leigo, separado da religião há cento e treze anos. Azar dos iconoclastas do reino de Edir. Sorte a de vocês, não-praticantes. E o Yom-Kipurr, o Ramadã (que nem é dia, é mês) e o dia de Zumbi dos Palmares, como ficam? Eu, aqui no Mundo de Kardec, há muito desobrigado de meus offícios, aproveito para tomar um porre etéreo. Evoé.

Enquanto isso, em Roma...
Começo a achar que Jim Kerry tem sim, cara de presidente. Apesar dos elogios rasgados de Anal do Jabor. Se Jabor elogia algo, desconfie. Mas uma coisa é certa: Kerry, Nader, Larry Flint, John Stagliano, qualquer josta é melhor que um retardado-por-opção e genocida como Blush. Ah, que saudades da era Clintoris. Vista daqui de cima, a sacanagem se resumia a alguns cigarettes (e alguns Tommahawks na bunda do Milosevic).

Bertolt Alerta
Fato inédito na História do País das Amazonas: Amazonino em 2º lugar numa pesquisa (se a pesquisa indica 46% para ele, podem cravar, na realidade, 36%). Amazonino já era. Mas a cadela que pariu o Sistema sempre está no cio. Não descuidemos.

Avisem o Zé Dirceu
Uma dica para o movimento anti-apiculturista. Vamos entupir a caixa postal do Zé Dirceu com o e-mail: "Ele está entre nós! Livrai-nos de Egberto Baptista PT saudações." Logo, logo, uma Albatroz 2 baixará na cidade.

Egberto 2
Seria ele, professor emérito da Escola Superior de Politicagem?

Novo Tempo (não é a gráfica)
Nos velhos tempos da dupa de zaga do Negão, Pascarelli & Jomar, Vanessa era execrada diariamente no programa pornográfico do Super Sabrino e não conseguiu nenhum direito de resposta. Com a saída dos beques, Sarafa já conseguiu 3. Foi preciso muito treinamento pavloviano para fazer Sabrino conter a matraca e engolir o direito de resposta. Num ato falho, porém, disparou: "eu sempre lutei contra os mais... os menos favorecidos!"

 

À propósito
Por irmão Paulo

A explicação para a existência de Bruno Sabbá, vulgo Brunno Babaca, é a misteriosa pratical joke da natureza que faz, de mil em mil anos, uma anta nascer em forma de gente.

 

Atração Fatal
Por irmão Paulo

Andei espionando o Jeca que me serve de canal entre o nosso mundo dos vivos e o de vocês, ergo, mortos e me espantei com as impublicáveis e delituosas andanças virtuais da criatura. Pesquei algo que repasso ao distinto (e)leitor:

"COISAS QUE SE ATRAEM

Olhos e bunda.
Nariz e dedo.
Pobre e funk.
Mulher e Vitrine.
Homem e cerveja.
Chifre e dupla sertaneja.
Moeda e carteira de pobre.
Tornozelo e pedal de bicicleta.
Leite fervendo e fogão limpinho.
Velho ou pobre e show do milhão.
Dedinho do pé e ponta de móveis.
Camisa branca e molho de tomate.
Tampa de creme dental e ralo de pia.
Café preto e a toalha branca da mesa.
Chave trancando a porta e telefone tocando.
PT e cagada...."

 

Rescaldo Eleitoral
Por irmão Paulo

Investigando o arcabouço de memória deste Jeca que me serve de médium encontrei algumas passagens curiosas desses últimos dias. Em depressão pós-pleito, Bisnetinho afasta todas as dúvidas e apronta em Fortaleza, relembrando a procedência da assertiva segundo a qual mostrar a bunda é coisa de veado. Arturzão declara, sem que me seja possível divisar, ainda, seu interesse, que Amazonino é o melhor candidato para Manaus. Plínio Valério, aliás Beato Salú segundo a memória deste Jeca, fica neutro contra Serafim no segundo turno e, como tiro de misericórdia, Serafim ganha o apoio do liberal e aziago Ministro dos Transportes, como diria meu estimado amigo Fran Pacheco. Aliás, Fran Pacheco está se firmando como o terceiro melhor humorista amazonense. Só perde para Carla De Carli e para o casal do Programa Big Bang.

Não entendo o que acontece com a mente das pessoas durante o período eleitoral. Como nas novelas, todos são rotulados de forma rasa. O honesto, o ladrão, o realizador, o santo etc. Agora, como antes do primeiro turno, os partidários do grupo anti-Amazonino se esforçam para cristalizar na mente do eleitorado a uma dicotomia moral que pretendem existir entre Serafim/Mário Frota e Amazonino/ Bosco Saraiva, que está absolutamente longe de ser verdadeira. Ambos os titulares são filhos da puta, como todos os políticos. Quanto os vices, um pelo outro não sobra troco. Talvez haja ligeira vantagem para Bosco Saraiva, de quem todos parecem gostar. Como Amazonino mostra-se um cachorro morto (ou quase), falo de Serafim e sua trupe de santos homens.

Pesam contra Serafim reiteradas desconfianças de que, durante a ditadura, endureceu também o dedo e funcionou como espécie de olheiro da repressão – entregando os outros pra livrar o seu. Foi um péssimo secretário de finanças, teve um rompimento escandaloso com Artur Neto que ajudara a eleger e, mal controlando a língua, chegou a ser processado por São Jefferson Peres, por mentir. É honesto? Sim, até provem o contrário como, rigorosamente, em relação a Amazonino deve-se o mesmo crédito, posto que nada se provou.

Seu vice, por igual, não poderia ser mais fake. Mário Frota é falso nas idéias, na argumentação, no cabelo e na honradez. É filho, e portanto beneficiário, de um dos mais conhecidos grileiros de terra do Amazonas. Todos sabem. Sua passagem pela Câmara de Vereadores de Manaus é emblemática. Por lá deixou irmã, cachorro e papagaio, sem concurso e sem vergonha – como todos os políticos. No episódio do cartel dos postos de gasolina, sua pusilanimidade ficou evidente ao negar fogo contra conhecido grupo empresarial com qual mantém relações. Mário Frota tem o estigma do perdedor, tal qual Serafim. Ambos caminham sob as bênçãos de São Jefferson Peres.
Este último, por sinal, em se tratando de cinismo e dissimulação, é o primeiro da lista. São Jefferson Peres, preguiçoso como é, acostumou-se a fácil postura de oposição institucional. Rompe com todos os governos que ajuda a eleger, vez que atirar pedra é a profissão mais fácil do planeta: não exige diploma, nem qualificação especial, apenas sem-vergonhice. Alguém suscitou aqui uma nebulosa ocorrência de São Jefferson Peres no episódio do afundamento da Siderama, junto com um tal de Luís Otávio – se bem lembra o Jeca. De fato, parece proceder e datar da mesma época uma passagem de São Jefferson Peres pelas barras da Polícia Federal onde, na condição de réu confesso, assumiu seus maus feitos. O Jeca já viu cópia dessa documentação e, se minha influência sobre ele evoluir para um controle total, vou tentar obtê-las e publicá-las aqui. São tantas coisas a dizer e tanta preguiça que prefiro dormir. Serafetes, fodam-se.


 

10 outubro, 2004

Plínio Peteleco Acerola Salu: a não-despedida
Por Fran Pacheco

Ele entrou na disputa como "o irmão mais esperto de Dissica Valério". Tantas fez, que saiu com a maior coleção de alcunhas já reunida por um político numa única eleição. E, mesmo na despedida (amargando o 4º lugar e o fim de sua carreira como vereador) aprontou e obrigou-me a jogar na lixeira um post redondinho que eu tinha preparado para comemorar a efeméride. Plínio, como previmos, tentou queimar todo mundo no 1º turno, exceto o seu patrono, Amazonino Odorico Mendes. Porém, ao contrário do que previmos, não se despediu da campanha. Em sessão solene, tornou-se o primeiro caso registrado de "neutro contra" dos anais políticos locais. Contra o Sarafa, por supuesto.

A neutralidade contra de Plínio começou na própria "despedida", quando ficou irritado com seus sequazes que declaram apoio ao Sarafa. Na ocasião, exprimiu toda sua mágoa para com o portuga. Dois dias depois, lá vem ele, com destaque de capa num jornal local, atacar as alianças feitas pelo carequinha. Quanto ao Negão, silêncio. Plínio diz que seu histórico sempre foi de combate ao velho cacique. Que eu me lembre, seu feito mais célebre na Câmara foi justamente tentar barrar a concorrência à rede de supermercados de Amazonino. Nem isso ele conseguiu.

Se não fosse um nematelminto, Plínio teria ido, na canoa que remava em sua propaganda (na vida real é uma lancha Mercury), rumo ao iate da Abelha e declarado publicamente: "Sou Amazonino doente!". Não esperemos mais por isso. Plínio não subirá em palanques. Praticará sua neutralidade contra oferecendo consultoria. Quem quiser descobrir uma nova incoerência, ponto fraco ou algum esqueleto que o Sarafa guarda no porão, é só procurar o Beato Verde na tesouraria da FM do Povo.

 

09 outubro, 2004

Nós Apoiamos o Mau Menino
Por Fran Pacheco

Nós, os mortos abaixo-assassinados, invocados pelo Bruxo Egberto Baptista, nos comprometemos a ajudar, através de nossas emanações, sortilégios, encostos e miasmas, no triunfo eleitoral do Malo Niño, duela a quien duela:

Acácio Pereira da Costa (aka Bandindo da Luz Vermelha), Adolf Eichmann, Aiatolá Khomeini, Al Capone, Anastasio Somoza, Antônio Salazar, Benito Mussolini, Bonnie Parker & Clyde Barrow, Bugsy Siegel, Cara de Cavalo, Charles “Lucky” Luciano, Dutch Shultz, José Carlos dos Reis Encina (aka Escadinha), Ferdinando Marcos, Filinto Müller, Francisco Franco, Francisco Pizarro, Fulgêncio Batista, Halie Selassie, Heinrich Himmler, Henri Landru, Hermann Göering, Hernán Cortez, Ho Chi Min, Idi Amin Dadá, Ivan o Terrível, Jean-Bédel Bokassa, Jeffrey Dammer, John Dillinger, John Gotti, Josef Mengele, Josef Stálin, Joseph Goebbels, Juan Domingos Peron, Lúcio Flávio, Madame Satã, Mao Tsé Tung, Marcinho VP, Meyer Lansky, Nicolae Ceaucescu, Papa Doc Duvalier, Plínio Salgado, Pol Pot, Rafael Leonidas Trujillo, Sérgio Paranhos Fleury, Tommaso Buschetta, Udai e Qusai Hussein.

P.S. A digital de Plínio Peteleko não foi aceita por se tratar de um laranja-zumbi, portanto semovente, não podendo constar na lista.

 

08 outubro, 2004

A bunda do Bisneto
Por Cartier, Free-Lancer


Cortesia: Johnsons&Jhonsons

Aí está. Depois do desmame, o desbunde. Céticos de plantão afirmam se tratar, em verdade, do Tattoo, da Ilha da Fantasia, fazendo apologia à "Caninha Tatuzinho" . Controvérsias à parte, esperamos ter quitado nosso débito para com o público feminino.

 

Leis de Murphy da política baré (1) - o toque do Arigó
Por Fran Pacheco

"Eu apóio Vanessa!"
Alfredo Nascimento

"Vocês da Compensa, pra vereador votem no Tio Raul!"
Idem

"Eu recomendo Cláudio Rosas!"
Idem

"Alfredo declara apoio a Serafim."
O Planeta Diário


P.S. Para quem não acompanhou o resultado do pleito caído, nem La Grazziotin, nem o "coração valente" Tio Raul, nem o calouro Cláudio Rosas lograram êxito em suas veleidades políticas. O aziago ministro mantém um espantoso índice de 100% de malogro em suas indicações.

 

07 outubro, 2004

Eu sou terrível...
Por Torquato Piauí

O Wally “Batatinha” Sailormoon tanto insistiu que resolvi participar desta guerrilha cibernética capitaneada pelo arquimandrita Fran Pacheco. O mascate tuaregue é fogo! Fran e companhia são terríveis! O blog é lindo maravilhoso qualquer coisa odara que se sonhara... Sério, amizade, mas se sonhasse que um dia a Web iria existir, não teria aberto o gás dentro do banheiro naquela noite em que fiz 28 anos. Também, cá pra nós, 1972 foi um ano de merda na geléia geral brasileira que o Jornal do Brasil anunciava (anuncia?).
Hoje, pelo menos para mim, é o início de uma nova era. Um novo tempo começa, a nova raça, na velha praça, ou no Parque do Mindu, por que não? Os sobreviventes que se preparem. A tarefa é muito maior do que a gente imagina. E quem vem por aí, certamente vai ter um tempo muito mais tranqüilo do que os nossos duros anos 60. Certamente, em Aquarius, as coisas serão mais fáceis pra gente insistir na guerrilha cibercultural ("pulsações políticas do desejo", diria Felix Guatarri) e ocupar espaço.
E fique tranqüilo, não tenha medo. O novo tempo já começou. Vá em frente, porque dentro do real, na faixa do bonito, só resta a gente, que ficou com a tarefa de fazer. Nem que seja repetir sempre a mesma frase: é preciso fazer, o que é maravilhoso continua, o que não é maravilhoso, precisa ser transformado.
O que eu chamo de “ocupar espaço” está, de certa maneira, naquele Teorema de Pasolini. Também não seria aquilo, se a gente quiser assim, uma transa de vampiro, um filme de terror? Melhor: uma história de terror?
Ocupar espaço, num limite de “tradução”, quer dizer tomar o lugar. Não tem nada a ver com subterrânea (num sentido literal), e está mesmo pela superfície, de noite e com muito veneno. Com sol e com chuva. Dentro de casa, na rua.
Hoje em dia, com o filme à distância, cada vez que eu penso nas transas do personagem (aqui desliteralizado) de Terence Stamp, eu encontro um ponto de apoio para tentar explicar, a mim mesmo, certas técnicas vampirescas da maior atualidade, aqui e em toda parte, em Milão inclusive: aquela família, amizade, é muito exemplar demais. A visita, fulminante.
Também One Plus One, o filme de Godard, tem muito a ver com isso de ocupar espaço. Em primeiro lugar, no caso desse filme de guerra, o espaço das telas comerciais/oficiais. Todo mundo sabe: enquanto os Rolling Stones sentados num estúdio gravam Simpathy for the Devil, a crioulada do lado de fora ensaia tomada de espaço branco e uma estudante branca e sozinha pinta paredes em Londres, desenhando poemas. (Godard aproveitou estar no Hilton e desenhou também nos vidros do apartamento.) Isso também tem a ver com a poesia, mãe das artes & manhas em geral: antes ocupar o espaço e logo em seguida poetar conforme for. Na gaveta, baratas e velharias. Poesia, não.
Ocupar espaço, criar situações. Ocupa-se um espaço vago como também se ocupa um lugar ocupado: everywhere. E agüentar as pontas, segurar, manter. Ou, como em Teorema, aplicar e sair do filme. Tiro um sarro: vampiro. O nome do inimigo é medo. Meu nome ninguém conhece. Moro do lado de dentro e nasci na Chapada do Corisco - carrego isso. Plano geral na parede: numa encruzilhada vista do alto as pessoas se movem e correm atrás de algo. Não sei se é uma pelada, não sei se é outra coisa. Corta e lemos a palavra: DESÇA. Fim do cinema. Início do cinema. O espaço desocupado, ocupação do espaço. Filmes.
Sem começo e sem fim, mas mesmo assim: pelas brechas, pelas rachas. Buraco também se cava e cara também se quebra. Mas cuidado com os psiquiatras. Se pintar um grilo, ponha-o para fora você mesmo e com fé em Deus. Querem ocupar o espaço da tua mente - se assim você me entende. Estão a fim de te curar, acredite neles. Cuide de sua sanidade. Aqui na terra do Sol, não tenha medo da Lua.Ocupar espaço: espantar a caretice: tomar o lugar: manter o arco: os pés no chão: um dia depois do outro: garota que andar do meu lado: vai ver que eu ando mesmo apressado: minha caranga é máquina quente: eu sou terrível...