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29 setembro, 2004

Primeiras impressões da taba
Por Wally Sailormoon

A gente luta, luta, luta, labuta entretanto O DIA DO LABOR é um estágio avançado de divulgação da Ética do Protestantismo – Sacco e Vanzetti que o digam – que resulta sem pé nem cabeça no País do Bicho-Preguiça, fundado pela Contra-Reforma e infenso ao Renascimento.
Qual o que, longe de mim ofender Portugal, tecnologia de ponta das grandes descobertas, a Escola de Sagres (a Nasa dos séculos XV e XVI), a promessa do Quinto Império, a grandeza utópica da volta de Dom Sebastião.
Aqui desta província ultramarina, eu, estopim e dinamite, cultivador do eu mínimo, meu nome é todos e ninguém, salto de pára-quedas no palanque oficial armado e logo logo dou de cara com o orador profano da CGT que me marreta o trocadilho derrubado, “O POLVO NO PODER”, prego um pinote na alimária e me mando para o Largo de São Sebastião ainda a tempo de urubuservar o Padre Antônio Vieira, o imperador da Língua Portuguesa em pessoa, despejar um balde repleto de estalos e lábias e água benta em cima de gentios lambuzados de urucum do bloco Tribo dos Andirás.
Depois resolvo dar uma chegada no Café do Pina a fim de palestrar com o esqueleto do meu amigo – poeta Ernesto Penafort – o homem dos olhos de raio X – e fico estupefacto e tartamudo pois encontro-o a descascar o muro magro defronte ao Anjo Azul.
Compro uma esfiha e caldo de cana gigante e guio meus passos para o Roadway e o Mercado Adolpho Lisboa mas à altura do Relógio Municipal sou barrado pelo picareta que atende pela alcunha de Boca de Brasa que me cospe seu tabuleiro inteiro de ditados e parlendas e anexins mas no final só gravei um único: “em casa come baleia, na rua entoja manjares.”
Fujo dele que me escancara a Cidade de Sal como se fosse Sodoma e Gomorra.
Sujo de suor, ócio, comércio de escravos, trombadinhas, ufa!, que azáfama este dia me proporcionou. Que belo negócio foi elevar um forte e um plano inclinado sobre esta colina.
Distam quatro dias ainda para a confusão do Entrudo amazonino. Será que vai chover?

 

Devassidão Eleitoral Gratuita
Por Fran Pacheco

No meu tempo, "ação conjunta" era sinônimo de curra.

 

28 setembro, 2004

Prato Feito 2
Por irmão Paulo

Política é a arte de impedir as pessoas de
participar de assuntos que são do seu interesse.”
Paul Valéry
, por Ruy Castro


A frase, retirada de meu dicionário de citações, certamente é uma visão realista-catastrófica, mas com a qual concordo. Pelas terras de cá a política, infelizmente, tem mesmo sido a arte acima indicada, especializada em articulações que, invariavelmente, servem ao eleitor um PF (prato feito), com uma única alternativa de voto. Pré-candidatos caem como frutas maduras pelo meio do caminho, numa espécie de contrato de adesão eleitoral, onde o máximo de liberdade efetiva consiste em não votar. Mas esse não é o assunto.
Como disse antes - em reflexão que foi compreendida como elogiosa a Amazonino Mendes, Eduardo Braga, diante dos fatos e da inépcia da “oposição histórica” na assunção do poder, foi constrangido a oferecer seu fundamental apoio a Amazonino. Em certa altura, cheguei a pensar que nem o vice seria indicado pelo Governador, que ao final indicou e pelo menos garantiu uma posição de vantagem em um futuro confronto com Amazonino. Há certa dose de sinceridade nas palavras do atual governador ao dizer, antes de capitular para Amazonino, que teria candidato “Mas não é em função de que isso exige compromisso em relação a 2006.” Isso lembra até o histórico acordo entre Getúlio Vargas e Adhemar de Barros, testemunhado pelo jornalista Samuel Wainer, no qual foi negociada a Frente Popular, pela qual o Adhemar não seria candidato em 1950 e apoiaria Getúlio, mas Getúlio se comprometeria a apoiá-lo em 55, o que Getúlio topou na hora. Ou seja, senhores que me leem, Eduardo sabe que, independentemente do que tenha sido o acordo de agora, provavelmente enfrentará Amazonino e, possivelmente, Alfredo, em 2006, mas até lá muita água vai rolar e, como sabemos, o cu é perto, só que mais embaixo.

Espalhou-se de tal forma que Gilberto Miranda compareceu com 5 milhões de reais nas nadadeiras do boto, que posso reproduzir isso aqui sem medo de que me descubram e me apaguem. Motivo pelo qual estaria sedimentado no ânimo de Amazonino a vaga de Gilberto para o Senado, também no fatídico 2006. O que nos remete, novamente, à falta de espaço para tantos caciques e ao natural canibalismo decorrente dessa superpopulação.

Sobressai, a meu ver, das especulações que possam ser feitas, o fato de que essa tchurma faz política pela política. Sem recuar muito no passado, lembremos do episódio da saída de Arigó Nascimento da prefeitura de Manaus, além de não ter preparado a sua substituição, contando com votos que se esfumaçaram ao primeiro bater de asas da abelha-rainha, deixou tudo desgovernado e sem regras para sua sucessão. Evidentemente, no vácuo de lei e liderança, movido por uma fome animal de poder, mas também por sua genialidade política – que reafirmo – Amazonino assumiu o papel central de coordenador supremo do processo e, segundo consta, com apenas uma reunião na casa do Super Sabino, implodiu o antes coeso grupo político do Prefeito Arigó Nascimento e assegurou uma eleição materialmente aclamatória para Carijó. De mais a mais, permaneceu no cargo o representante que deveria, naturalmente, suceder o Prefeito, pois já era presidente da Câmara Municipal, não fosse essa excrescente eleição indireta parida pela Constituição Federal, em relação ao Presidente da República, e adotada pela LOMAN para Prefeito, regulamentada de forma casuística e inacreditável pelos edis manauaras, abrindo espaço para que o grupo de Amazonino, efetivamente, já esteja instalado na Prefeitura de Manaus.

Amazonino saiu candidato assim: com Plínio Valério de laranja; implodindo a candidatura de Vacanessa despachando Alfredo e Omar para ela, que a consumiram por dentro como parasitas que são e, ao final, correndo o risco mesmo de ficar de cara com seu o candidato acerola, como diria Fran Pacheco, seu velho compadre de outras malas-pretas, Serafim Corrêa. Nunca se teve tanto acesso público a informações, mexericos, movimentações de bastidor, preço de votos etc., quanto atualmente. E nunca se soube tão pouco o que fazer com elas, poderia dizer alguém. E, enquanto isso, os serafetes acham que o portuga é oposição.

 

27 setembro, 2004

Noites Tropicaes
Por Fran Pacheco

A Tropicália não morreu, apenas desencarnou. Esqueçam Caetano Meloso, enquanto ele se dedica à sua peculiar releitura do brega e dos standards americanos através da filosofia odara. Esqueçam o Gil ministro, que agora tudo quer controlar, regulamentar até o "purroa!" do Pereio nos filmes. E, principalmente, esqueçam o Júlio Medaglia, com sua batuta de ouro doada pelo Amazonino.

Os verdadeiros tropicalistas estão entre nós, os mortos. Graças a muitas mesas brancas, muito "jogo do copo" e muita Jurubeba Leão do Norte, nossos médiuns conseguiram travar contato com os maiores agitadores culturais que já passaram dessa para a melhor: o polivalente Wally Sailormoon (Batatinha), o poeta Torquato Piauí e o artista plástico Hélio Jaguatirica. Essa trinca de ases aceitou nosso modesto convite, nossa inexistente remuneração e decidiu, por amor ao nonsense, postar nesse terreiro.

Já tendo algumas balas na agulha e tendo regularizado sua documentação, enviando-nos seu fotograma (ao lado), segue o curriculum de Wally Sailormoon:

"Baiano de Jequié, poeta, letrista e ex-secretário nacional do livro e da leitura, Wally Sailormoon morreu de câncer, no ano passado, aos 59 anos. Wally participou de maneira informal do movimento tropicalista nos anos 60, junto com o poeta Torquato Piauí e os cantores Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil, entre outros. Compôs alguns clássicos da MPB, como Vapor barato e Anjo exterminado (em parceria com Jards Macalé), gravadas por Gal no disco Fa-tal (1972), além de Mel e Talismã (com Caetano Veloso), dois sucessos na voz de Maria Betânia. Conciliando as carreiras de poeta, ensaísta, agitador e produtor cultural com a de compositor, Wally participou da música brasileira em parcerias posteriores, com Roberto Frejat (Balada de um vagabundo, hit na voz de Cazuza), Lulu Santos (Assaltaram a gramática, sucesso dos Paralamas do Sucesso), e Adriana Calcanhotto (Pista de dança). Com a nomeação de Gilberto Gil para o Ministério da Cultura, Wally Sailormoon foi convidado para assumir a Secretaria Nacional do Livro e da Leitura, em janeiro do ano passado. O poeta e o cantor eram parceiros em músicas e na trilha sonora do filme Quilombo , de Cacá Diegues e já haviam tido uma experiência política anteriormente, quando Gil foi eleito para a Câmara de Vereadores de Salvador no final dos anos 80. Wally é autor de livros de prosa (Me segura que vou dar um troço), prosa e poesia (Gigolô de bibelôs, Armarinho de miudezas), poesia (Lábia, Tarifa de embarque), além de Qual é o Panrangolé, biografia de seu amigo Helio Jaguatirica."

Sejam bem-vindos, novos Terríveis. Evoé, cambada!





 

Debate
Por irmão Paulo

O “debate” entre os prefeituráveis foi chinfrin, cafona, sonolento e sem pé nem cabeça, como é, aliás, o programa desse Roberto Mendez, um cretino que não consegue falar coisa com coisa e se confunde a toda hora com o ponto eletrônico que lhe enfiaram, ôpa, no ouvido. Um sujeito que inicia a entrevista com o futuro prefeito de Manaus perguntando sobre astrologia e horóscopo já mostra o que é. Até bem pouco tempo, o horóscopo nos jornais era feito pela turma do esporte, só de gozação. Jornalista e médico são duas raças escrotas mesmo, mas isso é tema para outro momento.

Em termos televisivos, o programa foi uma merda. Cenário inexistente, minimalismo para disfarçar falta de talento e dinheiro, enquadramento vacilante, iluminação peba (deixando os candidatos com faces lustradas e brilhantes etc. etc. Sobre os emblemáticos pedestais, cinco candidatos de oposição. Serafim, cínico, escroto e mentiroso como sempre (esquecendo que já apoiou Alfredo Nascimento), Vacanessa, com novos tom e permanente nos cabelos, omitindo que é apoiada por Alfredo. Plínio Valério, de Antônio Conselheiro. Arturzinho, fantasiado de homenzinho e Herbert Amazonas, a única coisa – é esse o termo – autêntica da noite.

Roberto Mendez, como disse, além de cretino é um veado nojento e medroso. Puxou o saco do Amazonino até este gritar, quando o entrevistou em seu programa. Confessou-se “morto de medo” da entrevista e ficou visivelmente mesmerizado diante da figura do Negão, como as quatro lesas que tentaram sabatinar Amazonino no Roda-viva e das quais sobrou apenas o caroço (os dois episódios são fáceis de explicar, por dois motivos: 1. Cérebros superiores controlam célebros inferiores; 2. líderes de massas, como Amazonino, são seres diferentes, têm um magnetismo pessoal que nós não temos e que os estudiosos chamam carisma) Roberto Mendez é cretino, nojento e criminoso porque na ausência de Amazonino, já tendo sido servil a ele, afirmou que este prestou um desserviço à democracia não indo ao debate da noite de domingo. Nojento, porque a crítica não tem autoridade moral para arvorar-se em promotora da democracia, cretino porque o debate foi um teatro da porra que não serviu para nada e criminoso porque opinou desfavoravelmente acerca de candidato em clara manifestação de posicionamento político próprio e da empresa e em aparente ofensa à Lei Eleitoral.

Plínio Valério, vestindo uma camisa comprada na beira do rio, abotoada até a gola com uma cruz azul turquesa pendente para fora confirmou-se o canalha que se entrevê em sua propaganda eleitoral. Deliberadamente confunde política com espiritualidade, num discurso que é uma mixórdia pastosa e vazia de ecumenismo irrestrito pan-holístico, neurolinguística fajuta e hibridismo político. O Partido Verde não tem doutrina política, dos partidos supostamente ideológicos (coisas de Brasil) é dos que não possuem coluna vertebral, tal como o curso de administração, que é composto por matérias de outras ciências. Sem texto pronto e decorado, Plínio Valério se perde na ausência de propostas e na nítida falta de reflexão acerca da temática urbana. A Paz de Cristo.

Vanessa não caiu na real de que é uma candidata nanica. Na primeira oportunidade que teve de falar, começou lembrando a ausência de seu patrão Amazonino Mendes. Tem que bater no Serafim, a ignorante, que lhe tungou o segundo turno - se segundo turno ouver. De resto, afirmou o caos da cidade (embora seja apoiada e possua um vice que é oriundo do grupo que instalou esse caos) e a capacidade que tem de transformá-la num paraíso. Habituada ao discurso da destruição, não conseguiu adaptar-se ao fato de ser situação. Pobre mulher, mostrou-se perdida. Se fosse um sentimental, seria capaz de votar nela: por pura pena.

Arturzinho, o prefeito de terno, estava vestido de homenzinho. Brincar com a juventude do garoto já é lugar comum, ok, mas então o que se tem para dizer dele? Que mimetiza o pai e, portanto, vai foder-se também?

Sobre o Serafim, já disse tudo que tinha a dizer. Cínico, fabulista, auto-elogioso, dedo-duro, frouxo, egoísta e personalista. Todos eles, incluindo Vanessa et caterva, analfabetos políticos, ignorantes e imbecis jogaram Eduardo Braga, em 2002, nos braços de Amazonino. Como fizeram, no passado recente, esnobando Bernardo Cabral. São um monte de bosta, do qual o cagalhão principal é Serafim. Se ganhar, o que é improvável, vai transformar a cidade numa latrina (para sentir-se em casa) e administrá-la com auxílio dos desdentados de seu partido. Para Secretário Municipal de Educação já lanço um nome: Barbosão. Listo, em outro momento, o resto do secretariado.

Herbert Amazonas, pequeno Herbie, mesmo sendo um sujeito que não serviu nem pra carteiro, emocionou-me com sua espontaneidade. Foi o único que deu nome aos bois. Que falou que a mesma turma se alterna no poder há décadas e que se há caos na cidade, foram eles, enquanto grupo político, que ajudaram a instalar. Ah, Herbert, se ao menos você fosse gente, poderia ser uma experiência interessante, bizarra mas interessante. Mas infelizmente você é um jumento. Então, vá zurrar em outro pasto.

Preciso controlar o ódio que me consome. Vocês não fazem idéia do mal que isso faz a um morto.

 

Roscas, Santos e Dedos-duros
Por irmão Paulo

Falar da rosquinha sempre é algo delicado, nesta época de aparências e falsa mudernidade. O negócio é o seguinte: as mocinhas podem soltar as periquitas desde que não engravidem, os veados a rosca, desde que não se mostrem, os ladrões podem roubar, desde que não sejam pegos, os casados ter amantes, desde que seja escondido. Mas tem uma coisa que também não mudou: puta, baitola, ladrão e adúlteros só são bons na família dos outros. Aos defensores de cus e velcros livres, as batatas. E tenho dito.

Assim como sigo falando da genialidade política de Amazonino: um gênio do mal, no significado mais extenso e profundo do termo, mas gênio. Curioso como a turma que o ataca, e a seus rebentos, sobretudo a imprensa bestial, come de seu pirão. Ainda hoje, jornalistas há que, editores e repórteres de jornais “sérios”, recebem sua graninha pela Secretaria de Comunicação do Estado. Ah, cambada de ingênuos, ninguém resiste a uma teta exposta minando dinheiro público. Digo isso com a tranqüilidade de quem viveu do que escreveu. Portanto, imprensa baré e serafetes de plantão, às batatas também.

Serafim se transformou na alternativa aparentemente viável aos órfãos da atolada Vanessa – que não soube resistir aos apelos fáceis dos discípulos de Amazonino. Fizeram um excelente serviço, como já disse. Vanessa partiu para o tudo ou nada, Alfredo Nascimento pede voto por ela no horário eleitoral. A cada vez que o Buchada abre a boca, Vacanessa chega mais perto do brejo, do qual não devia ter saído.

Em política, ademais, prova é o de menos. Não há provas da corrupção de Amazonino (e ele é corrupto), nem do caráter público da comunista (e ela é pública), nem do dedo-durismo do Serafim. Portanto, em política, o que importa não são as provas, mas o que fica cristalizado na convicção geral: Serafim é dedo-duro. Mas, waaal, ele tinha uma família pra cuidar. Por falar nisso, perguntem ao São Jefferson Péres, ou à sua rotunda esposa, se eles lembram de algum episódio que os ligue a uma misteriosa, e contestável, compra de hidrômetros realizada há uns pares de anos. Parece que também não há provas.

Eu não me explico e nem me justifico. Como o Velho Guerreiro, estou aqui para complicar. Quem puder que entenda.


 

26 setembro, 2004

Domingo legal
Por Ishtar dos 7 Véus, a hedonista

Barbra, Celine, Gloria, Whitney, Madonna, Elton John, Sílvio Romano, Orlando Câmara, Bosco Fonseca, Chico Cardoso, Kid Mahal, Zezinho Corrêa and everybody que me perdoem... Mas não existe cantora mais gay e com glamour que Shirley Bassey!!! Fofitos, ela é uma espécie de mulher-traveca... sem a parte da dublagem, porque Miss Bassey canta muuuuuuuito. E dá uma pinta basiquita que é um luxo. Muita pluma, muito brilho, muito glamour e o estoque completo dos produtos Lancôme na cara! A primeira musiquita que ouvi dessa fofita foi "Goldfinger", tema do Bond, James Bond... Foi love at first ouvida... Que gogó... Que pintosa! Não é à toa que 10 entre 10 drags de pedigree já dublaram essa poderosa. Ela abala Sucupira, Saramandaia e adjacências... Falando em adjacências, Mário Ypiranga Monteiro conversou comigo ontem à noite... Tadinho... Está se mudando para uma mesa branca novita em folha e tá ocupadíssimo com a pesquisa de um novo livro... Me pediu para ir à comunidade do Acajatuba, no Iranduba, nesse weekend dar uma help para o candidato dele a prefeito, tal de deputado Souza... Pelo que entendi é mais um desses candidatos que já morreu e não sabe... Vou, né? Mudança é a minha face! Me deu até vontade de cantar aquela song da Vanusa: "Hoooooje eu vou mudar, vasculhar minhas gavetas! Jogar fora sentimentos e ressentimentos... Deixar de ser meniiiina pra ser mulheeeeer..." Beijos, Vanusa! Uma mulher up-to-date like me não pode ter medo de fazer um modelão masoquista! Ai, vou cantar essa também: "Amazonino está voltando pra você, Amazonino está voltando para nós”... Putzgrila, mas esse vai ser o hit do Halloween... O tema de Jason, Fred Krueger e Chucky perde de goleada... Se bem que mesmo conservado em formol, o negão ainda está mais viçoso que a Barbie, uma dessas que também já morreu etc... Vixe, tô tão 'Qual é a Música' hoje, tão Pablo, tão time do Nahim... Música do dia: "Slave to Love" com o meu chiquéééééérrimo Bryan Ferry... slapt, slapt, slapt (as chicotadas, fofos... ai, que loucura!)... Daqui a uma semana quero ver todo mundo chorando pelo massacre da serra elétrica... Fui!

 

Os negões são legais!
Por Cezário Camelo, "Cecezinho"

Como vocês já sabem, o ex-comunista Robert Mugabe foi reeleito presidente do Zimbabwe, ex-Rodésia, nas eleições de 2002 para cumprir um novo mandato de seis anos. Mugabe conquistou 14% de votos a mais do que Morgan Tsvangirai, o candidato da oposição e uma espécie de “Sarafa” lá do crioléu (Tsvangirai foi acusado de ser “dedo-duro da CIA”, sem provas, e confinado uma semana antes da eleição em local incerto e não-sabido).
Entretanto, a reeleição do negão virou alvo de enorme contestação em nível nacional e no cenário internacional. Os eleitores e simpatizantes de Morgan Tsvangirai, além de dezenas de organizações internacionais e nacionais, afirmam que o escrutínio não foi justo nem livre. A própria União Européia não aceitou o resultado e contestou a eleição.
Na origem de elevadas contestações estava, por exemplo, a restrição de voto dos cidadãos zimbabweanos residentes no estrangeiro. O voto foi extensivo apenas ao militares e policiais (instruídos a votar em Mugabe) e diplomatas. Quem desobedecesse, devia logo pedir asilo onde estivesse. Nos grotões e vilarejos, a população votou com um cano de fuzil encostado na nuca.
Para quem ainda não ligou o nome à criatura, Robert Mugabe é o único presidente do país, desde a sua independência ocorrida em 1980. Tem, portanto, dois anos a mais no poder do que a colméia do nosso “negão legal”, o que mostra que essa propensão tupiniquim de fazer cagadas pode ter um componente genético.
O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, cidadão de Gana (uma espécie de Piauí lá do crioléu), foi o primeiro a sair em defesa de Robert Mugabe, considerando o pleito “justo e indicativo de que o referido país africano está no caminho certo e não quer rupturas desnecessárias”. Ação conjunta? Continuísmo disfarçado? Audácia do bofe? Sei lá.
Kofi Annan, a quem muitos chamam de emblemático, é uma estrela no firmamento político mundial que se deve ouvir – "Ora, direis, ouvir estrelas!" – e ver – seja no jornal e na revista, ou, em seu veículo ideal, a televisão.
Kofi Annan é homem de fala mansa e pausada, boa postura e desenvoltura no lidar com a mídia. Sua voz é grave, de timbre agradável, seu inglês impecável e o sotaque – mais de uma mulher bonita já assegurou aos repórteres – empresta-lhe um charme todo especial.
Não é só isso, no entanto, o que o torna emblemático, para não dizer icônico.
Kofi Annan é um dos dez homens mais bem vestidos do mundo. Procurem reparar na próxima vez em que o secretário-geral da ONU se pronunciar a respeito de paz, conflito ou data comemorativa. Procurem reparar na camisa, no extraordinário corte do terno.
O colarinho é um pouco – mas muito pouco – maior do que a média dos colarinhos dos líderes e estadistas mundiais. A manga da camisa fica a uns dois ou três centímetros da manga do paletó, deixando sempre entrever abotoaduras simples, elegantes e discretas. Os ternos? Ah, o corte dos ternos de Kofi Annan! Quanta elegância, quanta sobriedade! É como se deles emanasse a razão, a mediação justa, o poder exercido com sabedoria e decisão.
Que alfaiates serão responsáveis é o que todo mundo quer saber. Mais fácil descobrir o conteúdo do próximo discurso de Colin Powell nas Nações Unidas do que o nome e o endereço do alfaiate – seguramente, alfaiates! – do secretário-geral. Na carta das Nações Unidas, uma coisa está clara: a organização jamais se prestará ao patrocínio de produtos comerciais.
O que não impede especulações: Kofi Annan veste-se em Savile Row, Wall Street, em uma rua pouco alardeada de Milão. O mundo conjetura. Coincidentemente, o presidente Robert Mugabe também é um dos líderes africanos mais bem vestidos do continente, perdendo apenas para – é óbvio – Nelson Mandela. Mas aí, evidentemente, entra em jogo a questão do carisma, o que muda por completo o aspecto da história e o contexto da discussão.
Sim, a África tem lá seus problemas, mas não nos esqueçamos de que já deu ao mundo, neste século e no século passado, alguns de seus homens mais bem vestidos. Por tudo isso, não vou achar nem um pouco estranho se o Amazonino começar a aparecer nos palanques usando ternos customizados do Alexandre Herchcovitch. O negão vai mesmo governar essa nossa áfrica até 2012. E não adianta se queixar ao bispo Tutu.

 

Anatomia do Cinema Tupiniquim
Por Fran Pacheco

A imagem-síntese do cinema nacional é um close do Paulo César Pereio dizendo, com todo aquele vozeirão: "porra!" .

Cama de Gato, novo "filme-polêmica" que nunca passará nesta cidade perdida vai estourar nas bilheterias, graças, exclusivamente, a uma cena de sexo (sim, minha senhora, sexo) perpetrada pelo pequeno xodó das virgens brasileiras, Caio Blat. Dizem ser uma sequência de "estupro semi-explícito". O que significa isso, não sei. Mas uma coisa é certa: não existe ereção técnica.

 

25 setembro, 2004

Mondo Cane Eleitoral Gratuito
Por Fran Pacheco

Coloquem o ex-prefeito Alfredo Nascimento dentro de um Expresso lotado, em plena hora do rush. E filmem o resultado.

 


Praça da Polícia (1908)


Praça da Polícia (2004)


 

24 setembro, 2004

Direito de Resposta
Por Fran Pacheco

"Não sou Peteleco de ninguém!"
Plínio Valério, candidato a Prefeito


Por decisão unânime da mesa-diretora do Club dos Terríveis, foi concedido Direito de Resposta ao boneco Peteleco, manauara, semi-aposentado, remendado, divorciado da boneca Kamélia. Há oitenta anos animando saraus infantis com sacadas do tipo: "Qual o teu nome?", "Tadeu", diz o aniversariante. "Ah, num tá-dando mais, né..."
Em respeito à Lei e à moralidade, a resposta terá duração idêntica à da ofensa:



"Fantoche dos outro
é a putaquipariu!"


 

23 setembro, 2004

Ê povinho bunda!
Por Ishtar dos 7 Véus, a hedonista

Oi, meus fofitos! Alguém já assistiu ao "Exterminador do Futuro 4", com o negão Amazonino no papel de Arnold Schwarzennegger? Não?! Pois então aguardem até janeiro... Ou então, um pouquitito antes, se o abelhudo ganhar no primeiro turno... Como diria o bom e doce Sarafa, se soubesse falar palavrões, “ê povinho bunda!”... Semana passada, baixei num terreiro de umbanda globalizado, ali pras bandas da Grande Vitória, e na sala anexa ao terreiro propriamente dito havia meia-dúzia de moleques assistindo o “Exterminador do Futuro 3”... Dei uma zolhada pra ver se o Alfredo Buchada estava na fita... Não estava, mas a vilã é a cara da prima da mulher dele, uma tal de Rosaline Pinheiro... O único babado do filme é a vilã, que tem um laquê superpoderoso... da hora! Arnold sacode a mulher... metralha a mulher... enche a mulher de sopapos... explode a mulher... E o cabelo dela? Perfect!!! Fofitos, que laquezão é aquele?... E a maquiagem dela vai na mesma onda... depois de explodida, sopapada, metralhada... tá lá... Liiiiiiinda!!!! Ai, minha Santa Helena Rubinstein... Eu fico crazy da minha pussy com uma coisa dessas! Ai, ai... Nós mulheres, travas e bibas curly hair sabemos como é difícil manter um hairzito up-to-date... Quando vi pela primeira vez os cartazes da Rosaline Pinheiro, com aquele cabelão no laquê, pensei que a fofa estivesse promovendo o enlatado americano... Ela é a cara cagada e cuspida da vilã (muito mais cagada do que cuspida, é verdade... Abafa...)... But, pensando bem... (porque eu penso, tá?) isso tudo faz parte de uma onda retrô... essa mesma onda retrô de votar no negão... Saudades da senzala, né?... Éééé, lembram das heroínas do passado? Brigavam, corriam, aquendavam um bofe... e o cabelo? Tuuuudo no lugarzito! Que o digam Kelly, Jill e Sabrina... E a Mulher-Maravilha? Rodopiava feito uma pomba-gira alucinada mas tava sempre com o permantente em dia! Claro, tinham as que seguiam uma tendência mais "chapinha da Perla", como era o caso de Andrea Thomas... Não ligaram o nome à pessoa? Então, fofitos, coloquem o medalhão egípicio e gritem bem alto: – "Poderooooosa Ísis!!!" Pois é... a egípcia voava, voava, voava... e o cabelão tava sempre arrumadinho, escovadinho... luxo!... Falando em retrô... tomorrow é dia de Les Gens! Por quê? Por quê? Porque o meu fofitíssimo-lindo-gracinha-tudo DJ Laércio Antonaccio vai estar tocando lá. Lalazinho (I'm sorry mas eu sou amiga de cama-e-mesa do bisavô dele, tá?) é o único que mistura numa sequência: Elisângela (Pertinho de Você), New Order (Bizarre Love Triangle) e Salomé da Bahia (Fugir)... ele é the bessssst!!! Amei os comments que apareceram por aqui! Tava me sentindo tão alone... Tão Greta Garbo... Beijos para King Rod's, Paulo Marinho, Cinara, Stanley, João Bandeira, Michelle, Anito (pela sua presença... entenderam? Presença de Anito! Ai, que trocadilho uó... sorry!) e todos os que me escreveram! Vocês moram em meu heart! Agora... Excuse me... mas vou voando pra Parintins again para rever o meu bofito e conferir se todo mundo continua Bi! – "Zephir que comanda o ar... Erga-me para que eu possa voar"!!! Música do dia: "Heart of Glass", de Blondie (Uma homenagem ao tarimbado irmão Paulo, que gosta dessa musiquita e está empenhado em exterminar a raça dos boiolas, incluindo os candidatos Jorge Maia, José Ricardo Wendling e enfermeiro Celso! Ou vocês não sabiam que essa trinca atraca de popa?!... Fui...)

 

Fratelli
Por Fran Pacheco

Nos anos 80, o maior feito do xerife Romeu Tumba foi capturar a perigosa ossada do nazista Josef Mengele. Agora senador (eles sempre terminam no Senado) e na condição de ex-diretor da Polícia Federal, ele vem pedir voto para Amazonino Mendes e de quebra passar-lhe um atestado de bom-mocismo. É triste.

 

22 setembro, 2004

O elefante e a formiguinha
Por Cezário Camelo, "Cecezinho"

Qualquer cidadão deste país das Amazonas está em condições de dar testemunho sobre os efeitos terríveis da nossa absurda legislação partidária e do nosso frágil sistema eleitoral. Cansado de um dia de trabalho duro, trânsito difícil e medo nas esquinas, chega-se finalmente em casa. Graças a Deus! Um banho, um sofá, pernas no banquinho, liga-se a TV, à espera de juntar a família à mesa.
O jornal da TV já é uma barra, mas dá para agüentar. Afinal, é a realidade de todos os dias... Depois, tenta-se um refúgio numa novela, ou num programa de variedades, ou numa reportagem esportiva. Vai tudo bem, até mesmo nos intervalos comerciais. Alguns são tão bem-feitos e tão interessantes que conseguem ser melhores do que alguns programas.
Esse clima de descanso e sossego, no entanto, costuma ser agredido pelo chamado horário político. No Brasil, e só no Brasil, existe esta coisa de horário político gratuito. (Cá para nós, sempre que algo só existe no Brasil dá para desconfiar que vai ser um mico. Exceção feita ao doce de jaca, é claro...)
A idéia talvez fosse boa. Esse horário político bem que poderia ser uma forma de preparar o eleitor para eleger gente que prestasse. Mas, tal como funciona hoje em dia, acaba sendo um espetáculo doloroso, falso e ridículo. Todo mundo prometendo transformar o inferno em paraíso, mas sem explicar detalhadamente onde vai arrumar dinheiro pra bancar a iniciativa ou se vai mesmo fazer aquelas tranqueiras depois que sentar a bunda na cadeira de “capo tutti capo”.
Lembro que um arigó de poucas luzes se elegeu prefeito aqui dessa joça prometendo transformar os canais putrefatos do igarapé de Educandos numa versão pós-moderna da velha Veneza. O arigó também falava, com ar de engenheiro de Tráfego formado pela Politécnica de São Paulo, em um certo metrô de superfície, que ia resolver o caos do transporte coletivo na cidade. Que fim levou a Nova Veneza? Quem fim levou o metrô? Que fim levou o arigó? Por essas e por outras é que dá para sentir o quanto é urgente uma reforma político-partidária.
Não entendo, mesmo depois de morto, por que o Congresso não votou, por exemplo, a lei que vai exigir do partido que pretende disputar novas eleições, a comprovação de que, nas últimas eleições, a sua legenda alcançou 5% dos votos apurados para a Câmara dos Deputados. Sobrariam seis ou sete legendas, o que é mais do que suficiente. Os partidos sem eleitores – PSTU, PAN, PCO, Prona, PMN, essas merdas –, que ficam por aí perturbando o cenário político e azucrinando a nossa paciência, esses teriam de fazer esforços para crescer e existir de fato.
Não entendo por que o Congresso ainda não votou a lei que cria um fundo partidário, com recursos públicos, destinado a financiar as campanhas eleitorais. Só com esse processo será possível acabar com a maior parte da corrupção que apodrece o comportamento de nossas casas legislativas e dos cargos executivos. Os recursos públicos aplicados pelo fundo vão representar, no final, uma brutal economia, quando comparados aos ralos que a corrupção abre.
Não entendo por que o Congresso não vota a exigência da fidelidade partidária. Essa instituição vai trazer tranqüilidade e confiança ao eleitor. O candidato eleito não poderá mais agir sem ética, sem ter satisfações a dar, sem ser exigido pelo eleitor e pelo partido. Não será mais dono do mandato para fazer o que bem entender. E, quando transgredir a lei, não poderá acobertar-se na imunidade parlamentar. Imunidade é uma coisa. Impunidade é outra.
Não entendo por que o Congresso faz de tudo para não adotar o voto distrital misto. Com o fim do malfadado voto proporcional, o eleitor saberá em quem está votando. Estará escolhendo um candidato definido, que não vai ser trocado por outro. A disputa pelos votos será travada entre legendas diferentes, competitivas, adversárias de idéias e programas. Atualmente, a luta cruel se trava entre candidatos da mesma legenda, num estraçalhamento que, depois, impede a existência de bancadas unidas e homogêneas.
O voto proporcional, que está em vigor, é uma fraude. Um engodo. Um verdadeiro estelionato praticado contra o eleitor. Quem é contra o fim do voto proporcional? Partidos pequenos, sem eleitores, que vivem de coligações para se manter. Quando os votos são apurados, eles, que se aliaram a uma legenda com grande eleitorado, conquistam as suas cadeiras à custa dela. Aí, então, tal como a formiguinha que, atravessando uma grande correnteza no lombo do elefante, chegou sã e salva à outra margem, eles exclamam: "Puxa, conseguimos, hein?!" Alguém imagina que eles queiram, um dia, perder o doce lombo dos elefantes inocentes? Vão ter mais é que arriar a calcinha...
Repito: só com uma boa reforma na merda deste sistema político-partidário e nessa bosta chamada processo eleitoral conseguiremos dar legitimidade à representação da vontade do eleitor. E só assim a democracia se livra do poder do dinheiro e da demagogia. E, de quebra, ninguém vai mais aturar o horário político gratuito. Bom, mas vocês, que ainda estão vivos, é que devem lutar por isso. Se não quiserem lutar também, continuem comendo merda e incensando os sabidíssimos Sabinos da vida! Vocês (se) merecem!

 

Os governantes têm cérebro?
Por Cezário Camelo, "Cecezinho"

Diz a lenda que Confúcio, visitando a montanha sagrada de Taishan, encontrou uma mulher que chorava pelos parentes devorados por tigres. "Por que não se muda daqui?", indagou o sábio chinês. "Porque os governantes são mais ferozes do que os tigres", respondeu ela. A mesma desilusão com os governantes teve Saint Just (1767-1794), um dos jacobinos da Revolução Francesa, executado após a queda de Robespierre, quando assim se manifestou: "todas as artes produziram maravilhas, exceto a arte de governar, que só produziu monstros". Pois não é essa a sensação que estamos tendo, quando, impelidos pela curiosidade de espiar o que se passa nos arredores da aldeia global, nos deparamos com pedaços estraçalhados de corpos, fardas rotas, destroços de mísseis e tanques, olhares assustados de crianças, pessoas sagrando em macas hospitalares, soldados portando terríveis armas da morte?
Não muito longe, aqui em nossas Bagdás, Basras e Nassiriahs, os nossos olhos, já afeitos à liturgia das guerras urbanas, flagram assassinatos de juízes, arrastões, crimes passionais, mendigos mortos quando dormiam, índias estupradas nos garimpos e adolescentes sendo trucidados por galeras nas paradas de ônibus por causa de R$ 2. Cerca de 40 mil brasileiros morrem, por ano, vítimas da violência, na demonstração de que também fazemos parte da barbárie que assola o mundo, para desespero de mães e pais, filhos e filhas que, diante de tanta insegurança, começam a semear a cultura de uma geração apavorada. Uma indagação fica no ar: qual a lógica que age sobre o cérebro dos governantes?
A visão do massacre frio e tecnológico da guerra do Iraque é um espetáculo de estupidez e bestialidade humanas. Naquelas plagas, a vida que, no dizer de Sêneca, nos foi dada com generosidade para a realização das maiores coisas, perde todo o seu sentido. De um minuto para outro, inocentes são tragados por bombas e mísseis, dissipando-se com a poeira que envolve as casas destruídas, os objetos de que se utilizavam e os alimentos que os nutriam. Contingentes de dândis, perambulando pela paisagem queimada da morte, mais parecem sombras fugidias e destroçadas correndo da fúria de tribos inimigas por ocasião dos primeiros embates da civilização.
O quê dizer diante do fogo desse inferno que as próprias cabeças dos governantes designaram de capítulo de pavor e decapitação? Que conceitos resistem ante o poder do império da arrogância e da força? Expressar que, diante da guerra, a moral, como um conjunto de valores para balizar a conduta humana, perde completamente o significado, é chover no molhado. Evidenciar a completa ausência de solidariedade, ou, ainda, demonstrar que, no Iraque, o conflito não é entre o bem e o mal, não levará a nada. Combater o terrorismo com a arma do terror nada mais é que estratégia de perpetuação da maldade.
E para que não se perca mais espaço com lição de princípios, deixemos as coisas no plano raso do fundamento da guerra. É Carl Von Clausewitz, o expoente da teoria da destruição, quem ensina: a guerra é um ato de violência com que se pretende obrigar o oponente a obedecer à vontade do outro; a guerra não é só um ato político, como um autêntico instrumento político, uma continuação do comércio político e um modo de levar o mesmo a cabo, mas por outros meios. Se assim é, os senhores da guerra não estão nem aí para valores como dignidade, verdade, justiça, equidade, ética, respeito humano, equilíbrio, paz.
Para eles, a vida nada mais é que mera conta de somar e diminuir ("matamos muito mais do que estamos morrendo"), conceito que torna piegas o ideário da existência, que pode ser expresso, por exemplo, por esta pequena lição de Mazzini, o escritor: "a vida nos foi dada por Deus para que a empreguemos em benefício da Humanidade". Nem adianta dizer aos donos da guerra que mais de dois terços da Humanidade são contrários à fúria instalada no Iraque.
Que horizontes e luzes se podem divisar para um planeta em que uma parte mínima tem amplo domínio sobre a maior parte? E o que dizer para os nossos governantes tão entretidos com a improvisação demagógica do Fome Zero e com o planejamento rigoroso para obtenção de grandes superávits fiscais? Uma coisa pelo menos deve ser dita: a violência que solapa as bases da paz, no mundo e no Brasil, pode se transformar no vírus mais letal do milênio, caso não seja contida pela força do Estado.
Ante a crônica das mortandades anunciadas, só resta lamentar: a vida está sendo cada vez menos bela. Mas como eu já estou morto, quero mais é que vocês todos se fodam, junto com Amazonino, Serafim, Vanessa, Plínio, Artur Bisneto, Herbert e o resto da patuléia irracional, que insiste em representar a sociedade. Quando chegarem aqui do outro lado do balcão, vocês vão descobrir o que é bom pra tosse...

 

Partido do cu
Por irmão Paulo

Mudando o foco dos políticos, mas permanecendo nas anomalias, a mim me enfada a contemporânea moda de fazer de assuntos privados bandeira de luta e símbolo de modernidade. O que acontece, por exemplo, com o homossexualismo.

Homossexualismo é, cada vez mais, charme. As lesbian chics estão, ainda, na moda. Intelectualizadas, cheias de atitude, bastante femininas até, politicamente corretas, éticas e coisa e tal, mas gostam de chavascas e fazem disso mote de engajamento. Antigamente as causas de engajamento eram diminuir a fome na Biafra, protestar contra a guerra do Vietnam ou bradar que o petróleo é nosso, pra ficar num exemplo menos épico. Hoje, das causas que congregam defensores, a defesa dos veados e sapatas está entre as mais concorridas. O incompreensível movimento GLS.

Homossexualismo é, basicamente, desenvolvimento emocional atrofiado ou confusão de identidade. A militância organizada, a meu ver, conseguiu cortar qualquer crítica à preocupação excessiva com sexo que quase todos os homossexuais exibem, uma obsessão que não tem hora nem limite e que, ao final, é a única razão de ser homossexual. Em regra, o homossexual centra-se em uma parte da personalidade, a genésica, perdendo o resto.

Estragaram, ainda, uma das mais gostosas palavras da língua inglesa gay, que quer dizer alegre, vivaz. Em filmes antigos ainda é possível vê-la em sua forma e uso perdidos. Desenvolve-se, em certos meios, um preconceito às avessas, onde o estranho e bizarro é o heterossexualismo. Tinha amigos homossexuais e deles ouvi, diversas vezes, que os veados são melhores em tudo: bom gosto, detalhistas, sensíveis e, inclusive, mais inteligente. O que só pode decorrer do fato de viverem quase sempre com três cabeças em si.

Ok, a maioria dos homossexuais discorda, mas homossexualismo é destino anatômico ou psicológico e não questão de preferência – ou orientação (pfiu). Os homossexuais não conseguem ter sexo satisfatório com mulheres ou, como Rock Hudson, qualquer sexo com elas. Por isso, voltam-se para os homens. É uma carta ruim que se tira na vida e, portanto, não é culpa do homossexual e ele não deve ser discriminado por isso.

Mas daí a aceitar a pretensão, de muitos, de fundar uma sociedade uranista ou tríbade são outros quinhentos. Os viados e lésbicas engajados são como homens que andassem pelas ruas a exibir o falo em riste a toda mulher passante ou mulheres em comportamento idêntico. Era estranha a nossa, onde dar o cu virou assunto de família e causa política. Ainda bem que já morri. Waaal.

 

Prato Feito
Por irmão Paulo

“Muita gente há que ainda se admira de acontecimento de coisas
desagradáveis aos olhos e ao entendimento, principalmente em matéria de
política. Parece que neste objeto o Amazonas tem provado uma capacidade
extraordinária para o humor sórdido, uma prioridade escandalosa, a ajuizar da
seqüência de exemplos.”

Mário Ypiranga Monteiro
(A renúncia do dr. Fileto Pires Ferreira)

Enquanto escrevo, ouço o tocante prelúdio da Bachianas Brasileiras n. 4, de Villa-Lobos, gravado em 1958, “par lui-même”. Saudade de um Brasil que não existe mais.

Vivendo entre feras, o homem sente inevitável necessidade de também ser fera. A política é para os brutos, uma luta de arena onde quem não mata, morre. O retrato mais perfeito do mundo político ao qual tenho pouquíssimo acesso e olho de soslaio, para não chamar atenção, é o mundo da máfia retratado por Copolla (lê-se copóla) na trilogia The Godfather. Nada é o que parece, ninguém é o que parece e alguns, muitas vezes, não são o que são. Assim se dá com a maquinação política amazonense. Tudo permanece em suspense, até o último momento. Quando tudo se decide, num jogo de caciques, brinca-se o faça tudo que seu mestre mandar.

Por falar nisso, há espaço para quatro caciques políticos no Amazonas? Desenvolvidas a partir da fértil matriz gilbertista, as principais lideranças políticas do Amazonas (incluindo a matriz genética), pela quantidade, ameaçam acotovelar-se mutuamente na busca da mantença de um lugar ao sol. Conto-as em quatro, como sugeri acima, pela ordem de precedência (influência eleitoral, política e capacidade de articulação e estratégia): Amazonino Mendes, Eduardo Braga, Gilberto Mestrinho e Arigó Nascimento.
Pela primeira vez sem mandato, desde que indicado Prefeito de Manaus pelo então governador Gilberto Mestrinho, Amazonino Mendes, preparou diligentemente seu retorno à cena pública desde dois anos antes do término de seu terceiro mandato como governador.

Naquele biênio, moralizou parte das licitações governamentais, disciplinou o uso do pregão, criou a Universidade do Estado do Amazonas, salpicou o estado com mais de 600 obras em andamento simultâneo, criou e/ou consolidou o Festival de Ópera, o Encontro Internacional de Poesia, a Amazonas Filarmônica, as orquestras mirins, o coral mirim, o corpo de dança, permitiu a execução de significativo projeto editorial de resgate de obras clássicas de vultos amazonenses e de novos escritores, sinalizou a implantação do terminal graneleiro etc.

Ou seja, criou uma paisagem favorável (meio artificial, mas favorável), deixou uma boa lembrança na também bienal memória popular, ao tempo em que engatilhou (é esse o termo) o estado de tal forma que qualquer governador que o sucedesse se veria instado a concluir as obras inacabadas, postergando ou desacelerando a execução do próprio programa de governo e, diante da estrutura criada, redirecionar recursos para sua efetiva utilização, drenando-os da execução de seu próprio programa. Xeque, como em xadrez. A patifaria no porto de Manaus parece não ter repercutido junto à opinião pública, que não entende de direito nem de legalidade.

Nesta terra de cegos, a genialidade política de Amazonino Mendes se manifesta ganhando eleições. Aparece fácil. Não há praticamente competição. Ocorre que agora existem quatro caciques disputando o direito de sentar sobre o formigueiro.

O retorno à cena pública, isso são favas (trocadilho involuntário) contadas, se dará através da Prefeitura de Manaus, cidade que já governou em dois outros momentos. Assim, reinstalado no governo da cidade, Amazonino Mendes, planejando-se nesses ciclos de dois anos, poderá (sempre tendo em vista a já mencionada bienal memória popular) executar uma vistosa administração e viabilizar-se candidato a Governador do Estado, se outro caminho não tiver sido acordado. Embora, como se sabe, acordos possam ser rompidos ou refeitos. O governador, politicamente, fez a única coisa que poderia para se proteger um pouco, indicou o vice na chapa de Amazonino.

As eleições gerais de 2006 representam o primeiro momento de potencial confronto direto entre Eduardo Braga e Amazonino Mendes, após o armistício de 2002. O que se diz, após o acerto do apoio de Mestrinho à Amazonino, é que a vaga do Senado é do boto e ninguém tasca. Por trás, claro, os 5 milhões de Gilberto Miranda. Resta, como diria João Saldanha, combinar com o adversário. E pasteurizar o boto para que dure até lá.

O pensamento voa com a voz de Victoria de Los Angeles, na famosa ária da Bachianas Brasileiras n. 5, gravação de 1957.

 

21 setembro, 2004

Apelo de um excluído digital
Por Fran Pacheco

Se alguma alma caridosa e amiga deste blog puder,
ajude, com um simples convite, este escriba que vos fala
a "baixar" no afamado sítio Orkut.

 

20 setembro, 2004

Licenciatura Plena em Politicagem
Por Fran Pacheco

Folheto em dialeto siciliano apreendido numa operação recente dos Federais
Tradução: Tommaso Buschetta (R.I.P.)


Manual do Candidato
A politicagem é a profissão do futuro. Em qualquer lugar do mundo, mesmo que o povo esteja mal, o político sempre estará bem. A cada ano proliferam novos municípios, novas sinecuras, novas cadeiras parlamentares. Os recursos extraídos do bolso popular são ilimitados e inesgotáveis, até que provem em contrário. Tal fato demanda pessoal habilitado para gerir com eficácia os 20, 30 e até 40% de comissão que esse patrimônio lhes reserva. Não é mais viável ser um autodidata - o que exige um gênio político muito elevado para escapar ileso de eventuais “perseguições” da mídia, do Fisco e da Justiça. O futuro da politicagem passa pela Formação Superior e é isso que nossa Instituição negocia.

Admissão
As vagas serão oferecidas pela modalidade licitatória do Leilão. Quem der mais, entra. Desempate pela extensão dos prontuários policiais dos concorrentes. Gatunos mais novos terão precedência sobre os mais idosos (melhor custo-benefício ao longo do tempo, pois a Instituição terá direito a royalties sobre todo o patrimônio e caixa-dois que os formandos amealharem). A palavra final, no entanto, fica a cargo do Magnífico Capo, que pode alterar qualquer regra ao bel-prazer, desde que “provocado”.

Recepção aos calouros
Cada “bicho” recém-chegado à Faculdade será escolhido por um “veterano” e se tornará apadrinhado político deste, jurando obediência eterna, mesmo quando estiverem rompidos. Por razões disciplinares e sanitárias, está proibida a desairosa sessão de trote, que obrigava os calouros a beijarem o “círculo íntimo” de seus godfathers em sessão solene.

1º Período

  • Prática Anti-Desportiva do Pôquer, Bacará e Dominó
  • Introdução ao Fisiologismo
  • Introdução ao Estudo das Brechas do Direito
  • Arrivismo e Cabotinismo Básicos
  • Artes Cênicas I para Plenário e Comícios
  • Psicologia Geral para Manipulação das Massas
  • Recesso Remunerado I .

2º Período
  • Prática Anti-Desportiva de Lavagem de Dinheiro pela Loteca
  • Cálculo Analítico e Diferencial de Propinas, Aditivos, Superfaturamentos e Divisão de Boladas
  • Artes Cênicas II para negar, negar e negar sempre
  • Antropologia do Voto de Cabresto
  • Gastronomia I para Deglutição de Sapos e Arroto de Elefantes (brancos)
  • Geometria Descritiva para Loteamento de Cargos entre Apadrinhados
  • Cinema Contemporâneo – “Trilogia dos Chefões”, “Golpe de Mestre”, “Agarra-me se Puderes”, “Vai Trabalhar, Vagabundo”, “Os Safados”
  • Recesso Remunerado II .


3º Período

  • Portunhol e Ingrês básico para negociatas e cassinos
  • Sociologia do Nepotismo
  • Semiologia da Camisa Suada como Fator de Ascensão Política
  • Noções de Agopecuária para Manejo de Currais Eleitorais e Cultivo de Laranjais
  • Gastronomia II para Fritura de Ministros, Secretários e Assessores.
  • Métodologia Organizacional de Dossiês contra Adversários e Aliados
  • Literatura I – “A Arte de Furtar”, “A Trapaça”, “Memórias de um Gigolô”, “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano”, “Fausto”, “O Príncipe”, “Meu Destino É Pecar” e “Mein Kampf”.


4º Período

  • Recesso integral para visita às bases com remuneração acrescida de 1/3


5º Período

  • Geografia dos Paraísos Fiscais
  • Marketing Político Goebbeliano de Guerrilha - Métodos de Sabotagem, Conspiracionismo e Denuncismo
  • Semiologia da Pasta Preta
  • Gastronomia III – Laboratório de Pizzaiolo
  • Prática Plenária I – Técnicas para Falta de Quórum e Consequente Necessidade de Sessões Extras com o Benefício de Jetons.
  • Etiqueta Política – Escolha dos tipos adequados de charutos, palacetes, cofres, celulares criptografados e boas-maneiras para achaques, concussões e outras transações heterodoxas.


6º Período (Final)

  • Antiética Comparada - Estudo dos Códigos de Honra Mafiosos e da Yakuza
  • Estágio em Redes de Corrupção Monitorado pela Interpol (os alunos que escaparem estarão aprovados. Os que escaparem e ainda forem elogiados por ex-diretores da Polícia Federal, estarão aprovados com louvor)
  • Monografia de Graduação (à venda na Secretaria).


Colação de Grau
Ocultismo ecumênico para fechamento de corpos e primeira mandinga contra desafetos. Em sessão secreta (e extremamente discreta) num castelo na Europa, tendo Mefisófeles como Paraninfo e o povo como Patrono, os graduandos terão o nº 171 tatuado no couro cabeludo, prestarão o juramento a Mammon e assinarão com sangue a nota promissória da própria alma.



Em breve um político profissional bem perto de você.

 

19 setembro, 2004

Aprecie com moderação
Por Cartier, Free-Lancer


Em raríssimo momento de descontração, Irmão Paulo
(à esq.), sorvendo sofregamente uma Caracu
(ou "schwarzbier"
em seu vocabulário) é observado
por um Fran Pacheco que parece já ter
pedido penico. Amarelinho, 1957 (mais ou menos).

 

Gerador Automático de Falas de Candidatos (2)
Por Fran Pacheco

Como ser Artur Bisneto

Curtindo a Eleição Adoidado

Pra início de conversa, desista: nem com muito silicone o sr. ou a sra. vai conseguir aquela bocaça do Bisneto. Aquilo tem griffe, tem pedigrée. Portanto, a primeira providência é arranjar para si uma nova árvore genealógica, cheia de lordes, pendendo como jacas, remontando a Carlos Magno de França. De posse de sua jaqueira, confeccione um brasão heráldico, com a boca-símbolo dos Rolling Stones no centro. Registre em cartório seu compromisso nº 1: batizar, na basílica de Westminster, com missa em Latim, o seu filho de Trineto. E prepare-se para admoestar o rebento no futuro: "Trineto! Já pra dentro, Trineto! Esse menino..." (Só com uma mesada muito boa ele não vai te odiar pro resto da vida).

Após saracotear por Los Angeles e London London, para obter o seu "degree" numa Estácio de Sá anglo-saxônica, volte à terrinha e manifeste a disfunção genética do clã: vire um político. Peça grana pro "papito". Ele e o "Tucano's Party" têm numerário o bastante para torrar em sua campanha de mentirinha. E a melhor forma de você fingir que acredita em sua candidatura é deveras acreditar nela. Papito, dama velha na Política, ensina todas as manhas. Afinal, ele "acredita" que pode ser Presidente.

Aprenda a ser agarrado pela multidão de caboquinhas ensandecidas (451 graus Fahrenheit sob as calcinhas) e deixe o corpo escorrer suavemente, doucement, para se desvencilhar. Sempre sorridente, tenha em mente que só pessoas sub-18 e com "célebro" dente-de-leite vão votar em vossa régia figura. Cultive, portanto, esse filão: encomende um rap, mas não o rap estilo "Balão Mágico" do Amazonino. Você já é homenzinho, peça um rap barra-pesada, gangsta, "stáile", certo? Pros mano e pras mana, certo? Vire o M.C. Bisneto, descolorindo o cabelo e acrescentando às suas impecáveis camisas Armani um gorro preto do Bad-Boy. Use uma cueca samba-canção transbordando da calça Ermenegildo Zenga. Troque seu sapato Ferragamo por um All-Star surrado. Conga já está muito demodé, certo?

Para discursar, basta ligar o MP3-Player Platinum Premium Xcel Plus, que papito te deu no dia de Cosme e Damião:

"Eu quero ser Prefeito de Manaus. Eu quero ser Prefeito de Manaus. Eu quero..."

O arquivo engatou. Acontece. Dê um "reset" e continue.

"Eu vim de uma família que sempre lutou por essa terra! Sempre! Minha família é honrada, e me dá orgulho... eu sou da família Jota Gê Araújo!"

Aperte "stop" na hora. Trocaram o seu player pelo da Norma Araújo, a Manazinha. Falha nostra...

Nota: Para os snobs que não se interessarem em ser Bisneto por achá-lo muito suburbano, lançaremos o kit "como ser Chiquinho e Carola Scarpa - numa pessoa só".

 

17 setembro, 2004

Candidato sem Photoshop apela para lifting dos Terríveis
Por Cartier, Free-Lancer

Não tem um computador por perto ou um botox à mão
para dar aquela rejuvenescida para o banner? Fale conosco.
Ficou ou não ficou 20 anos mais moço? Grátis limpeza de pele
com creolina e brilho com óleo de peroba.

 

16 setembro, 2004

Aviso aos navegantes
Por irmão Paulo

O murismo brasileiro é tão filistino e desonesto quanto o politicamente correto, nascido na América. Sou do tempo em que se usava a palavra exata para designar cada coisa, ato ou pessoa. É o que faço. Certas verdades, no Brasil, não podem ser ditas, mas sigo dizendo.

Serafim é, na melhor das hipóteses que explique sua apatia, um lerdo. A tomar conselhos com São Jefferson Péres há de restaurar (bem apropriado o termo) as linhas de bonde, o cine Guarany, a iluminação à gás, trocar o nome do porto por trapiche e resgatar a grafia tradicional do nome da cidade, Manaos.

Ridículo, busca ligar-se à Lula, que é tão cretino quanto todos os políticos (em todos os significados), sem mencionar que Lula apóia outra. Lula, por sinal, vem ao Amazonas e saracoteia, aos abraços, com Eduardo Braga. Mas o Lula é assim mesmo: falso. Enquanto despista Braga por aqui, Ministro Himmler trama em Brasília a solução final.

O que deixa essa turma indignada (deixaria a mim também se me importasse), vestais da honestidade como se apresentam, é o fato de que Amazonino vai ser prefeito novamente e, muito provavelmente, prolongará o reinado do grupo em mais alguns anos. Politicamente Amazonino é um gênio. Mas avanço intelectual, como se sabe, não implica avanço moral. Pela moral, é o que acho, queimariam todos no mármore do inferno. Se inferno existisse.

Vanessa, inconsolável, aparece cada vez mais ao berros, como uma vaca indo pro brejo. Que é para onde caminha sua candidatura, habilmente sabotada pelo Arigó Nascimento, Michilis e Omar. O fato da coligação e da composição faz-me pensar que até ela pode estar a serviço do Amazonino. Mas, claro, isso sairia muito caro, mas fácil foi despachar a curriola já citada para comer por dentro o grupo vermelho.

Forçado, talvez, pela oscilação nas pesquisas ou pelas características peculiares de uma campanha municipal, Amazonino deixou o mundo das idéias e partiu para as propostas práticas: viadutos, creches, centro. Agradaríam-me os viadutos da paraíba e recife com a efigênio Sales, se fosse vivo evidentemente. Tentou ganhar a eleição sem se comprometer com nada mas não foi possível. Agora, compromete até o governador ao dizer que só conseguirá fazer se tiver ajuda do governo estadual.

São todos cretinos, razão pela qual acho que o anarquismo é a forma ideal de organização social, mas inviável. A nossa é, apenas, palatável e indigesta. Serafetes, danem-se.

 

Gerador automático de falas de candidatos (Parte 1)
Por Fran Pacheco

Os candidatos já disseram tudo o que não tinham para dizer. Que os futuros vencedores descansem a paz dos brutos e reponham as energias para o oba-oba de seus novos mandatos (quando tudo o que deram será reposto em triplo). Que os perdedores crônicos e compulsivos preparem suas malinhas e seus triunfantes discursos derrotistas. Nós não precisamos mais de vocês. Qualquer um, dotado de teleprompter ou de um moderno aparato sintetizador de voz poderá fazer as suas vezes. Aqui vão as instruções:


Como ser Plínio Valério

"In Dollar we trust."


Deixe a barba crescer, mas evite usar franjinha, para não parecer um Chuck Norris depois da estiagem. Pendure no pescoço um crucifixo, uma lapa, o maior disponível, em metal reluzente, para melhor refletir na imagem da TV. Olhe-se no espelho, estenda uma notinha de "mir dólar" e repita para si mesmo, três vezes: "eu a-cre-di-to nis-so!". Peça a benção ao cartaz do "painho" Amazonino, que está pregado em seu oratório. Junte seus cabos-discípulos eleitorais para um novo showmício. Não se preocupe por eles serem sua única e permanente platéia: eles não se cansarão de ouvir tudo de novo. Eles estão sendo pagos para isso. Ligue o MP3-Player, que vai gerar automaticamente o seu discurso. Gesticule firmemente (use socos no ar a cada vírgula):

"Vou contar uma coisa para vocês! Descobri, ao ver esse mar de gente, que tudo, tudo vale à pena quando a alma não é pequena! Nenhum vento sopra a favor daquele que não sabe para onde ir! É no coração do homem que reside o princípio! E o fim! De todas as coisas! E o futuro do homem não está nas estrelas! Mas sim! Na sua vontade! Quem só tem martelo, meu povo, pensa que tudo é prego! Troco meu mandato de vereador pelo desafio de ser prefeito!"

(Letreiro acende: "Palmas!")

A platéia entra em êxtase (cada vez melhor com a prática, perceba). Erga os braços e cante uma pout-porrit de Fágner (Córação Alado é obrigatório).

P.S. Evidentemente, mulheres e metrossexuais que fizeram depilação definitiva na face não poderão ser o barbudinho Plínio. Não se preocupem. Em breve lançaremos o kit "como ser a Dra. Havanir do Enéas".

 

15 setembro, 2004

Versos Libres
Por Fran Pacheco

(Inspirados pelo jantar de ACM e Lula)

Como ser liberal num país em que os liberais
(não confundir com pan-sexuais)
são os grandes cortesãos do Estado?
Como ser trabalhista se os trabalhistas
são contra os trabalhadores?
Como ser conservador
se já está tudo podre?

A única saída é o Marxismo.
Groucho Marxismo.

 

14 setembro, 2004

Corrupção: você ainda vai estar em uma!
Por Cezário Camelo, "Cecezinho"

Eu adoro a estética da corrupção. Adoro a semiologia dos casos cabeludos sob suspeita, adoro a reação dos implicados, adoro o vocabulário das defesas, das dissimulações, as carinhas franzidas dos acusados na TV, ostentando dignidade, adoro ver ladrões de olhos em brasa, dedos espetados, uivos de falsas virtudes e lágrimas de crocodilo.
Todos alegam que são sérios, donos de empresas "impecáveis". Vai-se olhar as empresas, e nunca nada rola normal, como numa padaria. As empresas sempre são "em sanfona", uma dentro da outra, sempre têm holdings, subsidiárias, coligadas, são firmas sem dono, sem endereço, sem dinheiro, sem obras, todas vagando num labirinto jurídico e contábil que leva a um precioso caos proposital, pois o emaranhado de ladrões dificulta apurações.
Me emociona a amizade dentro das famílias corruptas, principalmente aqui na terra das Icamiabas. Oh, Deus! Aqui, creio eu, há mais amor do que entre picaretas paulistas ou cariocas. Aqui existe uma simbiose maior no parentesco, mais calor humano, mais "fio de bigode". São inúmeros os primos, tios, ex-sócios, ex-mulheres que assumem os contratos de gaveta, os recibos falsos, todos labutando unidos, como trombadinhas sincronizados. Baixa-me imensa nostalgia de uma família que não tenho e fico imaginando os cálidos abraços, os sussurros de segredo nos cantos das casas avarandadas, o piscar de olhos matreiros, as cotoveladas cúmplices quando uma verba é liberada pela Seinf em 24 horas, os charutos comemorativos. Tenho inveja dos vastos jantares à tripa forra, repletos de sarapatéis de tartaruga, vinhos finos, gargalhadas, piadas infames, ditos espirituosos, sacanagens tão jucundas, tão "coisas nossas", tão "manaós", que me despertam ternura pela preciosidade antropológica de imagens como a coleção de carros importados do Cordeirinho, a cabeleira loura do delegado He-Man (lembram?), a calvície precoce do Ricardo da Sefaz, o olhar enviesado de Amazonino, o visual desleixado de Otávio Raman, as sobrancelhas do Gilberto Benzecry e a pasta surrada do Zé Lopes. Esses signos e símbolos muito nos ensinaram sobre o Amazonas real.
Adoro também ver as caras dos canalhas. Muitos são bochechudos, muitos têm cachaços grossos, contrastando com o style dos populares magros de seca, de fome, proletários chiques, elegantérrimos pela dieta da miséria. Todos acumulam as mesmas riquezas: piscinas, fazendas, mansões, lanchões, flats em Miami, contas em paraísos fiscais. Todos têm amantes, todos têm mulheres desprezadas e tristes, com filhos oligofrênicos, deformados pelas doenças atávicas dos pais e dos avós. Aprecio muito os bigodões e bigodinhos. Nas oligarquias, eles não usam a bigodeira severa de um Olívio Dutra, babando severidade, com um eco de stalinismo e machismo gaúcho, não. Os bigodes corruptos são matreiros, bigodes que ocultam origens humildes criadas à farinha d'água e jaraqui frito, na clara ocultação de um racismo contra si mesmos, camuflando os ancestrais brancos cruzados com índios e negros, raquíticos por séculos de patrimonialismo.
Também gosto muito do vocabulário dos velhacos e tartufos. É delicioso ver a ciranda das caras indignadas na TV, as juras de honestidade, é delicioso ouvir as interjeições e adjetivos raros: "ilibado", "estarrecido", "despautério", "infâmias", "aleivosias"... São palavras que ficam dormindo em estado de dicionário e só despertam na hora de negar as roubalheiras. São termos solenes, ao contrário das gravações em telefone, onde só rolam palavrões: "Manda logo a porra da grana pro caralho do banco, que aquele boiola é um grande filho-da-puta e pode tá de cruzeta com o vigário-mor!”, “Fala praquele cuzão deixar de frescura senão eu vou foder a mãe dele e daquele viado que ainda não autorizou o aditivo”.
Outra coisa maravilhosa nos canalhas é a falta de memória. Ninguém se lembra de nada nunca: "Como? D. Sirleide, aquela mulher ali, loura, popozuda, de minissaia? Não me lembro se foi minha secretária ou não". E o aparente descaso com o dinheiro? Na vida real, eles cheiram a grana como perdigueiros e, no entanto, se justificam: "Ihhh... como será que apareceu um milhão de reais na minha gaveta? Nem reparei. Ahhh... essa minha memória!... Preciso urgentemente voltar a tomar Fosfatol..."
Amo também ver o balé jurídico da impunidade. Assim que se pega o gatuno, ali, na boca da cumbuca, ali, na hora da mão grande, surgem logo os advogados, com ternos brilhantes, sisudos semblantes, liminares na cinta, cínica serenidade de cafajestes e, por trás deles, vemos as faculdades malfeitas, as chicaninhas decoradas, os diplomas comprados.
E logo acorrem os juízes das comarcas amigas, que dão liminares e mandados de segurança de madrugada, de pijama, no sólido apadrinhamento oligárquico, na cordialidade forense e freguesa, feita de protelações, desaforamentos, instâncias infinitas, até o momento em que surge um juiz jovem e decente, que condena alguém e é logo chamado de "exibicionista"...
Adoro as imposturas, as perfídias, as tretas, as burlarias, os sepulcros caiados, os cantos de sereia, as carícias de gato, os beijos de Judas, os abraços de tamanduá.
Adoro tudo, adoro a paisagem vagabunda de nossa vida cabocla, adoro esses exemplos de sordidez descarada, que tanto nos ensinam sobre o nosso Amazonas velho de guerra.
Sou-lhes grato pelas sujas lições de antropologia, por estas pepitas genuínas de verdadeiros "gilbertos freyres" da endêmica sem-vergonhice baré.
Só um sentimento me atormenta o coração: não sei porquê, também me passa pela cabeça a imagem dos corruptos chineses condenados e ajoelhados no chão, com o soldado alojando-lhes uma bala de fuzil na nuca. Penso nestas cenas e sinto uma grande inveja da China.
Por que será, Irmão Paulo? Por que será, meu caro Fran Pacheco? Por que será, minha doce Ishtar dos 7 Véus? Ah, mas se não souberem também, foda-se!

 

Vixi Maria, em Parintins todo mundo é Bi!
Por Ishtar dos 7 Véus, a hedonista

Ai, fofitos... O weekend em Parintins foi tudo de bom... O comício da oposição foi chic na úrtima!... O Artur Neto falou que lá na ilha todo mundo é Bi... Noooossa!... Aqueles pajés de boi-bumbá nunca me enganaram, mas... todo mundo?... Noooossa!!!... Viva as bibas parintintins!!!... Viva os Bi da ilha... Noooossa!!! O certo é que eu já estava com saudades de vocês! Thanks pelos comments de everybody... Fabão, Leo Alencar, Dande, Kenir... e Mulher de Branco, eu não me esqueci de você... Imagina! Meus leitores moram no meu heart! E uma leitora fofita me perguntou: "Hedô, cadê os bofes? Você curte uma sapatice?" Olha, lindita, eu simplesmente adooooro minhas amigas pocheteiras... quer dizer... que gostam de meninitas... but o meu negócio é outro!!! Foi por isso que não fiquei tanto tempo em Parintins... Já pensou morar numa ilha onde todo mundo é Bi?... Abafa... E pra não dizer que não falei das flores, ontem assisti pela miléléssssima vez a "Elvira, a Rainha das Trevas"! Gente, aquela peitudita não é tudo? E a cena apoteótica em que ela gira aqueles balangandãs no bico do peitito... Babaaaado!!! Bem que alguma TV a cabo poderia passar o programa em que ela apresenta trash movies... Mas não! Ficam perdendo tempo com uns seriados sem pedigree e uns programas eleitorais de quinta... Ai, é tão dificil ser in com uma programação de TV tão out!!! Fofitos... O dia da eleição tá chegandoooo... Já estou pensando num modelito básico... Uma coisa assim meio Maria Antonieta encontra Napoleão Bonaparte... Ui, adoro um francês. Depois me lembrem de falar sobre Pierre, um ex meu que falava fazendo biquinho... Ai... Abafa, que Irmão Paulo lê esse bloguito e é ciumentétééérrimo... Ele sabe que uma loura up-dance-in-top-house-tudo like me não se encontra fácil nem no mundo dos desencarnados... É linditos, não basta ter uma cabeleira loura esvoaçante... Welaton e tintura Márcia não dão personalidade a nobody... Perguntem do Sarafa... E desabafei!... Música do dia: Je T'aime... Aquela do tanãnãnãnã... tanãnããã... Je T'aime... Ui, Je T'aime cantada por Brigite Bardot ou então... Freak Le Boom Boom da Gretchen... Ai fofitos, qualquer coisa em francês serve! Ai, deixa eu me controlar porque Irmão Paulo fica de olho! Fui!

 

O combustível do Sistema
Por Fran Pacheco

Governar, como disse mestre Washingtão Luís, é superfaturar, perdão, abrir estradas. Fiel seguidor dessa máxima, nosso governador, Acuado Braga, em "entrevista" recente (o termo entrevista, no contexto regional, deve estar sempre entre aspas) fez um balanço das obras em andamento na Capital. Grandes avenidas estão sendo rasgadas na Zona Norte e Zona Leste. Fomos poupados, por enquanto, da construção de uma artéria ligando a Estrada da Cidade Nova à Estrada do Turismo, a White Elephant Road. Ela ficaria a cargo do mestre-de-obras Cordeirinho, que está inativo, até que encontrem um substituto para ele. Quanto às do Extremo Norte, estão a pleno vapor. Nas palavras do governador: "é preciso que as pessoas possam passear (sic) pela Zona Norte e a Zona Leste, e conhecer, que é lá onde a cidade está explodindo."

Eu fui lá. A vantagem de se estar morto é que você pode dar esses "passeios" sem gastar suas alpercatas. A explosão ufanista de Braga é na verdade uma proliferação incessante de favelas, favelas a mancheias, em barrancos, crateras e até dentro de muros. Um horizonte desmatado, tomado por barracos até onde a vista alcança.

Manaus, cidade-sorriso careado, já foi uma Paris de fachada, depois rebaixada a Saigon. Agora, fomos promovidos a Canudos. Cada favela é curral de um Antônio Consigliere, um "amigo da comunidade". Trata-se de uma Canudos domesticada, esperando paciente a construção de um novo sopão, um novo conjunto com o nome do pai ou avô do governante e que o prefeito-tampax Galo Carijó apareça para asfaltar os lamaçais. As avenidas vão rasgando a paisagem, num ciclo interminável barraco-asfalto-barraco. E o "apoio e amparo" do inseto redentor virá, mas "com a ajuda do seu voto".

Vislumbro um futuro longo e promissor para os eternos donos das esmolas públicas. A miséria humana é um recurso natural abundante e renovável.

 

13 setembro, 2004

Nada Contra
Por irmão Paulo

Nada tenho contra o Serafim. É um mosca-morta, indolente, apático, sem vida. Agora amigado com Mário Frota e com São Jefferson Peres nos costados é que não vai à frente mesmo. De concreto contra Serafim, pra começar, há as paredes de sua cachola de onde, como disse antes, não entra nem sai idéia alguma que não tenha sido preconcebida há pelo menos 10 anos. Mas vamos à fundo nisso, em relação aos três patetas citados.

Dizem que além da cabeça, Serafim também tem o dedo-duro e não é em decorrência do reumatismo (que numa variante peculiar lhe toma apenas o cérebro), mas em decorrência do hábito da delação, desenvolvido durante os anos de autoritarismo militar – aos quais nunca se refere ele. Frouxo e cagão como é, devia estar metido atrás duma mesa, tratando de obter mais grana para azeitar a máquina estatal dos milicos. Mas, waaal, se a anistia também alcançou os alcagüetes, devemos perdoá-lo? Que mais pode haver contra o Serafim? - um sujeito que nunca fez nada.

Mário Frota é o rei da enganação, como sabemos todos com mais de 30 anos. Perdeu sua grande chance deixando-se roubar por Dom Carlo De Carli (ou ganhou, segundo dizem outros). Seduzido pela possibilidade fácil de Poder, topou ser candidato a governador com o apoio de Amazonino (que ao final morreu nos braços do velho Boto), ataca o cartel dos postos de gasolina mas silencia acerca do escândalo da grilagem de terras no Amazonas, do qual é um dos grandes beneficiários, já que a herança é um direito constitucionalmente previsto. Divide o Partido com Paolo De Carli, filho amado de Dom Carlo e com São Jefferson Peres.

Jefferson Peres, sempre mais sério que cu de touro, talvez seja a Rainha (ou será apenas pai delas?) das dissimulações e demagogias. Cada vez mais parecido com um gafanhoto misturado como o E.T., joga habilmente com as circunstâncias, malabrista que é, equilibrando-se entre a oposição política e o relacionamento fraterno com Amazonino e caterva, incluindo nesta o já mencionado Dom Carlo. Elegeu-se com a esmola que lhe deu Eduardo Braga para, em seguida ao pleito, declarar que ganhou sozinho. Para quem o interesse público está acima de tudo, omitiu-se vergonhosamente de intervir na escândalo do Porto de Manaus, ao argumento de quem tem amigos nos dois lados. É a versão mais acabada do antigo tigre da Esso, um tigre de papel. E querem saber do que mais? Fodam-se.

 

O Efeito Borboleta
Por Fran Pacheco

Funciona assim, na minha variante: se você pisar numa borboleta, ela não polinizará uma planta, que deixará de gerar novas plantas, e assim sucessivamente, causando um desequilíbrio ecológico na região, até que centenas de anos depois o futuro terá sido alterado pela sola do seu sapato. Se eu tivesse pisado na borboleta certa a tempo, esta poderia ter sido a nossa História recente:

Em 1982, Gilberto Mestrinho é derrotado por apenas um voto para o governador eleito, Josué Filho, o "Magrão". O Boto Tucuxi, desiludido, exila-se na Europa e ajuda a fundar o Greenpeace. Amazonino Mendes, empresário obscuro, vai à falência. Eduardo Braga se forma engenheiro e vai para o Massachussets (repetindo, Massachussets) Institute of Technology (MIT), tornando-se um orgulho para o povo do Pará. Nunca se ouviu falar de Carlos Alberto De' Carli ou Gilberto Miranda. Provavelmente nem nasceram. Cordeiro é ajudante de servente de peão de obra. Alfredo Nascimento, nem isso. Zé Lopes & Mala Preta são uma modesta dupla mariachi.

Mas o caos que rege os sistemas não-determinísticos guarda suas surpresas.

Amazonino se dedica à labuta como advogado de "empresários colombianos", chegando meteoricamente a desembargador-corregedor. Torna-se evangélico, visando a uma vaga no Supremo, pois o novo presidente, Edir Macedo (eleito sob o slogan "nasce um otário a cada minuto") conseguiu através de sucessivas emendas às pregas constitucionais, prorrogar seu mandato até a sua morte ou falecimento, o que vier primeiro. O Imposto de Renda foi abolido, substituído pelo Dízimo. A República Teocrática Macediana da Botocúndia (novo nome de nossa terra brasilis), fundamentalista, proíbe o espiritismo, a umbanda, o Santo Daime e o carnaval (skindô, skindô vira grito de guerra dos heréticos revolucionários, comandados por D. Marcelo Rossi e Inri Christo). Primeiro presidente "negão" do Supremo Tribunal Federal, Amazonino, agora braço direito e eminência parda de Edir, é apontado pela imprensa (cujo único jornal é o Reformador) como seu sucessor. Edir adoece misteriosamente.

Graças a Deus eu não pisei naquela borboleta.

 

12 setembro, 2004

Terapia eleitoral gratuita
Por Cartier, Free-Lancer


Num futuro utópico, regado a leite aditivado, cidadãos flagrados
praticando
politika serão condenados a assistir a 40 dias e
40 noites de propaganda eleitoral, sem poder fechar os olhos.
Transformados em bananas-mecânicas, a simples menção ao
"prefeito que a gente quer", "quem ganha é você" ou "acredite nisso"
lhes causará incontroláveis crises de vômito. Serão tornados
incapazes de molestar novamente a sociedade com
suas antigas delinqüências.

 

11 setembro, 2004

Pulhas
Por irmão Paulo


Foto do artista

Essa gente vermelha me enerva, em todos os significados do termo. Serafim, por exemplo, que tem nome, aspecto e DNA de dono de padaria deveria tomar vergonha na cara e ir vender baguetes no centro. Evidentemente, sem brio e dignidade como é, mesmo rejeitado inúmeras vezes pelo eleitorado, insiste em sua obsessão – cada vez mais personalista e individual – de ser Prefeito de Manaus. Mas, claro, Serafim tem a cabeça tão dura que nenhuma idéia é capaz de sair ou entrar nela e chama a isso personalidade. Eventualmente se cansa de andar de quatro e fica de pé, numa exibição que meus gatos faziam muito melhor. Pfiu!

Um colega seu quadrúpede, médico e petelho, combinação duplamente infeliz, Deputado Federal pelo Piauí (hahaha) cujo nome de guerra, como se dizia da alcunha pela qual eram conhecidas as prostitutas, é Nazareno Fonteles (foto) apresentou Proposta de Lei Complementar que estabelece o Limite Máximo de Consumo, valor máximo que cada pessoa física residente no País poderá utilizar, mensalmente, para custear sua vida e as de seus dependentes e a Poupança Solidária, denominação de uma conta especial de caderneta de poupança onde será depositada, mensalmente, a título de empréstimo compulsório, a parcela dos rendimentos recebidos por pessoas físicas, inclusive os que estejam sujeitos à tributação exclusiva na fonte ou definitiva, excedente ao Limite Máximo de Consumo. Trata-se do PLP n. 137/2004, à disposição de quem quiser conferir: http://www.camara.gov.br/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=156281

Imagino o que essa turma faria se tivesse chance real de chegar ao Poder e exercê-lo de acordo com suas venetas. Dou de barato que voltaríamos correndo para as mãos do PFL ou coisa parecida, tipo PSDB, se bem que a essa escumalha talvez não interesse o Poder real. A tranqüilidade, em relação à proposta ao menos, é que sua relatoria, na Comissão de Finanças e Tributação foi entregue as mãos do deputado João Leão, do qual nunca ouvi falar mas que tem o mérito de ser liberal.

Para pulhas, como o Nazareno e o Serafim (que é do partido socialista), melhor é que continuem esvoaçando em torno dos centros de decisão, sem correr o risco de obter real possibilidade de decidir, para permanecerem vendendo sonhos, propondo demagogias inviáveis e prolongando a interminável punheta política na qual vivem e que, ao menos, deve assegurar-lhes uma maleta de dinheiro a cada biênio eleitoral.

 

10 setembro, 2004

"Eleição nos EUA: Bush Amplia Vantagem sobre Kerry"
Por Fran Pacheco

Ê, povinho bunda.

 

Carta aberta aos mano do PL (Partido do Lulalá)
Por Cezário Camelo, "Cecezinho"

Companheiros leitor, companheiras leitora. Tamo chegando na hora da verdade. Já tá chegando o dia em que os companheiros leitor vão poder pegar seus voto, digitá nos teclado, pedi ajuda dos mesário, depois dobrá bem direitinho e enfiar no olho da urna. Porque é nas urna que o leitor mostra quem é machão nessa cidade. É nas urna que as companheiras feminista vão mostrar que os lugar dela não é só na cuzinha. É nas urna que os companheirinho de 16 anos vão passar Acnase nas espinha e descabelar os palhacinho. É nas urna que os ancião vão esquecer “o que eles tão fazendo ali mesmo?”. É nas urna que as companheiras dona de casa vão lembrar que deixaro o feijão no fogo e vão voltar correndo pra casa. E por que não dizer que é nas urna que os companheiros corno vão estar, enquanto os companheiros Ricardão tão sufragando o ganso na casa deles. Enfim, companheiros leitor, vocês tem que votar consciente, porque os trabalhador braçal já sabem em quem vão votar. Os metalúrgico já sabem em quem vão votar. Os médico, os enfermeiro, os operário, os empresário, os estudante, as prostituta, as doméstica, todo mundo já escolheu, menas você, companheiros leitor. Menas você! Estamo de olho!

 

08 setembro, 2004

Questões em Aberto do Vestibular da UEA (gran finale)
Por Fran Pacheco

O que inventar depois disso?
O cruzamento in vitro, sem o menor contato físico (é lógico) entre um megalômano gênio da política tropical com um ex-gênio do pop e duende afro-marciano resultou numa ninhada de sêxtuplos. O mais robusto dos espécimes (abaixo) pode ser definido como:



a) O ser mitológico (e arisco) conhecido como Maikolino Merdson.
b) Uma cigarra-sapateadora, com pinta de "Bad" (), seriamente "Dangerous" (perigoosa), capaz de fazer da Coisa Pública um verdadeiro "Thriller", com direito a risadinha satânica no final.
c) Um "mix" do Cão Chupando Manga com o Chupa-Cabras, abduzido pelo Chupa-Chupa e expelido pelo ET de Vagina. (Atenção, puxa-sacos: este ser não possui testículos!)
d) Censurado pela Justiça Eleitoral por conter cenas de demência explícita.

 

07 setembro, 2004

Feriado bizarro
Por Cartier, Free-Lancer


Isso foi o 7 de setembro de 1954 (aprox.), no Mandy's Bar,
ao ritmo
de chá-chá-chá e hari-gari. Da esq. para dir.
Cecezinho, Stella Maris, Fran Pacheco, Hedô, Wilson Grey
(sempre fazendo uma ponta) e Irmão Paulo (quem diria...).
Procurados, todos negam envolvimento no episódio.

 

06 setembro, 2004

Recesso amplo, geral e irrestrito!
Por Fran Pacheco

Pobre de vós, viventes, cujo feriadão limita-se a quatro patrióticos dias de setembro. Se tivessem outrora sido agraciados com o voto dos cidadãos, estariam curtindo um mês de férias, ou "recesso branco", como os nossos utilíssimos vereadores se autoconcederam, até o dia 4 de outubro. Ora, direis, eles precisam cuidar da campanha. Eu digo: que cuidem. Que gastem todo o seu rico dinheiro comprando votos por aí. Nunca o povo ganha tanta dentadura, jabá, telha e vale-doença quanto nessa época. Que a campanha dure até a completa falência dos caridosos candidatos.

Direis que estou sendo ranzinza, direis que os vereadores são abnegados. Vejam só: não se concederam um dia sequer de folga, de descanso do guerreiro, após as estafantes eleições. Do corre-corre do 3 de outubro, estarão (garantem) no dia seguinte de volta às movimentadas sessões plenárias. Fiquem de tocaia lá pra ver se alguém vai aparecer. Eu cá estimo que o porre deles vai durar até o dia da nova posse.

Importante será que os Torquemadas do Ministério Público não exijam a volta dos "gazeteiros" ao trabalho. Desistam. É preferível que eles sejam proibidos de voltar. Para sempre. Podem impugnar essa turma toda, só quem vai sentir falta deles será o futuro prefeito, Dr. Mazoca, que perderá trinta e sete línguas para lamber o seu ferrão. Transformem a "Casa do Povo" em albergue para mendigos (a expressão-paradoxo "morador de rua" está banida deste blog). Favor dotar as cadeiras do plenário de latrinas.

Direis de novo, ecoando a justificativa da Casa, que não cabe apreciação judicial. Que se trata de assunto interna corporis. Data venia, amantíssimos vereadores, interna corporis o cacete! O assunto diz respeito a todos os semoventes desta cidade, sim. Porque a todos deve ser dado tratamento igual. Recesso pra todo mundo. Mães trabalhadoras devem receber dez dias de licença para cuidar do aniversário, batismo, crisma, bar-mitzvah (ou equivalente) do filho. Festa de quinze anos, dada a complexidade dos preparativos, garante um mês de licença. Véspera de sorteio da Mega-Sena acumulada (valor a ser regulamentado) vale recesso geral, devido às grandes filas e necessidade de séria reflexão sobre os números da fezinha. Trabalhadores obesos receberão vinte dias de recesso para tratamento em spas. Obesos mórbidos angariam quarenta dias, prorrogáveis. Da mesma forma, trabalhadores raquíticos receberão quinze dias para tratamento de engorda, em convênio a ser assinado com o McDonald's. Após, ganharão um mês de licença para tratamento do fígado ensebado.

Quimeras? Claro que sim. Vocês acham que esse pessoal legisla em alguma causa que não seja a própria? Azar o de quem que não se habilitou em levar uma telha sequer da canditatalha. Ainda há tempo, está mais fácil encontrá-los. Corram porque, mesmo de mãos abanando, em pleno domingo (dia sagrado dos Morgados) vocês serão obrigados a legitimar a farra deles. E vê-los desaparecer por mais quatro anos.

 

05 setembro, 2004

Procura-se um Jabuti
Por Fran Pacheco

Alguém pode me explicar por que diabos colocaram uma bossa-nova-jazz como fundo musical para a louvação do Thiago de Mello ao Amazonino? Isso quer dizer que o Raízes Caboclas não fechou apoio com o Negão? Velho Thiago, com a voz lembrando cada vez mais a do Alziro Zarur... Contra um "Estatutos do Homem", nada posso argumentar. Que os outros candidatos respondam à altura, com algum "prêmio Jabuti de literatura" ou "prêmio Nestlé" disponível. Seria um embate artístico de altíssimo nível, à base de manifestos ou, se o tempo estiver curto, de haicais. Fica decretada a proibição de Zezé di Camargo & Luciano, viu, Vanessa?

P.S. Aproveitem que eles estão em Manaus, lembrem do bom e velho Ford Maverick e peçam um autógrafo:


 

Por que o Onuki não vai tomar no Orkut?
Por Cezário Camelo, "Cecezinho"

É de espantar a desenvoltura com que canalhas afastados temporariamente da escumalha corporativista por envolvimento em escândalos das mais diversas naturezas depositam suas esperanças na eleição deste ano, a maioria no intuito de voltar a exercer mandatos que, em algum momento, o eleitorado ou as circunstâncias indicaram que não estavam mais aptos a exercer. Pelo estratagema da renúncia ou de um retiro estratégico, não perderam a condição legal de disputar eleições. Nada pode impedi-los de voltar, a não ser a consciência do próprio eleitor, a decisão dos partidos de estreitarem critérios para a concessão de legendas e a firmeza da Justiça. Esta, não se sabe por obra de quais mistérios, aprova documentos exigidos de candidatos que, uma vez eleitos, revelam-se proprietários de densas folhas corridas. Agora mesmo, vários políticos com participações em escândalos suficientes para continuar a fazer a má-fama daquele prostíbulo da Sete de Setembro, anunciam a intenção de voltar ao mesmo devidamente legalizados pelo voto. O recurso à eleição como forma de lavagem de reputações é um completo despautério. Têm culpa no cartório todos os partidos que aprovam as listas de candidatos nas convenções e depois, quando o sujeito está imerso no escândalo, adotam dois tipos de atitude. Se o personagem em questão é importante, ganha a prerrogativa da proteção – hoje em dia um pouco chamuscada pelas lambanças do deputado Cordeiro. Mas, se o autor das malfeitorias é peça de segunda ou terceira categoria, a reação é a da cínica surpresa seguida da hipócrita condenação. É o que está acontecendo com o Cordeirinho Junior (PSL), candidato a vereador sob as benções do pai, que todo jornal diz está sem partido. Que merda é essa do deputado Cordeiro estar sem partido? Ninguém pode ser eleito sem ter um partido. Ora, o cara foi eleito pelo PFL (era o 25111, lembram?)com 21.838 votos e não ingressou em um novo partido, logo, portanto, por conseguinte, continua no PFL. Na Justiça dá-se semelhante fenômeno. Alguém para ser candidato necessita apresentar certidões negativas de todos os cartórios de seu domicílio eleitoral e ainda é obrigado a apresentar comprovação de rendimentos com variação patrimonial. Mas quando se vê o que temos visto nos últimos anos em matéria de exibição de prontuários, surge a inevitável dúvida: quem falhou, a Justiça que liberou a documentação indevidamente ou os partidos que a ignoraram solenemente? Olhar em direção à esculhambação reinante e repelir as distorções da representação como se elas não fossem conseqüência de um processo, este sim, distorcido, é fácil. No caso dos partidos, joga-se a culpa naquele que foi pego em flagrante. No que tange ao eleitorado, toma-se a parte para julgar o todo. No que diz respeito à objetividade dos fatos, deixa-se convenientemente de lado a evidência de que ninguém chega a vereador por geração espontânea. Por exemplo, o que o Arthur Onuki está querendo fazer de novo? Ele não já se elegeu vereador uma vez e depois renunciou porque roubava os funcionários do próprio gabinete? Por que, então, ele não vai tomar no Orkut? E o que querem esse bando de moleques que andam pedindo votos pro Onuki na periferia da cidade? É, essa gurizada que defende o voto-dezesseis no japonês! Catzo, tudo bem que ele tem norráu no negócio, mas eleição não é lavanderia. Vá se foder, Onuki! Pede pra cagar e corre pra moita, como fez o Marcos Cavalcante, ex-puxa-saco-sênior do Negão! Quando eu era vivo, essas questões eram resolvidas no braço, mas essa nova geração-16 só sabe dar porrada quando joga Counter-Strike! Caguei e andei pra vocês, fedelhos novidadeiros! E dezesseis era a medida do meu pau quando estava mole! Perguntem das suas respectivas genitoras... Outra coisa: quem votar no Onuki vai se ver comigo no quinto dos infernos! Depois não digam que não avisei!

 

04 setembro, 2004

Casório é bom e eu ghost!
Por Ishtar dos 7 Véus, a hedonista

Genteeee!... Que festa foi aquela no casório de Jorinha Said Guerreiro e André Dutra, lá no Diamond Center?... Que louuuuucura!... Ai, quando me auto-convidei já fui sabendo que tinha de pensar no meu visual!... Uma coisita meio Mortícia, meio Elvira, meio eu mesma!... Sabia que ninguém ia ver o meu ectoplasma-hype-up-to-date-techno-fashion, mas, e daí?... Esnobei a madrinha Tereza Cabral Guerreiro, avó da nubente, chinfronéééérrrima num vestido verde-folharal da Sônia Krakas... Ela ia fazer o maior sú no festival de cirandas de Manacapuru... Como destaque da Guerreiros Mura, que defendia a preservação da floresta e das peruas em extinção... Quase urino de rir ao passar pela Ana Noronha fantasiada de Pantera cor-de-rosa... Ela pagou 2 mil dólares por aquele mico da Viva Vida?... Noooossa!... Tomara que esteja sendo investigada pela Operação Farol da Colina... Pra, no mínimo, aprender a ter bom gosto... A Tayko Nakagima estava diviiiinaaameeente sorridente.... Parece que a última plástica encolheu a pele da sansei... Se ela cruzar as pernas, mostra até os malares... Uma gracinha... A Neibe Gomes estava usando um pretinho chique e moderno da Glória Coelho quando chegou o maridão... Quase que o pretinho perde os piercings da orelha... Uma gracinha... Confabulando num canto, Moisés Sabbá e Benedito Lira tentavam localizar Alberto Simonetti via celular para saber quem tinha ido tocar piano na Polícia Federal nas últimas 24 horas... Uma gracinha... Aliás, os concertos-solo na PF têm saudido a pasmaceira provinciana... Falando nisso, aquela garça-gigante, a Alexia Deneriazíaga, passou batendo as asas por mim como se fosse colocar ovos... Ou sentar em cima deles, sei lá... Tirando esses pequenos detalhes a festa foi tuuuudoooo do bem!... Tá, tá, teve gente indo pegar “quentinha” na cozinha do Diamond pra levar pra casa... E daí?... Rico também come, pombas!... E já que estamos no clima deste novo casal da Maneaux de mil contrastes preciso dar alguns toques básicos... No bom sentido, claro... Quem já assistiu Ghost mais de cinco vezes sabe como é que funciona... Olha Paulinho Noronha, da mesa branca do Rebanhão... Detesto essa coisa de tábua de Ouija, mas adorei saber que você é casadééééérrimo e fiel! Porque esses namoraditos que vão pra boate A2 e dão o truque na namorada para poder pegar... Uó! Fidelidade é super in, fofitos! Já é tão dificil encontrar o amor... Então vamos cuidar da pessoa amada! Ai... tô me sentindo a Baby Rizzato de trinta anos atrás... Lembram do “Programa Amor”, que passava na TV Baré... Tinha sempre clip do Menudo e concurso de Breakdance... Uó mas eu assistia! Aaaah fofitos, confessem que vocês já ligaram para o Bozo para participar da corrida de cavalinhos... Eu já!... Não ganhei... Acho que aquilo era marmelada!... Abafa!... Ai, fofitos... Sabe aqueles dias que até uma hedonista-linda-up-to-date-tudo se olha no espelhito e... Uó!!! Aí ela apela: Espelhito mágico... espelhito meu... Quem é mais bonitita que eu?"... E o espelho te dá uma lista de peruas que dá para encher três vivaldões!... Eu tava assim essa morning... Meio jaburutita... Olheiras, cabelo ruinzito e uma espinha na minha testa deformando essa faceirice morena que God me deu! Tchudo bem... respirei fundo, coloquei "Beautiful" da Christina Aguilera na vitrola e me auto-convenci: You are beeeeeautiful, no matter what esse espelhito uó diga!!! Me lembrei de um e-mail enviado por um eleitor fofito do Artuzinho Bisneto: "Hedô, Hedô... Vou às raves... Tento ganhar uma Barbie... Mas elas me ignoraaam!!! Será que é porque eu sou magrinho? Me ilumina!" Ok, meu magrito fofo... eu te ilumino! Olha, lindito... dê uma boa sacada em yourself... Se você se achar uó e nem um pouquito atraente, assim como o Amazonino-pós-botox (ele não ficou parecido um papudinho?... Abafa...)... Vamos trabalhar isso!... Malhação, cremes, cirurgia plástica e como dizia Olivia Newton-John: "Let's Get Physical"! But... Se você estiver se gostando, que nem o Plininho Valério (aquele vitiligo é tuuudo!...)... Fofito, fique assim mesmo e esqueça as barbies bicudas!... Eu adooooro elas, mas às vezes minhas amiguitas inchadas são uó!... Claro, existem Barbies superfofas e do bem... Tente achar uma dessas... ou senão... Que tal uma Susie? Uma Fofolete? Um Pula-Pirata? O negócio é Be Yourself!!! Ainda não inventaram anabolizantes que dão personalidade, carisma e um beautiful heart!... Taí o Sarafa que não me deixa mentir... Ai, que lindo isso... Mulher de peixes, né?... Conselheeeeeeira... Tô me sentindo Cinira Arruda... Abafa!... Música do dia: Aaaah..."Beautiful" da Chris Aguilera ou "You Are So Beautiful" com o Joe Cocker... Fui!

 

Homenagem ao novo recesso da Câmara Municipal
Por Fran Pacheco


 

03 setembro, 2004

Questões em Aberto do Vestibular da UEA (2)
Por Fran Pacheco

Biologia - Genética (teratogênese)

Dado o cruzamento de uma carismática espécie de manipulador de massas baré, com um neurastênico comunicador de massas alienígena, que rebento resultará desse contubérnio?



a) O ser mitológico conhecido como Mazô, para os íntimos.
b) Uma abelha-libélula mumificada, com uma agulha de tricot no lugar do ferrão, pronta para costurar novas alianças e ferrar os cofres públicos.
c) A encarnação do eu-poético que na música do Caetano se questiona: "sou neguinha?!"
d) Espaço reservado para direito de resposta.

 

02 setembro, 2004

Deixem o pau comer solto
Por Fran Pacheco

"Eu sou um Hobbitt e só me Frodo."
J.K.R.R. Rowling-Tolkien


Falando francamente, alguém assiste ao programa eleitoral gratuito só para ver propostas e projetos de governo? Eu não. Eu sei que essa patota só quer saber do "puder", como diria o Ribamar. Se deixarmos no lenga-lenga do "alto nível", ficaremos durante semanas fadados a ver a seguinte grade de programação:

  • "CREDO!" - Do Latim "acredito". Programa messiânico de Plínio Tampico Valério, ao som de Fágner (cuja técnica de vibratto consiste em balançar a cabeça). Plínio Conselheiro aparece nas pregações com um baita e reluzente crucifixo pendurado no pescoço. Está invariavelmente de braços erguidos ao firmamento, às vezes em êxtase. Suas sentenças são pinçadas de "Minutos de Sabedoria" e "Fernão Capelo Gaivota". Arremata sempre com uma viradinha de cabeça e o bordão "acredite nisso." Eu acredito. Credo quia absurdum.
  • "The Herbert Fellow Project" (a.k.a. "A Rosca de Herbert") - Filmetos experimentais, feitos com câmera caseira, sempre à mão, fitas gastas, zunido do som ambiente (ventilador), um pano velho de fundo. Grupo de 2 revolucionários embrenhados da selva para documentar a queda do Capitalismo Selvagem é assombrado pelo fantasma da ALCA. Suas fitas desaparecem. Seus restos mortais são censurados pelo TRE, com uma tarja azul e uma Marcha Fúnebre para Motel, by Kenny G.
  • "Sarafa Forever, Tentativa 5" - Empenhado em quebrar o recorde mundial de fracassos eleitorais e a quantidade de vices-campeonatos seguidos do Vasco da Gama, portador da comenda de "Homem Menos Carismático do Norte-Nordeste", Sarafa dispensa qualquer verniz. Reimprime (xeroca) a cada dois anos as mesmas propostas. Desafia quem conseguir assistir aos seus 2 minutos diários sem dormir. Só não pode dar nenhum prêmio, que a grana tá curta. Seu candidato a vereador mais forte (depois do bonecão Barbosão) é Paolo de Carli, que vota em Amazonino, capice?. Mas Sarafa é enfático (na medida do possível): "eu voto em mim!"
  • " Madame Eronildo Convida" - Omar, Mixilis, Buchada Nascimento. Não há sofá que seja páreo para tantos bundões. Ao invés, uma grande mesa de um comitê eleitoral, na hora do rush. Dezenas de aspones digitam freneticamente em seus notebooks e analisam farta papelada. Só pode se tratar do listão de companheiros e companheiras a serem contemplados com sinecuras nas 6 Prefeituras da Vanessa ("uma bem pertinho de você"). Atentem para o detalhe de Humberto Mixilis olhando fixamente para a tela de um Apple Powerbook de 15 mil reais. O beiço que ele faz só pode significar o seguinte: "como é que se liga essa porra?" Às vezes o Ministro Buchada Nascimento dá as caras. É constrangedor. Como um arigó desses foi duas vezes prefeito e agora está Ministro? A resposta é simples: a Máquina Pública no primeiro caso. Quanto ao Ministério, ele já admitiu em público que não manda lá. Só em casa, em Dona Léo, sua última vassala (Fabrício Lima exige direito de resposta).
  • "Eu, Artur" - O candidato de proveta chamado Bisneto (cujo filho será Trineto) faz "laboratório" com dinheiro do papai. Pega ônibus pela primeira vez na vida (em Los Angeles andava de Trolley). Qualquer dia vai topar com o Carijó, outro neo-adepto dos "buzões". Voa de helicóptero (cocóptelo, como diz na intimidade, para papai). Em cenário futurista, estilo "Minority Report", uma entusiasta clica em suas propostas holográficas. E sorri. Eclético, entoa um rap mais underground que o do Amazonino. Seu futuro dinástico está garantido: quando sua terceira idade chegar, e as rugas invadirem até o seu sovaco, fará cover do Mick Jagger.
  • "Feelings" - Arrasa-quarteirão da mega-coligação arrivista da Abelha Rainha. Programa forte, que explora sem pudor as lágrimas de crianças, e velhinhas desamparadas. Apesar de doente e inchado (até a fala parece inchada) o velho homem que não sabe viver sem o "puder" tem na cabeça todas as soluções para a cidade. E tem tempo, muito tempo, como todo épico que se preze. Metade do programa são simulações ( ficções) de como suas panacéias vão funcionar. Um Centro de Amparo, na verdade 20 Centros, que reunirão, em cada um, equipes de todas as especialidades existentes no mundo, inclusive "profissionais que estão fora do mercado de trabalho". Ou seja, cabe qualquer um. De advogados a ambulâncias. Tudo, tudo o que o engenho humano conceber estará nesses centros. Call center, divãs, sopão, futebol "soçaite", banco de dados, enfermaria. Um exemplo prático (mostrado no programa): D. Maria está doente. Em vez de ligar para o S.O.S. Manaus ("que está desestruturado"), D. Maria receberá, um dia, a visita de um "agente", que anotará sua situação e em seguida, constatado o quadro clínico (ele manja de tudo), ligará para uma ambulância do Centro de Panacéia, que a levará para uma unidade de saúde. Está tudo na cabeça do homem. Mas o "staff" do homem, sedento, quer saber mesmo quando é que começará o oba-oba das licitações.


A coisa só fica boa quando essa turma deixa de lado a "elegância" e parte pra ignorância. É bom ver os podres deles, em horário nobre. Foi bom relembrar a derradeira "grande jogada" do Amazonino, quando ele tentou barrar o gasoduto Coari-Manaus para dar de bandeja para um obscuro grupo estrangeiro o transporte do gás... por barcaças! Foi lindo rever Amazonino gaguejar para um repórter do Jornal Nacional, tentando explicar que pra ele servia "gasoduto, barcaça ou zepelim".

A Justiça Eleitoral certamente dará direito de resposta. O chato do Amazonino liderar com folga é que provavelmente ele não precisará partir pro ataque e mostrar os podres dos "mocinhos". Ah, mas com alguns pontinhos a menos nas pesquisas, o negão partiria pra cima, com o mentor Egberto por trás. E seria o Apocalipse.

A saída para o pau comer solto será a Justiça liberar geral. Deixem que eles pratiquem, para o nosso deleite, o canibalismo grupal. Ao vencedor, as batatas de ouro. Ao povo ferrado, não restará mesmo qualquer escapatória. Não basta ser amazonense, tem que tomar na tarraqueta.