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28 fevereiro, 2005

A Preterida (novo capítulo)
Por Fran Pacheco

Primeiro foi Carolina Dieckermmann no papel de uma retirante nordestina. Depois, Letícia Sabatella como uma sertaneja de minissérie. Vem aí Déborah Secco fazendo uma imigrante ilegal latino-americana sem dinheiro na pochete. Senhores, o que a Globo tem contra Dira Paes?

 

Todo poder emana da Cannabis?
Por Fran Pacheco

Virou rotina presidente confessar em off que já consumiu ganja (ou, gandja, na peculiar pronúncia do apóstolo Marcelo D2). Até THC, digo FHC, em tempos idos, falou sobre uns "tapinhas". E alguém duvida que Aquelle, o dos supusitórios de cocaína, não tenha tangenciado a parada? Os cientistas políticos estão nos devendo um estudo definitivo sobre a relação de maconha e onanismo com o sucesso na política.

 

Manda o infante pra lá
Por Fran Pacheco

Com nossos soldados no Haiti levando bala de gangues, Lula devia aproveitar a expertise de Anthony Garotinho no "combate ao crime" e oferecer-lhe o comando da perigosa missão. Os riscos de vexame seriam mais do que compensados pelo risco que o político da Baixada correria por lá.

 

Divisão de classes
Por Fran Pacheco

Neste Brasil severino, ou você é cavalcanti ou é cavalgado.

 

26 fevereiro, 2005

Se meu baixo clero votasse
Por Fran Pacheco


Noviças rebeldes flagradas em pleno pecado da boca de urna.


O amigo já imaginou se a Igreja Católica em vez de uma teocracia, fosse uma democracia, ou melhor, já que estamos falando de ovelhas: uma ovinocracia? Se o rebanho tivesse conquistado (com procissões históricas) o direito de escolher um novo Papa por sufrágio universal? O pleito poderia se dar pelo sistema brazuca: uma cabeça batizada, um voto. Não importa se o sujeito é crismado, coroinha, tonsado ou carola, se sabe ou não recitar o Credo, se liga djá para o Walter Mercado ou faz despacho, de quando em vez. Batizados em criança, todos seriam iguais perante a sacrossanta urna.

Já pelo american way, a coisa seria um poquito más complicada: o eleitor teria que possuir um green-card bento. Haveria uma espécie de voto paroquial misto, via cartão perfurado, com a escolha de um clero eleitoral, que iria para uma votação indireta diocesiana, que seguiria para a escolha arqui-indireta arquidiocesiana, e assim por diante - até sobrar um felizardo, saudado com um mega-show de fogos de artifício (no lugar daquela fumacinha muxiba) e com o povo cheio de bottoms e bandeirolas, gritando em S. Pedro Square: “We have a Pope!”.

Seja qual fosse o sistema, a barulheira seria grande. A polêmica começaria na distribuição de santinhos. Os candidatos disputariam a tapa a aliança com os ditos-cujos: “Cardeal Noël ganha apoio de S. Nicolau de presente”; “São Sebastião é Cardeal Margarida - por um papado alegre.”; “Candidato Azarão Dom Barrichelotto ganha apoio de S. Judas Tadeu e tem fé na virada”; “Santo Expedito é Enééééas!”. Como, minha senhora? O Enéas? Sim, sim, pelo Direito Canônico, qualquer católico pode ser eleito Sumo Pontífice, basta “ser hômi com pleno uso da razão”. O que, pensando bem, poderia impugnar o barbudo careca. (Além de cortar as asinhas de todas as papisáveis, para cólera das sufragettes: fica para o próximo século, OK?)

Haveria tudo o que uma campanha qualquer tem direito: muito conto do vigário, distribuição eleitoreira de indulgências, tentativas arbitrárias de excomunhão contra adversários, propaganda irregular em campanários, revelação de segredos de sacristia, uso desregrado de Photoshop (até sob a batina) e aquelas vinhetas de TV, com o os candidatos segurando criancinhas e visitando obras de novas igrejas, com o rosto suado de tanto ministério. Além de promessas miraculosas. Pesquisas eleitorais seriam usadas só para “consumo interno”, como segredo de confessionário.

No dia da grande eleição, a segurança em paróquias conturbadas seria garantida pela Guarda Suíça, com trajes medievais e tudo (vale o apoio dos Dragões da Independência). Durante a apuração, não faltariam denúncias de fenômenos como a multiplicação de votos. A Justiça Canônica, no entanto, lavaria as mãos. Ao final das contas, consummatum est.

E quem não gostasse que fosse reclamar ao bispo.


 

25 fevereiro, 2005

Precisão jornalística é isso aí
Por Fran Pacheco

"O Procurador poderá denunciar todos, vários dos 43 indiciados, alguns, ou até mesmo nenhum."
Na coluna de fuxico político "Sim & Não", do Diário Oficial do Município, digo, do Pravda da Prefeitura, digo, do jornal Acrítica. O arremate d'ouro seria completar a frase (que é Conselheiro Acácio puro) com um "ou não".

 

Assuntos de família
Por Torquato Piauí



O texto abaixo é de autoria da publicitária Mayra Cunha, do blog Milk Shake. Eu sou primo direto de seu pai, o jornalista Paulo José Cunha, e portanto, primo da Mayra em segundo grau. Entre outras coisas, o texto serviu para inflar meu ego. Gracias. (TP)

Torquato foi um poeta daqueles de vida curta. Sua obra publicada se resume a um único livro, Os Últimos Dias de Paupéria, que está pra ser reeditado há anos e nunca sai. E tem muita coisa inédita espalhada ainda por aí. Eu mesma não tenho um exemplar do livro. Qualquer dia desses me faço de doida e roubo do papai ou do Zélder!! (Risos).

No dia de seu aniversário de 28 anos, Torquato saiu para comemorar com a esposa, o filho de 2 anos e os amigos. Ao voltar pra casa, no Rio de Janeiro, esperou todos irem dormir, se trancou no banheiro e, literalmente, abriu o gás. Ficou lá escrevendo até não poder mais. Morreu numa madrugada do ano de 1972.

Muitos o tem como genial. E foi mesmo. Nome importante do movimento Tropicalista, é o autor de letras de músicas que o povo canta sem nem saber que são dele. Soy louco por ti, América, Geléia Geral e Go Back são algumas só pra não deixar de citar. Foi poeta e letrista de marca maior. Um teresinense que morava no Rio e era chamado de baiano, por sempre andar com Caetano, Tom Zé e Gil (aliás, li outro dia que foi com quem o Gil fez mais parcerias). E adoraaaava cajuína. Agora sim eu cheguei ao ponto que eu queria chegar...

Certo dia, depois de muitos anos de sua morte, Caetano Veloso foi fazer um show em Teresina, no Piauí. Como sempre fazia, ligou pro pai do Torquato (que eu chamo de Vovô Heli, por ser meu padrinho querido) dizendo que gostaria de encontrá-lo. O suposto diálogo foi esse (óbvio que eu vou escrever do meu jeito, né? Não faço a mínima idéia de como essa conversa se deu de fato):
- Oi, Caetano, meu filho (ele chama todo mundo de meu filho, deve ter chamado o Caetano também), venha almoçar aqui em casa.

E lá se foi Caetano almoçar na casa da tia avó mais fofa que eu já tive: Vovó Saló (mãe de Torquato). Foi recebido com todas as honras piauienses e falou que gostaria de experimentar a famosa cajuína. Disse que Torquato falava demais nisso. Que era a melhor bebida que existia no mundo (pra quem não sabe do que se trata, é uma espécie de suco de caju que não é travoso e não leva uma gota de água. O líquido é tirado todinho da fruta... diliça!!).

Depois do almoço e de muita conversa, Caetano foi descansar numa rede (claro!) antes de voltar pro hotel. Vovô Heli saiu pra trabalhar, mas antes pegou uma rosa da roseira que ficava na frente da casa (affe! Como eu me arrebentei naqueles espinhos quando era criança!!!) e colocou em cima da mesa, ao lado dele. Quando acordou, viu a rosa e não se fez de rogado. Pouco tempo depois compôs Cajuína dedicada ao vovô Heli. (Que fofo!!!):

Existirmos - a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina (Viram a rosa aí, gente??)
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina (Quem é o homem lindo?? Vovô Heli!! Um copo de cajuína pra quem acertou!)
Do menino infeliz não se nos ilumina (E o menino?? Outro copo pra quem disse Torquato!! Dessa vez, gelado!)
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos, intacta retina:
A cajuína cristalina em Teresina.

Lindo, não? Pois é. Essa é a história que um dia minha família me contou lá em Teresina. Nem sei se os detalhes são esses mesmos. Mas entendi assim e aí vai a minha interpretação. Posso ter mudado pequenos detalhes que não interferem no final das contas.

Dizem as más línguas que vovô Heli ainda guarda o papel com a letra da música escrita à mão por Caetano. Vovó Saló já foi se encontrar com o filho há alguns anos. E ele, se estivesse vivo até hoje, estaria com 60 anos. Imaginem o que a memória cultural desse país não perdeu, já que este homem produziu como um louco somente por 28 anos. O lance é aproveitar o que ele deixou.

É isso aí. Deu até saudade da família, do Piauí e do vovô Heli. Taí, vou tomar uma bela de uma cajuína hoje em homenagem a todo mundo!!

 

24 fevereiro, 2005

Provocação musical
Por Fran Pacheco

Se, com a superpopulação do planeta, há milhares, talvez milhões de pessoas tocando e compondo música por aí, onde estão os Beethovens, Mozarts, Bachs, Schuberts e Mahlers do nosso tempo?

P.S. Quem vier com Andrew Lloyd Weber eu prendo e arrebento.

 

Questão de demanda
Por Fran Pacheco

No Amazonas, formam-se por ano, quando muito, uns 30 engenheiros florestais, e outros poucos engenheiros de pesca - contra 600 bacharéis em direito. Pergunta-se: falta rio e floresta ou sobra quiproquó?

 

Mala tempora corrunt
Por Fran Pacheco

Ah, que falta um Emile Zola nos faz, para estampar em letras garrafais nos jornais: J'ACCUSE! Teria lenha para uma coluna diária. Ou um blogue, coisa que até eu, que nada sei, consigo fazer. Os grandes caras deviam parar com esse costume de morrer.

 

Trajetória do ilustre desconhecido
Por Fran Pacheco

Era um porra nenhuma. Tornou-se um grandes merdas. Hoje é o famoso quem?

 

Nostalgia 3
Por Fran Pacheco

Quem se lembra do cigarro Vila Rica? Mas a Lei de Gérson é eterna, certo?

 

Agora basta!
Por Fran Pacheco

Cansei de bater na mesma tecla de criticar os políticos. Eles é que não cansam de bater a minha carteira.

 

Esqueceram de mim
Por Ishtar dos 7 Véus, a hedonista


Hedôzinha é como champanhe: só não perde o gás com uma rolha na boca.


Happy Birthday to meeee... Happy Birthday to meeeeee... Ai fofitos, foi no primeiro dia de fevereiro de... (mulher de aquário, esqueciiiiida...) que Hedôzinha veio ao mundo muito in-hype-dance-cool-tuuudo!!! Tão pensando que é só o boto tucuxi e o Robson Papito (who?) que aniversariam em fevereiro é?... A diferença é que eles têm mais aspones que colocam outdoors anunciando a data, só isso... E de presente, quero que everybody continue me mandando aquela energy do beeeeem! Aaaaaamo vocês! Vamos celebrar na laje da Melissa G., no próximo sábado, ok? Quando ouvirem "Finally A Love Story", "How Did You know" ou uma Deborah Cox básica, pensem em mim e mandem a good vibration! Vamos botar pra quebrar, não é minhas linditas?... Eu estou pedindo de niver umas good vibrations... mas podem comprar uma bobagenzinha de lembrança na Tiffany's pra mim... E esse blog também é informativo, tá? Pois é... foi só eu citar em um de meus devaneios a mini-série "Paraíso Maldito" que everybody quis saber detalhes sobre essa production... Tá, tá, tá... meu leitor fofito Gilvan Seixas, lá de Barreirinha, descobriu a ficha técnica, ano de produção, etc, etc... Só que eu não vou dar o serviço todo... deixem de ser preguiçosos e pesquisem! (Ai, não é que eu ainda tou mazinha? Deve ser a lua...). A diquita é que o nome original do movie é "Return to Eden"... Só pra lembrar, é aquele filmito em que uma fofita jaburú-marrenta é jogada pelo marido num pântano cheio de crocodilos... Eles devoram a carinha da mocreiazita... Tadinha? Que nada!!! Ela faz uma cirurgia plástica escândalo e fica liiiiiiiinda... Vira uma top model internacional e se vinga do maridito malvado! A melhor cena é quando ela adentra (Ui... gostaram do "adentra"?) o escritório de uma agente famosa, tira a echarpe, os óculos Jackie 'O' e, bem petulante e dona de si (como todas nós, modernas, devemos ser), diz:

- Meu nome é Tarah Wells e quero ser capa da Vogue em uma semana!

Tááááá, meu bem? Como diria Lorna Washington: Te meeeeeete...

Aaaaah... E pela tricentéssima nona vez... Beto, fofito, euzita sou mulherrrrrr... Pergunte do Cecezinho, Nilsão, Mr. K, Fran, irmão Paulo, Batatinha, Piauí et caterva... Fazer o quê se tenho uma perseguidita em vez de um bilauzito?... Beijos!!!

 

Causo
Por Fran Pacheco

O deputado Severino Cavalcanti foi visitar um eleitor em sua terra natal.

“Deputado, o sinhô por aqui!”, disse o eleitor, “Se achegue mais. Ó Severino Cavalcanti, meu filho, traga uma cadeira para o deputado.”

“Quanta honra!”, disse o político, todo orgulhoso, “Você batizou o seu filho em minha homenagem?”

“Não, sinhô. O nome dele é João. É que ele anda roubando as frutas dos vizinhos, agora todo mundo só chama ele assim.”

 

Cada país tem a polícia que merece
Por Fran Pacheco

O primeiro-ministro do Japão ficou furioso com a atitude de três policiais que fugiram apavorados, diante das câmeras de TV, de um sujeito enfurecido por ter batido o carro. Será que ele não vê a beleza por trás da cena, aparentemente patética? Não percebe que em seu país reina uma paz tão absoluta que a polícia mal sabe o que fazer diante de um ato de violência?

 

23 fevereiro, 2005

Memórias da Guerra
Por Fran Pacheco

Quando recebeu a notícia da capitulação da França, aos 22 de junho de 1940, Hitler deu um "pulinho de alegria". Além de tudo, era bundão o infeliz.

 

Nostalgia (2)
Por Fran Pacheco

Foi-se o tempo em que pra ser sequestrado você tinha que ter um banco. Ou pelo menos ter dinheiro num banco. Hoje basta estar sentado num banco.

 

Nostalgia (1)
Por Fran Pacheco

Ventanista, aquele gatuno que entrava pelas janelas, é coisa do passado. Perigo hoje é o congressista.

 

Panegírico natalício do Boto
Por Fran Pacheco

Firme como uma pedra nos rins, o senador Gilberto Mestrinho, o eterno Boto Tucuxi (foto), estréia hoje idade nova. Algo em torno de 175 anos não declarados, mas com um corpinho de 99 - e sem pensar noutra coisa que não seja "Puder". Embora mais lenda do que viva (ou seria uma lêndia viva?), o Boto arfeja para chegar ao fim do mandato, que reparte, nas temporadas de UTI, com seu bom companheiro e xará, o argentário Gilberto Miranda (o Tênia). Mesmo estando cientificamente comprovado que o Boto só consegue ganhar eleições com urnas de pano encantadas, as forças políticas rapineiras "tradicionais" do Amazonas ainda o têm em alguma estima. Vide os R$ 5 milhões que embolsou para apoiar Amazonino Mendes na última e malfadada eleição. Vide os flirts com o Governador Eduardo Braga. Gilberto Mestrinho terminará seus dias sendo leiloado como relíquia na Sotheby's, embora seja grande o risco de seus asseclas não entregarem a mercadoria.

É da opinião deste modesto cronista que seres como o Boto e Fidel Castro, em sua provocativa longevidade política, só nos mostram que o avanço da moderna medicina tem seus prós e contras.


 

22 fevereiro, 2005

"Nunca fomos tão felizes"
Por Fran Pacheco

O lucro recorde de bancos como o Itaú anda mexendo com a cabeça das pessoas. Olavo Setúbal acaba de tornar-se PT desde criancinha.

 

21 fevereiro, 2005

As peças que a Evolução nos prega
Por Fran Pacheco

Aproveitemos o dia. Somos peças de museu adiadas. O futuro é digital e nós, analógicos.

 

Provocação do dia
Por Fran Pacheco

"A sociedade não é contra o aumento dos deputados. (...) É evidente que a sociedade quer. Ela está aceitando. Não tem sido é bem esclarecido. Não existe essa coisa de posição contra."
Severino Cavalcanti (PP-PE), numa interpretação sui generis do sentimento geral do povaréu sobre o aumento de R$ 12 mil para R$ 21 mil para os nobres parlamentares. O assustador é que esta mamata trará consigo o aumento proporcional de todos, todos os milhares deputados estaduais e (argh!) vereadores que infestam a Botocúndia. Distribuição da (nossa) renda é isso aí.

 

20 fevereiro, 2005

Na mesa com Arriá
Por Stella Maris - especial para o Club


Salada Grand Royal Transgênera, um dos pratos mais fartos da revolucionária cozinha de Arriá.


Arriá é o maior chef da atualidade. Chegar ao seu lendário restaurante El Buldogue Loco é uma aventura. A orientação precisa que recebemos em Barcelona foi a seguinte: "Dobrem à esquerda duas quadras depois da redação da Guacamole e depois à direita, na altura do Cochabamba. Tomem um ônibus para o aeroporto. Peguem o vôo para o Brasil. Chegando em Manaus ou Iquitos, tanto faz, perguntem."

Tínhamos que correr. O restaurante é exclusivíssimo. Só abre na época da cheia do Uraricoera, e em anos bissextos. E fecha para almoço. Em torno de 20 milhões de pessoas já fizeram reservas, até o ano 2127. Arriá nunca dá entrevistas, exceto quando as concede. Não se arvora o título de "Chef". Modesto, considera-se apenas "um gênio". Paul Bocuse, do L'Auberge du Pont de Colloges, Allain Ducasse, do Alain Ducasse, e outros tops do Guia de Pneus Michelin já foram enxotados do estabelecimento, ao tentar esconder empadinhas nos chapéus. Karl Lagerfeld também foi expulso do recinto, por abanar seu leque roxo durante a sobremesa. Arriá tem fobia de leques roxos.

Chegamos quase na hora de fechar, para desespero dos garçons. "Vão querer o quê?" perguntou o maître, com a cara fechada. "Comer", respondi. (O mau humor dos garçons do El Buldogue Loco é lendário e dizem fazer parte do espetáculo). O maître grunhiu alguma coisa e trinta minutos depois, com nossas gargantas ardendo de sede, nos serviram dois copos d'água. Quentes. "Tem vinho não?", perguntei. "Ainda não inventaram nada capaz de combinar com os pratos de Arriá, dona", resmungou. O garçon jogou em seguida a entrada em nossos pratos (o restaurante de Arriá não tem cardápio, apenas uma sequência de 30 pratos aleatórios). Parecia um grilo cristalizado, emitindo luzes néon e adornado por Geleca. Engolimos sem mastigar. Teve um efeito entre o estupefaciente o estuporante, com direito a flashback.

Adepto da nanotecnologia, Arriá concebe, com a ajuda de nerds, carnavalescos e especialistas em feng-shui, pratos (muito, muuito pequenos) que subvertem todos os conceitos da culinária terrestre. Musses com a consistência de concreto, churrasco gelatinoso e espaguete de chiclê figuram entre suas criações imortais. Imperdível é o pão que explode na boca, importado da Faixa de Gaza. Um prato que só se pode degustar uma vez na vida. Sua pièce de résistance é o croquete de frango que quando mordido canta Cucurrucucu Paloma, com a voz de Caetano Veloso.

Após a degustação, e loucos para encher urgentemente a pança com um X-Bauru, pedimos uma palavrinha com o Chef. Ele estava empanando um megatério, mas nos recebeu gentilmente. Embora autoproclamado catalão, o sotaque de Arriá não deixa dúvidas quanto à sua origem: Mossoró. Sua primeira declaração foi "oxente, já pagaram la cuenta?" Expliquei polidamente que quem tinha que pagar alguma coisa era ele, Arriá, pelo jabaculê de divulgarmos a biboca dele no nosso informativo. Escapamos por pouco do terçado samurai do cozinheiro. Na fuga, ainda gritamos em coro, à distância, o verdadeiro apelido de Arriá: calango vesgo. Pudemos ouvir, bem de longe, o cabra se esgoelando de ódio. Porque - e essa verdade é cristalina - nordestino não gosta de ser apelidado.

Cotação: passável

 

Vai um Exorcismo 2.0 aí?
Por Fran Pacheco


Todo crente, fiel e praticante dos ofícios da informática acredita piamente que a luta entre o Bem e o Mal ecziste - e o lado escuro parece sempre estar um passo à frente dos cordeirinhos de Gates. Ou não somo nós (os do Bem, suponho) que nos vemos obrigados a dar os pulinhos e atualizar semanalmente - às vezes diariamente - o Janelinhas, as vacinas e muralhas de fogo do micro? Do outro lado, as legiões de espâmeres, ráqueres e cráqueres (1) (os do Mal, presumo) se divertindo na masturbação algorítmica de expelir novas pragas.

A Santa Sé, cuja escala de tempo são os séculos, apercebeu-se, em 1958, desta verdade absoluta: Jesus salva, mas o Diabo faz upgrade. E concluiu, em 1999, uma atualização no seu Ritual de Exorcismo - a primeira desde 1614(2). Ou vocês acham que, desde o tempo em que a peruca de Luís XIV ainda estava em vigor, o Tinhoso não aprimorou diuturnamente suas mutretas?

Em primeiro lugar, o Capiroto (não confundir com o ex-governador Amazonino Mendes), deixou de praticar e acabou por esquecer completamente o Latim. Como resultado, imprecações solenes como vade retro! (Vai reto, mas pra trás!) e revertere ad locum tuum! (volta pras tuas bandas!) deixaram de ter efeito. Seria o mesmo que alguém te mandasse comer sabão em Servo-Croata. O máximo que você entenderia seria a entonação raivosa - o que pode ser enganador, como demonstra o Alemão, em que até uma canção de ninar soa como um jab no piloro.

Segundamente(3), tão enferrujado quanto o rito estavam seus raros praticantes. O documentário O Exorcista (The Exorcist), dos anos setentas, mostrava Belzebu fazendo gato, sapato, contorcionismo e sopa de ervilhas na Linda Blair e em dois bananas de batina, Max Von Sydow e - quem era o outro sujeito mesmo? Na película, o Perna-de-Bode não foi, tecnicamente falando, derrotado. Como se diz no boxe, ele cansou de tanto bater - e deu o pira. Foi uma demonstração cabal da necessidade fazer um update no vade-mécum do Exorcista - e ensinar o trabalho duro às novas gerações(4). Ah, claro, sem previsão alguma de intercâmbio com os especialistas da Universal do Reino de Edir. A não ser para fins de dramatização.

Eu, cá no meu ceticismo-critico-agnóstico-não-praticante (e como 3/4 dos brasileiros, filho de Iansã), não acredito nisso - nos vírus de computador, evidentemente. Duvido que essas criaturinhas plantadas no imaginário popular pela McAffee e Norton Inc. possam me fazer qualquer mal. Fico na minha. E, enquanto as letrinhas despencam na tela do meu micro, o demônio de cabelos compridos e rabo fino rodopia no teto do quarto.

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Notas
(1) Como se vê, a única língua que presta para termos de informática é mesmo o Ingrês - a Última Flor do Laço só serve para fins humorísticos.
(2) Foi um bom ano para as ciências: Napier divulgou a descoberta do Logaritmo e foi inaugurada a Universidade de Gröningen. No Bananão, índios caetés defumaram e jantaram Fernão Vieira Toicinho.
(3) Extraído de Odorico Paraguaçu - que Dias Gomes, por sua vez, copypasteou dos tipos de José Cândido de Carvalho.
(4) É o que está fazendo uma prestigiosa Universidade no Vaticano, a Regina Apostolorum (vide linque). Sim, lá cabe mais de uma Universidade.


 

18 fevereiro, 2005

Luz Atlântica Embalo 71
Por Wally Sailormoon

Sempre torci o nariz pro subsurrealismo. Yo mismo soy um obscurantista de la extrema derecha – escribo obscuro. Mas o Cecezinho extrapolou durante o homework baiano. Ainda bem que ele não pegou pesado no cheirinho da loló. Se fosse tanto não seria quase. Ah, os cigarrinhos de palha na praya de Ytapuã...

Quando na pipoca alguém falava comigo “oi, gente boa” pensava que era pra alguém que passava ao meu lado que eu passava absorto – duas metades a sonhar. Diferente do Cecezinho, não apatolei ninguém. Em compensação, também não fui apatolado.

Tiros tiros tiros na televisão. Que perseguição morar nesta tumba cada coisa caída no chão apanhada decifrada como sinal até a febre dominar meu corpo os fios os bolos de cabelos os dentes um por um começar a cair. Dezoito brumário, pisar o palco com a máscara da cena precedente... sempre deixei morrer meus impulsos... tomar os céus de assalto sic itur ad astra... e como CARNEIRO ME.

Adoecia. Canto de galo canto de galo canto de galo 3 vezes Pedro Pedro Pedro perdi a memória, sou sempre o renegador de passados gloriosos, ímpio trairo infiel.

Temos em comum, eu e os policiais, ódio asco aos hippies nacionais, à nossa campada hippielândia on the road, que perambula pelas praças vendendo miçangas de arame e epox. Viagens miseráveis vapor barato. Um ipisilone qualquer expõe desilusões descrenças desgostos. Pronunciamento durante cerimônia de auto e heterocrítica: abaixo a passividade repre/regressiva da horrippielândia patrícia.

Preencha os pontinhos do jogo da Memória quem teve essa coragem de assumir essa estrutura e fazê-la... (disco Ambiente de festival).

Juvenil alimária escrevi o verso – sou um jegue na tarde pastando paisagem – e agora sonho publicar um livro que seja instrumento de libertação. Como zurra o lacaio local. “O plá do Brasil é a fé”.

Repeat now: o poeta em seu leito de morte. Objeto de cena: taça de cicuta. Antes de sorver o líquido – FA – TAL – declama o verso: Criança, não verás...

E agora? E agora? Vou lançar minha lanterna fora.

 

17 fevereiro, 2005

Latim para carolas
Por Prof. Azancoth (Cathedrático & Devasso)

"Adeamus ad montem fodere putas cum porribus nostrus".

Tradução: Vamos à montanha plantar batatas com as nossas enxadas.


 

Severino Cacareco?
Por irmão Paulo

“Folha - O que a sua vitória significa?
Severino - Minha vitória mostrou para o governo Lula que a Câmara não está satisfeita. Eu fui o candidato do protesto, para renovar o tratamento entre o governo e a Câmara. Não aceitamos ser subservientes. Seus ministros têm de ter consideração com os nossos parlamentares, que não podem ficar três, quatro, cinco horas nas ante-salas, depois de passar 20 dias mendigando audiências.”
(...)
“Ontem, a assessoria de Severino informou que ele foi chamado por Dirceu às 22h (teve que interromper a entrevista) para uma conversa.”

Conta Elio Gaspari que o finado Geisel, por quem tem nítida adoração por sinal, na busca de evidenciar a importância institucional do cargo de Presidente da Câmara dos Deputados, que pela lógica da ditadura era menos que o de Ministro do Exército, na posse do General Fernando Bethlem, deteve Marco Maciel (que já se ia a prestar a vassalagem habitual) e fez questão de apresentar de chamar o ministro (auxiliar do presidente) e apresenta-lo ao Presidente da Câmara.

Hoje, o que vemos é divertido Severino Cavalcanti, num discurso pra lá de ambíguo, clamando por respeito mas atendendo esdrúxulo chamado de Chefe da Casa Civil. Ora, se Dirceu quer falar com o Presidente da Câmara que vá até ele. Ou não?

No mesmo pé, Severino tasca uma defesa de prorrogação de mandato para Lula e garante que não será empecilho à governabilidade e às pretensões do governo, seu partido por sinal é da “base aliada” e descendente do PDS, sabe o que quer e como ser maleável.

No frigir dos ovos e no final das contas, talvez a presidência de Severino seja mais palatável à Lula, que não se mostra, segundo dizem, com pendores para a punheta congressista. Assim com Severino e seus colegas, basta pagar que a questão está resolvida. Já se que, independetemente do que possa sinceramente achar Severino acerca da prorrogação do mandato presidencial, não será ele empecilho aos planos de reeleição de Lula. Será Severino para Lula o que Petrônio Portela findou sendo para Geisel?

 

16 fevereiro, 2005

Esqueletos da Guerra
Por Fran Pacheco

O fim da 2ª Guerra Mundial vai completar 60 anos. É o mesmo tempo que os remanescentes dos Soldados da Borracha mendigam sua pensão especial de ex-combatente e o direito de desfilar no Sete de Setembro. Lembrando que morreram mais brasileiros na "frente interna" - extraindo látex no inferno verde para o esforço de guerra - do que na Itália.

Presenciei a tentativa de um deles, um pobre-diabo, num juizado federal. Presenciei o desprezo profissional com que o engravatado advogado da União cumpria o seu métier: o de evitar que o Estado pague o que deve - e nem seria muito, o ex-combatente já estava pra lá da prorrogação de sua vida. O fato é que o ancião nunca conseguirá apresentar a penca de documentos exigidos, deteriorados ou perdidos em 60 anos de peregrinação. Ele, que mal sabe escrever, não é páreo para o advogado da União. Ele e seus colegas vão morrer sem ver a cor das merrecas. Um exército de enganados por um Estado estelionatário.

Enquanto isso, o Cony - que sempre morou na Lagoa - recebe uma indenização milionária e uma pensão de 19.000 por mês. Porque foi despedido na época da ditadura verde-oliva. E um sem-número de "companheiros" igualmente prejudicados no emprego estão prestes a receber o seu quinhão, no bolo milionário das "reparações" pelos excessos de Herr Geisel e sua macacada.

A última esperança dos Soldados da Borracha é filiarem-se ao PT - enquanto o PT está podendo.

 

Glauber Rocha tinha avisado
Por Torquato Piauí



O Brasil é muito jeca, repetia o grande Glauber Rocha. Sempre foi. Já esbanjava jequice nos tempos em que celebrava a erudição tediosa de Ruy Barbosa e sua discurseira barroca, despejada em cataratas naquele congresso internacional do qual voltaria com o título de Águia de Haia, sabe Deus dado por quem. E só um jeca total se atreveria a eternizar num sambinha a proeza que, além do valor duvidoso, jamais foi comprovada: Ruy Barbosa foi à Inglaterra para ensinar inglês.

Jeca que festejou a glória do suposto mestre na língua de Shakespeare, jeca o país continua ao aceitar abulicamente a supressão da prova de inglês na fase eliminatória do ingresso no Instituto Rio Branco, encarregado de formar os diplomatas do Itamaraty. É uma contradição apenas aparente: a nação oscila entre o jeca deslumbradão e o jeca orgulhoso da própria ignorância.

As diferenças entre os dois tipos são acessórias. “Questões de somenos”, diria um Ruy Barbosa. O deslumbradão é aquele que acha que não há Hino Nacional mais bonito que o nosso, nem bandeira comparável à brasileira. O idiota feliz é o que acha que o melhor do Brasil é o brasileiro. Ou seja, o país inteiro, excluídas as elites metidas a besta.

Pra que falar inglês, francês ou qualquer estrangeirice? Aliás, que besteira é essa de falar português sem erros grosseiros, não esquecer os esses e erres? E pra que incensar a relevância de um diploma? O companheiro Lula não chegou à Presidência da República sem canudo universitário, e falando um português que, nas escolas primárias de antigamente, decerto induziria uma professora caridosa a reservar algumas horas extras para melhorar a cabeça daquele pernambuquinho esperto?

Historicamente jeca, a geléia geral que besunta estes tristes trópicos se vem superando sucessivamente desde o advento da Era Lula. Os cultos que me perdoem, mas o Brasil tem o presidente que merece. O que diria Glauber das raquíticas metáforas futebolísticas? Dos discursos intermináveis e medíocres de quem quer ser Fidel Castro quando crescer? Das audiências concedidas no gabinete presidencial a sindicalistas vestidos de bermudas e chinelos? Do novo-riquismo constrangedor do primeiro casal? Da gastança em badulaques adequados a um sheik de Agadir?

Lula não tem paciência, disposição nem tempo a perder com o que lhe parece pura miudeza. Não despacha regularmente com ministros, não se demora em reuniões secas (nas molhadas, solta monólogos), não lê livro nenhum, não examina documentos oficiais, não vê filmes com legendas (só os falados em português), não vai ao teatro, não discute pendências (quem se acha o melhor presidente de todos os tempos não vai gastar minutos com críticos que nada sabem). O país está de doer. Lula está feliz.

Glauber Rocha tinha inteira razão. Pois as coisas estão piorando. A vitória de Severino Xique-Xique na Câmara pode ser um aviso. Oremos.

 

15 fevereiro, 2005

Ripam in chulipam et pinbam in Cicarellis
Por Cartier, Free-Lancer


"Momento decisivo" da dividida nupcial de Ronaldo & Dani Big Lips, apitada por Padre Quevedo.


 

Saudades da Fatos & Fotos
Por Fran Pacheco

Ronaldinho Felômeno torrou 300.000 reais do próprio bolso para desposar extra-oficialmente Daniella Cicarelli e seus lábios pra lá de grandes. Embolsou, em troca, 400.000 Euros pela exclusividade de cobertura da revista Hola, a Caras espanhola. Saiu no lucro, em todos os sentidos. Triste foi ver o Caco Barcellos, um dos mais importantes repórteres da Globo, sendo escalado para cobrir o relevante evento, no escuro e no frio, mendigando no portão do castelo Chantilly por um sorriso de alguma celebridade, até ser afastado com os colegas paparazzi para bem longe dali. Coisas da vida.

Do lado de cá do Atlântico, quem saiu no prejuízo fomos nós, mas em outra festa, para a qual também não fomos convidados: a eleição de Severino Cavalcanti (PP) para Presidente da Câmara dos Deputados. Como o carro-chefe de sua campanha foi o de colocar mais dinheiro no bolso dos colegas deputados, se ele cumprir com a palavra empenhada, a conta sairá salgada. E adivinha quem vai pagar? Aumentando para 19.000 o salário dos nobres parlamentares e para 45.000 reais a verba de gabinete, cada membro da casta eleita passará a custar 20.000 reais a mais para o bolso do público. Por mês. Um prejuízo adicional de 10 milhões de reais. Por mês. Ou 246 milhões de reais, durante os dois anos de mandato do autoproclamado "rei do baixo-clero".

É merreca que quase não cabe no meu ábaco. Por isso não vejo a hora de comprar a Hola com as fotos do casal Ronaldinho. É bom ver, de vez em quando, uma festa paga só com o dinheiro do anfitrião.

P.S. Quanto à eleição no Senado, o prejuízo foi apenas moral: Renan Calheiros, o ex-escudeiro de Fernando Collor, foi aclamado sucessor de Ribamar, mantendo a tradição senatorial de só ter canalhas como presidentes (Jáder e ACM que não me deixam mentir).

 

Tsunami soteropolitano
Por Cezário Camelo, "Cecezinho"

O carnaval baiano é mesmo a maior onda. Oficialmente, ele terminou domingo, com a folia “Enterro dos Ossos”, dos Comanches do Pelô. Extra-oficialmente, a zorra só vai acabar depois que os dois milhões de almas que dançaram, pularam e gritaram nas ruas de Salvador nos últimos vinte dias voltarem pra casa. Ou seja, daqui a alguns meses. Mas o que eu previa aconteceu: foi um banho de felicidade.

Houve horas em que eu gritei e pulei tanto e tão alto, que parecia que eu queria forçar os deuses da felicidade a me ouvirem. Idiotice, claro: eles são os próprios organizadores da festa. Bastava um pensamento dos mais breves para que eles tivessem a certeza do quanto eu consagrava aquele momento. Abria os braços, pulava como que testando até onde iam as forças dos meus tendões e apatolava a primeira bunda que passasse saracoteando na minha frente. Nunca me diverti tanto.

O momento mais especial foi, sem dúvida, a pipoca de Daniela Mercury, que seguiu em paz da Barra até Ondina na segunda-feira gorda. Que pipoca, que puxadora de trio, que cardume de bundinhas arrebitadas pedindo para serem apatoladas, que cigarrinhos maneiros passando de mão em mão. Garanto que é o melhor da festa. Primeiro porque não se paga, segundo porque é com a Rainha, terceiro porque as pessoas que seguem o trio, sem cordas, só estão de fato dispostas a se divertir, brincar e rir, quarto, porque eu, fantasiado de Homem-Invisível, não ia dar mole praquela abundância de bundas, quinto, porque os cigarrinhos de palha eram do balacobaco.

É fato que passam uns mal-educados de vez em quando, quase todos amazonenses e com aqueles ridículos cocares de boi na cabeça, querendo atrapalhar a sintonia, mas eles só passam. Nós, da paz, ficamos. Ou melhor, vamos atrás do trio. Porque afinal de contas, não estamos mortos. Ou melhor, estamos (esse cigarrinho de palha está me deixando meio confuso. Só pode ser manga-rosa ou cabeça de negro.).

Lá pelas tantas, Daniela confessou que gostaria de tirar aquela roupa cheia de apetrechos e descer do trio, como uma foliã normal, para dançar. Fantasia pura. Ela, coitada, jamais experimentará a sensação de ser animada por ela mesma. Não achem que ela falou isso para “fazer linha” ou “agradar o público”. Via-se que era de coração. Eu torci pra ela descer do altar. O buzanfrã da Rainha ia levar uma apatolada do outro mundo. Papo sério.

Dois homens se agarram num beijo demorado, na pipoca do Camaleão em frente ao camarote do Nana Burana. Uma galera (eu nela) começa a gritar “vai comer ou quer que eu embrulhe?”. Eles, encabulados, olham para os lados, para cima, olham para as pessoas mais caretas do camarote, miram os foliões no chão e ao lado deles e, ato contínuo, tascam outro beijo na boca, bem demorado. Dois pierrots. Platéia em 360 graus. Palmas, mais palmas. O camarote inteiro aplaudindo, até um senhor que, de início, achei que cuspiria nos dois. Uma louraça chegou próximo a eles e, com braços esticados, fez o movimento vertical, que indica reverência. Mereceram pela coragem e ousadia. Eu aproveitei para apatolar a loura. Naquela posição, ela queria o quê?

O camarote de Daniela Mercury literalmente voou de segunda pra terça. A força dos ventos que vieram com a chuva foi tamanha, que o teto subiu aos ares. Meu amigo Batatinha, carburando seu décimo-quinto cigarrinho de palha, deu a explicação mais plausível: “Daniela reverenciou Iemanjá e Oxum no dia dois e esqueceu de reverenciar a Rainha dos Ventos e das Tempestades, Iansã”. Será? Mistérios da Bahia.

Chuva, suor, cerveja e cigarrinho de palha (porque o Batatinha não bebe). Muita chuva na segunda e na terça. Na quarta foi chato, mas na quinta e na sexta foi excelente. No sábado mais chuva. Domingo fez sol e chuva. Nesse meio tempo, apatolei um monte de bundas no Timbalada, Camaleão, Apaches do Tororó, Papa Léguas, Beijo, Pinel e Cheiro de Amor. Isso, durante o dia

A chuva e o carnaval são dois purificadores de alma por natureza. Juntos então, fazem jus à velha expressão que diz: “Lavei a alma”. Eu, mais pragmático em termos de apatolação bundal, lavei a burra à noite, nas searas do Ilê Ayê da Liberdade, Ara Ketu de Periperi, Malê Debalê de Itapuã, Olodum do “Pelô” e Muzenza do Reggae. Batatinha me segredou que a bunda das negras é sempre maior, mais empinada e mais firme do que a das brancas. Será? Vou ter que apatolar a Hedôzinha, para checar.

Sabe fim de festa boa? Todo mundo já deu uma festa em casa e olhou depois para o cenário onde tudo aconteceu com aquela saudade, aquela vontade de viver tudo de novo. Imaginem isso em uma cidade inteira. Cheiro de ressaca, barulho de ferros sendo tirados dos camarotes, gente bêbada na rua, talvez ainda esperando um trio que só vem daqui a um ano, chuva, céu nublado e mar revolto. As cinzas chegaram e, com elas, a vontade de riscar do calendário esse pós-festa, esse regresso lento à normalidade do cemitério São João Batista. Mas com esses cigarrinhos de palha, quem há de? Eu quero é mais, meu rei...

 

Ele e o Boto
Por irmão Paulo

Em relação ao Governo Lula, quem está aliado não quer sair e quem está fora quer entrar. Salvo o PMDB que ficou na manha, pra ver se conseguia, como conseguiu!, mais uns pirulitos. Mas, como disse o poetinha da língua e do dedo, quem diz “Vou, não vai, porque quem vai mesmo não diz”. Vai. E o PMDB não apenas não foi, como permaneceu com a Presidência do Senado e com um Ministério torto para Roseasa do Ribamar. Na oposição só mesmo quem não conseguiu uma chance governista, sonha em voltar ao comando (pessedebestas).

O que muito se fala é no ingresso do Governador do Amazonas no PMDB. Se for mesmo, precisa fazer bem feito, entrar por cima para não ser a última vítima do Boto, pois este não perdoa: mata. Vide o que fez a Samuel Hanan que, pretensioso, ficou dando alfinetadas públicas no velho cacique esquecendo que o boto não alfineta, usa logo uma chave de fenda.

Se ingressar nas fileiras peemedebistas, o Governador deve rejuvenescer urgentemente o Diretório Regional, presidido há meio século pelo Boto, estirpando dele a horda de gilbertistas viscerais que o compõe e que, no frigir dos ovos, rezam pela cartilha do cetáceo e que permitiram, ainda recentemente, o mencionado esquartejamento político de Samuel Hanan. Domina o diretório, anotando a inusitada ausência de Gilberto "Taenia Saginata" Miranda: João Thomé Verçosa de M. Raposo (filho), Alberto José Aleixo (aspone), Miguel Capobiango Neto (sobrinho), Roberto Cohen (empregado), Antônio Bentes Pacheco (subalterno), José A Verçosa de M. Raposo (filho), Paulo Renato A. Girardi (sócio escuso) dentre outros, basta investigar no site do partido.

Com um time desses não dá pra brincar. Eduardo Braga não pode repetir o erro de Hanan, neófito e arrogante, que pretendia contrapor-se a Amazonino e ao próprio Gilberto, utilizando-se do partido deste. Gilberto e a Abelha mestra, no final das contas, se entendem bem - sempre se entenderam. Um paga o outro recebe, e vice-versa, e terminam no mesmo barco. Nem que seja para afundar juntos, como na última eleição. Como, sabe-se, as questões com o boto se resolvem na base do cifrão, basta que Braga se disponha a pagar e compre de vez o partido por aqui, com a porteria fechada e com todos os cargos do diretório.

No PPS o governador não fica, sob pena de precisar de culhões de touro para agüentar Roberto Freire a patrulhar-lhe os movimentos. Roberto Freire, como se sabe, tenta urdir, junto com dois outros desocupados (Jefferson e Heloísa) uma trama nacional para oferecer ao pOvo uma candidatura de esquerda. Na verdade, o que essa gente sabe fazer é vender ilusões.

Jefferson Péres é o exemplo acabado do oportunista, aproveitador e ingrato. Colou-se a Eduardo Braga, que deu-lhe casa comida e roupa lavada, viabilizando sua eleição para o Senado e, nem bem aprumou-se em Brasília, tratou-se de vestir-se de oposição para continuar no auto-intitulado papel de pregador no deserto, de dom quixote impotente diante da iniquidade da política, esquecendo-se, ao estilo Itamar Franco, de que como Senador da República não lhe é mais permitido reclamar sem tomar iniciativas práticas. Jefferson não é apenas o Sen. Gafanhoto, é a praga do Egypto inteira.

Eduardo que se cuide, pois há uma horda de insetos rondando sua cadeira e o ataque já tem tempo certo para ocorrer: 2006.

 

13 fevereiro, 2005

Don Thiago na Disneyworld das esquerdas
Por Fran Pacheco

Todos sabem que estou com Thiago de Mello, patrimônio da Amazônia e da Humanidade, e não abro. Perdôo até certos deslizes do bardo de Barreirinha, como o de prestigiar a XIV Feira Internacional do Livro, em Havana. Arremetendo contra as tiranias do mundo, Thiago desejou para George W. Bush "vida longa, e que ele seja internado num hospício!" Aplausos gerais da festiva platéia.

Só não puderam aplaudir, nem estar presentes no convescote literário, artistas como Raul Rivero - considerado o maior poeta cubano vivo - recentemente condenado a 20 anos de cana pelo anfitrião, El Comandante Fidel. Ou o poeta Manuel Vázquez Portal, também condenado por "crimes de consciência". Ou Pedro Juan Gutiérrez - provavelmente o maior escritor em prosa da ilha - cujos livros demolidores são rigorosamente proibidos de circular por lá. Ou Guillermo Cabrera Infante, no além-mar. Ou Reinaldo Arenas, no além-túmulo. Só pra ficar nos nomes famosos e ligados ao "setor livreiro" e não cairmos no apelo fácil de citar as dezenas de presos políticos que lotam os porões do regime mais querido de nuestros viejos intelectuales.

 

Três motivos para não se temer a Coréia do Norte
Por Fran Pacheco

1) O risco de os norte-coreanos se entenderem com a Al-Caída para vender-lhes uma bomba atômica é mínimo. A tradução direta do coreano para o árabe é impossível.
(Nota: e não adianta tentar negociar em inglês. Na Coréia do Norte, por questões patrióticas semelhantes às do Itamaraty, ninguém sabe falar esse dialeto.)

2) Se os comunas coreanos fizerem mísseis com a mesma eficiência com que tocam sua economia, os projéteis explodirão na própria base de lançamento.


3) O ditador-anão da Coréia do Norte, Mao-Tse-Tung Jr., é apenas o Chico César disfarçado.

 
Uma dentro...
"A vida é importante demais para ser discutida a sério."
Oscar Wilde (1854-1900)

... e uma fora
"Há no mundo, no máximo, mercado para cinco computadores."
Thomas Watson, presidente da IBM, em 1943

 

12 fevereiro, 2005

Acabou Chorare
Por Ishtar dos 7 Véus, a hedonista


Fantasiada de "Vá pro raio que o parta", Hedôzinha entrou na BICA do português Armando e quase infartou dona Lourdes.


Aaaaaaaaai... cansei! Fofitos... Que Carnaval canseira foi esse? Euzita mal me recuperava de uma party e já tinha outra me esperando! Eu não queria ir... não queria... não queria... Mas what a girl pode fazer se tem free pass pra tooooooodos os eventos dessa Wonderful City? E rebolei a lot na BICA, Jacaré, Kamélia, Baba Gula, A2, Piranhas, Bhaixa da Hégua, Lobão, Carvalho, Baile do Hawaii, Ideal Club, Rio Negro, Carnaboi, Pagodão do Seu Jorge (ué... tenho que honrar minha negritude loura... A lôôôôca!)... Como diria uma friend minha: - "Affffffeeeeeeee..." Eu sei, eu sei que estou atrasadedéééérrima com os posts no club... But meu micro tá uó eu tô tendo que postar de um cyber... Aaaah linditos, não me peçam explicações... Ando sem tempo até pra pintar a raiz do cabelo... Mulher de aquário pós-carnaval: Ocupadééééérrima! Larry Crumb, eu a-mei o seu e-mail! E deixa de ser bobito e continue indo no Coração Blue que o povo de lá é do bem! Já me diverti muuuuito naquele place! E depois... esse negócio de big face (carão) tá out... A tendência é ser simpááááático!!! Como diria uma amiga minha: - Se não posso ser a Rainha, pelo menos ganho o Miss Simpatia... Tá... Tá... Bom conselho, mas siga o meu: Seja Rainha and Miss Simpatia! E quinta-feira de cinzas quaaaaase foi uma noite perdida. Fui linda, loura, dorothyzada e acompanhada por umas bibetes friends, celebrar o niver de um dear amiguito na boate dos palestinos, ali na Djalma Batista. Tava uó...uó...uó! Pleeeeeease...deixe uma mulher-loura-linda-e-up-date ouvir house music! Na soundtrack, só latinidades sem pedigree! Um baticumbum-tribal-de-quinta que me deixou muuuuuito irritada, muuuuuuito... Ai, ai... Saudades do fofito Augusto Omena... Pelo menos, o lindito tocava uma drag-music boa. Aliás, o clima da Muzak, ops, Muzika estava stranger...Uns gringuitos perdidos, os michelitos de sempre... Alan Stanovitch nãããão tirou a camisa na pista... Uma drag dublava " Fuck It" no palco... Uma bibete-bread-with-eggs subiu no queijo e recebeu o espírito de Deborah Cox (Pleeease...Como? Debbie está viva!!!)... Gritei, esperneei e joguei minhas madeixas para o lado direito (e, quando faço isso, é porque o momento é crítico!): "Pleeeeease, alguém salve uma garota indefesa (eu...of course) de uma wednesday uó!!!" Well...Como euzita não sou a Bonnie Tyler, que fica "Holding for a hero...”, tomei uma atitude drástica: reuni Espantalho, Homem de Lata, Leão e Totó... E saímos rumo "a estrada de tijolinhos amarelos”. E como vocês sabem, essa estradinha passa pela Guilherme Moreira Street... Mais precisamente perto da little boate entitulada Crocodilo’s! E a lacoste tava um luxo! Modernitos, bibetes e afins do beeeeeem...E, of course, um house/eletro tuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuudo! O DJ? Ai, ai, ai... Tava tão absorvida pelo sound que neeeem perguntei o nomezito dele! Spark? Schild? Glauciney não era... Well... O que importa: Last night, Crocô and a DJ save my life! Beijitos!

Momentito texto : "Não me diga que Eu-sou-bom-demais-pra-você! Eu sou. Mas não me diga!!!" (Clive Owen em "Closer")

PS: Geeeeente... Cadê Cecezinho, Irmão Paulo, Batatinha e Torquato Piauí? O carnaval baiano ainda não acabou não?...

 

11 fevereiro, 2005

Musas de antanho, hoje e sempre
Por Fran Pacheco

Entre 1898 e 1905, publiquei na prestigiosa Gazeta Anarchista de Manicoré - um jornal sem direção, a rumorosa relação anual das "Certinhas do Fran", com o top-five das mais destacadas beldades da temporada. Consta que quando o jornaleco chegava à Capital Federal, as sessões do Senado, no Palácio Monroe, eram prontamente suspensas. Ruy Barbosa-Barbosa, o marechal Herpes da Fonseca e o dr. Ô Crides! da Cunha, famoso atirador vesgo, eram alguns dos ilustres leitores não-declarados da coluneta. O lançamento se dava em concorrida cerimônia na Manáos Harbour, então propriedade de Charles Albert De'Carli & Sons. A animação dyonisíaca ficava por conta do jovem Zé Celso Martinez Corrêa. Após 20 anos sem pagar a conta da tipografia, do buffet, da claque e dos capoeiras que zelavam pela segurança do evento, tive que encerrar minhas atividades e fugir por uns tempos da praça.


Violetta Bertha-Beauregarde, heptacampeã da coluna. Conheceu tio Fran em mil novecentos e pouco, quando o Piauhy ainda se escrevia assim. Introdutora da massagem cossaca no Brasil (popular "arranca-osso"), acabou por fazer um estrago no ditador Obdúlio Vargas e foi deportada pelo Estado-Novo de volta para a Prússia. Além de musa, atuava como minha guarda-costas pessoal.

Com o advento da mediunidade digital, eis que posso esboçar a retomada daquela saudosa coluna, em grande estilo, com a futura musa do verão no hemisfério norte:

A Certinha do Fran de 2005

Camilla Parker-Bowles, nova Duquesa da Cornualha (é sério). Prodigalizou encantos tais que o futuro Ray Charles de Inglaterra abdicou do Leito de Diana e levou o Império Britânico à broxada final.
(Foto de J.R. Durão).


 

10 fevereiro, 2005

Ato falho do dia
Por Fran Pacheco

"Não sei nem do que estou sendo acusada, quanto mais te dizer se sou inocente."
Larissa Campello esposa do presidente do TRE de Roraima (e não Rorâima, por favor), presa junto com a mamma por desvio de verba pública. A distinta já se considera culpada de tantas coisas que é preciso especificar a falcatrua para ela lembrar se tomou parte ou não.

 

Miniestórias
Por Fran Pacheco

O complô da Máfia, CIA, KGB, Cuba e Ku Klux Klan foi perfeito. Ninguém viu os cinco atiradores que fizeram mira no carro presidencial. Só não contavam que aquele louco, Harvey Lee, fosse atirar primeiro.

***

Certo de que havia algo além daquele mar, o astuto nativo partiu de Honduras em sua pequena embarcação.
Era noite, quando as naus Santa Maria, Pinta e Niña, sempre para Oeste, passaram por cima da casca-de-noz.

***

Olhou para mim com ar de espanto, as orelhas de abano agitadas, e disparou com forte sotaque tcheco: "Meu Deus! Você virou um inseto!"
Mas eu estava absolutamente normal e não pude deter a desabalada correria de Franz.

***

O inglês andava empertigado, de bengala, chapéu-coco e terno branco, quando o caboquinho o puxou pela manga: "O sinhô num sabe? O Ciclo da Borracha já acabou."

 

09 fevereiro, 2005

Carnavalia Finita - de volta aos assuntos sérios
Por Stella Maris - especial para o Club

Big Bang Bródi - eu vejo
A ilha de edição faz o monge. A ilha de edição guia a percepção da platéia (ver teóricos russos / efeito Kurleshov). A edição faz o que quiser Contigo (vide Jornal Nacional after debate Lula vs. Collor). Pouca reality, muito show. Isto posto, te adoooro Bam-Bam!!!

Cumádi Maria - eu vejo também
Não dá para entender por que, tendo uma esposa como Cássia Kiss, Antônio Fagundes precisa de uma amante como Priscila Fantin. Brincadeirinha. Na novela, Priscila Fantinha vive elegantemente enclausurada, sem fazer nada o dia todo, só esperando a hora do já meio vencido Totonho Fagundes carcá-la. Sem um telefone, rádio, Tv ou Internet pra passar o tempo e relaxar a libido. Isso é vida?! A sorte dela é que, por desconhecer todos esses vícios, jamais sentirá falta deles.

Good Morning Teeeehraaan!
Condoolleezza Rice, a dentuça mais perigosa do mundo, começou a soltar umas indiretas para os aiatolás - que não são chegados em discutir seus dogmas fundamentalistas-nucleares. Muito menos com uma pessoa de sobrenome Arroz. Nem limparam a cagada no Iraque, lá vão os yankee-doodles obrar em outra freguesia.

Sucessão papal
Um arcebispo para o outro: "Quem são os melhores papáveis?"
O outro: "Com certeza os meus dois sacristãos!"

 

08 fevereiro, 2005

Fazendo as contas...
Por Prof. Azancoth (Cathedrático & Devasso)


Se você trabalha 8 horas por dia e o dia tem 24 horas, você trabalha 1/3 do tempo. Como o ano tem 365 dias e você trabalha 1/3 do tempo, na prática você trabalharia 121 dias por ano. Porém, há 52 domingos no ano. 121 dias menos 52 dá 69 dias úteis. Como você tira 30 dias de férias por ano, 69 menos 30 sobram 39 dias de trabalho. Tirando Natal, Ano Novo, Sexta-Feira Santa, carnaval, Corpus Christi, Dia da Independência, Proclamação da República, Tiradentes, aniversário da cidade, dia da padroeira etc., isso tudo dá uns 12 dias sem trabalho. 39 menos 12 dão 27 dias. Mas aos sábados você só trabalha meio-expediente. Como no ano temos em média 52 sábados, metade disso sem trabalhar totaliza 26 dias. 27 dias menos 26, sobra 1 (um) dia de trabalho. Mas nesse 1 dia que sobra ninguém trabalha: é 1º de maio, o Dia do Trabalho.


 

05 fevereiro, 2005

60 anos esta noite
Por Cartier, Free-Lancer


"One good thing about music /
When it hits you / You feel no pain."
Robert Nesta Marley (6/02/1945 - 11/05/1981)


 

Muito além de Davós
Por Stella Maris - especial para o Club

Todo ano é o mesmo roteiro antes do carnaval. Baile do Hawaii, Banda da BICA, Fórum Mundial dos manda-chuvas na gélida Montanha Mágica e outro na festiva Botocúndia, com a tchurma de camisinha do Che. Nosso folião-mor, o presidente etílico-viajante é o arroz de festa entre Davôs e Porto Alegre, fazendo sua especialidade: o jogo duplo à base de conversa fiada. Como o resultado prático desses encontros resume-se a "cartas de intenções" sempre extraviadas nel mezzo del camin, só resta um lugar para esquecer as mágoas da globalização: Marquês de Sapucaí.

Mas nem só de temas maçantes - como a nova inquietação social do Bono Vox - vive o pré-carnaval. Noutros quadrantes - antes que a folia comece - rola muita coisa interessante em eventos alternativos e descolados. Confira e agende sua próxima escala de turista militante:

Congresso de Pessoas Altamente Preocupadas com a Saúde
Hipocondríase é parola non grata neste fórum. Pergunte a qualquer um dos presentes, em meio a test-drives em UTI's móveis, degustação de antibióticos, sorteios de clisteres king-size, leituras dramatizadas de bulas, pré-vendas de novos comprimidos anti-morte-súbita e eleição do melhor lugar da cidade para se vomitar: "o senhor é hipocondríaco?"; Resposta: "Não, meu filho. Graças a Deus essa é a única doença que eu não tenho".

Confraternização Global dos Misantropos, Ermitões e Insociáveis Crônicos
Embora tenha tido os ingressos esgotados, ninguém apareceu. Fiasco só comparável ao do Congresso Internacional dos Procrastinadores de 1968, cujos participantes mais afoitos prometem finalmente ir no ano que vem - se tudo conspirar a favor.

Fórum Nacional dos Imitadores de Paulo Francis
Esta espécie em extinção desde a morte precoce do Irmão Paulo mantém acesas as chances de trabalho de qualquer imitador fuleiro como Tom Cavalcante e João Kléber. O que seria dessa raça sem um Maluf, Gil Gomes ou Sílvio Santos para arremedar?

Reunião Secreta dos Grandes Mestres do 171
Oportunidade única para os trouxas e otários que superpovoam o planeta aprenderem as mumunhas da alta malandragem. Ao som interminável da musiquinha do "Golpe de Mestre", workshops sobre toda variedade de expedientes com os safos e bambas. Milhares de curisosos compraram os ingressos pela Internet. E , que supresa - era tudo golpe.

Rodada Intercontinental de Estudos Irrelevantes
Discutir o sexo dos anjos é matéria levada muito a sério nestes acalorados debates sobre "Oceanografia Tibetana", "Urbanismo Cigano", "Geografia do Vaticano", "Posições Tântricas para Abstinentes", "Instituições Revolucionárias" e "Perlocutória da Escatotécnica". A távola-redonda mais aguardada será a polêmica "Se em Sodoma eles praticavam a sodomia, que diabos faziam em Gomorra?"

Bom entrudo para todos os que ficam no Bananão neste feriadão momesco. Eu vou para bem longe do furdunço, num pacato retiro em Tel-Aviv.


 

04 fevereiro, 2005

"Um dia pra gente sofrer
O outro pra desabafar
Eu chorarei amanhã
Hoje o que eu quero é sambar."
(Na voz de Orlando Silva)

 

03 fevereiro, 2005

Enquanto isso, nos cinematógraphos...
Por Cartier, Free-Lancer


 

Ninguém está a salvo
Por Stella Maris - especial para o Club

Deu no NYT. Os mesmos terroristas-insurgentes-rebeldes-bandidos iraquianos que sequestraram o engenheiro brasileiro aprontaram mais uma. Fazendo inveja à Frente de Libertação dos Anões de Jardim, tomaram como refém um boneco chamado "Cody" - vendido nas bases americanas. E o exibiram sob a ameaçadora mira de suas armas, para exigir a libertação de barbudinhos presos e judiados em algum porão dos Marines. Jorge Buxi, como o asno que é, está defecando e andando para o destino do infeliz brinquedo. Sociedades protetoras dos Falcons, Playmobils e Mugs protestaram veementemente. O que aconteceria se uma Mulher de Borracha caísse nas mãos desses radicais tresloucados?

 

01 fevereiro, 2005

O homem semicentenário
Por Fran Pacheco

Ontem passou em brancas nuvens o aniversário do verde Plínio Valério - figura esquecida de um passado recente. Não fossem os outdoors que Plínio mandou espalhar em sua própria homenagem, eu jamais saberia que ele completou "50 anos de vida. Pronto para o Senado". Tudo leva a crer, portanto, que Amazonino Mendes será candidato ao Senado e Plínio, o Beato de Eirunepé, não fugirá ao chamado do cítrico dever, em 2006.

Aqui vão nossos parabéns, ao som do ABBA. Castiga, Agnetha!

"I'm a marionette, just a marionette, pull the string
I'm a marionette, Amazonino's pet, just as long as I sing
I'm a marionette, see my pirouette, round and round
I'm a marionette, I'm a marionette, just a silly old clown."

 

Un Ballo in Maschera Baré
Por Fran Pacheco


É sabido que a ideologia carnavalesca da Secretaria de Cultura do Amazonas tem em mente um só lugar: Veneza. Não à toa, a colombina dos olhos do Secretário é o cenozóico desfile à fantasia do Ideal Clube, uma procissão de garças empalhadas tocada com todo aplomb por Monsieur Roberiô e savoir-faire pelo agitador cultural Arroz.

Homem de esmerada formação clássica, monsieur le secretaire (que ainda se refere ao carnaval como "tríduo momesco") deve guardar as quartas-feiras de cinzas para jejuar, morre de saudades do cordão do Zé Pereira (Séc. XIX), dos corsos, da Chiquinha Gonzaga, das bisnagas e do lança-perfurme Rodouro - e tem aquela ponta de inveja da elegância blasé dos arlequins venezianos (que, cá entre nós, é um porre). Prefere mil vezes um bal-masqué em black-tie, dançado em câmera lenta, com rondós e minuetos, com batalha de rosas em ambiente climatizado, a uma manifestação de rua independente e maluca como, por exemplo, a BICA. Essa lhe causou calafrios.

Para acalmar os ânimos e dar uma força ao baile à fantasia de Le Secretaire e Arroz, aí vai uma lista de sugestões para que as figuras mais expressivas de nossa haute-gomme social entrem de cara, ainda que mascarada, no entrudo carnavalesco:

Dra. Soraya, caso não esteja de resguardo ou sob forte efeito de ansiolíticos, viria de "Miss Piggy, Ligeiramente Prenhe". Adornada por uma camisa de força e por Sabino Castelo Branco, que faria um arrojado mix de Ratinho, Alborghetti, Beira-Mar e Australopitecus. Antônio Cordeiro e Esposa despontariam como a dupla cangaceira "Corisco Rolex & Dadá Daslu". Já Alfredo Nascimento, modesto, acharia a fantasia de Lampião pretensiosa demais para sua limitada capacidade celebral, o que vetaria também a de Forrest Gump. A solução seria pedir a benção a Monteiro Lobato e encarnar o "Jegue Falante". Em quesito originalidade, ninguém barraria Silas RBN Câmara, o braço bíblico do Governador. Vigário Silas desfilaria coberto com sua coleção de CPFs. Omar Aziz, o Turco do Peru e Lupércio Ramos, ex A Hora do Polvo, disputariam a fantasia de "Humbert Humbert". Ou de José Mayer, em Presença de Anita.

Jefferson Peres daria pouco trabalho ao stylist Arroz. Bastaria um par de asas e estaria pronto o "Senador Gafanhotão", voando para a oposição. Artur Bisneto, tendo recusado a fantasia "Príncipe Harry, o Pé-de-Cana de Windsor", viria com a sumária "Gabeira, o Desbunde da Tanga de Tricô", bordada no Ceará. Domingos Chalub desfilaria de "Velho Barreiro" enquanto Félix Valois viria de "Esqueceram de Mim". O delegado Eliseu Montarroyos atacaria de Herodes. Sairia ao lado de seu colega Klinger Costa - este com um pequeno bigodinho embaixo do nariz e com lustroso traje de gala das Waffen SS.

A dupla de humoristas Big & Bang disputaria a tapa para ver quem teria que se contentar com a fantasia de Peter Pan - já que só há uma roupa de Fada Sininho disponível. Tio Adão viria de "Pimentinha, a Sagração da Pakalolo". Ou, com uma simples blusa azul e um lápis sobre a orelha, converteria-se no Armando, do bar. Arlindo Júnior viria mugindo e ruminando, na performance "Boi Barroso". O senador Carlo De'Carli e seu rebento Paolo De'Carli desfilariam inevitavelmente de "Famiglia Soprano Corleoni". Mas o velho senador Vidinha (epíteto cunhado por D. Carla, a esposa) poderia em alusão a peripécias passadas, sair de Nero. Ou de Guttemberg - imprimindo cédulas eleitorais. Ribamar Mittoso, com sirene e tudo, desceria a avenida de "Rádio-Patrulha Ideológica" caçando ex-adeptos de FHC.

O marketeiro Egmerdo Batista, tendo fracassado com sua magia negra na última eleição, viria rebaixado de "Ratazana Mickey, o Aprendiz de Feiticeiro". Ou simplesmente colocaria uma calcinha na cabeça, o que combinaria bem com sua cara de genitália. Estando Gilberto Mestrinho entrevado e João Thomé enrolado, o suplente de suplente de suplente Gilberto Miranda, em tese teria que dar as caras. Mas sua performance de Taenia saginata poderia causar repulsa. Já o Galo Carijó, caído em desgraça, foi rebaixado de Rei Momo (ou melhor, Rei dos Mamadores) para Sancho Pança. Serafim Corrêa finalmente poderia usar óculos escuros e terno preto estilo Men in Black, com carterinha da CIA e os dedos enrijecidos (fazendo skindô, skindô, ora pois!). Amazonino Mendes, combalido (e em plena síndrome de abstinência de tetas públicas), já avisou que não vem, nem de Mancha Negra, Caveira Vermelha, Lex Luthor, Al Capone, Long John Silver, ou de Darth Vader, pelo menos até 2006. Inchado como ele só, não caberia mais dentro da armadura negra do Lord Shit. E não contem com a presença do mitológico "Cadeirudo", da novela A Indomada. Eduardo Braga chegaria atrasado demais ao evento.