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24 fevereiro, 2007

É do careca que eles gostam mais
Por Fran Pacheco

Todo ano é a mesma cobiça: não importa se você seja uma Penélope Cruz ou um enrugadaço Clint Eastwood, todo mundo do mundinho de Roliúdi só pensa em agarrar o careca, beijar o careca em público, levar o careca pra casa, fazer com ele o que bem entender. Leonardo DiCaprio, quem diria, fica babando só de pensar no careca (pergunta: por que o DiCaprio sempre morre no final?). O Scorcese, tadim, já tentou de um tudo, mas em matéria de careca, até o fechamento desta edição, o veterano continua virgo intacto: nunca segurou o dito cujo - só em sonhos.

Sem falar nos cineastas brasileiros, essa raça cuja hipercriatividade e coberturas dúplex em Ipanema você sustenta. Ô gentinha pra desejar um careca! Mas o careca tem lá seus caprichos. Um deles é fazer doce pro Scorcese, mas pô, o Kubrick também nunca pôde sentir o indigitado nas mãos. O careca parece não estar mesmo muito a fim de baixar no nosso paraíso tropical. A não ser que o Almodóvar traga o careca dele, abocanhado em 99, e mostre pro Caê, de cuja casa é habituê. O careca parece ser mais chegado em tipinhos mediterrâneos: espanhóis ou italianos, como aquele Benigni, que saiu ensandecido, pisando nos astros distraído, quando Sophia Loren chamou: “Roberto! Vem pegar tuo carecazzo, bello!” O que o ser humano não é capaz....

Tantos gênios sem-careca e Walt Disney, quem diria, embora não soubesse desenhar nem a própria assinatura (era uma espécie de Niemeyer da animação), levou nada menos que 26 carecas durante a vida – sendo um deles em tamanho natural! Digo, um carecão de um metro e tanto de altura, acompanhado por sete sugestivos carequinhas a tiracolo, tudo de uma só sentada, em plena cerimônia de 1938. O segredo para se dar tão bem com o careca, o velho Walt levou para o túmulo.

Claro, há exceções: Woody Allen não foi pegar o careca em 78 e 87. Preferiu ficar no trabalho de sopro, digo, tocando clarinete num night club. Outro que deixou o careca a ver navios foi Marlon Brando, em 72. Por essa época, Brando estava mais ligadão em peles-vermelhas e em experiências heterodoxas com potes de manteiga. A verdade é que, para um sujeito que já traçara de James Dean até uma pata, num bordel-fazendinha de Tóquio (e pela qual teria ficado perdidamente apaixonado, para desepero da esposa), um careca a mais ou a menos não faria a menoooor diferença.


 

21 fevereiro, 2007

Unidos do Lulalá: uma avaliação pessoalíssima
Por Fran Pacheco

Confesso que em matéria de carnavalidades estou mais por fora que bunda de globeleza. Mas ainda hei de descobrir que sutis ponderações permeiam a cabeça de jurado de desfile carnavalesco. Por mais que eu esprema meus tão fatigados neurônios, a mim é impossível perceber aquela diferença crucial de um décimo de milésimo de ponto entre o remelexo de um mestre-sala e outro (será algum detalhe na plumagem?). Pior ainda é tentar achar alguma diferença infinitesimal entre os atuais sambas-enredos (sim, são vários e não um só, como eu pensava), já que a melhor coisa que havia nesse quesito, o Jamelão, tirou o time. Mas vamos lá, tentar avaliar por critérios estritamente pseudo-científicos o desfile da maior de todas as escolas de samba e lambança em atuação no país: o Blocão do Lulalá.

EVOLUÇÃO – Olhando de longe, parece tudo meio paradão. Mas tem movimento sim: as massas como um todo evoluem a passo de cágado. Alguns setores andam para trás. Mas a ala dos patrimônio... vejam só, que beleza, o patrimônio dessa turma não evolui: dispara na Avenida! Seguuuura....

HARMONIA – No ensaio geral, nas eleições, a harmonia do blocão era aquela maravilha: todos apoiavam o “Hômi” em nome do bem geral da gloriosa nação auriverde. Hoje, a coisa está mais enrolada que bacanal de minhoca. O que tem de “artista” querendo a receber a paga, disputando a tapa lugar na diretoria e na tesouraria, não está no orçamento.

COMISSÃO DE FRENTE – Já viveu dias de glória quando coreografada por Mestre Zé Dirceu. Agora anda fazendo cara feia com a D. Dilma. Mas há quem diga que o problema é na comissão de trás: sempre levando “crau” daquele boliviano doido.

FANTASIAS – Sem dúvida é o ponto forte da agremiação. Fantasia é o que não falta: crescimento de 5% do PIB, hegemonia brasileira, Gran-Gasoduto do Sul, ligando La Casa Del Caciete, na Venezuela, a Puerra Ninguna, na Argentina. Tanto delírio só poderia mesmo ter saído da parceria inseparável de nosso Efelentífimo Carnavalesco com o velho Joãosinho Caminhante.

ALEGORIAS – Outro quesito imbatível. Poucos puxadores, como nosso Efelentífimo, são capazes de tascar duas ou mais alegorias a cada frase de cada um dos milhares de pronunciamentos que faz - e sempre alegorias futebolísticas. Dá um pouco no saco, mas afinal, essa é a voz que o meu povão, ai que lindo!, entende.

SAMBA-ENREDO – Você já ouviu esse sambinha de outros carnavais: assistencialismo, embromação, anti-americanismo... Tudo o que o folião brasileiro mais aprecia. Não é de espantar que essa mesmíssima ladainha vá animar os próximos carnavais.

MESTRE SALA E PORTA BANDEIRA – Nesse quesito, prefiro a palavra maldita, vetada no frigobar presidencial: abstinência. Não quero nem sonhar com o Primeiro Casal, Seu Luís e D. Marisa, sambando até gastar o botox. Seria aberração demais. Não que os dois não levem jeito pra coisa, pelo contrário: por mim, já teriam sambado há muito tempo.

BATERIA – Ouvir os tambores de guerra do PMDB, as cuícas do PTB, as foices e martelos do PCdoB e o chacoalhar de jóias dos novos-ricos do PT é uma experiência acústica traumatizante, apocalíptica. Felizmente a antiga rainha-moma da bateria, D. Ângela Guadagnin, foi sambar a dança da pizza em outras freguesias.

TROFÉU ESTANDARTE DE OURO - Vai para a nova rainha da bateria, a gauchinha, deputadinha e comunistinha Manuela D´Ávila. Convenhamos: a pequena é de chuá! Sambar ela não samba, nem precisa, nem deve (aquele ar blasé derrete qualquer neoliberal). Manu faz em mim o mesmo que o Zé Dirceu fazia com o Bob Jefferson: desperta meus instintos mais primitivos. Se Manu, como toda boa comunistinha, come criancinha, então eu quero ser nenê de novo.


 

14 fevereiro, 2007

"Estamos aqui na Terra para peidar por aí. Não deixem ninguém lhes dizer o contrário."
Kurt Vonnegut

 

10 fevereiro, 2007

Ninguém segura essa indústria
Por Fran Pacheco

Ouçam o que vou escrever, leiam o que vou dizer, tanto faz: toda essa discussão sobre a necessidade premente de nossa indústria crescer não faz, atenção para a entonação “snob”: não faz o menooorrr sentido. Só os pobres de retina não vêem que a indústria do Bananão já é um prodígio de crescimento. Por exemplo: a indústria da violência. O setor ostenta uma pujança espantosa, uma aceleração assombrosa, capaz de driblar e fugir de qualquer crise, seja por túneis ou pela porta da frente da cadeia.

As projeções indicam que em poucos anos, a serem mantidos os atuais incentivos e subsídios (parceiras público-privadas facções-polícia; justiça cega, surda, muda e com lumbago; educação da molecada gerida pelo tráfico; Poder Público adepto do liberalismo estilo “deixa rolar”) elevaremos nosso PIB (profundo inferno brasileiro) a patamares nunca vistos no mundo civilizado. Bagdá, atual referência mundial em carnificina, não perde por esperar.

Mas nossa efervescência industrial não pára por aí. Vejam a indústria dos golpes: só um país com tamanha vocação artística poderia produzir tantos e tão talentosos estelionatários. Nossos trambiqueiros vivem uma explosão de criatividade, inovação e ousadia capaz de deixar no chinelo os gênios do Vale do Silício. Tudo em comunhão com os modernos princípios do código-aberto, do software-livre: malandro nenhum patenteia ou cobra royalties por suas invenções e sai por aí espalhando “eu sou o criador do Boa Noite Cinderela! Do golpe do bilhete premiado!”, querendo faturar com a história (a não ser que seja golpe de marketing). E embora haja tanto golpista trainee ingressando todos os anos no superaquecido mercado de trabalho, ninguém fala em saturação do setor – ao contrário, otário é o que não falta.

Se somarmos a tudo isso a meritíssima indústria das liminares e a meretríssima indústria da prostituição, a tão difamada, mas crescente indústria dos danos morais, a torrencial indústria da seca, a bem fornida indústria da fome, a indústria cult das faculdades de esquina, a epidêmica indústria dos planos de saúde, a bem-dotada indústria da pornografia, entenderemos de uma vez por todas que o que falta neste país não é indústria, mas infra-estrutura. Afinal, nesse ritmo o futuro do Brasil passa inevitavelmente pelo esgoto.


 

09 fevereiro, 2007

DELENDA BARANGAS!
Por Cezário Camelo, "Cecezinho"

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Sábado é dia de baranga entrar na BICA.

Com as proximidades do sábado magro, mais um crime ecológico começa a ser praticado nas ruas de Manaus: o abate clandestino e indiscriminado de barangas, muitas delas mal saídas da puberdade.

Os responsáveis pela prática desse crime hediondo são os ‘biqueiros”, uma corja de intelectuais que nunca meteram um prego em uma barra de sabão (segundo alertou domingo passado o intrépido Josué Babaovo, da Rádio Difusora), que se reúnem diariamente no bar do Armando e no sábado magro colocam a BICA na rua.

Segundo os “biqueiros”, o esporte de abater barangas não pode ser praticado por amadores porque, além de ser foda, eles podem vomitar depois da foda propriamente dita.

Por causa disso, o folião a perigo deve ter bem definido em suas mentes as características dos diferentes tipos de barangas que pintam nos bailes da vida, onde muita gente boa já pôs o pau na profissão.

Existem cinco tipos básicos de barangas, a saber:

Photobucket - Video and Image HostingJABURU – Costumam andar em bando e vestindo a mesma fantasia, geralmente abadás do Carnaboi. Ao sentir a aproximação de uma manada de jaburus, o folião experiente e suruba deve segurar com firmeza um crucifixo na mão direita e uma réstia de alho na mão esquerda, enquanto grita bem alto: “Sai pra lá, jaburu!”. É tiro e queda, mas se matou tem que comer.

BAGULHO – Qualquer baranga viciada em maconha, lança-perfume e cheirinho da loló, não necessariamente nesta ordem. Como ninguém come os bagulhos – só se o cara estiver também muito doido! –, os bagulhos possuem a xana bem apertadinha. Sem falar no tobias.

CANHÃO – Nome genérico das barangas que são amantes de seguranças desempregados, políticos corruptos (sei do pleonasmo e vocês podem enfiar ele naquele lugar) e militares aposentados. A maioria delas, aliás, é funcionária da rádio Difusora (o Josué Babaovo tem uma coleção particular de canhões para consumo próprio). Elas são bastante desinibidas, principalmente na hora de colocar o microfone na boca ou de empinar o traseiro para receber a pistola durante a roleta russa.

DRAGÃO – Baranga em estado terminal. Dançam sem calcinha em cima da mesa imitando a Rita Cadillac, ou seja, balançando o popozão metralhado de celulites, estrias e pano branco. Dão pra todo mundo, mas evite fazer sexo oral porque elas engolem e cospem fogo.

TRIBUFU – A baranga por excelência. Faz ponto nos mictórios masculinos de clubes de quinta categoria. Este tipo de baranga, quando é vista abraçada com algum folião, a polícia desaparta logo porque deve ser briga, mas tem neguinho que gosta e – suprema heresia! – até casa. Repare só na mulher dos seus amigos.
Bom, mas depois de escolher a sua baranga, o próximo passo é rebocar o animal para um lugar onde você não possa ser visto – a não ser por outros abatedores de baranga.

Como ninguém quer ser visto na companhia de uma baranga, nem você nem os outros caras vão ter coragem de espalhar o que acabaram de presenciar, sob pena de se denunciarem.

Algumas dicas de abatedouros clandestinos de baranga que você pode utilizar no sábado de Carnaval: o bondinho da Praça São Sebastião, as escadarias do Teatro Amazonas, as pensões da Quintino Bocaiúva, os apartamentos nos altos do Remulo’s e o banheiro do Bar do Armando.

Se não quiser perder tempo escolhendo uma baranga na festa da BICA, dê um pulo na Banda da Difusora, no mesmo horário, ali na Av. Eduardo Ribeiro, que, historicamente, possui a maior concentração de barangas por metro quadrado da história do carnaval amazonense. Sem falar nos qualiras.

Mas pelamor de Deus não vá rebocar a Arminda Mendonça, presidente da Manaustur, que aquela é uma baranga de estimação do prefeito. Evoé, Baco!

 
Fervendo e assando no Baile da Pesada
Por Ishtar dos Sete Véus, a Hedonista

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Hedôzinha está aprendendo a fazer micagens, digo, mixagens pra animar as náites manauaras.

Éééé fofitos... Euzita coloquei fire em vocês para ferver yestardey but... acabei fazendo um programito super light. E quer saber? Foi tuuuuuuuuuuuuudo de bom!!!
First, fui linda-loura-e-teatral curtir a Quinta Flash & Trash do Café Cancun, sob o comando dos DJs Cezar Dantas e Geraldinho... A trilha sonora?... Humor ácido-inteligente e ótimos hits de mil-novecentos-e-já-me-esqueço...

A festeira Mercinha Marinho, vestida de “Xuxa na Menopausa”, estava ma-ra-vi-lho-sa! Mercinha é uma dessas cinqüentonas cheia de estrias e botox, que podem mostrar na pista de dança o quanto são talentosas! Parabéns, fofita!!! Outro que abalou foi o artista plástico Rui Machado, que fez uma special appearence como uma bibete-chatinha-boazinha-carente viciada em tv a cabo. Funny! E eu pensando que o Rui não era chegado a um pincel!... Abafa!...

Curti a trashlândia com meu dear-friend-fofito-lindito-french-brazilian Daniel Rosenthal... Depois fomos jantar no Barbacoa... Huuuum... fazia tempo que eu não comia o frango com molho de laranja de lá...
Tuuuuuuudo... After... Caminha and beautiful dreams. Perfect night! Hoje...Well...It's Saturday Night!!! E vamos dançar, fofitos!

E Thank's God It's Friday!!! Ficar em casa? Well, como diria minha amiguita Michelle Karrate: No, no, no, bambino! Então... arrasa na production... Força na peruca e let´s groove!

Alguns places bacanitos pra curtir essa sexxxta-feira bacanééérrima:

SEVEN TURBO - Hoje é "o dia" do Seven. Pra quem curte house... Tóin tóin tóin chique...E não se importa de não ouvir nem Katrina K, nem Whitney ou Deborah. Reeeeze pra que Luiz Carlos Mestrinho, o DJ Le Jaguar, esteja dando o som por lá. O fofito é the best no place. O DJ Graciano Rebello também costuma tocar bem... Mudernos, bibetes e o-que-eu-tou-fazendo-aqui se encontram em perfect harmony.

CROCODILO’S - Já foi trash... hoje é cult. Hits de Gretchen e Tati Quebra Barraco costumam animar a trilha da casa. A decoration é qualquer coisa de surreal. Tem karaokê... música ao vivo... e dance-tudo (de disco à Kelly Key). De repente, você escuta Maria Alcina cantando: "Seu delegaaaado prenda o Tadeeeeu... Ele pegou a minha irmã e óóóó..." Junte uma galerita e have fun!

CLUBE A2 - Huuuuuum...hoje é um dia meio out. Quer ir? Prefira o domingão que tem a ótima Suzi Brazil animando o people.

FOSFOBOX - É nova. Fica na Cidade Nova. Me falaram beeeem. Euzita ainda não coloquei meus saltitos por lá, apesar de ter sido convidada pra tocar no place... Huuuum, maybe tonight. Who knows? É quase do lado de minha home... Não preciso nem tirar o Sammovel da garage. Toca house, eletro e o que mais der na head dos DJs. People muderno e descolado. Vá!

BISTRÔ - É do bem. Acho que hoje quem toca é o meu dear-friend Sidney Almada. Alexandra e Fernando Araújo são fofitos too. O agito acontece mais na quinta... quando o superqueridofofito Zeca Pessoa toca de Elisângela a Depeche Mode!

BANDA DA BICA - Nããããão é hoje. Só amanhã... Mas se quiser, fofito... Fique em casa guardando energy pra essa party carnavalesca que vai ser tuuuuuudo. Meu dear Cecezinho ficou de me levar... E vamos abalaaaar a Praça São Sebastião!!!

Beijitos no heart.


 

07 fevereiro, 2007

With a little help from my friends
Por Fran Pacheco

A campanha pela minha anistia

não será feita quando a mídia e os que
se opõem à (sic) esse direito constitucional
meu, quiserem ou impuserem. Mas quando
seus iniciadores decidirem.

Zé Dirrceu, blogueiro, ladrando.


É estranho como político algum tem pretensão nenhuma a coisa alguma, pode ver: suas candidaturas sempre nascem não de um desejo personalíssimo pelo “puder” (longe disso!), mas “do mais profundo clamor popular”, “do apelo das bases”, “do chamamento a combater o bom combate”. Aumento do próprio salário? “Não é um pleito pessoal, nem penso nisso... Mas se o colegiado de líderes assim decidir...”. Será que esses putos nunca têm vontade própria?

Agora vem esse blogueiro, o Zé Dirrceu, como quem não quer nada, fazendo que vai e não vai, e com uma lógica das mais tortuosas avisa aos homens de bem (os que têm úlcera) que sua auto-campanha pela anistia mais pessoal, particular e restrita da História muderna não será feita quando “os que se opõem à esse direito constitucional meu, quiserem ou impuserem”. Seria mesmo muita babaquice que alguém contrário a tal patifaria saísse por aí catando assinatura e colocando o bloco do Zé na rua. Seria caso para interdição civil.

O Zé aliás, num ato falho, diz que a tar da anistia já é um “direito constitucional meu (dele)”. Vasculhei a Carta Magna de cabo a rabo e vi nada disso não. Vi badulaques jecas e bizarros, como “O Colégio Pedro II, localizado na cidade do Rio de Janeiro, será mantido na órbita federal.”. Vi também belezuras parnasianas como “a casa é o asilo inviolável do indivíduo”, desprovidas do necessário adendo “... mas um pastor alemão e um sistema de alarme sempre vão bem”. Só não achei nada como o que tanto sonha o Zé: “Art. 5.675 Fica livrada a cara do Sr. Zé Dirceu, blogueiro, por todas as suas aprontações pregressas. Parágrafo único: foda-se a impessoalidade da Lei.”

A verdade é que o Zé mal consegue dorrmirr, esperando a hora de dizerr a senha para o ataque fulminante à Constituição. “Tora Tora Tora?” Não... tem erre demais, o Zé ficaria engasgado. Mas, se os corretores de FHC - sonhando com um tucanato de mil anos - compraram a emenda da reeleição, por que os moleques de recado do Zé (Chinaglia na comissão de frente) não podem emendar a "lei maior" (e o próprio conceito de lei, aquela coisa teoricamente "abstrata" e "geral") em prol única e exclusivamente do capo? No Brasil lei não se discute. Compra-se.

Se conseguirem mesmo transformar a “Carta Magna” em “Bilhetinho de Alforria do Zé”, se é pra avacalhar de vez, então faço questão que incluam o seguinte inciso: “A tumba do Fran Pacheco, localizada em Manaus, será mantida e bem-tratada por Juliana Paes”. Espero, com uma pequena ajuda dos meus amigos, colher as assinaturas e impressões digitais necessárias. Respeito aos mortos é sempre bom. E não vai causar nenhum rombo na coisa pública, isso eu te garanto.


 

05 fevereiro, 2007

Músicas boas, muito boas
Por Fran Pacheco

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O nosso morto é muito melhor
Por Fran Pacheco

Irmão Paulo* ligou-me naquela manhã, há dez anos, para avisar que tinha morrido. Confessou-se chocado.

Da minha parte a surpresa nem foi tanta, pois sabia que A) FHC, se não fosse um FDP com PHD, poderia ter dito num simples telefonema pros seus meninos da Petrobrás: “podem já parar com essa sacanagem de processo contra o Irmão Paulo, porra!” B) Processo nos EUÁ corre em dólar – você já entra no jogo meio ferrado, o que causa calafrios só de pensar num Márcio Tomás yankee, te cobrando por hora, em bandeira dois. E last but not least C) O cardiologista do Irmão Paulo, sua última linha de defesa, atendia pelo nome de Jesus Cheddar.

Isso mesmo: Jesus Cheddar. Uma mistura dessas, de divindade com queijo, não podia mesmo dar certo – o ataque cardíaco foi inapelável.

“Miztah Kurtz, he dead”, anunciaram os tambores da Botocúndia. A canalha respirou aliviada. A vida de João Kléber e outros imitadores vagabundos ficou mais difícil. A de Jabor e Mainardi, mais fácil. A nossa banda de Ipanema aqui em cima ficou cada vez mais completa.

Como todo vagabond que se preze, eu não peço desculpas por não ter ido no regabofe de domingo (se é que teve), nem ter postado nada em tempo hábil, como fez o bom menino Ruy. Como diria o conselheiro Acácio, dez anos de falecimento só se faz uma vez. Mas no sesquicentenário, quem sabe? E dane-se o mundo constituído. Waaaal.

* Irmão Paulo escrevia uma página inteira às quintas e domingos, na fase áurea deste blogue.


 

04 fevereiro, 2007

Esquentando a bacurinha no Boulevard
Por Ishtar dos 7 Véus, a hedonista

Hedôzinha levando seu novíssimo casalzito de pets para um ménage momesco.

Hello, crazy people do meu heart!

Atention, please, pra sonoplastia: toc, toc, toc, toc (barulho de meus saltitos descendo o Boulevard Amazonas no último sábado à tarde)... Cheguei linda-loura-e-ready-to-groove na Banda do Boulevard, louca pra dar em cima do Wilsinho de Cima e fazer o Onça (Paulo) beber água...

Fui com minha big-dear-friend-fervida-e-cheia-de-atitude Dimmy Kieer (que apesar do name... É a raiiiinha das drags brasileiras) conferir a party do place vizinho ao Cemitério São João Batista... Aaaaah... Como é lindo o Cemitério São João Batista... Êêê, Fran Pacheco, cadê o meu querido Cecezinho?!..

Well, vamos falar da night. Huuuuum... cheguei... e o place tava... huuuuuuum... stranger... Me irritei a little com Dimmy que de dez em dez minutos ficava conferindo o efeito tudo do Revlo Styler em seu hair! Mulher de aquarius too... vaidooooosa.

Eu já estava pronta pra bater meus sapatinhos vermelhos e me mandar daquela Terra de Oz errada quando... encontrei friendzitos fofitíííssimos: Luiz Cláudio Chaves, Alexandre Prata, Rogério Pina, Julinho Ventilari, Jander Vieira, Fernandinho Coelho, Luppa Romano, Zenaldo Cunha... Huuummm... fiquei... Éééé....

E... como diria Queen: It's a kind of Magic!... De repente... foi melhorando... melhorando... chegaram new bibetes... e... a Banda do Boulevard decolooooooou!!! Foi tuuuuuuuuudo de bom!!! Eu fervi horrores... Dimmy Kier, que ainda ia lançar seu novo CD “Sou uma diva”, na mesma noite, na boate A2, esqueceu do Revlo Styler...

O Wilsinho de Cima abriu o vozeiiiiirão no “Samba iô, iô, samba iá, iá, chegou a hora da cobra fumar, mulher bonita é na Banda do Boulevard”, que era tudo que as bibetes queriam ouvir... Resumo da opereta: Hedôzinha saiu de lá no finalzito... Com aquele friozito misturado com o sol da manhã... Acabaaaaaaaada mas very happy! Dimmy sumiu. Huuuuuuum...

Well... mas tem reclamation: ou euzita estou ficando surdita de tanto tóin tóin tóin na cabeça ou o som da bandalha estava muuuuito baixo!... Toc.. proc.. .Toc.. proc... (som de meus saltitos indo em direção ao túmulo de Santa Etelvina, a padroeira da leseira baré... às oito da morning!)...

No domingo, my head estava fervilhando de idéias para a Banda do Clube dos Terríveis, que deve sair na Quarta-feira de Cinzas... Tá, tá, tá... Era ressaca braba mesmo... De tardezinha, in my home escrevi... escrevi... escrevi... e ainda não parei... Então linditos... Hedô vai passar essa week em frente ao micro... num "surto" de criatividade!

Vão sair tomorrow?... Se jooooooguem na night... Euzita tenho outros planos pra semana... Have fun!!!... and I said again: Se você for dar pinta... Dê pinta, meeeeeeesmo! Sem medo de ser feliz! É o que fizeram esses três friends-linditos-que-eu-amo-de-paixão: Salomito, Renatinha e Zé Abdala... Saudaaaaaade dos meus queriditos que moram em San Francisco!...

Siiiiiiiiiiiiim... I´m sorry but eu sou lida pelo brazilian people nos States... What can I do se eu sou uma international woman? Hã?... O trio se prepara para desembarcar na city e ferver no Baile das Piranhas, nesse Saturday night fever... Tuuuuuudo de bom! Pode deixar que eu vou quebrar meu pink little pig cofrinho e ir curtir umas piranhagens com vocês!

Beijitos!

PS: Salomito está expondo numa Art Gallery em San Francisco... Chiquéééééérrimo... Depois, ele vai mandar as fotitas das obras pra euzita mostrar aqui... Ciao, bambinos!

 

Meu barraco com o Rei da Pilantragem
Por Torquato Piauí


A propósito de Wilson Simonal. Não é preciso conhecer a biografia do moço para se reconhecer um irrecuperável cantor de rock’n’roll. Mas a verdade é que ele começou mesmo pelas mãos de Carlos Imperial e foi lançado cantando aquele obsoleto gênero rebolativo, no programa do provecto senhor Jair de Taumaturgo etc etc. Não tem importância.

Como não teve importância para Simonal o fato de ter sido, depois, aproveitado por Luís Carlos Miéle (que já morreu e não sabe) e Ronaldo Bôscoli (que mesmo morto continua vivíssimo), em shows de boate e teatro, que faturavam bem para os três. Foi mesmo que nada, ou melhor, deu maior tarimba ao rapaz.

Simonal continuou cantando rock-baladas com esforço, a dupla fez o possível para melhorar, pelo menos, o seu repertório. E por dentro da – então – nova onda da bossa-nova, ele encontrou um “estilo”, uma “nova dimensão” que consistia em deixar cair um “champignon” enjoado sobre tantas canções bonitas que gravou, cantou em shows de boates, teatro ou no banheiro.

Há uma coleção deles: “Lobo bobo”, de Lira e Bôscoli, “De manhã”, de Caetano Veloso, “Minha namorada”, de Lira e Vinicius, “das rosas”, de Caymmi, “Roda”, de Gilberto Gil etc. ouçam o compacto de Simonal com “A banda” e “Disparada”. Pode? Não pode. E no entanto Simonal grava e faz sucesso.

Temos um “selo”, um nome para essas bobagens: o famoso “samba-jovem”, tolice publicitária e musical, barulheira desagradável, mistura cafajeste de samba e iê-iê-iê. Mas Wilson Simonal tem humor, dizem os seus amigos. É uma das pessoas mais engraçadas do mundo. Certo. Eu conheço Simonal e sei que é verdade. Engraçadíssimo. Conta piadas ótimas. E digo mais: tem uma voz muito bonita, é musical a beça, afinadíssimo. Mas canta rock, não canta samba nem aqui nem nos Estados Unidos.

Alguém mais afoito argumenta que ninguém tem obrigação de cantar samba, “apenas porque nasceu no Brasil”. Posso até concordar, acho que Roberto Carlos canata muito bem o iê-iê-iê dele. “Namoradinha de um amigo meu” é tão bonitinho! Mas isso não tem nada a ver com o que o Simonal faz, pelo amor de Deus.

Ele grava “Tem dó”, um samba d Baden e Vinicius, e, no entanto, não canta o samba, canta outra coisa. Aí é que está: se Wilson Simonal gravasse “The Shadow of Your Smile”, que é música americana muito boa, talvez o fizesse melhor do que Chris Montez. E talvez eu batesse palmas. Mas o serviço de Simonal é malfeito, é errado e feio. Porque não é coisa nenhuma.

Há muitos e muitos anos, assisti um show dele que estava em cartaz em Copacabana (Teatro Princesa Isabel) que mostrava claramente que Simonal estava irrecuperável porque estava satisfeitíssimo com o que fazia. Miéli e Bôscoli são profissionais, bons profissionais fazem o que pode. Procuram, pelo menos salvar as aparências e livrar a cara. Deram a Simonal para que cantasse um repertório honesto de músicas brasileiras. Que somadas a Wilson Simonal resultaram naquele aguado twist de segunda categoria.

Foi por causa disso que eu cortei o microfone e o impedi de se apresentar no desassombrado show “Zé Kéti Convida”, que rolou na semana passada, no falecido Le Bateau, em Copacabana, com a presença de Nara Leão, Jovelina Pérola Negra, Candeia, Beto sem Braço, Cartola, Nelson Cavaquinho, João do Vale, Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola, Bussunda, Mussum, Xangô da Mangueira, Fortuna, João da Baiana, Donga, Leon Eliachar, Almirante, Albino Pinheiro, Ferdy Carneiro, Leila Diniz, Adelino Moreira, Ary Barroso, Adoniran Barbosa, João Nogueira, Moreira da Silva e outros partideiros pedra noventa.

Aliás, se não fosse a enérgica intervenção do síndico Tim Maia, o auto-nomeado “Rei da Pilantragem” iria transformar nosso divertido sarau na casa da mãe Joana. Vade retro, Simonal! E enfie seu boneco Mug naquele lugar. É o jeito.

 

Só não vai quem já morreu
Por Wally Sailormoon


Hoje em dia, soerguer-me desta cama requer um esforço heróico. Admiro os de sangue quente, de fronte altiva, os de alma aventureira, os bravos, como Fran Pacheco e Cecezinho, mas minha natureza está ferreteada por uma sonolência torpe. Cada perna, cada braço, cabeça, tronco, membros; o corpo inteiro na recusa mole de se levantar.

Nem sempre foi assim, mas agora é difícil imaginar um tempo antes da abulia se instalar definitivamente em mim. A começar que somente aceito a expressão – abulia – porque não quero me abalar para inventar outra. Mesmo tratando toda esta história toda de diagnóstico como uma pasta a ser deixada de parte, resta-me uma ressalva: que ando sentindo ultimamente?

Sei que não posso partir de um ponto preciso definido assim como “tudo começou no dia tal... do mês tal... do ano tal”. Mas posso intuir que essa balada baiana tem culpa no cartório. Cair na pândega cerca de sete dias seguidos movido a mandrix não é pra qualquer hendrix... E ainda ter de encarar a petulância sibarita de uns e outros, que não entendem de asas crestadas pelo sol e confundem alhos com bugatti. Cansa. Cansa muito.

"Como é que alguém em sã consciência pode se divertir sendo esmagado por milhões de pessoas sob um sol de 40 graus? Esses baianos são malucos!", explica para sua acompanhante suíça um rufião do sul-maravilha, experimentando um caldinho de sururu na baixa do Sapateiro, enquanto limpa o suor do rosto. Deviam estar em Porto de Galinhas.

"Olha, véi, quem pode gostá de muska que rima calô com Salvadô e iê-iê-iê com iô-iô-iô?", questiona um pascácio com jeito de pernambucano, enquanto barganha o preço da moqueca de aratu com um ambulante desdentado, fantasiado de bob marley. Devia estar no Galo da Madrugada.

"Uai, sô, por que pagá tão caro só pra usá uma camiseta colorida com nome de canjica africana e brincá dentro de um cercado de corda junto com milhares de bêbado, fardados que nem ocê?", pergunta um mequetrefe, com sotaque de goiano – conheço cornos pelo sotaque! – a um vendedor de fitinhas de Nosso Senhor do Bomfim. Devia estar com saudades do Ricardão.

OK. Confesso. É tudo verdade o que dizem esses zé-ruelas. Mas há algo no Carnaval de Salvador que emociona, contagia, faz a vida parecer maravilhosa e, finalmente, vicia como buceta sem pentelho. O grande barato é a esbórnia nua e crua, sem maiores misticismos. Ainda não inventaram uma putaria tão insana como o carnaval soteropolitano.

Ali, uísque, vodka, cachaça e maconha fazem parte do café da manhã, beija-se loucamente qualquer boca feminina em seu raio de visão, come-se tudo que mijar de cócoras e não for sapo, amores eternos de cinco minutos surgem a cada esquina, queima-se o filme sem maiores conseqüências, encoxam-se bundas que não estão no mapa e pulam-se 20 horas diárias sem que o cansaço dê as caras.

Dormir está fora de cogitação. Quando o bloco cumpre seu trajeto, é hora de esticar em algum camarote pra rebocar outra vadia ou tentar sobreviver na pipoca para ver os outros trios. Como dizem os baianos, "se não güenta, por que veio?". Ou em linguagem de caboco amazonense: “Quem não agüenta pica, não se mete a fresco!”

A primeira vez que um trio elétrico cruza o nosso caminho a gente nunca esquece. De repente, ouve-se um ruído grave, algo parecido com um trovão. Em seguida, a maré humana recua e desaparece por alguns minutos para em seguida voltar em êxtase, arrastando tudo o que estiver pela frente. A pipoca pula mais que nunca e espreme os membros do bloco até que três corpos ocupem o mesmo lugar no espaço. Alguns choram, outros gritam. Tem gente que só se desgruda se for molhada com água, que nem cachorro.

Onde está o fracasso se a platéia inteira aplaude e ainda pede bis e só os zé-ruelas vaiam?

Vaia de bêbado não vale, claro. E agora é que a heliogábalo está começando, skindô, skindô!

Luz estrela ficou flat, queremos radiância óvni. Varei!

 

02 fevereiro, 2007

O enrugadinho é mais embaixo
Por Cezário Camelo, "Cecezinho"


As rugas são sinais de vida. Ou de morte, dependendo do lado do balcão em que você está. Cedo ou tarde aparecem e tomam conta das nossas expressões faciais. E a gente é obrigado a ter vergonha na cara por uma razão errada. As rugas dividem o rosto em pedacinhos do passado. Dão identidade à existência de cada pessoa – exatamente o documento que as mulheres odeiam. Financiam as bocas livres do Pitangui. São proibidas nas ilhas de Caras.

As rugas marcam o passar dos anos pela epiderme e a velhice é a sua marca registrada. E você sente tudo isso na própria carne. Porque as rugas botam pregas na vaidade de todo mundo. Mesmo os maiores velhacos da política (sei da redundância e vocês podem colocá-la no buraco apropriado) não escapam do julgamento das rugas. Pra comprovar, basta observar o rosto alquebrado do boto tucuxi ou do capiroto enegrecido sem as mágicas do Photoshop. É de dar pena.

Quem fabrica rugas é o tempo, com norráu para todos os tipos de pele – inclusive a do saco escrotal e do seu vizinho, ali ao lado. Quem tem intimidade com as rugas são os espelhos. E quem diz que as rugas refletem a idade não está totalmente enganado: está totalmente enrugado. Mesmo não sendo metrossexuais, cuidem das suas rugas, porque elas têm uma imagem a zelar. O enrugadinho é mais embaixo.

Existem vários tipos de rugas, todas com muita experiência. As mais comuns, mais assíduas e mais rugosas são estas:

Surpresa – Na testa. Ruga de receber visitas inesperadas, do encontro casual com um deputado salafrário (sei da redundância e vocês podem etc, etc, etc), de ver truque de mágico, de ouvir a conta salgada no restaurante barato. Ruga fingida quando o presente de amigo oculto é gravata outra vez. Ruga imensa quando anunciam que você vai ser pai de três crianças ao mesmo tempo. Ruga surpreendente de ser convidado para participar de uma tramóia do Cadeirudo.

Preocupação – Também na testa. É uma ruga ativa: não sai do lugar por nada. Ou melhor: por tudo. É uma ruga grande, rugona, verdadeiro bitelo. Ruga de quem tem um súbito desarranjo intestinal na hora em que entrou no quarto com aquela lebre que vinha sendo cantada há seis meses. Ruga responsável. Ruga de fim de mês. De meio de mês. E de início de mês. Ruga assalariada, meus caros.

Orgulho – Ruga acima do nariz. Quem tem orgulho de não ter rugas, tá com ela. Ruga de quem venceu na vida ou na fila. Ruga de quem foi nomeado para uma sinecura federal. Ruga que só usa a melhor maquiagem da Victoria’s Secret. Esta ruga se acha mais ruga do que as outras. Ruga de quem acertou sozinho na megasena acumulada. Ruga orgulhosa da gente, claro.

Tristeza – Pelos lados (de fora) da face. Esta ruga tem hora e tem motivos. Seus sulcos vão até a fossa. Ruga treinada em velórios, despedidas, fim de amor, dor-de-cotovelo, demissões sem justa causa, chifres sem motivação aparente, operações bariátricas mal-sucedidas e visitas ao cirurgião-plástico. Ruga abandonada à flor da pele.

Tensão – No pescoço ou no queixo. É a ruga do ponto crítico. Que surge nos piores momentos. Que, no fundo, no fundo, só quer saber de relaxar. A cara das pessoas fica muito feia quando esta ruga explode pelos poros. Ela não se contém nos dias e nos rostos de hoje. Foi por isso que inventaram o carnaval.

Desânimo – Mais uma nos lados da face. Ruga que não se esforça para sair do rosto. Ruga conformada, sim. Ruga que vem para ficar, sem ânimo para aceitar a companhia da ruga do riso ou o disfarce de um pó compacto. Ruga entregue aos traços. Ruga de pensionista em fila de banco.

Obstinação – Ali embaixo do lábio inferior. Ruga de governador ou prefeito quando manda um orçamento para ser aprovado na íntegra pelo legislativo. Ruga teimosa, que sabe o que quer. Ruga burra, que não argumenta. Ruga determinada a ver tudo com antolhos. Ruga pra hora de bater com a colher no prato. Ruga pro vinco que der e vier. De não arredar prega. É a famosa ruga do beiço e está sempre nas bocas.

Falsidade – Ruga disfarçada. Ruga popular. Ruga que nunca conheceu lealdade em nenhuma parte do rosto, apesar de estar em todas. É uma ruga capaz de enganar até a si própria. Ruga disputada a tapa pelos políticos, desembargadores, juízes e advogados de porta de cadeia.

Desgosto – Na parte inferior do rosto. Ruga grossa, ruga dolorida, molhada em lágrimas. Ruga profunda, ruga marcante. Ruga que se aborreceu com a existência em geral e a sua vida em particular. A ruga que vem das rusgas. Ruga de quem já levou tanto nabo na bunda que ganhou hemorróidas. Ruga nossa de cada dia.

Resumindo: as rugas todas são como a nossa cara. Ou coroa.