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27 agosto, 2006

Carta aberta ao colega Narizinho
Por Fran Pacheco

Juca,

Parafraseando Voltaire, posso não rir de nenhuma piada tua, mas lutaria até o fim pelo teu direito de contá-las na tribuna do Senado. Aliás, Juca, Voltaire nunca disse nada parecido, mas isso fica pra outro post, menos nasal que o corrente. O que importa Juca, é que estou contigo, com teu nariz, e não abro. Achei essa tua iniciativa de concorrer ao Senado pela Bahia um verdadeiro chuá. Não importa o que aquelas togas rezinguentas do TRE bahiano estejam aprontando contigo. Que diabos eles entendem de otorrinolaringologia? Não importa, outrossim, que só 2% dos soteropolitanos venham a sufragar vossa nasalidade. Se eu fosse intelequitual engajado, Juca, se eu comesse metade das mulheres que o Chico come – tás me entendendo? – saía por aí assinando manifesto em defesa do teu direito líquido, certo e cheio de coriza de entrar de nariz e tudo no Congresso. Conclamaria teus semelhantes, como Emerson Fittipaldi, Betânia e Dustin Hoffman para sair em defesa da imunidade parlamentar pro teu septo nasal. Pela urgência urgentíssima de dispormos dessa lapa a farejar escândalos nos corredores do puder. Porque sacumé, Juca... piadinha sem graça por piadinha, tal como dólar na cueca, superfaturamento de merenda escolar estragada etc. etc. sou mais as tuas, que têm o condão de só fazer mal ao saco de quem ouve. E só de imaginar, bicho, os nobres senadores passando o dia aturando aquele teu violão de menestrel, tu, em cima daquele banquinho, na tribuna, descalço, repetindo pela pentelhésima vez aquelas paródias batidas... ah, que curtição doida seria, Juca! Já pensaste nas notícias da Voz do Brasil? “Performance do senador Juca Chaves é interrompida por festival de vômitos no plenário”... “Juca afirma que não se calará e onda de suicídios coletivos assola o Senado”... Ô Juca, precisamos de você lá!

Por essas e por outras, Juca, siga na luta – teu nariz na vanguarda, abrindo caminho, recorrendo e escorrendo até a última instância. O que dá pra rir, Juca, dá pra chorar e vice-versa, tás me entendedo? Vai fundo, meu chapa, que ninguém segura esse nariz!

P.S. É verdade que o teu partido é o mesmo do Eymael? Porra, Juca, tu és mesmo um artista...


 

25 agosto, 2006

Anistia cabocla
Por irmão Paulo

Amazonino pugna descaradamente pelo esquecimento de seus crimes passados, uma anistia cabocla.


Talvez em decorrência da influência de seu comparsa de partido, o também pefelista Romeu, Amazonino Mendes busque pairar nessa campanha bem acima do bem e do mal, como se não tivesse um passado negro e podre e insepulto, a exalar um odor nauseabundo e bem característico, assombrando-lhe os passos.

Romeu , ex-chefe do DEOPS paulista, é um senador com fama de honesto. Nas palavras de Francisco Carlos Garisto, famoso presidente da Associação Brasileira dos Agentes da Polícia Federal e conselheiro da federação deles, nas páginas da insuspeita - ou menos suspeita - Caros Amigos, Romeu "comandou aquilo tudo, mas passou como bonzinho, os amigos que trabalharam com ele foram quase todos execrados na mídia e depois abandonados pelo chefe. (...) quem comandava a tortura era o Fleury, não era ele. Só que ele sabia, o Fleury não fazia nada sem ele". Vejamos uma segunda opinião.

Paulo Markun, em seu recente livro sobre o episódio inesquecível do jornalista Vladimir Herzog, nosso Vlado, conta que em 1975, Romeu na direção do DEOPS, sentenciou em reunião que “o canal 2, através [sic] de seu departamento de jornalismo, está fazendo uma campanha sistemática contra as instituições democráticas [sic] e esse fato foi notado após ter assumido a direção daquele departamento o jornalista Wladimir [sic] Herzog, elemento sabidamente comprometido [sic].” Desinformado, desinformador ou caluniador, é como julga-se a conduta de Romeu que, como tantos outros, foi atingido pela golfada da anistia e continua perambulando por aí. Um fantasma, inclusive na aparência, uma alma penada que nos assusta de noite e de dia.

Outro que virou uma assombração, como bem disse Artur, o terrível, foi Amazonino Mendes, que fica irritado, perde o prumo e a lhaneza sempre que algum, dos que ele deve considerar meros súditos, ousa perguntar algo que lhe pareça inconveniente ou defrontá-lo com sua realidade de político corrupto, coronel de barranco e gigolô da miséria. Foi o que ocorreu no debate em sua rádio - mesmo em ambiente controlado, no jornal da rede amazônica, quando indagado acerca da palpitante questão da água e, mais recentemente, no difusoramente pasteurizado Roda Viva, na TV oficial do estado.

A imprensa local é amordaçada, digo isto sem fazer juízo de valor e sem manifestar solidariedade. Além de Artur Neto, por conta de sua trip pessoal de poder, ninguém mais ousa fazer Amazonino gaguejar. É uma lástima.

Por sorte, para crimes contra a Administração Pública, ao contrário dos crimes cometidos pelo Romeu, não houve anistia. E deles podemos falar e repetir porque reprovabilidade moral não prescreve! Gilberto Mestrinho sevicia esta terra amazônica desde a década de 50. Teve sua vida política artificialmente prorrogada pela ditadura militar, que o cassou e baniu do estado por fraude eleitoral - veja você, leitor. De tudo que fez para infelicitar o Amazonas, o pior pecado foi ter trazido à vida pública um degenerado moral, sem educação familiar, um psicopata chamado Amazonino Mendes. Talvez por essa razão apóie hoje, mesmo sendo desprezado por todos, o BragaBoy - na vã esperança de aliviar um pouco o peso dos seus pecados. Até canalhas como Gilberto, adocicam como o tempo.

Certo é que não houve anistia, mas Amazonino Mendes pugna descaradamente pelo esquecimento de seus crimes passados, numa espécie de anistia cabocla. O que não é possível, pois sua lista de escândalos é tão grande que se torna inesquecível: Castelo na Europa e mansões no Tarumã; conexões estranhas entre o assassinato do empresário Samek Rosenski e seu filho Armando; entrega do porto ao Di Carli; negociata com a Cosama; confissão de Fernando Bonfim, um de seus muitos testas-de-ferro; o escândalo dos geradores? o envolvimento na compra de votos para a reeleição; o cerco da assembléia pela Polícia Militar, que destituiu temporariamente o presidente para forçar a votação de uma matéria eleitoreira; a vitória fraudulenta da reeleição de 1998, levando Giberto de lambuja; a compra dos ford explorers importados para a PM - as tais Samuquinhas; a ampla concertacion em torno de 100% das licitações de obras do estado durante seus governos; a indicação ofensiva de José Augusto Almeida - senhor dos trambiques licitatórios durante anos - para compor o Tribunal de Contas; ter enfiado Alfredo Nascimento goela abaixo da cidade por 8 anos; ligações nebulosas mantinha com presidente da OABETTI/AM; a franquia da Blockbuster montada por sua filha e a rádio de seu filho; a sociedade com o DB; a propriedade do Correio Amazonense; os sete quilômetros de litoral em São Paulo etc.

Ao pedir que esqueçamos, ao fingir que seu passado não existe, ao encarnar esse novo personagem fictício que se acha um salvador movido pelo desejo de servir - que cara de pau! - Amazonino não se repete, encena uma farsa de si mesmo. Falso, como parecem falsas as fotos de Gilberto Mestrinho abraçando crianças que já nem o conhecem mais e dele tentam se esquivar - com medo ou repulsa daquele corrupião de dentes enormes e cheirando a talco e naftalina. Amazonino é mesmo uma assombração - envelheceu - não passa de uma imitação de si mesmo, daquilo que foi um dia e já não mais é. Envelheceu menos na idade, que na atitude e no discurso. Sua postura imperial, seus engasgos e sua gagueira - que antes eram um elemento pitoresco e reforçavam a mítica - hoje parecem apenas insegurança.

Sem anistia, senhores do conselho. Sem esquecimento, sem trégua e sem dó. E que Deus o tenha em bom lugar.

 

22 agosto, 2006

Extorsão barata
Encaremos a aposentadoria precoce do vice-governador Mamar Aziz (4 anos de irrelevantes desserviços prestados) pelo lado positivo. Mantê-lo longe, bem longe, eternamente longe do puder, por R$ 20 mil mensais rachados entre todos os contribuintes do Amazonas, convenhamos, tá mais do que em conta. Não quero nem pensar no quanto custaria mais 4 anos de palestino agindo na surdina por aí.

Leslie Nielsen analisa a campanha
O insistente candidato Capiroto Mendes (cada vez mais uma mistura de Don King com Alcione) está dando pulinhos de alegria. Adivinhe que programa eleitoral regional mais agradou aos olhinhos isentos, imparciais e desinteressados do guru-blogueiro Pé Frio? Adivinhe. Confira aqui e se surpreenda.


 

Amor bandido
Por irmão Paulo

Gilberto que amava Plínio que amava o filho que amava Eduardo que amava Amazonino que amava Gilberto que amava Artur que amava Alecrim que amava Artur que amava Omar que amava Vanessa que amava Serafim que amava Alfredo que amava Amazonino que amava Eduardo que Amava Alfredo que amava Serafim que amava Jefferson que amava Eduardo que amava Gilberto que amava Amazonino que amava Di Carli que amava Mário Frota que amava Serafim que amava Artur que amava Dtra que amava Eduardo que amava Serafim que amava Artur que amava Vanessa que amava Gilberto que amava Gilberto Miranda que amava Amazonino que amava Hanan que amava Artur que amava Gilberto que amava Garcia que amava os Souza que amavam Amazonino que amava Alfredo que amava Eduardo que amava Lino que amava Artur que amava FHC que amava Serjão que amava Amazonino que amava ACM que amava Collor que amava FHC que amava Serra que amava Ulisses que amava Sarney que amava Figueiredo que amava Golbery que amava Castelo Branco que amava Geisel que amava Figueiredo que amava Josué que amava Gilberto que amava Sarney que amava Leopoldo que amava Jefferson que amava Artur que amava Tasso que amava Alckmin que amava Covas que amava Lula que amava Cristovam que amava Heloisa que amava Lula que amava toda a quadrilha.

 

Diálogos do beiradão
Por irmão Paulo

Pérolas da auto-ajuda amazonense

1. Monólogo

Belão, calado.
"Nós temos até o dia 20 para aprovar a emenda da aposentadoria", disse o Mulah.
Belão, calado.
"Se algum jornal ficar sabendo, você tem que me avisar com antecedência, tá certo, pra eu segurar, viu?", disse o Mulah.
Belão, calado.

2. Reflexão

"Eu tô preocupado, se a emenda não sair agora, não sai nunca mais, entendeu?", disse o Mulah.
"A emenda vai ser aprovada "na surdina", garantiu Cornélio.
"Isso! Lá de madrugada", disse o Mulah.
"Como será a escolha do Padre Anchieta pra Conselheiro do TCE", atrapalhou-se o Cornélio.
Belão, calado.

3. Arrependimento

"Foi o único jornal que publicou nossa traquinagem!", admoestou o Mulah.
Silêncio contrito.
"A única coisa que eu pedi, vocês não fazem", relembrao Mulah.
"Pisei na bola com você, mas vou corrigir assim, mandando parar, tá?", responde o Bezerro.

4. Anunciação e sintonia

"Olha, dá uma segurada nessa história da minha aposentadoria", comandou o Mulah.
"Deixe comigo", respondeu seu discípulo

5. Ecumenismo irrestrito

"Shamuel, A Crítica saiu numa matéria hoje sobre aquele negócio da nossa aposentadoria, entendeu?, indagou o Mulah ao Rabino Shamuel, do PSDB arturiano.
O rabino Shamuel dá uma baforada em seu cachimbo Tirolês.
"Eu queria que tu desse uma ligada para a redação do "Correio Amazonense" pra reforçar, pra não deixar sair nada", disse o Mulah.
"Eu falei com o Amazonino. Ele vai pra lá agora pra tirar, inclusive tinha algumas notinhas em colunas, vai tirar tudo", sentencia o Rabino Shamuel.

Epílogo:

A emenda constitucional foi aprovada em 21 de dezembro de 2005, alterando o artigo 278 da Constituição do Estado, que concedia a aposentadoria apenas a governadores.

Assinaram a emenda, dentre outros mais carimbados: Libermam Moreno (PHS), Vicente Lopes (PMDB, Lino Chíxaro (PPS), Wallace Souza (PP), Arthur Virgílio Bisneto (PSDB) e Sinézio Campos (PT).

Manoel Ribeiro, Francisco Garcia, Alfredo Nascimento, Samuel Hanan e Omar Aziz foram atingidos pela ação benemerente do Mulah.

Dizem que até hoje, Belão espera o Padre Anchieta na curva.

 

21 agosto, 2006


 

Surfando nas ondas culturais de Parati (finis et circensis)
Da nossa equipe de transviados especiais


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No encerramento da FLIP, Cecezinho e Hedôzinha fizeram uma lap dance de tirar o chapéu.


DOMINGO, 13 DE AGOSTO

11h - Mesa 16 - Bagagem
Adélia Prado

Cinemex: um banquete fantástico de comidas baianas: tribex: regado com batidas: calor entorpecente: fuquefuque como nas farras romanas de Holly: frutos tropicais, mil caranguejos: mulheres levantando as saias: gente com cara lambuzada de vatapá: gente dentro das panelas de barro: langor: as pessoas esparramadas como nas telas de Brueguel: Parati, umbigo do mundo: portas do sol: cidade da colina: luz atlântica: jardim da felicidade. Atlântida – o continente perdido pralém das colunas de Hércules e que unia a Europa com a América; onde já se observava os céus e se fazia cálculos astronômicos; adoradores do SOL; onde provavelmente foi falada a língua-mãe. Arte, ciência, filosofia e religião nascem da nossa busca por respostas a perguntas fundamentais relacionadas à gratuidade de nossa existência. Olhadela por trás dos bastidores. Atlântida submersa. Adélia Prado diz que somente a arte e o misticismo, que ultrapassam a razão e nos tocam onde realmente interessa, as emoções, dão um acesso abrangente à vivência humana. Felicidade e tristeza resultam do ato de sentir emoções, não de entendê-las. São os afetos que movem, comovem. Essa é a bagagem que carregamos e sobre a qual falou uma das mais proeminentes poetisas brasileiras. Atlântida submersa. Só nos convencemos afinal de estar pisando solo firme quando tomamos por base, como verdadeiro original, a submersão da Atlântida dentro das ondas do oceano. Essa, a nossa bagagem. Cinemex: alguém fantasiado de javali feroz ataca uma pessoa diante do mar. Como numa dança de bumba-meu-boi. Adélia Prado. A delícia do jardim de Bosch. A manga rosa Maria Rosa, Rosa, Maria, Joana. Peitos gostosos, rosados doces. Rosa dos doces, mama, mama, mamãe. Adele Fátima. Teu sumo escorre da minha boca. Entre aberta porta. Por onde entra e por onde sai. Por onde entra e sai o mundo. Mundo. Adele Carraro. Balança a fronte. Farta mangueira. E mata a fome, morto à fome. O mata. Imensa mata, imensa massa. Florados cachos de verde amarelou. Maduro fruto. Que pro nosso gozo vem. Amem, amem, amem, amem. Mamem, mamem, mamem, mamem. Amém, amém, amém, amém. Acabou chorare, intão até paruano. Com adeles e adélias de todo os tipos na bagagem.


15h - Mesa 17 - Experiências
Nicole Krauss, Edmund White

Alô, amizade, tudo azul? Tudo perfeito? Muita paz por aí? Tudo bom? Tudo fácil? Tudo perfeito? Tudo normal? Muita paz, muito amor por aí? Muito amor? Amor até demais? Tudo simples? Tudo cor-de-rosa? Muito sol tropical na cuquinha? Muito anil? Tudo bom? Maravilha? Sorriso, amizade? Alegria? Muitas felicidades? Corações transbordantes de amor? Perfeição à vontade às pampas, forever? Tudo normal? Conhece a Nicole Krauss? Saca legal o Edmund White? Pois é, amizade, aliás, criança: você gosta muito, demais? Qual dos dois pra alisar teus cabelos, qual dos dois pra sentar do seu lado? Qual dos dois pra conversar num barzinho? Fique sabendo, amizade: estiveram juntos. Discutindo como a experiência individual se reflete na literatura. Explicando onde termina a memória e começa a imaginação. Dois escritores norte-americanos que exploram seus passados na criação de ricos trabalhos ficcionais e autobiográficos. Dois escritores norte-americanos examinando os efeitos das experiências pessoais que viveram sobre sua escrita. Maravilha, bichos. A nova-iorquina Nicole Krauss é autora dos romances Man walks into a room e A história do amor, ambos muito elogiados pela crítica. Ela é charmosíssima e tem umas pernas maravilhosas. Edmund White, que escreveu romances semi-autobiográficos como Um jovem americano e O homem casado, publicou uma biografia de Jean Genet e, mais recentemente, um livro de memórias, My lives. Ele é famosíssimo e tem uma elegância discreta. Na platéia, Wally Sailormoon concentrado e muito na dele. Cecezinho, de olho gordo nas pernas torneadas da Nicole e recebendo beliscões furiosos da Hedô. Maior bandeira. Na geléia geral: quem não canta e não dança não sabe o que está perdendo. Homem voa? Sim, por meio da leitura. Torno a repetir, meu amor: ai, ai, ai. Fui.


16h45 - Mesa 18 - África, Áfricas
Ondjaki, Uzodinma Iweala

Para aqueles que conhecem a África somente por meio da mídia, a região parece ser pouco mais que uma sucessão de crises e de negros safados se aproveitando de donzelas mais safadas ainda. O escritor Jorge Luís Borges dizia que “O Coração das Trevas”, de Joseph Conrad, era o “mais intenso de todos os relatos que a imaginação humana jamais concebeu”. Sim, mas aquilo era uma outra África. Hoje, o buraco é mais embaixo – e feito por minas terrestres que já aleijaram mais de 10 milhões de crioulos. Na última mesa ginecológica que fui conferir, de olho na platéia formada por universitárias adeptas dos movimentos multiculturais, dois jovens escritores nos ajudaram a conhecer melhor a realidade de países destruídos pela guerra, em romances que mostram a face humana do continente. O nigeriano-americano Uzodinma Iweala é o autor de uma narrativa admirável sobre uma criança-soldado, Feras de lugar nenhum, um estudo sobre as maneiras como o conflito armado aniquila a inocência. Em livros como Bom dia camaradas e Quantas madrugadas tem a noite, Ondjaki explora com lirismo as memórias da infância em uma Angola pós-guerra civil. Leitura de macho, de gente que cospe no chão e ajeita os colhões na frente de mulheres, crianças e cachorros, sem se importar com os comentários desairosos. Só não foi melhor porque a Hedôzinha estava me marcando sob pressão o tempo inteiro, permitindo que as universitárias saíssem ilesas. Mas vai ter revanche.


18h30 - Mesa 19 - Livros de cabeceira
Ali Smith, Antonio Risério, Benjamin Zephaniah, Carlos Heitor Cony, David Toscana, Edmund White, Jonathan Safran Foer, Mário de Carvalho

No bota-fora da quarta edição da FLIP, rolou uma senhora party com o melhor da literatura... Os autores convidados compartilharam com o público seus livros prediletos... Livros lidos e relidos, companhias inseparáveis... Tudo perfeeeeeeeeito! Noite inesquecível (e linda) e pessoas muuuito especiais... Música boa... Muuuuita Debbie Cox, Cris W, Seal, Anastacia... Rebolei horroooores com as bibetes, barbies, suzies, barbapapas, pula-piratas e afins... E... e... (pausa para suspirar e conter uma lágrima furtiva) teve uma sessão "parabéns pra você" com vinte (minha idade? Abafa!) sparkling velitas... Uma homenagenzita das caravanas sampa-piracicaba-rio-poa a mim e ao lindito Cecezinho, pelo nosso long time de namoricos, brigas e farras extra-conjugais... Um showzito pirotécnico com special effects e muito laser! Tudo! Encontrei Torquato Paiuí (fofito, definitivamente, eu não tenho nada a ver com o sumiço daquela pacoteira de fumo! Elza is not my name!), os mexicanos gostositos, os africanos colocaditos e outros paulistitas fofos que não via há algum tempo! Depois, ainda meio crazy da minha pussy porque o Cecezinho me proibiu de dançar com o Benjamin Zephaniah, dei uma chegadinha no after da boate Porão... Ah, fofitos... Jogue a primeira língua de sogra quem nunca se acabou de dançar ao som de "Oh, oh, oh, ooooh... I love the night life... a love the boogie... on the disco arooooooound..." O Cecezinho aproveitou que eu estava meio alta e me fez participar de uma lap dance com ele, na frente de todo mundo... I’m sorry, but não sei se cospi ou engoli... Uiiii!... Quando cheguei ao hotel... meio destruidita, zumbizita e com meus óculos Jackie O... ainda tive que receber um senhor que se dizia Testemunha de Geová e queria ter um blá blá blá com euzita... Well, como mesmo colocadita... sou uma girl educadita e from Sacre Couer de Marie... ouviiiii e tratei bem o fofito... Ele falava, falava, falava... Ah, fofitos, ninguém deve tratar mal um bofito que vem à sua porta dizer que Jesus te ama!... All we need is love... já diziam os besouritos de Liverpool! Terminou a FLIP 2006... Começou a de 2007... Eu e Cecezinho?... Well, a gente vai levando... Euzita, bem mais do que ele (abafa!)... Beijitos no heart!

 

20 agosto, 2006

Escatologia pura, sem mistura
Por Fran Pacheco

Não tem como escapar, simpatia. Muito menos fugir do desagradável e mal-cheiroso assunto. Com todo mundo é assim, acontece periodicamente (ou não, se o sistema não estiver funcionando bem). Há quem adore (tem doido pra tudo), mas também há quem abomine e até sinta vergonha. Mas tem como escapar não, ô artista. Até mesmo o homem mais rico do Brasil ou a top-model mais glamourosa têm que fazer. Portanto, relaxa, madama. Resista ao compreensível embaraço e curta cada movimento desta sinfonia fisiológica.

De quando em quando, portanto, vossa senhoria é afetada por aquela necessidade básica, vindo de dentro, e se sente compelida a procurar o lugar adequado para tomar as providências cabíveis. Em sociedades primitivas a coisa se fazia a céu aberto, em público mesmo. Até que tomamos vergonha na cara e passamos a fazer às escondidas, como convém, num recinto adrede construído para esse fim. O negócio então é chegar com a fleugma de que não quer nada e perguntar (discretamente) onde fica o tal lugar. Alguém treinado para isso provavelmente lhe dirá (discretamente), “terceira portinha à esquerda, lá no fundo do corredor”.

Finalmente sozinho, apartado do burburinho lá de fora, você pode respirar fundo, enxugar o suor frio da testa, perder a vegonha de si próprio e mandar ver. Há quem afirme não ser necessário tapar o nariz (seríamos imunes à nossa própria porcaria).

Consumatum est? Então pode olhar, ainda que de soslaio, para examinar a aparência da coisa. Há quem se detenha longamente, contemplando admirado. Freud explica. Melhor é simplesmente apertar a tecla CONFIRMA e dar o fora o quanto antes. Viu como votar nesses políticos que estão aí não é nenhum bicho de sete cabeças? E não caia na generalização barata de dizer que é tudo a mesma merda. Com a prática, você perceberá as diferenças. Mas só com a prática, porque no momento, meu chapa, nem de merda o brasileiro entende.


 

Cinco blogs que fizeram História
Por Stella Maris - especial para o Club

Se você ficou de mouse caído com a desenvoltura com que Zé Dirceu, Roberto Jefferson e Mahmoud Ahmenidjad (sim, aquele presidente iraniano que dorme com um hitler de pelúcia) pontificam no mundinho dos blogs, é porque ainda não viu o que seus antecessores andaram aprontando em priscas eras virtuais. Confira alguns exemplos garimpados do aterro sanitário da História:

Blog do Capone
Direto de Chicago, o famoso abastecedor de biritas, amante das artes e sonegador desastrado tecia considerações e piadinhas diárias sobre propinas, ópera bufa, bedidas, execuções e muambas em geral. Criou um método gerencial e contábil até hoje copiado por empresas como a Daslu. Seus posts “Por que amo a Lei Seca”, “Como batizar um bourbon”, “10 dicas super úteis para um massacre” e “Caruso é o que há” deram o que falar. Capone dava aos leitores mais destemidos o direito de deixar críticas e xingamentos na caixa de comentários – mas se reservava o direito de jogar seus cadáveres no fundo do lago, depois. Por ter sonegado a conta do provedor de acesso, caiu em desgraça na comunidade virtual, tendo que postar no fim da carreira direto do cyber café de Alcatraz.

Blog do Bonaparte
Quando não estava ocupado fazendo os prussianos pedir penico em Austerlitz ou tentando afogar seu diminuto ganso na imperatriz Josefina, Napoleão aproveitava para atualizar seu blog – um dos mais temidos do Velho Mundo. Metade dos exércitos continentais entrava em alerta máximo quando o pequenino blogueiro corso anunciava ter acordado “com o ovo virado”. Seu post “Que será que tem em Lisboa?”, embora fosse provavelmente uma citação ao filme Casablanca, foi o bastante para provocar a fuga desabalada de D. João VI, o Obrador, para o Brasil. Bonaparte acabou viciando-se em navegar durante o expediente, o que lhe custou a derrota para o desplugado Duque de Wellington, em Waterloo. Consta que no fragor da batalha Leãozinho estava num chat pra lá de animado com o velho Marquês de Sade (daí a expressão “blogar na posição em que Napoleão perdeu a guerra”). Morreu amargurado em Sta. Helena, cloaca africana sem acesso à Internet.

Blog do Pôncio
O blog do barnabé romano P. Pilatus ganhou súbita notoriedade após ter recebido a ilustre presença do Maior Psicólogo do Mundo. Pôncio até então era conhecido apenas nos círculos íntimos romanos por ser chegado num TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), lavando as mãos e as partes várias vezes ao dia (e postando a respeito!). Sua célebre enquete “Quem vocês mandariam para a cruz?”, bateu todos os recordes de acessos na Judéia, verdadeiro milagre para a época. Marcou a História dos blogs em Antes e Depois.

Blog do Rasputin
Mistura exótica de Paulo Coelho, Waler Mercado, Porfirio Rubirosa e John Holmes da dinastia Romanoff, o sinistro Rasputin mantinha um blog de auto-ajuda, consolo e agendamento de favores voltado para beldades, princesas, grã-duquesas, tzarinas e o diabo a quatro (“o que vier, eu traço”). Macaco Lenine foi certeiro em seu site de humor bolchevique: “Todo nobre russo é um corno em potecial diante de Rasputin. Rárárárá!”. Antes de ser colocado fora do ar por spammers com dor na testa, o brujo foi um dos primeiros a revelar que o Czar e o Tsar eram a mesma pessoa (dando início ao escândalo que culminou na Revolução Russa). Seu famoso joystick está conservado no Museu do Sexo de São Petesburgo.

Fotoblog da Lu
A espevitada socialyte Lucrecia Borgia, autora do bordão “Ai! Que mandrágora!” foi figurinha carimbada nas maiores noitadas de arromba da Renascença – sempre munida de uma camera oscura de 5 megapixels bolada por Leonardo Da Vinci. Clicou de um tudo: envenenamentos, defloramentos, empalamentos, venda de indulgências papais e, lógico, surubas vaticanas de fazer tremer as catedrais. Seu post que mais rendeu bafafá foi o “Virgo intacta sum, e daí?!!”, com o qual desfez seu casamento com Sforza, o Broxa (apesar de flagrada pela seita dos paparazzi com um barrigão de seis meses). “Nunca houve uma mulher como Lucrecia”, gemia seu pai, o Papa Alexandre VI, o Fornicador. “Concordo”, arrematava seu irmão, Cesare Borgia, o Animal. “Altezas, ainda caberia nessa cama um humilde servo?” perguntava Maquiavel, o Marqueteiro, leitor compulsivo do blog.


 

As formigas
Por irmão Paulo

Há uma história que gosto da Lygia Fagundes Telles, de quem não gosto, na qual duas estudantes de medicina, ou coisa que o valha, descobrem, debaixo da cama do quarto que alugaram, uma caixa com os ossos de um anão. Todas as noites, miríades de formigas arranjam os ossos, reconstruindo o esqueleto, e todas as manhãs as estudantes voltam a desarruma-los e guarda-los. Após o espanto inicial, e após descobrirem a força misteriosa que arruma os ossos, as "moças" tomam afeição pelas formigas, pelos ossos e, talvez, pelo trabalho de guarda-los diariamente. Um dia, uma delas dorme demais e quando acorda percebe que na formação do esqueleto só falta o fêmur.

A quadrilha de formigas desbaratada, com trocadilho infame e tudo, pela Polícia Federal é de um tipo de saúva, saúba no dialeto local, transgênica, mais esperta que as formigas da Lygia. Como as do conto, vamos à metáfora, as saúvas descobertas pela PF podem ter sido espalhadas agora, por uma ação pontual e desnorteada, mas se organizarão novamente e montarão novamente o esquema de corrupção que funcionou tão bem. Corrupção que é o verdadeiro esqueleto no armário de nossa democracia.

E tome metáfora! Como a estudante do conto, as instituições encarregadas de fiscalizar e controlar as contas públicas dormiram no ponto e quando a PF, que nem é tão encarregada assim, acordou meio por acaso, o esqueleto – neste caso um gigante - já estava quase completo. Quanto àquelas instituições, ao que parece, mesmo com esse sacolejo da PF, continuam em modorrenta hibernação. Legislativo e Tribunais de Contas permanecem mais preocupados, respectivamente, com a reeleição de seus membros ou com a próxima nomeação de um parente; e todos em encontrar novas formas de obtenção de benesses dos governos.

Olha já, diria o caboclo, a ação policial foi por acaso, foi desnorteada? E por qual razão nada vai mudar? Ora, ora, não ouço estrelas nem perdi o senso, caro leitor. Ocorre que, como na finada e insepulta Operação Albatroz - que atirou na lavanderia de dinheiro do Cordeirinho e acertou na fábrica, os meganhas da PF desconfiaram de algo na área de gêneros alimentícios por causa de uma operação para abater patrulheiros rodoviários. Foi desnorteada porque ninguém parece entender a jurássica dinâmica das compras públicas, ou teriam capturado muito mais insetos (se formiga for insento); sou informado de que os processos de compra sequer foram apreendidos, muito menos periciados e escarafunchados como deveriam ser. NADA VAI MUDAR. As formigas dispersadas e mortas serão substituídas por outras – que já estavam na fila aguardando a vez. Não importa que os governos desmontem os esquemas, porque os esquemas são mais perenes e ultrapassam os governos. Vejam, para dar outro exemplo, o caso da Tumpex em Manaus – que amacia prefeitos desde que por cá chegou, na década retrasada.

Eu e a torcida brasileira nos perguntamos se já não está na hora de investigar diretamente as grandes contratações públicas. Por trás de uma grande licitação há sempre um grande comilão. Ou vários. Dica da velha alma penada aqui: obras de engenharia, fornecimento de medicamentos e limpeza pública, pelos grandes valores envolvidos, certamente são setores fraudados e corrompidos sistematicamente no Brasil, em todas as esferas e Poderes.

 

19 agosto, 2006

Surfando nas ondas culturais de Paraty (III)
Pela nossa caravana de transviados especiais

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Depois de ser corneado por um negão, Cecezinho resolveu marcar a Hedôzinha de perto.


SÁBADO, 12 DE AGOSTO

10h - Mesa 11 - Do amor e outros demônios
André Sant’anna, Lourenço Mutarelli, Reinaldo Moraes

Éden, edenias & edenidades. Amor, sexo, escatologia. Paca, tatu, cotia não. Erotismo e humilhação. Desbunde e melancolia. Narradores anônimos, míopes ou fragmentários. João Grande Ser Tão Veredas. Sertanejo leal sem ânimo competitivo sem jagunçagens sincero sério sereno sertanejo leal devagaroso destes que aprenderam a ler o escrito das coisas licenças rogando ramo jasmim branco sem peçonhas cheiroso nas todas duas mãos por trás sem figurar fera escrita parecença nenhuma se sabendo vezeiro nos usos fiduciais desusados defronte dos ditos amigos ex-critores, assustados com o leão do meu coração. Alegria para apreciar as coisas. A prosa dos instigantes escritores Reinaldo Moraes (Tanto faz, Umidade), André Sant’anna (Amor, O paraíso é bem bacana) e do premiado cartunista Lourenço Mutarelli (O cheiro do ralo, O natimorto) se desenvolve num fluxo ora caudaloso, ora taquigráfico, mezzo aliche, mezzo calabresa, expondo a superficialidade, a violência, os impasses e os paradoxos das relações humanas. Nietzsche faria o mesmo, se aqui baixasse. Noutro sentido, mais táctil, menos duráctil, são textos de lumpendelirantes e pós-caudatários do grande romance Ilusões perdidas ou Recordações da casa dos mortos. Morte dos valores liberais (a festa acabou...) e sacação dos swinguinificados novos. SIMdrome/NÃOdrome de poetas gabarros: demarcando o tamanho do círculo que vou dançar no centro, minha fé: vou morrer no momento certo. Minha fé: vou durar o tempo certo para desenrolar ainda algumas coisas no mundo. Durante certo tempo: quietude ESTADO DE GRAÇA LUZ DE DEUS se movendo em meu rosto coração se expandindo nos afetos afinidades – nenhuma raiva, só satisfaction. When I’m drivin’ in my car and that man comes on the radio, He’s tellin’ me more and more about some useless information, supposed to fire my imagination, I can't get no, oh no no no. Hey hey hey, that’s what I say. Provisória precária alegria. Hello crazy people. Nos beirais dos telhados, andorinhas. A manga rosa, Maria Rosa, Rosa Maria Joana... A doença infantil do drop-out leftista. É a sua presença, Torquatália! Eparrei!


11h45 - Mesa 12 - Muitas vozes
Ferreira Gullar, Mourid Barghouti

Histórias sobre o exílio e o regresso sempre acompanharam a humanidade. Sofrer à distância é coisa de guerrilheiro macho (Fidel em Miami e depois desfilando solenemente pelas ruas de Havana). Guerrilheiro viado vira logo porteiro de sauna gay (Gabeira em Estocolmo e depois com a sunga de crochê da Leda Nagle no Posto Nove de Ipanema). Esta mesa redonda reuniu dois poetas extraordinários que souberam fazer da experiência do tempo passado, do banimento e do risco da perda das raízes matéria viva do poema. Há trinta anos, Ferreira Gullar escrevia no exílio o Poema sujo, uma reflexão vigorosa e penetrante sobre a infância, a perda e o resgate. Turvo turvo a turva mão do sopro contra o muro escuro menos menos menos que escuro menos que mole e duro menos que fosso e muro: menos que furo escuro mais que escuro: claro como água? Como pluma? Claro mais que claro claro: coisa alguma e tudo (ou quase) um bicho que o universo fabrica e vem sonhando desde as entranhas azul era o gato azul era o galo azul o cavalo azul teu cu (esse poema é a cara da Hedôzinha...). O taliban Mourid Barghouti viveu três décadas distante de sua terra, a Palestina, antes de finalmente retornar. Em Eu vi Ramallah, o autor narra as memórias de seu retorno de modo lírico e comovente. O exílio é a morte, diz ele. “Desde aquele verão comecei a ser estrangeiro, uma condição que sempre pensava ser a de um outro. O estrangeiro em que nos transformamos vive, essencialmente, naquele pedaço escondido e silencioso dentro de si, sem encontrar conforto em lugar algum. Desprezam-no por ser estrangeiro ou têm pena dele porque é estrangeiro, e isto é mais cruel do que aquilo.” É por isso que ainda prefiro os poetas aos escritores: a viadagem entre os primeiros é verdadeiramente ínfima. Com exceção dos pretos safados, evidentemente, que fazem dub poetry nos puteiros de Kingston a troco de ganja. Falando nisso, a sirigaita da Hedôzinha, que deve estar sofrendo da síndrome de motosserra (não pode ver pau em pé que já cai matando!), não perde por esperar. Vou picotar sua cabeleira loura, pintar de negro (a recorrência inconsciente ao preto safado já está me tirando do sério) e marcar de perto. Potrancas selvagens a gente ensina a se comportar é metendo as esporas. Nos dois buracus.


17h - Mesa 14 - O último leitor
Ricardo Piglia

A virtude é a mãe do vício conforme se sabe; acabe logo comigo ou se acabe. A virtude é o próprio vício – conforme se sabe – estão no fim, no início da escada. Chave. Chuva da virtude, o vício, é conforme se sabe; e propriamente nela é que eu me ligo, nem disco nem filme: nada, amizade. Chuvas de virtudes: chaves. A crítica literária pode ser uma forma de autobiografia? Pode, conforme se sabe. O escritor argentino Ricardo Piglia propõe essa questão em suas notáveis reflexões sobre as grandes obras da literatura. Ri muito. Amar-te/ a morte/ morrer. Há urubus no telhado e a carne seca é servida: um escorpião encravado na sua própria ferida, não escapa; só escapo pela porta de saída. “Escrever ficção muda a maneira como lemos, e a crítica que um escritor escreve é o espelho secreto de sua obra”, diz Piglia em Formas breves. Ri muito. A virtude, a mãe do vício como eu tenho vinte dedos, ainda, e ainda é cedo: você olha nos meus olhos mas não vê nada, se lembra? Nesta tarde-noite excepcional, um dos mais respeitados romancistas e críticos literários da Argentina, autor de Respiração artificial e O último leitor, avaliou em que medida “o crítico encontra a sua vida no interior dos textos que lê”. Ri muito. A virtude mais o vício: início da MINHA transa. Início fácil, termino: Deus é precipício, durma, e nem com Deus no hospício (durma), o hospício é refúgio. Fuja. (Sei lá, mas desconfio que o Batatinha andou misturando alguma coisa – cânhamo? ópio? mescalina? titica de vaca? – na minha ração diária de cogumelos frescos com tofu, ricota e arroz integral. Que viagem, bró! Ri muito!)


19h - Mesa 15 - Nas fronteiras da narrativa
Ali Smith, Jonathan Safran Foer

Ai, fofitos... Sabe aqueles dias que até uma loura linda-up-to-date-tudo se olha no espelhito e... uó!!! Aí ela apela: espelhito mágico... espelhito meu... Quem é mais bonitita que eu?... E o espelho te dá uma lista de peruas que dá para encher três maracanãs e um morumbi?... Eu tava assim nessa friday night... Meio jaburutita... Meio guabiruzada... Meio Mortícia... Meio Madame Min... Olheiras avilosas, cabelo ruinzito e uma espinha na minha testa deformando essa face alva que God me deu!... Culpa do meu dear-friend rastafari (Seu Sete da Lira, para os ultra-íntimos... Sete?! Parece conta de mentiroso, mas foi isso mesmo... Sete vezes sem tirar de dentro... Abafa!!!)... Tchudo bem... respirei fundo, coloquei "Beautiful" da Christina Aguilera no iPod e me auto-convenci: You are beeeeeautiful, no matter o que esse espelhito uó diga!!! E fui toda poderosa conferir mais um papo-cabeça em Paraty... Para ti, para mim, para nós... O livrito de estréia de Jonathan Safran Foer, Tudo se ilumina, e sua continuação, Extremamente alto, incrivelmente perto, são o must da ficção contemporânea... Li de cabo a rabo (ui!)... Já em romances como Hotel World e o premiado Por acaso, Ali Smith explora os limites da narrativa literária... Muito veneno destilado... Muito sugar baby love! (The Rubettes não era o máximo?...)... O chato foi ver minhas amiguitas pocheteiras amando e dando vexame durante as sessões de autógrafos... Os dois escritoritos ficaram na maior saia-justa, chamaram a polícia, maior frisson... Olha, fofitos, é assim mesmo... Esqueçam as barbies se beijando de língua e desviando a atenção do people! Eu adooooro elas, mas às vezes minhas amiguitas inchadas são uó! Claro, existem barbies superfofas e do bem... Tente achar uma dessas no meio do populacho... ou senão... Que tal uma Susie? Uma fofolete? Um pula-pirata? O negócio é be yourself!!! Ainda não inventaram anabolizantes que dão personalidade, carisma e um beautiful heart! Ai, que lindo isso... Mulher de peixes, né?... Conselheeeeeeira... Tô me sentindo Cinira Arruda... Abafa! Quando entrei na fila to buy my books, levei um catiripapo uó que me deixou zonza... Cecezinho estava possesso querendo praticar tiro ao alvo no Seu Sete da Lira... que, aliás, saiu correndo e, pela velocidade, já deve estar em Kingston! Euzita? Fiz a egípcia e fingi que não conhecia... Please, tenho um nomezito a zelar... E se vocês acham que isso é barraco de corno manso... Rá, rá, rá... Não imaginam o que ele fez comigo no banheiro depois do fuá... Quase que eu chamei um exorcista, o padre Quevedo, uma mãe-de-santo, o Walter Mercado, o padre Sérgio... Cecezinho estava overdosado de MDMA, benzina e viagra... De repente cismou que eu era uma seringueira, prima em 2º grau do Chico Mendes ou da Marina Silva, não entendi bem... E que a gente tava participando de um empate em Xapuri (AC)... Éeééééé!... Cecezinho quis me obrigar a tirar leite do pau!!! Só aceitei participar da experiência mística depois de receber mais três caitiripapos uó, que me deixaram zonza... Felizmente, depois de duas horas de canguru perneta, ele desistiu da brincadeira e foi biritar com o Piauí... Mas me deixou toda assada... Ai, que vexame!

 
Surfando nas ondas culturais de Paraty (II)
Pela nossa caravana de transviados especiais

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Depois de passar dois dias vendo a coisa preta, Hedôzinha foi entregue em domicílio.


SEXTA-FEIRA, 11 DE AGOSTO

10h - Mesa 6 - Prosa, política e história
Alonso Cueto, Luiz Antonio de Assis Brasil, Olivier Rolin

A boa literatura, assim como a boa trepada, é um espelho que reflete nossas experiências individuais e coletivas. Pense numa suruba com dois cialis na cabeça e meia-dúzia de escravas etíopes (aquele preto velho detonando a Hedô não me sai da cabeça...). Ou tente ler Sören Kierkeegaard com 15 mojitos na moringa dentro de um ônibus superlotado de farofeiros a caminho da praia. Sim, essas experiências extra-sensoriais são só para os loucos, só para os raros. Pois bem: nessa orgia lítero-alcóolica onde fui debatedor/rebatedor (o taco de beisebol presenteado pelo Joe Di Maggio tinha que servir para alguma coisa...), três autores que utilizaram a ficção para recriar eventos históricos e atuais discutiram o papel da literatura na compreensão da política molusca e da história tucana, tanto no pretérito passado como no futuro do presente. A margem imóvel do rio é um dos romances históricos de Assis Brasil em que, nas palavras de um crítico, “ao invés de sair do Brasil o autor entra nele como em uma geografia misteriosa”. Devia ter se afogado na merda, o infeliz. Ele queria o quê? Que o rio fosse imóvel e a margem corresse?... (Hummm... Será que a Hedô gozou?... Não creio... Preto velho tem muito bodum...) Autor de Grandes miradas e A hora azul, relatos perturbadores do Peru contemporâneo, Alonso Cueto é um escritor fissurado em inovar. Aliás, na língua quíchua, cueto é uma corruptela de “cu estreito”. Quando em contato com Peru, pode realmente sofrer algumas fissuras. Inclusive a fissura de dar o cu. Com esse sobrenome, não paga dez que o Afonso atraque de popa. Já entre os romances de Olivier Rolin, que se baseiam em memórias da França nos anos 60, se encontram Porto Sudão e Tigre de papel. Ou seja, apesar de ter um caralhinho no nome o sujeito tem toda a pinta de que senta em cadeira ocupada. Esse negócio de os príncipes do Sudão, a mulher do Conde D’Eu e a rainha de Bagdá é coisa de gaúcho, digo, de viado, desde meus tempos de pirralho no grupo escolar Euclides da Cunha! Pô, Fran, não agüento mais cobrir (no bom sentido) esses escritores perobos... Aliás, vou perder uma boca-livre hoje à noite com meia-dúzia de estagiárias do JB porque o DJ é um tal de Junior Vasquez, que tem todo baque de qualira! Falar nisso, cadê a cadela da Hedôzinha?!

12h - Mesa 7 - As matérias do romance
Carlos Heitor Cony, Ignácio de Loyola Brandão, Miguel Sanches Neto

Minha língua – mas qual mesmo minha língua, exaltada e iludida ou de reexame e corrompida? – quer dizer: vou vivendo, bem ou mal, o fim de minhas medidas; quer dizer: minha grande paixão literária é um assunto sem valor; quer dizer: meu tom de voz não fala mais rouco; quer dizer: três escritores de gerações diferentes, cada um com seu estilo singular crepusculino-amaralino, encontraram-se para ler e conversar sobre os caminhos da criação literária. E se apóiam numa escrita anti-reticente. Vantagem é ser reticente neste século generoso. Vã chantagem é ser irônico com a generosidade deste século. Com a generosidade diabólica deste século de luzes. A ficção de Carlos Heitor Cony (Pilatos, Quase-Memória) flerta com o memorialismo, mas vai muito além dele, pois os temas que aborda vão do mais intimista e subjetivo ao político e histérico, ao poético e histórico. Vergonha do estilo próprio, fraqueza de suportar este espetáculo sem condimentos. Luz atlântica: falso nome de coisa nova. A obra de Loyola se consolidou durante o regime militar, a que faz alusão numa prosa descarnada e fragmentária de Zero e Não haverá país nenhum, romances marcados por um realismo feroz e violento, reflexos também da brutalidade da vida brasileira. A representação do obscuramente sombrio, da curtição enquanto valor dos esgotados, da libertinagem com as migalhas do poder, da dissipação de forças, da queda na servidão, do jogo com a própria vida pra ver no que dá. Plareira pala ou paródia? Paródia caipira. Em outro tom, mais memorialístico e compassado é o relato A veia bailarina. Um título boçal de suplemento provinciano. Um texto antigo. Les illusiones perdues... Educação sofrida... Na obra de Miguel Sanches Neto (Chove sobre a minha infância, Venho de um país obscuro) predomina a relação entre invenção e registro autobiográfico, trabalhada com lirismo. Retrato do artista quando jovem na tradução portuguesa. A portrait of the artist as a colonized old man. Medo da contaminação. Tudo isto cheira século dezesseis. Tudo isto cheira século dezessete. Tudo isto cheira século dezoito. Tudo isto cheira século dezenove. Sim, vou cheirar também essas duas carreirinhas. CHUÉ. Meu olhar amansa qualquer animal. Porra, Piauí, esse brilho foi malhado. Manera, fru-fru, manera.

15h - Mesa 8 - Conferência Zé Kleber: literatura e política
Tariq Ali

Maior barato: tocaram o apito do fim do recreio exatamente enquanto a moçada descobria, como uma pancada na nuca, que a literatura tem o seu lado. Mais uma vez a FLIP homenageou Zé Kleber (1932-1989), querido poeta, ator, músico, cineasta e político de Parati. O desvairado utopista da nação Arembepe. Na palestra deste ano, o romancista e ensaísta Tariq Ali, principal intelectual de esquerda da Grã-Bretanha e editor da revista New Left Review, deitou falação sobre a complexa relação entre as esferas literária e política. E enquanto Tariq fechava o papo europeu, fundindo a cuca para suicidar-se à romântica, Zé Kleber, nossa prata de casa, procurava e não podia encontrar soluções para os amigos febris deste lado do mar, entre a cruz e a caneta na mão. Salve-se quem puder etc. e tal, e agora é o que se vê: adeus ideologia dos três mosqueteiros, adeus que não tem mais jeito. Cada um por si e pronto: um livro inédito na mão e uma tese à guiza de desculpa. Quem pediu? Qual seria a função da literatura, já considerada um veículo de mudança política e social nos dias de hoje? Até que ponto a política se reflete na ficção? Os trabalhos de não-ficção mais recentes de Tariq Ali são Confronto de fundamentalismos e Bush na Babilônia. Quem vai ler? O Hezbolah de bode? O best-seller As novas faces do império foi lançado na FLIP. E daí? Alguém vai ler com olho móbil? Sei, sei. Em meio à arrancada geral Zé Kleber, muito vivo, também se arrancou – mesmo quando veio pro clube já havia se arrancado. Agora já foi. Pode transar à vontade por aí. Pode até voltar: já não será mais a velha sopa de colher para os meninos. Ou será, ou não será – não interessa mais. Zé Kleber foi o poeta máximo da consciência brasileira em transe e isso já passou, bonecos. Tudo é perigoso. Tudo é divino-maravilhoso. E pra encerrar o papo deste dia feio, um nome só: Ingrid Bergman. É linda demais. É muito linda. Desmaiarei em breve. Aguardem.


17h - Mesa 9 - Profissão repórter: a arte da reportagem
Lillian Ross, Philip Gourevitch

Aaaaaaai... tou exausta... pleaaaaase, deixem uma garota loura e up-to-date descansar um pouco! E eu amei esse evento dedicado à arte da reportagem, com a participação de dois jornalistas fofitos que moram no meu heart!!!... “Acho que a reportagem e o relato de fatos são uma forma imaginativa,” sapecou Philip Gourevitch, editor da publicação The Paris Review e autor do livro Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias, que narra o massacre dos tutsis pelos hutus... Hedô também é cultura... Abafa!... O bofito-escândalo conversou com a lindita Lillian Ross, lenda-viva do jornalismo narrativo e baluarte da revista norte-americana The New Yorker... A Lili (para os íntimos) traz no currículo (ui!) alguns livros clássicos como Reporting e Filme... Te mete!!!... Sei que o Cecezinho vai me odiar (e eu amo aquele cafajeste!!!), mas depois do bate-papito rolou jogação totaaaaal na party de Mr. Junior Vasquez, special guest do clube “Sui Generis”, o hot-hot-hot-point de Paraty... E o que é Junior Vasquez?... Euzita e meu dear-friend Benjamin Zephaniah (Seu Jorge, para os bem íntimos... Abafa!...) desvendamos o secret do amiguito de Madonna: o som dele não segue uma tendência... Não é coerente... Ele te surpreende! Tá tribal... de repente, vira house-baba... Tá house? Lá vem um hard-trance... É como se elezito dissesse: "Aaaah... vou colocar isso aqui... Tou afim! Eu sou tudo! Eu posso... Dancem se quiserem, bibetes!!!" E todo mundo dança! Porque é tudo muuuuuuuuuuuuuito bom... Uma viagem...Uma viagem inesquecível! E LAST DANCE ao final... Quem imaginaria? Foi perfeito! Sorrisos, abraços, palmas... Um show! E foi muuuuuuito bom reencontrar friends tão queridos... RR, SC, PA, SP, BH, USA, México, Espanha... E também conhecer pessoitas novas e fofitas from Jamaica, Canadá, Alemanha, França, Holanda... Ééééé... Uma coisita united colors no ziriguidum!!! E teve a mega-hiper-super-party-Anos-70 no Eh Lahô com o fofito carioca Ricardo Lamounier e seus remixes antológicos... E teve também a grande surpresa dessa FLIP: Big Boy e Ademir no after do Porto da Pinga!!! Os fofitos tocaram como nunca tocaram antes! Nem nos áureos tempos do Le Bateau ao vivo ou nos Bailes da Pesada no Canecão... Eles fizeram mágica... Misturaram Daniela Mercury-tribal... com The Promise... Jackson do Pandeiro... com Ramones... Jorge Bem... com Erasure... Aguinaldo Timotéo... com Roxy Music... e ainda mandaram uma versão ma-ra-vi-lho-sa de "Killer", do Seal... Tudo foi de muuuuuito bom gosto... As bibetes deliraram!!! Congratulations, linditos! Você foram top top top top!!! E quero mandar um beijito muuuuuuuuuito especial para um lindito que tá longe (ele odeia bibetes, qualiras, frangos e escritores, nessa ordem!)... Mas que, tenho certeza, tá pensando muito em Ishtar All Star... Por falar nisso... Acho que vou ligar pra ele! Ai, ai, ai, Embratel... Será que ele ainda me quer?...

 

18 agosto, 2006

Surfando nas ondas culturais de Paraty
Pela nossa caravana de transviados especiais


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Seu Jorge meteu a capadócia na volúvel Hedôzinha.


QUARTA-FEIRA, 9 DE AGOSTO

21h30 - Show de abertura
Maria Bethânia

Barbra, Celine, Gloria, Whitney, Madonna, Elton John que me perdoem... Mas não existe cantora mais gay e com glamour que Maria Bethânia!!! Fofitos, ela é uma espécie de mulher-traveca... sem a parte da dublagem, porque Miss Mana Caetano canta muuuuuuuito. E dá uma pinta basiquita que é um luixo. Muita pluma, muito brilho, muito glamour e o estoque completo dos produtos Lancôme na cara! A primeira musiquita que ouvi dessa fofita foi "Carcará.... pega, mata e come". Foi love at first ouvida... Que gogó... Que pintosa! Não é à toa que 10 entre 10 drags de pedigree já dublaram essa poderosa. Ela abala Sucupira, Saramandaia e adjacências... Uhhhm... que cheiro de queimado é esse? Ai! Meus brigadeiros!!! Fui, liiiiinditos!

QUINTA-FEIRA, 10 DE AGOSTO

10h - Mesa 1 - Invenções do interior
Maria Valéria Rezende, André Laurentino, Juliano Garcia Pessanha

Olhando de fora pra dentro, “interior” é geografia, mas também subjetividade, campo semântico da orgia, todo mundo nu com as mãos nos brotos. Um lugar no mapa ou o fundo da mulher amada - sem calcinha, evidentemente - quando fica na posição de lótus. É entre esses interiores e seus conflitos que nasceram, física e literariamente, escritores tão distintos quanto os reunidos nesta mesa ginecológica. A diva Maria Valéria Rezende encena em “O vôo da guará vermelha” as esperanças e desejos de dois personagens que, vindos do interior, encontram-se na cidade grande, cenário da busca metafísica de Juliano Garcia Pessanha em livros como “Ignorância do sempre”. Em suma, coisas de viado. Já “A paixão de Amâncio Amaro”, estréia literária de André Laurentino, se passa no sertão pernambucano, mas é em outros interiores que circulam seus delicados personagens - todos viados, evidentemente. Se eu não tivesse trazido a Hedô para carcar depois, teria ficado na mão. Como tem viados-escritores e escritores-viados por essas bundas, digo, bandas, meu cumpadi! Varei!


13h - Mesa 2 - Vozes em verso
Astrid Cabral, Carlito Azevedo, Marcos Siscar

Encontro marcado de três premiados poetas de dicção própria. Poetas apropriados no momento propício. Muito além do pas-des-deux da diversidade da lírica brasileira contemporânea. A Amazônia de Astrid Cabral (De déu em déu, 1998, Rasos d’água, 2003) é uma presença forte em sua obra, que se distingue pelo olhar crítico sobre o cotidiano, o tom coloquial e a indagação metafísica. Uma poetisa apropriada, por supuesto. Apropriação - papo apropriado: arrogância do grande artista. O grande artista sugando a seiva de todo mundo. O grande artista - único corpo balançando. Escrever uma frase inteira sobre a dor. O grande artista subindo. Como numa caverna. Numa caverna a caveira do grande artista. FRASE VERDADEIRA: cai sobre mim abate sobre mim o peso da minha imbecilidade. Trabalho e dinheiro. Sucesso na vida. UM DEUS GUIA MINHA MÃO (para todo o sempre ou voltará ela a tremer atraída pelo período anterior?). Você é o lado mais claro do mundo. Início da viagem, Ulisses dentro do barco (tapando os ouvidos contra as sereias): - meu barco vai partir num mar sem cicatrizes. São esses traços também marcantes no trabalho de Carlito Azevedo (Collapsus Linguae, 1991, Sublunar, 2001) e de Marcos Siscar (O roubo do silêncio, 2006), cujas poesias procuram estar à altura do fervilhamento da vida e de seus múltiplos estranhamentos. Apoteose a Prometeu: odeio fraqueza odeio gente fraca odeio pessoas fedendo a cervejas odeio fracassados. Amor devoção fé absoluta e total. Campo de concentração: reeducação pelo trabalho permanente. Aperta outro, Piauí!

16h - Mesa 3 - Homenagem a Jorge Amado
Myriam Fraga, Alberto da Costa e Silva, Eduardo de Assis Duarte

Chuva miúda não mata ninguém. Tudo barra limpa e todos os sinais devidamente abertos. Para homenagear Jorge Amado (1912-2001), autor de clássicos inesquecíveis como “Gabriela, cravo e canela” e “Dona Flor e seus dois maridos”, e que estaria completando 94 anos neste dia, três intelectuais discutiram seu legado literário. Alberto da Costa e Silva, poeta, ensaísta, membro da Academia Brasileira de Letras e grande especialista em assuntos africanos, Eduardo de Assis Duarte, autor de “Jorge Amado: romance em tempo de utopia”, e a escritora e biógrafa, Myriam Fraga, diretora da Fundação Casa de Jorge Amado, em Salvador. A discussão foi quente. Quente por causa dos temas quentes como acarajé saindo da frigideira e quente pela temperatura geral da platéia (convidadíssima), subindo, subindo, queimando, queimando e pegando fogo. Cecezinho, por exemplo, foi um que esfriou bastante, mas em matérias de exceções Cecezinho sempre se dá muito bem. Hedôzinha me deu um beijo, o poeta Sailormoon, de longe, elogiava. Classe A, artistas & poetas, fotógrafos e cronistas, atores e atrizes, Classe B, classe 2ª, jogadores e futebolistas, marginais e pirados, copidesuqes, cineastas, vampiros e mocinhas, amor & tara, os divinos e os repelentes, os deuses e os mortos, os morto-vivos e os vivíssimos, publicitários e mecenas, amantes, desamantes, diamantes, carreiristas, bafonzeiros e desocupados, o tout-Rio de cima e o tout-Rio de baixo, caras limpas e caras bem quebradas, todo mundo lá, todo mundo firme nessa primeira grande mesa redonda da melhor literatura brasileira que este cronista comovido agradece só porque existe. Salve Jorge!


19h - Mesa 4 - Palavras da rua
Benjamin Zephaniah

Desconfie de qualquer filho da puta com excesso de melanina na pele, que se apresentar para você e sua mina dizendo ser poeta rastafari, DJ, dramaturgo, romancista, macumbeiro, vegetariano convicto e mestre de kung-fu. Um crioulo com esse currículo, chamado Benjamin Zephaniah, só porque sabe usar talheres direito e expressar suas idéias de maneira clara e direta, se transformou em quindim dos endinheirados no mundo literário britânico. O aprendiz de ganga zumbi da pérfida Albion superou as dificuldades de crescer em meio à discriminação racial de seu país e levou a experiência das ruas (cheirar cola, fazer malabares, bancar o avião) a livros de poesia como “Too black, too strong” e “City psalms”, além de romances como “Refugee boy” e “Gangsta rap”. Poeta premiado e leitor performático, Zephaniah ergueu uma voz enérgica e solitária em defesa dos pobres e marginalizados de Parati, sendo muito aplaudido. Não satisfeito, ainda levou a Hedôzinha para ver a coisa preta, depois de se passar por Seu Jorge (esse não, o outro) interpretando “Ponta de Lança Africano (Umbabarauma)”, em versão drum’n’bass. Aí, eu capo um safado desses, coloco no pelourinho, dou 23 chibatadas (é o número do meu sapato bico chato de um olho só, se é que me entendem), e no dia seguinte tem um monte de crioulos postando desaforos vulgares contra a honra da genitora do Fran Pacheco e de nosotros, quiçá, nos acusando de racistas, chauvinistas e torcedores do Vasco da Gama. Aquele Afonso Arinos era um bosta! E essa Hedôzinha, só matando! Varei!

 

17 agosto, 2006

Mais notinhas infames
Por Fran Pacheco

Negócio seguinte. Se fosse pra ganhar a vida analisando horário eleitoral gratuito, eu só topava mediante adicional de insalubridade. Fica a dica pro Deco, do Syndicate, pugnar por essa reivindicação. Uma exposição diária de 30 minutos à imagem daquelas ratazanas insaciáveis e lêmures sem noção pode causar danos irreversíveis, quem sabe até à libido do telespectador. Embora eu me garanta, melhor não arriscar. Confesso que vi, ontem. Talvez nunca mais. Minha libido (que testarei hoje mesmo chez Mata Hari) me dirá se continuo nessa atividade de risco. Ou não.

O Código Mestrinho
Em vias de extinção, o senador Boto Tucuxi lançou sua campanha na TV aboletado ao centro de uma grande mesa, ladeado por compungidos seguidores, num clima de fazer velório parecer baile do Municipal. Simbologistas da Universidade Táririh sacaram na hora que se trata de uma versão mestriniana da Última Ceia, repleta de mensagens subliminares (se a fita tocar ao contrário, o suplente Chico da Loteca diz claramente: “The Boto is dead, man!”). Só estranharam a ausência do Judas. Cadeirudo Braga alegou agenda cheia.

Todo poder ao Gumex
Impressionante o topete do mini-candidato Erasmo Amazonas. Com essa simples medida capilar o distinto deve ter acrescentado uns dez centímetros à sua, digamos, discreta estatura.

Paciência tem limite
O governador Cadeirudo enumera mil e uma maravilhas de sua gestão. Seu eterno antecessor, Capiroto Mendes, não fica atrás em exaltar seus feitos passados. Não dá para entender, portanto, por que o Amazonas nesses últimos vinte anos ainda não tenha virado a Noruega do Brasil - e insista em ser uma espécie de Piauí melhorado. Quanto tempo mais essa gente quer no puder, afinal?

Idéia fixa
Angelina Jolie e Wesley Snipes querem saber de Arturzinho se aquela lapa de boca é obra de medicina estética ou não. Problema é que no momento o menino (de look novo, by “Dr. Cabelo”) está obcecado apenas por uma tal de “inclusão digital”. Proctologistas e pediatras afirmam que essa fase vai passar.

O país dos carrapetas
Aparecer confinado numa foto não fez juz à expressividade do hiperativo J. Aquino, vulgo Carrapeta. Aliás, todo recém-formado que encher a boca pra dizer “eu sou Bacharel em Direito!” deve primeiro se lembrar do seguinte: “o Carrapeta também é!”

Run, Ronald! Run!
Ronaldo Tiradentes ainda deve explicações conclusivas sobre sua incapacidade de sortear os papelotes com os nomes dos candidatos no debate da CBN. “Amazonino pergunta para... Amazonino?!”, “Cadê o meu saco?!”, “V-vamos chamar os comerciais...”, “É... infelizmente não deu certo. Vai ficar assim mesmo!”, “Se a quantidade de candidatos fosse ímpar, não teria esse problema”. Depois dessa, Forrest, digo, Ronaldo, ficou cada vez mais difícil convocá-lo para comandar bingo de quermesse ou – mais difícil ainda – acreditar na existência de certo diproma de 2º Grau.

Requiescat in Pacem
Escorraçado da presidência regional do PV (Partido das Verdinhas). Confinado a míseros 29 segundos de tempo na TV. Destronado do posto de Peteleco pelo laranja-com-MBA, Paôlo D´Carli. Tantas fez o Beato Salu Plínio Valério que... acabou. Infelizmente nada mais teremos a falar sobre ele. A não ser em caso de uma nova e bem-vinda desgraça.

Virando lenda
A criançada na faixa dos 4 a 8 anos está louca para ver o Boneco Mapinguari do eterno candidato Barbosão em ação. Nesse ritmo, quando seu eleitorado puder votar (daqui a uns dez anos) ninguém segura o homem.

Golpe de mestre
Depois de encarnar um candidato a Terrível, no debate da CBN, o alucinado Artur Virgílio saiu-se com uma sacada genial: escalar a Miss Mundo Priscila Meireles (nham, nham), de âncora. Verdadeiro oásis naquele medonho vale de carrancas lombrosianas, Priscila (nham, nham) é até o momento o único motivo plausível para um não-masoquista assistir ao horário eleitoral. Esse Artur só pode estar querendo que a gente vote nele, o sacana.

A última ofensa visual
Alfredo Nascimento com o diabo no corpo, gritando, pulando e dando soco no ar, tal e qual um Pelé do Cangaço. Tudo isso em slow-motion. O Amazonas não merece ver essas cousas.

 

16 agosto, 2006

Desopilamento hepático gratuito (1)
Por Fran Pacheco

Eu sei que a coisa está preta e em matéria de humor, sacanagem e quejandos é praticamente impossível concorrer com aquela seleta turminha do horário eleitoral. Mas como nem todos os nossos cinco renitentes leitores têm estômago para aquele freak show, então vamos lá, essas rapidinhas são procês:

“Patrão, o senhor me desculpe mas faz três meses que eu num recebo o salário...”
“Está desculpado, meu jovem.”


O presidente deu aquela festança com as maiores autoridades da Capital, para comemorar o resultado da eleição. Muitas doses noite adentro, saiu pelo salão e foi procurar uma dama para dançar. Chegou na mesa mais movimentada e convidou:
“Madame... me dá o prazer de bailar essa valsa?”
“Excelência, eu não vou bailar por duas razões: primeiro que isso não é valsa. É xote. Segundo, que eu não sou madame. Sou o Bispo.”

O presidente sai da maior festança num hotel cinco estrelas, cheio da mardita, e dá de cara com aquele camarada enorme, de farda lustrosa, parado debaixo da marquise. Vira-se pro sujeito e diz:
“Companheiro, me chama um táxi.”
“Mas, presidente... eu sou um Almirante!”
“Então chama um navio, pô!”

“Mamãe, agora que eu fiz quatorze anos, já posso usar sutiã?”
“Já falei que não, Jorge Roberto!”

Os bandidos entram num banco, rendem todo mundo e vão logo ordenando:
“A mulherada encosta ali e passa a grana. Os hômi vem tudo pra cá e vão arriando as calça!”
Uma cliente loira, pensa, pensa e reage:
“Peralá! Não era pra ser o contrário?”
Nisso um cliente bigodudo responde com as mãos na cintura:
“Bah, cala essa boca, guria! Que é que tu entende de assalto, tchê?!”

 
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14 agosto, 2006

Regras para um debate altamente esclarecedor
Por Fran Pacheco

  • Não serão tolerados ataques contra a honra pessoal dos candidatos. Seria o mesmo que se aceitar ataques ao Papai Noel, ao Negrinho do Pastoreio, ao Yeti e a outras coisas que não existem.
  • Programas de governo, assim como o sexo dos anjos, não entrarão em discussão.
  • Candidatos fujões comparecerão em efígie, a ser livremente execrada durante o ritual.
  • Torcidas organizadas serão terminantemente proibidas. Já basta o pessoal da imprensa.
  • Será sumariamente cassada a carteirinha funcional de todo jornalista que, ao fazer sua pergunta, começar com “eu queria fazer duas perguntas pro candidato...”
  • Há de ser escalado um anão de orquestra de mambo (aquele que aperta o saco do cara que faz “UH!”), para aplicar as penalidades cabíveis aos candidatos que descumprirem este regulamento.
  • Está previamente vetado o uso de expressões obscenas, como “planejamento estratégico”, “equacionar as variáveis”, “choque de gestão”, “mudança de paradigma”, “visão macroeconômica global” e “encarar de frente o problema”. Quem delas se valer, sentirá do toque do anão.
  • Aquele que solicitar “direito de resposta” ou “questão de ordem” será prontamente autorizado pelo excelentíssimo dr. promotor de justiça plantonista a ir pra putaquepariu. O candidato que melhor achincalhar o outro terá direito a bis in idem.
  • O anão marcará de perto todo candidato-laranja que esboçar levantar a bola, rasgar seda ou servir de escada para o patrão. E ai de quem se auto-elogiar.
  • Para evitar vexames, como incapacidade de sortear papelotes num saco, os pretensos mediadores passarão por teste psicotécnico e exame de madureza.
  • O mediador não cortará o som de nenhum candidato que, ao se exceder no tempo, estiver insultando os adversários. Eles que vão lá e tirem o microfone na marra.
  • A ventilação do recinto será cortada para revelar ao eleitorado se algum dos candidatos é na verdade um boneco de cera.
  • Será oferecido aos candidatos, antes do debate, um buffet psicotrópico para deixá-los a mil por hora, no estilo Artur. Funciona.
  • Como atração preliminar ao embate dos titulares, haverá um bate-boca entre xerimbabos, cupinchas e caudatários, que responderão à seguinte pergunta: “você se sente preparado para se locupletar no governo do patrão? Conseguirá se aguentar até o dia da posse?”
  • A cada batida do gongo uma beldade como Rebequinha Garcia, Danny Assayag, Tatty Sobreira e Marcelo Serafim percorrerá o ringue segurando o número do round.
  • As coordenadas precisas do local do debate serão fornecidas gratuitamente à Al-Qaeda, Hesbolá, ETA-êta-êta e a quem mais se habilitar a prestar relevantes serviços à nação.

 

13 agosto, 2006

Onde está o resto de nós?

Hedôzinha, Cecezinho, Stella e Torquato foram flagrados pelo colunista e vidente Alex Deneriass em meio a uma cortina de fumaça (todo mundo nu) em pleno bota-fora da FLIP – transformando Paraty num blend de Kingston com Sodoma & Gomorra. Pasolini filmou toda a putaria à sorrelfa, em Super-8. Wally Batatinha estava fora de combate, após consumir princípios ativos demais com Syd Barret e Leminski. Enquanto isso, Irmão Paulo espinafrava a esquerda festiva ao lado de Nelson Rodrigues, – que confirmou ser Evo Morales o tal "ladrão boliviano" da peça. Fran Pacheco, pouco afeito a baladas, passou o fim de semana em Manaus, cobrando uma suposta fatura da AGECOM.


 

11 agosto, 2006

No futuro, todos terão 15 posts de fama
(ou "Internet aceita tudo...")


Marcola ainda não tem blog. Zé Dirceu, .

 

Curtas, porém grossas
Por Fran Pacheco

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Questão de lógica

Pelo menos alguma coisa Amazonas e Piauí têm em comum. Por incrível que pareça, não temos nenhum parlamentar envolvido na Máfia das Ambulâncias. Também não temos ambulâncias, mas isso é só um detalhe.

Os Três Porquinhos
Conselho pra turma arroz-de-festa de escândalos do PL, PTB e PP: vão se fundir! Pensem grande, scumbags, e abram logo a CUNT – Central Única das Nebulosas Transações.

Imprecisão cirúrgica
Podem reparar: a cada dois dias as autoridades israelenses anunciam que "acabaram de destruir metade do poder de fogo do Hezbolah". É um mistério portanto, o fato de que todo santo dia os fanáticos barbudinhos continuem despejando a mesmíssima quantidade de rojões Katiuscha sobre a Terra Prometida. Do jeito que Israel está sovinando na pontaria, em breve não vai sobrar nada no Líbano. Só o Hezbolah.

A perseguida
Mesmo após ter declarado ao TRE que até o momento gastou R$ 0,00 na campanha, Capiroto Mendes continua reclamando da vida. Sente-se “asfixiado” pela polícia secreta do Cadeirudo, que ameaça fiscalizar (Horror! Horror!) os hereges que doarem dinheiro para a campanha negreira. Pai Thomaz Bastos, que sempre pregou o combate à lavagem de dinheiro como forma de apertar o crime organizado pelo bolso, já considera o Cadeirudo um menino de futuro.

Adiposidade eleitoral
Decano dos garotos-de-recado amazonenses, o blogueiro Pé Frio andou comemorando dia desses que o Governo está “sem gordura para queimar” na campanha eleitoral. Ora, basta olhar o tamanho da buzanfa do Gov. Cadeirudo (que faz Martha Rocha parecer uma Twiggy) para se constatar que ou o Pé Frio não entende nada de anatomia, ou está completamente gagá.

Molecagem
Pois não é que o conglomerado de empresas jornalísticas de Ronald Mcdentes se chama “Sistema Liberdade de Comunicação”? Pobre de ti, ó palavra “Liberdade”, tantas vezes estuprada em praça pública... agora dão de bolir contigo.

O turco é tri, e daí?
Milton Hatoum, orgulho da terra, três Prêmios Jabuti no tanque, já planeja trazer o tetrajabuti para Manaus. O plano é infalível: escrever de novo o mesmo romance de reminiscências, de preferência sobre uma família turco-manauara (ou sírio-libanesa, ou palestino-peruana, tanto faz), que já ganhou 3 vezes o prestigioso quelônio literário. É batata.

Perigo real e imediato
O que é a saída de 11 mil presos para curtir o Dia dos Pais em Sampa comparada à livre circulação de 19.166 candidatos por aí?


 

09 agosto, 2006

Terminal
Por Fran Pacheco

Desde o início da peleja, todos sabiam que o Sr. Alquimim, como candidato, era um desenganado. Teve alguns espasmos com “viés de alta”, algumas pesquisas atrás. Mas talvez tenha sido por um desses surtos sazonais de humanismo de fachada que nos abatem diante da desgraça alheia. Ou, o que é mais provável, de pura e simples schadenfreude (perguntem do que se trata ao irmão Paulo ou ao Cecezinho, dois versados na língua de Nina Hagen). Agora estertora a olhos vistos, literalmente, porque bastou-lhe uma exposição maior na TV para começar a despencar no conceito do autoproclamado “eleitorado esclarecido”. Se não tivesse aparecido, se ficasse naquele boca-a-boca do tal “candidato paulista, sério e bem preparado que niguém conhece”, poderia ter ido mais longe. Alquimim melhora muito quando desaparece, mas esse é um fenômeno que se abate sobre todo político longe do poder. Quanto mais longe, melhor para todo mundo.

O fato é que, por mais que a necessidade de defenestração do Molusco Barbudo seja imperativa, simplesmente não dá para votar em Alquimim. Ponto. Nem de nariz tapado, Diogo (o que seria desnecessáio, pois o referido não fede nem cheira). E não dá pra votar numa criatura dessas só porque o PSDB e o Pefelê (cena: escarro no chão) merecem amargar um ostracismo eterno, chupando o dedo per omnia seculum seculorum. Observe bem o Geraldo como o semovente que é: ele não fala coisa com coisa. Um desempregado reclamou da vida e Alquimim, após comer uns pastel, proferiu-lhe uma maçante palestra sobre... a globalização! Por mais que não tenha entendido patavinas, o desempregado, meio tonto, ficou com a certeza de que se depender daquele panaca a coisa vai ficar mais preta que a asa da graúna. Alckmin não é o lobo em pele de cordeiro. É o asno travestido de coruja.

Espero que Alquimim, com o célebro afetado pela iminente caquexia, perca afinal as estribeiras e vire a Heloísa Helouca do horário eleitoral gratuito (uma vez que a original, orientada por uma equipa de camaradas psiquiatras e domadores de leão, parece estar andando nos trilhos da compostura). Coisa mais linda seria ver o “professor”, em seu derradeiro ato de desespero, beirando o traço nas pesquisas, esbravejar com o dedo em riste, os cinco penachos de cabelo que lhe adornam a careca balançando desgrenhados, espalhando perdigotos pela lente da câmera e soltando um contundente “Putaquepariu, Brasil!”. Teria meu voto na hora. E sem direito de resposta.


 

Uma questão delicada
Por Fran Pacheco

A revista Época, está a promover uma nada original enquete para descobrir quem foi o “maior brasileiro da História” (partindo do duvidoso pressuposto de que tal sujeito existiu). Cá pra mim, uma perguntinha dessas mal-formulada, simplória, mistificadora e gratuita não merece resposta (além de excluir ab-initio Nelson Ned da parada). Se merecesse, eu responderia na bucha: “Seu Amândio”. Figuraça folclórica das barrancas do hinterland amazônico, Amândio, por ser um total desconhecido das massas não sofreu (ainda) aquele pernicioso processo de virar “vulto”.

Vejam o caso do Obdúlio Vargaz - acho que era esse o nome do distinto - nosso ditador-pai-dos-pobres. Seu maior feito, indubitavelmente, foi ter se matado, atitude que se caisse em voga entre todos os envolvidos em escândalos, viria a quebrar o maior galho. Aliás, todo verdadeiro getulista deveria dar um tiro no coração pelo menos uma vez na vida, viu Bob Jefferson? Mas se afinal Vargaz fosse aclamado como “The Greatest Brasileiro da História”, isso servirira apenas para nos dar uma idéia do grau de pequenez dos demais.

Eis então uma utilidade inusitada para esse tipo de pesquisa: não o de estabelecer “identificações”, mas “comparações” - e das mais desairosas. Tomemos o caso típico do Rubinho Barrichello. Ninguém duvida que ele é um dos “Menores da História”. Mas podem desprezá-lo à vontade. Ele continuará ganhando US$ 12 milhões por ano para fazer suas cagadas nas cidades mais glamourosas do mundo. Exatamente a mesma coisa que o resto dos brasileiros faz, em suas bagdás e saigons cotidianas, sem ganhar um puto para isso. O fato de Barrichello ser um dos brasileiros mais bem sucedidos da atualidade nos dá a medida exata do fracasso dos demais.

Quanto ao Seu Amândio, um dia contarei seus causos, em foro adequado.


 

07 agosto, 2006

Irmão Paulo à la carte III
Por irmão Paulo

Alguém Um popular qualquer, desses que freqüentam esta espelunca do Fran, questiona minhas opiniões à desconfiança de que tenho lado. Não tenho preferências, embora tenha ojerizas. Há um enorme não-sei-quê pelo pequeno Herbert e um interesse todo especial pelo Capiroto. Neste caso, evidentemente, aquela curiosidade pelo bizarro que te faz olhar um morto estraçalhado num acidente ferroviário ou observar uma carniça borbulhante, pra citar Baudelaire.

Não ganha Amazonino Mendes não ganha as eleições nem por milagre. Ou só por milagre. É um tigre de papel cuja importância no pleito é superestimada. Não esqueçamos que a reeleição do Capiroto, que levou de lambuja o velho Boto Fraudador - roubando a mão-armada as eleições de Eduardo, Serafim e Marcus Barros - decorreu do emprenhe sistemático das urnas de pano do interior; lembremos que o Capiroto precisou esconder-se na reeleição de Alfredo Nascimento – numa estratégia batizada de “vitória do silêncio”, pelo Leãozinho e que, por fim, perdeu as últimas eleições municipais para o Serafim Correa.

Não ganha 2 Não bastasse isso, lembrem-se que Amazonino Mendes considerou-se, em seu período pré-reeleição, um cadáver político, por causa das lambanças do sr. Fernando Bonfim e de seu filho Armandinho. Reeleito, ainda morto e declarando que levaria para o túmulo o que precisou fazer para ganhar aquelas eleições, foi ressuscitado por obra, e pelas obras, de Robério e Lourenço, que agora estão do outro lado, restando ao Capiroto, numa volta ao passado, recorrer aos préstimos dos apóstatas Ronaldo e Paulo.

Zebra Cuba é a enésima demonstração de que as coisas nas mãos dos políticos dão sempre zebra. Fidel morto dará a oportunidade que os Yankees esperaram por tanto tempo. Irão retomar a ilha e transformá-la, novamente, naquele belo, alegre e bucólico bordel que a geração pré-revolução lembra bem. As putas continuarão putas, mas seus filhos, waaal, poderão estudar em Yale. A democracia, apesar de amarga, é a única forma viável de organização. O anarquismo, ideal, só funcionaria em uma pequena ilha, como Cuba ou, sei lá, Aruba. Política, como disse, dá sempre zebra. O Iraque é outro exemplo do tamanho da merda que um sujeito poderoso como Bush, munido de alguns goles de Jack Daniels, pode fazer. Pior, fazer e não limpar.

Uni-sol Todos sabemos que essas fundações de apoio de universidades públicas são uma mutreta legal, arquitetada pela turma da USP e apadrinhada por FHC para permitir que essa gente ganhe dinheiro sem burocracia. No sistema de compadrio e amizades, que vige no ambiente acadêmico e jornalístico, claro, é tabu levantar suspeita sobre a lisura das atividades da Uni-sol, de seus dirigentes e dos professores da FUA que atuam em suas atividades. Já passa da hora de investigar a fundo essas fundações, suas pós-graduações fajutas, suas movimentações financeiras nebulosas e suas prestações de contas fantasiosas - fiscalizadas por um Ministério Público desinteressado - a real destinação dos recursos angariados, a utilização indevida de servidores das instituições apoiadas em suas atividades, a prestação de servicinhos incompatíveis com suas atribuições de apoio, as ingerências políticas e muchas coisitas mas.

Estratégia Já tá dando na vista a ação combinada do Sim e Não e do Orlando Farinha, que insistem numa hipotética traição de Eduardo para cima do velho Boto Fraudador. Dá na vista porque, numa leitura política inversa, essas insinuações podem se destinar a encobrir o fato de que o esperto dessa história seja o silencioso cetáceo, em simbiose eterna com o Capiroto.

Mistério Começa a ficar claro em que o Capiroto gastou 500 mil reais, dos 1,6 que tinha em casa. Deu uma passadinha no jornal mais vendido do Amazonas e largou uns trocados para Dona Rapina, além de custear as ediçõpes diárias cada vez mais gordinhas e mandou outros tantos pra turma de esfomeados do Partido Verde - em troca da execração pública de Plínio ´Ricardão´ Valério. O soturno Egberto Batista já está nas paradas e ainda restam 1,1 mil pra torrar. Haja coração.

 

05 agosto, 2006

Quero ver Cubalançar
Por Cartier, Free-Lancer

LA FARSA
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"Fidel Castro retornará em algumas semanas",
afirmam as autoridades cubanas.


LA VERDAD
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Flagrante exclusivo de El Comandante caindo em tentação em plena UTI. Essa medicina cubana faz coisas que até o diabo duvida...

 

Pirou
Por irmão Paulo

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"Me considero uma espécie de salvador"

Foram com as palavras acima que o jornal mais vendido do Amazonas destacou a ´entrevista´ dada pelo Capiroto, na série de entrevistas que até agora só o contemplou. Em estilo bem tucano, na desculpa de repercutir suas declarações, o jornal mais vendido do Amazonas colocou o ´entrevistado´ em uma situação de triste exposição.

Delírios, grosso modo, são alterações do pensamento no que se refere à compreensão dos fatos. Isto é, o sujeito vê ou vive uma situação e acha que é outra, tipo: ao dar uma topada com o dedo mindinho numa cadeira, tem a certeza de que a cadeira foi que o acertou – mais ou menos como ocorre com uma criança de 2 anos.

Um episódio isolado de delírio, falo como leigo, é algo a que estamos todos sujeitos. Pode ser decorrente de uma condição médica qualquer ou decorrer do efeito tóxico direto de substâncias como as anfetaminas e a cocaína. Quando o estado se prolonga, sem decorrer diretamente do uso de substâncias ou de uma doença, temos um quadro de Transtorno Delirante. Até agora não se sabe qual a situação do Capiroto.

Vejamos o que ocorre com os cocainômanos, nenhuma insinuação maliciosa, que são os viciados no uso da cocaína - substância derivada da coca cuja ingestão faz-se através da inalação, já que é fabricada em pó. O viciado deposita a droga na mucosa nasal e aspira. Sob seu efeito, então, apresenta uma alegria muito grande, é loquaz, mitômano, erótico, mas impotente. Após a embriaguez, vem a fase do delírio cocaínico, caracterizado por alucinações principalmente visuais e agitação psicomotora.

O delírio cocaínico episódico, entretanto, torna-se crônico com a constância e a utilização prolongada da droga. Lentamente, o cocainômano substitui a realidade por um mundo seu, onde os fatos são compreendidos à luz de sua mente delirante, que colhe no arcabouço de seus arquétipos mentais, culturais e familiares, os argumentos que vestem de aparente razoabilidade as conclusões delirantes. Não raro, identificam-se os delírios de fundo religioso como um dos últimos estágios da dependência cocaínica. O uso prolongado do pó, portanto, pode ser um gatilho para um quadro de transtorno delirante.

A característica essencial do Transtorno Delirante é a presença de um ou mais delírios, possíveis, que persistem. Alguns indivíduos podem parecer relativamente intactos em seus papéis interpessoais e ocupacionais. Em outros, o prejuízo pode incluir baixo ou nenhum funcionamento ocupacional e isolamento social. Em geral, o funcionamentos social e conjugal estão mais propensos a sofrer prejuízos do que os funcionamentos intelectual e ocupacional. Ou seja, o portador de Transtorno Delirante acaba largando a família, vivendo isolado e insulado, guardando dinheiro dentro do colchão, telando as janelas etc.

O tipo de Transtorno Delirante pode ser especificado com base no tema delirante predominante, a saber: tipo erotomaníaco; tipo grandioso, o tema central do delírio é a convicção de ter algum grande talento - delírios grandiosos podem ter um conteúdo religioso (por ex., a pessoa acredita-se escolhido por Deus para ser o salvador de um povo); tipo ciumento; tipo persecutório, o tema central do delírio envolve a crença de estar sendo vítima de conspiração, traição, estar sendo alvo de comentários maliciosos ou obstruído em sua busca de objetivos de longo prazo. Os indivíduos com delírios persecutórios com freqüência sentem ressentimento e raiva, podendo recorrer à violência contra aqueles que supostamente os estão prejudicando.

Podemos não saber se os delírios do Capirôto decorrem diretamente do uso imoderado de leite-em-pó ou de uma condição mental de transtorno delirante crônico - que é o mais provável, mas uma coisa é certa: o cara pirou. De vez.

 

04 agosto, 2006

Ler faz bem pra burro – literalmente!
Por Cezário Camelo, "Cecezinho"

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Quando não está devorando livros, Cecezinho está devorando quengas.

Em entrevista bombástica, no início da semana, para o jornal mais vendido do Amazonas, o advogado Capiroto Mendes foi taxativo: “Eu não creio que o Cadeirudo (Braga) tenha lido um livro na vida a não ser os livros da escola. O Mulah (Aziz) também nunca deve ter lido um livro, não tem nenhum conhecimento humanístico”.

Deve ser por isso que os dois sacripantas vivem fodendo a população, mas não comem ninguém. O negócio deles é roubar. Já o Capiroto não fode ninguém por que está fora do poder. E, também, porque, com a senilidade galopante, está mais pra Pantagruel do que pra Maquiavel. Como ainda não inventaram viagra para diabéticos, tão cedo ele não vai comer alguém. O Irmão Paulo está desenvolvendo uma tese a respeito.

E você, meu jovem, que está bisbilhotando o nosso Club por meio de um PC da repartição, o que é proibido pela Convenção de Genebra? Já reparou como, nos últimos tempos, não abriu nem um livro? E, se o abriu, fechou-o mais do que depressa, assim que as letrinhas começaram a se embaralhar à sua frente, e, no clímax, o detetive durão Mike Hammer passou a falar como um profeta enlouquecido do Velho Testamento?

Aliás, você sabia que o escritor de romances policiais Mickey Spillane, criador do personagem, morreu em sua casa no Estado americano da Carolina do Sul, aos 88 anos de idade, no último dia 17 de julho?

O impacto que um livro pode provocar em quem não é muito chegado a leituras costuma ser tão perigoso quanto servir algodão-doce a um diabético. O fato é que, ultimamente, você anda tão ocupado tentando enriquecer que não teve tempo para ler muito.

E, agora, que continua pobre nesse empreguinho de merda, começa a se sentir meio burro porque, em todas as rodas que freqüenta, há gente falando de escritores absolutamente remotos, como “T. S. Eliot”, “René Crevel” ou “Yukio Mishima”, e usando palavras que você não consegue encontrar em nenhum dicionário, como “estamento”, “diacrônico” ou “epistemológico” – palavras sem as quais, hoje, não se decifra uma simples bula de remédio ou o mais reles rol de roupa.

O que fazer, então, para adquirir cultura e aprender a carcar mulheres – muitas mulheres –, como eu carco diariamente? Começar a ler imediatamente, ora bolas. Quer dizer, primeiro, aprender, se ainda não souber. Mas cadê tempo para relaxar e abrir um livro? E onde? No busão, a caminho do trabalho? Na Ponta Negra? Na Companhia do Forró? De noite na cama? Todas as opções são ótimas, se você puder se cercar do ambiente de paz e sossego que os livros exigem. E como nem um ônibus, nem a praia, nem o puteiro e muito menos a cama são lugares para se ter paz e sossego, aqui vai a sugestão – a única possível: o banheiro.

A idéia não é nova nem original. Todo mundo a pratica, mas de maneira casuística, episódica, intermitente. Lê-se muito jornal, gibi, fotonovela no vaso sanitário – como se ele não fosse digno de nada mais nobre. Pois saiba que a grande literatura, às vezes, sente-se mais à vontade à luz difusa de um modesto banheiro do que sob a iluminação feérica de uma sofisticada biblioteca, com lustres, carpetes e lambris. Perguntem a Dostoievski, Dickens ou Zola, por exemplo, onde eles preferem ser lidos, e eles dirão: num banheiro fim-de-século.

Até mesmo Proust melhora demais quando o leitor se isola dos ambientes requintados que ele descreve e só consegue ver, no máximo, a própria cara no espelho. As idas e vindas dos personagens proustianos pelos escaninhos da memória, em busca do tempo perdido, tornam-se tão relaxantes num banheiro que servem até de laxativo. Você sai do banheiro com o espírito enriquecido e a alma lavada.

Agora, atenção: é preciso escolher com carinho o que se leva para ler no sanitário. Nem toda literatura é propícia a esse santuário de recolhimento íntimo. Eu não aconselharia que se lessem, por exemplo, tratados econômicos ou filosóficos num banheiro. Livros sobre inteligência emocional, lingüística, semiótica e matemática pura também devem ser evitados. Em todos esses casos, a necessidade de concentração é tão grande que pode interferir com o processo. O melhor é você se limitar à ficção. Mas, vá com calma.

Faulkner, por exemplo, só é indicado para quem estiver padecendo de uma incômoda diarréia. Suas frases muito longas, geralmente compostas de um único pensamento que se desdobra interminavelmente e quase sempre sem pontuação, obrigam o leitor a um ritmo praticamente impossível de ser ajustado ao de uma evacuação lenta, gradual e segura. O mesmo se aplica aos livros de Virginia Woolff, ao capítulo final de “Ulisses”, de James Joyce, a todos os escritores do nouveau roman e a Henry James.

O contrário também deve ser evitado. Entre Hemingway e Fitzgerald, prefira Fitzgerald, no banheiro. O estilo de Hemingway é staccato, cheio de frases curtas e cortantes, como se fossem tomadas de cinema. A mesma regra se aplica na escolha entre Dashiell Hammet e Raymond Chandler, John dos Passos e Theodore Dreiser, Norman Mailer e Gore Vidal. Prefira Chandler, Dreiser e Vidal.

Ler os clássicos nunca fez mal a ninguém. Cervantes, Camões, Chaucer, sempre ensinam alguma coisa. Teatro é quase tão bom de se ler quanto de se ver: muna-se de algumas peças de Moliére, Shaw e George S. Kaufman, e divirta-se (deixe para ver Shakespeare, Ibsen ou Tennessee Williams no palco.). A prosa urbana brasileira é muito boa, de Machado de Assis, Lima Barreto, Marques Rebelo, até os romancistas contemporâneos.

Há contistas americanos deslumbrantes, como Damon Runyon, Ring Lardner, Dorothy Parker, tão bons quanto os melhores maupassants e gogols. Entre os latinos, Julio Cortázar, Vicente Huidobro, Alejo Carpentier e Jorge Luis Borges dão conta do recado. Não deixe de ler um ou outro Eça. Enfim, há um mundo à sua espera – e os caminhos para esse mundo passam pela indefectível primeira porta à esquerda.

Evite levar para o banheiro o que os críticos chamam de literatura “digestiva” (Paulo Coelho, Dan Brown, JKRowling, Lair Ribeiro, Umberto Eco, Neimar de Barros, Guimarães Rosa, Monteiro Lobato, JG de Araújo Jorge e similares). Não que você deva dar muita importância aos críticos, mas por motivos óbvios: de digestivo já basta o processo que o induziu a ir ao banheiro.

Uma hora diária de leitura no banheiro é tudo de que você necessita para por a sua cultura em dia, parar de fazer feio nas festas e reencontrar o seu ego, há muito tempo perdido em algum corredor de uma fábrica fuleira ou de qualquer escritório chato. Além, é claro, de manter o seu metabolismo mais em dia do que um relógio digital. Sem contar, obviamente, que, dependendo do grau de excitação provocado pela leitura, você ainda pode bater uma punheta. Mas depois lave as mãos, seu porco!