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31 dezembro, 2004

Vapor barato lá do Mississippi
Por Wally Sailormoon

Oh, sim
Eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que não acredito mais em você
Com minhas calças vermelhas
Meu casaco de general
Cheio de anéis
Vou
Descendo
Por todas as ruas
E vou tomar aquele velho navio
Eu não preciso de muito dinheiro
Graças a Deus
E não me importa
Oh minha honey baby
Baby honey baby
Oh, sim
Eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que estou indo embora
Talvez eu volte
Um dia eu volto
Quem sabe?
Mas eu quero esquecê-la
Eu preciso
Oh minhas grande
Oh minha pequena
Oh minha grande obsessão
Oh minha honey baby
Honey baby

(musicada por Jards Macalé)

PS: Pra ser cantado-berrado-declamado na passagem de ano, tendo como fundo sonoro um dos blues originais do Robert Johnson - aquele álbum de remakes do Eric Clapton também serve. Feliz 2005.

 

30 dezembro, 2004

Vale a pena ler de novo
Por Cezário Camelo, "Cecezinho"

"Fracassei em tudo o que tentei na vida.
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.
Tentei salvar os índios, não consegui.
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei.
Mas os fracassos são minhas vitórias.
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu"

Darcy Ribeiro

Faço minha essas palavras do companheiro Darcy e deixo meus votos de um excepcional 2005 para todos os blogueiros amigos.

Até o próximo ano!

tim-tim!

 

Leviatã, Leviatã, abre as asas sobre nós
Por Fran Pacheco

Que o Estado brasileiro é um monstro devorador das nossas pobres merrecas, isso você já sabia. Saiba agora que ele também voa! E muito. Mais que urubu. Neste ano moribundo, o Executivo, Legislativo e Judiciário torraram R$ 1 bilhão em passagens e hospedagens. Incluída a conta do viajante-mor, o Efelentífimo, em sua fantástica volta ao mundo. Excluídas farras municipais (como a esticadinha de nossos vereadores no Nordeste) e estaduais (como a caravana do governador do Paraná, Roberto Requeijão, a Noviorque).

Os barnabés não viajam e se hospedam tanto desde 95. Talvez para incentivar o setor hoteleiro. Talvez para dar uma forcinha às companhias aéreas, mega-sonegadoras de impostos e contribuições previdenciárias (o que teoricamente as impediria de fornecer produtos ou serviços para órgãos públicos).

Tantas horas de vôo renderiam ao Governo uma senhora milhagem. Renderiam. Para completar o bom negócio para as empresas aéreas, nem um milímetro de milhagem é repassado para a União. Nem a União faz questão. Os recursos públicos, quando a serviço da pequena (nem tão pequena assim) casta estatal (nem tão casta assim), sempre abundam.

 

28 dezembro, 2004

Ele não era dedo-duro
Por Fran Pacheco

Fim de ano é época de aparar as arestas políticas no Amazonas e (por que não?) no Brasil. Isto é para esclarecer e acabar de vez com certos boatos persistentes sobre o passado "colaboracionista" de uma figura querida, agora, por quase todos (ah, os hipócritas!). A Comissão de Direitos Humanos da OAB examinou (em 2003, vejam só) a papelada do SNI e da Polícia Federal e concluiu: ele nunca, nunca delatou ninguém para as forças de repressão da Ditadura. Tudo foi invencionice de forças ocultas. Nossa justa homenagem ao injustiçado e falecido Wilson Simonal.

Em breve, um perfil jóia, jóia do "rei da pilantragem".


 

27 dezembro, 2004

Exame de proficiência para ex-leitores do Pasquim (R.I.P.)
Por Prof. Azancoth (Cathedrático & Devasso)

1. Quem fez o primeiro topless nas areias de Ipanema?
a) Leila Diniz; b)Monique Evans ;c) Ana Maria Magalhães; d) Patrícia Casé; e)Fernando Gabeira?

2. O que (ou quem) era:
a) "Gosório";
b) "Mau Cheiro";
c) "Caldereta;
d) "três patetas";
e) "Bob Fields";
f) "Doutor Rui"?

3. Que mensagem de duplo sentido estava escrita na porta da redação do Pasquim?

Respondam sem inibições. Chutes com argumentação lógica são bem-vindos e, se forem melhores que a versão oficial, serão sumariamente validados. A imaginação no poder!

 

26 dezembro, 2004

Natal sem Jesus?
Por Stella Maris - especial para o Club

Agora aqui nos EUA está virando praxe: Grandes redes de lojas como a Wal-Mart não desejam mais "Feliz Natal" aos seus clientes. A palavra "natal" remete diretamente ao nascimento de Jesus. O que colocaria, na ótica politicamente correta, uma religião em vantagem sobre os diversos credos abrigados no solo multi-étinico, multicultural e multi-imbecil da América. Os vendilhões do templo consumista preferem dizer "Boas Festas", para não ferir as suscetibilidades de nenhum xintoísta prestes a usar seu American Express.

Presépios ao ar-livre também são muito raros por aqui.

O Natal é o único aniversário (ainda que na data errada) em que quem ganha os presentes são os convidados. E, ao contrário do que pensam os obtusos, todo mundo é convidado. Agora querem deixar o aniversariante de fora e focar no puro e simples comércio, para atingir 100% do mercado. Nada mais capitalista.

 

24 dezembro, 2004

Pro meu povo ficar Odara
Por Wally Sailormoon

Odara é uma palavra do povo negro, Yorubá, é uma palavra Yorubá, eu é que ensinei ao Caetano. Eu morava em Itapuã, Salvador, depois que cheguei de Nova York levei um tempo por lá sem ir ao Rio de Janeiro... então, em contato com aquela comunidade negra de Itapuã, eu fui aprendendo o sentido verdadeiro da palavra Odara. E transmiti a Caetano numa das idas dele lá em casa, que a palavra Odara tem o significado de tudo que é BOM, de tudo que é POSITIVO, de tudo que é bacana, as pessoas usavam Odara... A mona é Odara... quer dizer: a mulher é bonita, é bacana, é gostosa.

Aí, para o pessoal enragé brasileiro, esse desespero político-cultural esquerdofrênico brasileiro, a palavra Odara ficou sinônimo de quê? Uma música linda de Caetano, linda, maravilhosa, uma música-manifesto, inteiramente livre, que aliás nem era música-manifesto, era uma música livre, dele, de repente virou uma posição programática, diante da vida, como se fosse uma frescura, como se fosse uma viadagem, uma alienação política. Nada disso, é porque esse pessoal tem a mente splitted, a mente esplitada... a mente deles é dividida... são es-quer-do-frê-ni-cos.

Por exemplo: eu fiz uma letra, uma poesia, para Maria Bethânia, chamada “A Voz de Uma Pessoa Vitoriosa”... Aí, o Caetano musicou. Quando chega no show da Bethânia, o Fauzi Arap entendeu que a música tinha um tom triunfalista, porque ela era a-voz-de-uma-pessoa-vitoriosa... e esse tipo de gente só gosta do quê? Do amor do não... O nome duma peça dele, do Fauzi, “O Amor do Não”, é o que mostra bem esse clima de RE-MOR-DI-MEN-TO, de ressentimento, de ódio dissimulado. As pessoas querem sempre a emergência, mas nunca emergir, nunca vir à luz, nunca aparecer à luz do dia. Então vitoriosa, para ele, para eles, é sinônimo de triunfalismo, de estar ao lado dos poderosos...

Para mim é ininteligível que um homem de teatro, como o Fauzi, não entenda a progressão dramática.... a letra vem assim, a poesia vem assim: “Sua cuca batuca/ Eterno zig-zag/ Entre a escuridão e a claridade/ Coração arrebenta/ Entretanto o canto agüenta”. Eu acho que uma pessoa, aquilo que faz uma pessoa, uma pessoa-pessoa, é uma conquista, é um estágio superior... para se chegar a ser uma pessoa tem de se vencer, de conquistar. Mas entendem logo como se fosse uma opressão, vencer sobre os outros, um esquema de dominação... nada disso, não estava se tratando disso. Eles gostam mesmo é do amor do não... que o emergente nunca emerja, fique sempre lá na periferia, embaixo, retalhado, desestruturado, capado, próximo do suicídio... todo dividido... é isso que eles gostam. Mas eu não, eu gosto do oposto, do que é Odara mesmo, do que é íntegro, do que é pleno e verdadeiro.

Tenho apenas duas mãos/ e o sentimento do mundo. Quer dizer: estou com Carlos Drummond de Andrade e Ernesto Che Guevara, estou com a massa e NUNCA com a palha! Eu tenho uma moral, não digo rígida porque isso é coisa de straight, de careta, mas uma moral bastante marcada: para mim, otário é otário, e malandro é malandro.

Mas e o lugar do poeta no mundo? Fui descobrindo que nem era malandro, bandido, nem tampouco otário. Nem burguês, nem raça fatigada. Construía um espaço intermediário, nos interstícios, era um sítio por entre, a invenção de outra fábula diversa daquela clássica do mar e do rochedo ou da outra mais antiga da república e do exilado. A área do poeta é uma área lúdica tal qual a do que brinca, tal qual a do que joga. É uma área Odara. Portanto, vamos jogar todas as urucas para trás e entrar no ano novo com a mente aberta, a espinha ereta e a respiração quieta.

Feliz Natal para nosotros, tipo qualquer coisa que se sonhara. Axé.

 

Esse é dos nossos
Por Cartier, Free-Lancer


"Saudações etílico-natalinas a todos!"


 

23 dezembro, 2004

A paga natalina dos bufões da corte
Por Fran Pacheco


Um caso clássico de parlamentar com hipertrofia bucal, causada pela amamentação prolongada nas tetas públicas (e ele está faminto, reparem).


É sabido que assembléias legislativas e câmaras municipais são valhacoutos para milhares de aspones pelo Bananão adentro (os parlamentares inclusos). Aliás, as únicas utilidades de um parlamentar (do italiano arcaico parlare+mentire) provinciano são: a) não trabalhar na hora devida e ganhar jeton para trabalhar "em hora extra"; b) jogar estrume no ventilador do grupo adversário; ou c) ser cassado com desonra, se ostentar demais o fruto da "atividade política".

No estado do Amazonas, triste Amazonas, não há sequer oposição. O governador, cheio de artes, conseguiu cooptar todos os gêneros de coliformes políticos - de petelhos a tucanos, pefelistas e pemedebistas. Todos estão encalacrados na "coisa pública" como os verdadeiros carrapatos que são.

Como recompensa por terem passado onze meses coçando as pudendas (e cassado discretamente o Cordeiro, que continuará de bico calado - mas isso é outra história), nossos nobres deputados são convocados em regime extraordinário, nesta virada de ano, para votar (ou seja, dizer "sim", "não" ou abster-se) em sete projetos intempestivos do Governador Amigão. Ao preço de R$ 19.096,00. O que dá R$ 2.728,00 por palavra. Marca invejável até para os fabricantes de best-sellers americanos. E não me venham dizer que isso acontece no Bananão todo. No Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul (alguns dos estados mais ricos da Federação), os deputados foram convocados e receberão apenas o salário normal.

Mas quem disse que em províncias tão ricas como Sergipe, Piauí e Amazonas o contribuinte precisa ser poupado dessas extravagâncias? Basta ver: ninguém reclama.

 

22 dezembro, 2004

Exame de proficiência para ex-leitores do Pasquim (R.I.P.)
Por Prof. Azancoth (Cathedrático & Devasso)

Nível 1 - Vergonhosamente Fácil
(Terminantemente proibida a consulta a Saint Google)

1. Quem estava na capa do primeiro número do Pasquim, em junho de 1969?
a) Leila Diniz; b) Ibrahim Sued; c) Richard Nixon; d) Baby Rizzato.

2. O que queria dizer:
a) "Bacobufo no Caterefofo";
b) "Na Tonga da Mironga do Cabuletê";
c) "Valzengue";
d) "Mó Num Pá Tropi";
e) "Sacumé";
f) "Bocomoco"?

3. Qual o nome do mascote ao lado, criado pelo Henfil?

Deixem as respostas à vontade nos comentários. Gabarito no próximo "poster". Um prêmio especial e secreto para quem se sair melhor.

 

21 dezembro, 2004

De volta para o passado
Por Ishtar dos 7 Véus, a hedonista


E oooooolha a Hedôzinha super up-to-date em um quadro pintado pelo Manuel Borges nos anos 70!!! Esperamos que todos saciem a curiosidade sobre o festejado bumbum...


Ui... Que hoje euzita acordei me achando até ajeitadinha... Tá, tá,tá... bem bonitinha... Tá,tá,tá... Com a cara lavada e liiiiiiiiinda!... Pulei do sarcófago ao som de "The Underground" (lembram dessa? "Let me take you to a trip... Just a simple journey"... Tuuuudo!) e fui linda-leve-e-solta fazer uma escovita básica!... Huuum... Huuuum... Resolvi homenagear a seeempre poderosa Farrah Fawcett. Por que não? O que seria dos anos 70 sem Farrah? De arma na mão, balançando as madeixas ao vento e gritando: "Parado aí!!!" Brinquei muuuuito de Pantera... Mas ninguém da minha turma queria ser a Sabrina! Aaaah, a fofita era a mais inteligente! Mas prefiro Sabrina dublada... A voz de Katie Jackson é fininha... E Sabrina não era linda, mas tinha um vozeirão! Tá... tá... tá... Aceito ser a Sabrina, mas com voz de dublagem! O importante é que o meu Revlo Styler novo é poderoso e me deixou com um look meio revival... meio moderno... meio eu... Linda e Farrah fui passear com minha bike pelo Calçadão da Suframa... Ai, todo aquele verde... Aquele vento em minhas madeixas... Aaaaah... Revlo Styler, eu te amo! Celeste, uma friend minha com uma cabecinha a little dirty, disse que o Revlo pode funcionar como vibrador!... Fiquei passada.com.br! Será que ela já experimentou? Eu, hein... louca! Depois dá um curto-circuito e a mocréia fica uma semana com a perseguida cheirando a borracha-queimada! Tô fora! Nesse quesito, I'm sorry as encalhaditas, mas euzita estou muuuuuito bem servida... Por falar em bem servida... Dona Maria, minha fofita... Que prêmio é aqueeeeeele?... Adorei a seleção do Óscar (Ramos?!) tupiniquim... Acho até que vou me dar de presente pro Cecezinho na noite de Natal... Aaaah fofitos, não é que o Dance Mix Fest 2004, do DJ Raidi Rebelo, que rolou no último sábado na boate Crocodilo’s, foi tuuuuudo de bom? Dancei horrores e me acabei! First, me colocaram numa área VIP que tava uó! Uma coisa cheia de wanna be de modelete e figurantes de Malhação... Muuuita big face e poooouca diversão! O que uma mulher moderna-up-to-date-hype-dance-tudo pode fazer num place assim? Sair correndo e ir ferver no meio do big people (povão), of course! E lá fui euzita com três bibetes friends (Jú, Lú e Edu) pular no meio da galerita fervida (minha cara, né?)... Logo, logo, com aquele calooooor humano, euzita me transformei numa Wet Girl Slim (por causa do suor... olha a mente suja, hein? Seus porquitos!)... Aaaah, como diria minha amiga Whitney: "It's not right, but It's ok!"... Meu modelito Beyoncé básico (I'm sorry mas eu tô podendo...) ficou encharcado. Claro que apareceu um daqueles bofitos uó querendo se encostar em minha pelezita de seda... Mas levantei minha sombrancelha e fiz aquele olhar tipo eu-não-sei-quem-é-você-nem-de-onde-você-veio-mas-por-favor-suma-da-face-da-terra... O bofito foi murchando... murchando... ficou tão pequenininho que eu o dispensei com um peteleco... Please, sou uma mulher comprometida!... Aaah, tá... tá... Vamos falar do show dos DJs convidados... O DJ Lukas deu pinta horroooores (Minino, ele queria fazer amor com todos! Guloooosa!) e colocou o people pra dançar com sucessos como "Born Sleepy" (Underworld) e um remix luuuuxo da sempre maravilhosa "Plastic Dreams" (lembrei dos tempos da Starship na Constantino Nery... ui, memooooories...). O fofito DJ Vadão misturou Barry Manilow (Copacabana), Duran Duran (Rio), Caetano Veloso (Menino do Rio) e muito baticundum com muito tóin tóin tóin... Tuuuudo!... Mas quem roubou a cena foi o DJ Ram Science... Luuuxxxo!!! E o Elvis pintosa no palco do DJ Cuti? Foi homenagem é? Abafa. Senti falta de ouvir a minha "How Did You Know" e a seeeempre linda "Love Story" (que estão no DVD Beach Boutique)... Mas eu sou uma pessoa boa e perdôo o Elvis-não-morreu, que veio apenas dar uma canja... Aliás, tô até pensando em pedir pra Melissa G trazer o fofito pra tocar na minha próxima festa de aniversário (a lôôôôôca!) que vai ser comemorada na laje... Parabéns para o people que se comportou direitinho... sem brigas... sem violence... O astral tava ótimo! Teve uma fofita na maca... Um colocadito tropeçando num isopor e caindo com a cara no gelo... Uma bibete lesada querendo beijar um bofito jiu-jitsu... Aaaaaah... mas como diria aquele meninito que namora a Pedrita: "Faz Parte"... Feliz Natal, crazy people!!! Beijitos!!!

 

Geléia Geral Brasileira
Por Torquato Piauí



um poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia resplandente cadente fagueira num calor girassol com alegria na geléia geral brasileira que o jornal do brasil anuncia

ê bumba iê, iê boi ano que vem mês que foi ê bumba iê, iê iê é a mesma dança, meu boi

"a alegria é a prova dos nove" e a tristeza é teu porto seguro minha terra é onde o sol é mais limpo e mangueira é onde o samba é mais puro tumbadora na selva-selvagem pindorama, país do futuro

ê bumba iê, iê boi ano que vem mês que foi ê bumba iê, iê iê é a mesma dança, meu boi

é a mesma dança na sala no canecão na TV e quem não dança não fala assiste a tudo e se cala não vê no meio da sala as relíquias do brasil: doce mulata malvada um elepê de sinatra maracujá mês de abril santo barroco baiano superpoder de paisano formiplac e céu de anil três destaques da portela carne seca na janela alguém que chora por mim um carnaval de verdade hospitaleira amizade brutalidade jardim

ê bumba iê, iê boi ano que vem mês que foi ê bumba iê, iê iê é a mesma dança, meu boi

plurialva contente e brejeira miss linda brasil diz bom dia e outra moça também carolina da janela examina a folia salve o lindo pendão dos seus olhos e a saúde que o olhar irradia

ê bumba iê, iê boi ano que vem mês que foi ê bumba iê, iê iê é a mesma dança, meu boi

um poeta desfolha a bandeira e eu me sinto melhor colorido pego um jato viajo arrebento como roteiro do sexto sentido foz do morro, pilão de concreto tropicália, bananas ao vento

ê bumba iê, iê boi ano que vem mês que foi ê bumba iê, iê iê é a mesma dança meu boi

feliz natal para os não-bovinos! ê bumba iê, iê boi ano que vem mês que foi!

 

Super Size Me Brasil
Por Fran Pacheco


"Eu dormi num país de desnutridos
e acordei num país de obesos."


Teria sido o excesso de chibé? Overdose de McLanche feliz? O vício do sopão de 1 Real? O consumo desbragado de biscoitos vitaminados? O fato é que, após ler a mágica pesquisa do IBGE, comecei a olhar para as pessoas nas ruas e... quanta abundância! Quantas carnes! A cintura do brasileiro aumentou tanto quanto o rombo em suas contas domésticas. A desnutrição, segundo o Instituto, continua crônica apenas entre as mulheres do semi-árido nordestino e as modelos de mega-agências, como a By Salignac.

A nova mania nacional é detonar balanças e molas das camas. O brasileiro assumiu o modelito "Extra Large Plus" e agora clama por banquinhos mais largos e lojas como Varca ou Bella G a preços populares. A distribuição gratuita de suspensórios e cuecas samba-canção tornou-se um imperativo categórico. Bebedores de cerveja já podem ostentar como símbolo de status suas protuberâncias abdominais. Neo-potrancas podem transbordar, em calças da gang, seus pneus (nada de "pneuzinhos" - agora é Pneu mesmo). Sai Giselle Sem-Bundchen, entra Silvia Popovic como cânone estético do Brasilsão bem-fornido.

Tudo isso da noite para o dia. O que uma pesquisa do IBGE não é capaz de fazer com nossas mentes? Este é um momento histórico de mudança de paradigma. Temos mais obesos do que desnutridos! Os burocratas do Fome-Zero entraram em parafuso. Mal conseguiram abrir a bendita conta para depositar o cheque da Giselle, já estão ameaçados de pensar (o pesadelo de todo barnabé) de novo no que fazer.

O gordo, perdão, o "generosamente modelado" deixou de ser a minoria oprimida. O passado infame da adolescência sofrida está soterrado (adolescentes, quando querem, são o tipo mais cruel de pessoa). O gordo, perdão, "size-friendly", em verdade, já tomou o poder. Há muito. Vide o caso de nossa remota província amazônica, tão longe do Habib's e do Burger King: Eduardo Cadeirudo Braga, Gilberto Tucuxi, Galo Carijó Tampax, Amazonino Papudinho Mendes, Paulo Leão-Marinho Nasser, Belarmino Vigário-Mor Lins, Ari Bolinha Moutinho. É bundão que não acaba mais. Já dizia certeiro Lord Acton que o poder corrompe. Acrescente-se: corrompe e engorda. ACM é o cânone dessa escumalha que inverte a máxima de Nelson Rodrigues: "Todo político é gordo."

Mas estas são as ovelhas negras de uma comunidade cordial, amistosa, amável, bem-humorada, da qual eu próprio fui adepto convicto, antes de ser reduzido à vexatória ossada que hoje sou. Assumo e jogo na cara dos anoréxicos. Cultivei minhas dobras, sim, com carinho e com afeto, e delas só abri mão morto. Fato do qual me arrependo amargamente.

P.S. Ao contrário do Presidente Lulalá, eu acredito na pesquisa do IBGE. Para Lula, o brasileiro "tem vergonha de dizer que passa fome". Lula só não explicou como o faminto enrustido, com o famoso jeitinho, conseguiu enganar até a Lei da Gravidade, fazendo-se passar por obeso em cima da balança dos pesquisadores.

 

16 dezembro, 2004

Quem disse que no Brasil rico não vai pra cadeia?
Por Fran Pacheco

O empresário Henry Maksoud, dono do Hotel 5 estrelas Maksoud Plaza, acaba de cumprir 30 dias de prisão por não pagar a pensão alimentícia da ex-mulher (45 mil merrecas mensais). Monsieur Henry recebeu da Justiça o direito de ficar preso na suíte presidencial de seu hotel, desfrutando de todas as regalias (room service 24 horas, acesso a restaurantes, bares e lojas). Descolou inclusive um salvo-conduto para assistir a um concerto de música clássica.

Homem de visão, Monsieur Henry, num estalo de percepção capitalista, já atentou para o promissor filão que se descortina. Com a atuação cada vez maior da Polícia Federal e do Ministério Público nos calcanhares dos meliantes VIPs, haverá em breve demanda para um estabelecimento prisional à altura de seus hóspedes. Para tanto, eis que se anuncia o...



COMPLEXO PENITENCIÁRIO DE REGALIA MÁXIMA MAKSOUD PRISON


"O Maksoud Prison é um marco importante de hospitalidade, elegância e serviço impecável entre as penitenciárias brasileiras. Destaca-se desde já como um dos melhores presídios 5 estrelas de luxo de toda a América Latina. Situado ao lado da Avenida Paulista, a enxovia tem uma arquitetura muito especial com um imponente Atrium Lobby que dá ao detento uma acolhida inesquecível com fontes luminosas, galerias de lojas, restaurantes, bares, escadas rolantes, quatro elevadores panorâmicos e jardins com plantas tropicais suspensas de terraços internos que refletem as tonalidades da luz solar, oferecendo uma vista impressionante da estrutura de 22 andares e de seu escultural teto solar, belas obras de arte de Bruno Giorgi, Toyota, Maria Bononi e outros artistas renomados acrescentam à sofisticação da atmosfera.

VOCÊ MERECE UMA PRISÃO COMO ESTA

Dispondo de 416 celas individuais ou para casais corruptos (além da exclusiva suíte Calígula, para surubas), o Maksoud Prison oferece aos detentos conforto, amparo e respeito aos direitos humanos VIPs.

Todas as celas possuem espaçosas áreas de estar, 3 linhas de telefone, roupão de banho, chinelos de quarto, cofre digital eletrônico, refrigerador, acesso em banda-larga à Internet e o exclusivo Room Office. Este serviço permite ao prisioneiro completo acesso e gerenciamento de suas rentosas atividades, como narcotráfico, apostas na bolsa de valores, lavagem de dinheiro, especulação com o câmbio, corrupção de autoridades e encomenda de pistoleiros trilíngües.

Dispomos de refeitórios para uma completa e balanceada alimentação dos internos: La Cuisine du Soleil , com o melhor da cozinha internacional, Café Brasserie Belavista, Pizzeria para parlamentares, Arlanza Grill e Amaryllis Bar, com os birinaites mais sofisticados da região.

Os prisioneiros têm direito a banho de sol no SKYLINE LOUNGE com maravilhosa vista para o Parque Trianon e ampla piscina térmica.

Com a palavra, nosso primeiro detento e presidente, Monsieur Henry: "Falo por experiência própria. Você não vais mais querer sair dessa prisão!"

CONSULTE SEMPRE SEU ADVOGADO OU SOLICITE HOJE MESMO UMA RESERVA AO SEU JUIZ FAVORITO.

 

15 dezembro, 2004

Terapia de vidas passadas
Por Cezário Camelo, "Cecezinho"

Paris era uma festa. Vinha então o mau tempo. Surgia sempre que não havia bom tempo. À noite fechávamos as portas, as janelas e a boca de Ezra Pound e o vento gelado desnudava as árvores da Place Contretemps. As folhas ficavam deitadas umas ao lado das outras e o vento jogava a chuva de encontro à vidraça embaçada do Café des Auteurs. Era um café alegre, excelente serviço, repleto de escritores do bairro, americanos todos, cada um alegando ser mais perdido do que o outro, sempre bêbados, cheirando mal e aborrecendo os franceses. Eu não saía de lá. As mulheres de porre eram chamadas de prostitutes que quer dizer poetisas de vanguarda.

O Café des Auteurs era a cloaca da rue Moustarde, maravilhosa, pequenina, apinhada de gente. Eu não saía de lá. A privada parecia um quadro de Magritte. Eu não saía de lá. Toda a tristeza da cidade, quando chovia e ventava, assim como se concentrava no Café des Auteurs. Ou talvez fosse a presença do falecido Verlaine, sempre na mesma pose, na mesma mesa de fundo, uma taça de absinto na mão esquerda, uma pena na direita, uma réplica em tamanho natural de Toulouse-Lautrec sobre a cabeça putrefata.

A rue Moustarde era de um negro malhado e sinuoso. Abdul M’Saka, acho que era seu nome. Vivia do pedágio que cobrava de escritores americanos no exílio. Eu gostava de sua inventividade, seu desplante, seus lábios grossos como saucissons pintados por Vlaminck.

Fazia frio e eu não tinha o que botar na lareira para queimar. Andei pelas ruas passando pelo Lycèe Louis XVIII, a velha igreja de St.-Braque-le-Riche, a Place du Santos Dumont, sempre varrida pelos ventos, garis e crianças soltando aviões de papel, dobrei à direita, dobrei à esquerda, dobrei à direita novamente e, finalmente, dobrei a fronte do coitado do Scotty que, após uma pequena conversa, concordou em me ceder a Zelda para pôr na lareira. Com Zelda debaixo do braço, desci o Boulevard St.-Michel, passando por Cluny, atravessei o Boulevard St.-Germain até chegar a um café razoável perto da Place St.-Michel.

Era um café agradável, com um jeito de limpeza e calor humano, pelo menos sempre que Pascin ou Ford Maddox Ford, dois canalhas, possivelmente homossexuais, lá não se encontravam. Coloquei minha capa molhada e Zelda no cabide e pedi um café au lait. O garçom trouxe e eu puxei um livro de notas do bolso e comecei a escrever sobre Michigan, uma vez que chovia, ventava, e todo mundo, ao redor, falava francês. Escrevi sobre a mocidade, a meia-idade, a velhice e a morte até que um garçom, bem diferente daquele que me atendera, veio me avisar que, a qualquer momento, os alemães entrariam em Paris, e se eu não ia querer mais nada, uma vez que eles estavam para fechar e já se haviam passado dezoito anos desde que eu me sentara. Peguei minha capa ainda molhada, algo que me parecia ser Zelda, e fui para casa me sentindo bem, uma sensação agradável percorrendo meu corpo e meu espírito. Depois descobri que era Zelda.

Passei por Gertrude Stein, Alice B. Toklas, Modiglianni, Sylvia Beach, James Joyce, D. H. Lawrence, Jean Cocteau, Picasso, Man Ray, Isadora Duncan, Tristan Tzara, Francis Picabia, André Breton, Stravinsky, um homem parecido com Dostoiévsqui e o marechal Goering. Todos perdidos, todos invertidos.

Sempre que terminava um conto ou um livro eu me sentia cansado, esfomeado, barbado, sujo e mal-cheiroso. Principalmente se o conto, ou livro, me levara 18 anos de trabalho. Eu tinha sempre que fazer amor logo depois. Mas eu ainda não sabia se o conto ou livro prestava. Só saberia uns 10 anos depois quando relesse. Mas antes eu tinha que fazer amor.

– Eu acho uma idéia maravilhosa – disse Hadley, minha mulher.
– A do livro?
– Não. A outra.
– Fazer amor?
– Não.
– Zelda?
– Também não.
– Qual?
– Você ficar 18 anos sentado num café perto da Place St.-Michel.
– Ah.

Quando duas pessoas realmente se amam e uma dessas pessoas sou eu e a outra é uma mulher, quando os dois estão contentes, trabalhando, amando, bebendo, falando mal dos outros, trabalhando, amando, bebendo, falando mal dos outros, essas pessoas atraem outras pessoas como o cheiro de sangue atrai os espanhóis à arena, os escritores à guerra, os críticos a um livro que eles não entendem. Quando chegam essas outras pessoas, há uma porção de pessoas. Muito mais do que havia antes.


E é por isso que nós todos fomos a Paris, na década de 20. Paris não termina nunca e a lembrança de cada pessoa que viveu em Paris é diferente uma da outra. Nós sempre voltávamos a Paris, não importavam as mudanças, as dificuldades, os turistas brasileiros. Paris sempre valia a pena e o capital nela investido sempre rendia juros. Mas é assim que Paris era antigamente quando éramos todos pobres e muito felizes e meu nome era Ernest Hemingway e eu ainda não tinha botado a boca no cano da carabina e espalhado meus miolos pela sala inteira.

 

A Stalin o que é de Stalin
Por Fran Pacheco

O Governo mais uma vez abortou um monstrengo que concebera: o Conselho Federal de Jornalismo, órgão que iria monitorar a livre expressão da Imprensa. Projeto sepultado pelo Congresso, a mando do próprio Governo. Tudo bem, só não me conformo com essa campanha de revisionismo histórico. Chamar uma proposta dessas de "stalinista" é querer limpar demais a barra de um ditador cujo grande projeto de vida foi matar 20 milhões de conterrâneos. Ela foi, quando muito, reles e simplesmente "castrista".

 

Pecados da cera
Por Stella Maris - especial para o Club

Ando sumida, mas volto logo. Passei por Londres e fui ver o presépio no Museu de Cera de Mme. Tussaud, com uma réplica perfeita de David Beckham no papel de José - e com sua esposa, Victoria Adams, como a Virgem Maria. Infelizmente, um fanático religioso destroçou as imagens e o presépio foi fechado.

Agora, pense bem: blasfêmia não é Beckham no papel de São José. Pecado mesmo é Maria ser virgem com um marido daqueles.

 

Véri Impórtanti Pípol
Por Fran Pacheco

Muito se comentou que nosso saudoso Festival Internacional de Cinema foi desprestigiado pelas celebridades de Hollywood. Agora o secretário vitalício de Curtura, Robério Braga, já pode respirar mais aliviado.

Explico: é que na semana passada foi reinaugurado o Scala (favor não confundir com a casa noturna do Chico Recarey) de Milão. Foram convidados George W.C. Bush, seu poodle Tony Blair, a rainha Elizabeth e Jacques Chirac.

Nenhum deles apareceu. Os milaneses tiveram que se contentar com o rei Harald e a rainha Sonja, da Noruega, o presidente da Suíça (tão discreto cujo nome ninguém sabe qual é), os premiês da Croácia, Albânia e Bulgária (a tríplice-cloaca da Europa). E com ninguém menos que... Dona Marta do PT.

Robério já anotou todos esses nomes promissores em sua agenda. "Esses topam vir, esses topam! Ainda mais com tudo pago", acredita.


 

14 dezembro, 2004

Exercícios malogrados de futurologia (Tomo II)
Por Prof. Azancoth (Cathedrático & Devasso)

Erros fundamentais de pessoa


“Faça um curso de secretária, Norma Jean. Ou arranje um marido.”
Da chefe de uma agência de modelos, em 1944 – para a futura Marylin Monroe.

“Você nunca será nada!”
Do professor de grego do Ginásio Luitpold, Munique, para um aluno de 16 anos – Albert Einstein.

“O Povo francês não é regicida.”
De Luís XVI,em 1792 - meses antes de ser guilhotinado por regicidas.

“Trata-se de um homem extremamente bondoso.”
Do escritor francês Alphonse de Chateaubriand, em 1939 - sobre Hitler.

“Esse rapaz não tem o menor talento. Diga a ele para desistir de pintar.”
De Edouart Manet, num bate-papo com Monet, em 1864 – sobre Auguste Renoir.

“Daqui a cem anos, os livros de literatura só citarão As Flores do Mal como mera curiosidade.”
De Émile Zola – sobre o conterrâneo Charles Baudelaire.

“Não sabe representar, nem cantar e é careca. Mas dança um pouco.”
De um executivo da MGM, em 1928 – sobre Fred Astaire.

“É apenas um crioulinho magricela.”
De um técnico pernambucano dos anos 50 – descartando Pelé (campeão do mundo aos 16 anos).

“Esse aí não tem pinta de presidente.”
De um executivo da United Artists, durante uma escalação de elenco – sobre o ator Ronald Reagan.

“Não gostamos do som de vocês. Além disso, conjunto de guitarristas não tem futuro.”
Do manda-chuva da gravadora Decca, em1962 – despachando os Beatles.

“O Governo Collor vai dar certo.”
Namur, ex-numerólogo do Jornal do Brasil, em 1992 – ano do impeachment.


 

A hora e a vez de Rochinha (ou o Holocausto Tupiniquim)
Por Fran Pacheco

Chegou o Dia do Julgamento. Se o Juiz Rocha Cabeleira Mattos for condenado aos míseros 3 anos de reclusão que o Ministério Público pedirá para ele pelas traquinagens apuradas na já mitológica Operação Anaconda, é bem capaz do distinto ser solto logo após a sentença, para aproveitar a dolce vita. A senhora duvida?

Isso se tudo correr conforme o figurino. Mas o Rochinha é um crânio e pode virar o jogo. Só mutantes com hipertrofia neuronial conseguem passar em concurso para Juiz Federal. E ele conhece todos os meandros da legislação, todas as brechas por onde escorrer sua delgada figura. Só falou demais ao celular sobre business e se deu mal.

Nosso personagem da semana alega que sofreu "maus-tratos, ui" (lembram dele de paletó e algemado diante das câmeras de TV?), que não é tio-avô do Salsicha e que sua manutenção atrás das grades "fere a Lei Orgânica da Magistratura (Loman)". Ao seu comovente drama particular, Rochinha deu o nome de "Holocausto Tupiniquim".

A forma como ele se refere aos seus algozes (PF, Secretaria de Segurança de São Paulo, Ministério Público e a Desembargadora que cuidou de seu processo) é sucinta e delicada: "Torturadores de pessoas, negligentes, prevaricadores, criminosos, arbitrários, caprichosos, violadores de dever funcional e dever de urbanidade, violadores da dignidade humana, malfeitores, carentes de Graça Divina, ignorantes no trato das Leis, comunados para o mal, vingativos, castigadores primatas, justiceiros pelas próprias mãos, violadores do Estado de Direito sem a menor vergonha pela toga que vestem e pelo cargo que ocupam, podendo, futuramente, com a Graça e permissão de Deus estarem na mesma situação desgraçada deste magistrado." Imagine-se o que ele teria a dizer de si próprio, se tivesse vergonha na cara?

De qualquer forma, apesar de toda celeuma, tudo o que conseguiram somar em penalidades previstas para um juiz membro de uma quadrilha togada que vendia sentenças foram três fugazes anos, sendo que um já se passou. Não é nem o intervalo entre duas Copas do Mundo.

Pobre Rochinha. Inocente ou culpado, está condenado, pela generosidade de nossas leis, à liberdade.

 

13 dezembro, 2004

Sampa me deu nojo!
Por Ishtar dos 7 Véus, a hedonista


Hedôzinha fez de tudo para levantar a poesia concreta dos irmãos Campos, mas hoje eles são só medula & osso com geléia até o pescoço.


E hoje eu acordei má... Muita má, fofitos!... Sabe aqueles dias em que até uma pessoa boa, iluminada e preocupada com o bem estar do ser humano (eu, of course), acorda com uma vontadezita de fazer uma maldadezinha?... Nem que seja uma pequenininha?... Ah, coisa de mulher com TPM... Foi olhar a minha vizinha com o seu gatinho angorá de estimação que... Plim!... Me veio a cena de Glenn Close cozinhando coelhinhos em Fatal Attraction... Uma coisa 'Ana Maria Braga do Lado Negro'... Creeedo!... Foi ver a metidita da Stella Maris tomando banho no banheiro da academia que... Plim, Plim!... Me veio a cena de Norman Bates e sua faquinha Ginsu em Psycho... Tim, tim, tim, tim... Beeeeem... como sou uma bruxita do bem, tipo Charmed... Bem, deixa pra lá... Tá, tá, não blogo há duas semanas porque estava em Sampa, tá bom pra vocês?... É, eu e mister K nos reconciliamos... Fui obrigada a ouvir uma palestra chatíssima dos irmãos Campos no Sesc-Pompéia sobre “Transmigração das almas noigandres ou o desenlace nefasto da poesia concreta no novo milênio”... Primeiro falou o Haroldo (que já morreu), depois o Augusto (que já morreu e não sabe), e quando o Décio Pignatari (quem não tem onde cair morto) ia signatariar, foi embora a luz... Mas valeu a pena... Já esqueci o Nilsão (ele só queria me usar!) e o Cecezinho (que nunca soube me usar!)... Aliás, ele escreve bem, mas usa aquelas hoooorrrrríveis cuecas boxer e minâncora no sovaco... Creeedo!!!... Não vou fazer maldades com o Cecezinho porque isso dá um karma pesadééééérrimo!!! But falar uma maldadezita... Huuuuum... Ah, isso pode, né?... Tava eu, ruiva-loura-e-saltitante na pista do Level Club (hello! Tou falando de SP, ok?) quando o tóin tóin tóin foi murchando, as luzes foram murchando, as barbies e bibetes foram murchando... E as trevas tomaram conta da Level!!! -Where is the perfect night life of São Paulo, hã?... Eu adoooooro os paulistas, são superfofitos, etc, etc... mas tem sempre aquilo de dizer que a night em Sampa é tchuuuudo e o Amazonas só tem índios e piranhas... Humpf... Tão tá, né?... Só que eu estava no place mais hot de lá e tuuuudo murchou, linditos... Erro, erro, erro... Seria culpa de S. Khalil M. G. Bara (o boss do place) que não pagou a conta de luz?... Seria culpa de alguma bibete tarada, que queria transformar a boate num big dark room, e fez uma magia negra pesada pra que isso acontecesse?... De alguma camisete lesada que tropeçou em alguma tomada?... Tá... Tá... Pesquisei e descobri que a culpada de tudo foi a Eletropaulo, que resolveu mudar uns geradores naquela night e não avisou a nobody... A Barra Funda tava tooooda dark!... Eu, hein?... Corra para a Luz, Caroline!... Ai, ai, ai... Outra maldadezita: Alguém viu "A Cartomante"?... Fofitos, que filme é aqueeeeeeeele???... Ai, de novo: - Que filme é aqueeeeeeeeeele?... Agora eu entendi porque a Silvia Pfeifer foi correndo morar em Portugal... Abafa!... E, por último, um babadito total: um cotonete, dois chicletitos nojentos, três pedacinhos de vidro, uma figurinha do Bob Esponja, dois cotoquitos de cigarro e uma coisita gosmenta não identificada... Adivinhem o que é isso?... A lista de objetos que estavam na sola do meu sapatito depois de sair da Level Club no last saturday!!!... Sampa me deu nojo, juro!... Fofitos, mediante essa situation nada agradável, euzita estou lançando uma campanha: "Ajude o sapatito de Hedôzinha a sair limpinho da balada paulistana "... É uma coisa tipo Amway: junte três bibetes paulistas porcas (que não costumam usar a lata de lixo da boate) e façam uma lavagem cerebral nelas, implantando um chip que as ordene a serem limpinhas (Ai... tô tão Philip K. Dick hoje!), elas farão o mesmo com mais três e assim por diante... No final?... Bibetes limpas e eu saindo com o meu modelito Phernando (acho mais chique com Ph) Pires liiiindo da Level... Eu, os faxineiros e Khalil M. G. Bara agradeceremos muuuuuito... Minino, aquele chão fica tão nojento que nem minha amiga dona Maria é capaz de dar um jeito... E olha que as paulistas têm fama de educadas e finas, hein? Sei... Abafa! Música do dia: "Simpathy for the Devil", com Cláudia "Floresta da Tijuca" Ohana cantando (porque eu quero com ela, ok?) ou "Bad" com Michael Jackson... Escolham... Ui, mulher com TPM... Interatiiiiiva... O blog da dona Maria agora tem senha, é???.. Très chic... Beijitos... Fui!

 

Santa Casa
Por irmão Paulo

Era o irônico nome de um lupanar, hoje se diz casa de programa, que funcionou, ou diziam funcionar, durante a parte mítica de minha infância, lá para as bandas do Recreio dos Bandeirantes - a casa, não a infância. Fechou, dizem, porque casas mais mudernas e profissionais foram aparecendo, com mocinhas mais jovens e inventivas, e ninguém mais queria ir tão longe para se consultar num puteiro caindo aos pedaços. Seus serviços foram superados pelo progresso, resistiu algum tempo às custas dos homens da zona rural e dos pé-inchados. Do último dono só se falavam maravilhas, que era cheio de idéias novas, tratava bem a meninas e os fregueses e trabalhava de graça. Mas anos de má gestão cobravam seu preço e o Santa, ao final, fechou.

Um grupo de ativistas saudosistas, ainda me lembro, tentou sensibilizar o prócer local, Coronel Bandeirantino e chegaram mesmo ao Prefeito Municipal, ao argumento de que se tratava não de um puteiro comum, mas do local onde a maior parte dos homens da região nasceu para a vida mundana. Como o Prefeito não era o César Maia, a história não colou, ´Puteiros, já os temos de sobra!`, teria dito o jovem Prefeito, ´ademais, o puteiro não é público. Quero mais é abrir estradas`

Assim, o velho Santa Casa, não porque os homens tenham deixado de gostar de buceta, mas por não existir mais clientes que o tornassem rentável (mesmo que lucro nunca tenha sido seu forte) fechou as portas. No mundo que se iniciava não havia espaço para puteiros românticos, com putas excitadas – somente para discretas casas de programa com putas limpíssimas, praticamente inodoras, que falam esfíncter em vez de cu e com as quais todos nós, com o tempo, waaal, nos acostumamos.

 

12 dezembro, 2004

Desbafo de um português dos quatro costados
Por Fran Pacheco


Lamento, torcida de Manaus.
O Bacalhau não jogará contra o São Raimundo no ano que vem.

 

11 dezembro, 2004

Meus Discos Favoritos (3)
Por Cartier, Free-Lancer


Bob Marley queimando tudo em Catch a Fire (1972) - Felizmente as velhotas do Departamento de Censura, além de não reconhecerem um brioco (vide o LP do Tom Zé), não faziam idéia do que era um belo de um baseado. Bob lives, Man!


 

10 dezembro, 2004

Pequenas leis de Azancoth para a Economia de Mercado e Afins (Tomo II)
Por Prof. Azancoth (Cathedrático & Devasso)

1. Em qualquer repartição, o volume de papéis aumenta à medida em que se passa cada vez mais tempo fazendo-se relatórios sobre aquilo que se faz cada vez menos. A estabilidade é alcançada quando TODO o tempo passa a ser gasto produzindo-se relatórios sobre o nada que se está fazendo.

2. Em qualquer organização, há sempre uma pessoa que sabe o que está se passando. Essa pessoa deve ser despedida imediatamente.

3. A mediocridade se reproduz.



 

Eu era roubado e não sabia (só desconfiava)
Por Fran Pacheco

Se uma CPI feita às pressas pela Câmara Municipal descobriu que cada usuário vem sendo surrupiado em 20 centavos de merreca, a cada corrida de ônibus, há sete anos (tungada total: R$ 227 milhões)... o que não descobriria uma exumação ampla, geral e irrestrita dos esqueletos da era Buchada Nascimento - Galo Carijó Tampax? Talvez encontrem até o monstro de Loch Ness empenhado a preço superfaturado por alguma(s) secretaria(s).

Pena que Serafim tenha comemorado a vitória com um jantar na casa do ex-Secretário de Finanças desta Era das Trevas (ou do Ouro, se você estivesse no "esquema"). É torcer para que ele literalmente cuspa no prato em que comeu.

 

08 dezembro, 2004

Exercícios malogrados de futurologia (Tomo I)
Por Prof. Azancoth (Cathedrático & Devasso)

"É uma invenção maravilhosa. Mas não passa de um brinquedo."
Gardiner Hubbard, sogro de Alexander Ghaham Bell, em 1876 - sobre o telefone.

"Quando a Exposição de Paris terminar, ninguém mais vai ouvir falar nela."
Prof. Erasmus Wilson, de Oxford, 1878 - sobre a luz elétrica.

"Um metal insensível e ignóbil."
Prof. Jean Boillaud, da Academia Francesa de Ciência, 1878 - sobre o fonógrafo (avô do CD).

"Não passa de uma curiosidade mecânica."
Penman's Art Journal, 1887 - sobre a máquina de escrever .

"Nossa invenção será encarada por algum tempo como uma curiosidade científica, mas não tem futuro comercial"
Auguste Lumière, 1895 - sobre o Cinema.

"Só um miolo-mole pode esperar algo de uma carruagem sem cavalos."
The American Executive, sobre o automóvel .

"Isso não passa de uma mistificação."
Lord Kelvin, da Royal Society britânica, 1900 - sobre os Raios-X .

"Minha imaginação se recusa a crer que essa engenhoca possa fazer outra coisa além de sufocar sua tripulação e afundar no mar."
H.G.Wells, escritor inglês, 1902 - sobre o submarino.

"Um brinquedo interessante, mas sem qualquer utilidade militar."
Marechal Ferdinand Foch, da Escola Superior de Guerra da França, sobre o avião.

"Uma idéia essencialmente impraticáve.l"
Revista Nature, 1936 - sobre o foguete.

"Nunca dará certo. A família americana não ficará horas olhando para uma simples tela."
New York Times, 1938 - sobre a televisão.

"Será o maior fracasso da história de Hollywood. Ainda bem que é Clark Gable, e não Gary Cooper quem vai entrar pelo cano."
Gary Cooper, 1939 - sobre "E o Vento Levou".

"Ela nunca explodirá e falo isso como perito em explosivos."
Almirante William D. Leady, 1945 - sobre a bomba atômica.

"Até julho, sai de moda."
Revista Variety, 1956 - sobre o Rock'n Roll.

"Não existe nenhuma razão que justifique uma pessoa ter um treco desses em casa."
Ken Olson, da Digital Equipment Corporation, 1977 - sobre o Computador Pessoal (PC)


--((Epílogo))--

"Tudo o que podia ser inventado já foi inventado."
Charles H. Duell, gerente do Escritório de Patentes dos EUA, 1899 - sobre tudo.

 

07 dezembro, 2004

Que reforma, cara-pálida?
Por Fran Pacheco

Reforma do Judiciário, isso aí? Façam-me um favor... parem de tentar ser originais e lembrem-se: não importa o assunto, um grego ou um romano já pensou nisso antes. Por exemplo, em 80 a.C. o sanguinário ditador romano Sila baixou uma reforma genial, que previa entre outras coisas:

  • Qualquer pessoa que tivesse processo há mais de três meses nas mãos do juiz, sem julgamento, tinha o direito de ir morar na casa do juiz até ver sua questão decidida.
  • Juizes condenados por corrupção seriam expostos em praça pública, dentro de uma gaiola.

Convenhamos, um sujeito com idéias tão singelas não podia ser de todo mau. Pena que ninguém lembrou dele na hora de fazer a nossa reforma meia-boca.


 

06 dezembro, 2004

Lulou Geral
Por irmão Paulo

Todos e tudo navega ao sabor dos ventos da opinião pública e dos resultados formais dos governos. Veja-se o interessantíssimo comportamento da grande Mídia Nacional. Até os setores tradicionalmente anti-PT ou anti-Lula estão usando essa tradição para revestir de credibilidade a Lulanização recente.

Veja Lulou de cabo a rabo. A Rede Globo, inclusos as rádios, jornais e revistas do grupo, Lulou há muito. Rede Record, tendo como ápice do neo-lulismo o jornalista Paulo Henrique Amorim, Lulou até a última gota da medúla. no Amazonas, todos são Lula. Chega a ser ridículo e, mesmo, suspeito.

Assiste-se uma engenharia política visando manter o PMDB no governo Federal e reaglutinar aliados dispersos pelas circunstanciais eleições municipais. Vale tudo para viabilizar o tempo de TV do Presidente-já-candidato. Só não vale perder.

Nas ondas dos resultados obtidos por Palocci, o que só ressalta - na figura do Presidente e do Ministro - a tradicional obstinação petista em relação a seus pontos de vista (outro exemplo é a obsessão do Senador Marta - o verdadeiro Mogadon de Eduardo - pelo projeto de renda mínima). Agora, tudo são rosas. Fernando Henrique, o patife, prevendo a calmaria tenta fazer marola e desmumificar os confrades, mas em vão. Cada estrela tem sua trajetória e seu interesse, foi desautorizado por Aécio Neves e Geraldo Alckmin que, governadores de Estado dependentes do Governo Federal, não podem iniciar a campanha antes do tempo, sob pena de verem as torneiras petistas se fecharem. FHC, sem notar como todo narcisista, exibe seu rabo multicor, como todo pavão, a uma platéia vazia.

Enquanto isso, Lula é a figura mais exposta na mídia. Continua se comunicando com a população. Continua mantendo sua aura de honestidade e de homem com bons propósitos. Divulgou, agora, um dito documentário de seus dias de campanha. Muito oportuno, já que a campanha está se aproximando, é preciso mostrar como era esse homem antes do poder. É preciso mostra-lo cortando cabelo no bairro, antecipando (o que afasta a acusação de estelionato ideológico) a política econômica, agora que ela mostra seus resultados. Chorando, bebendo, sentado no chão. Enfim, Lula volta a ser gente. O documentário foi uma sacada de gênio.

 

A receita original da Cuba Libre
Por Prof. Azancoth (Cathedrático & Devasso)


Em pleno Bar do Armando, o escritor Márcio Mad Maria Souza exercita seus dotes de barman com as receitas exclusivas dos Terríveis.

Ingredientes:
1 Habeas Corpus
1 garrafa de Mineirinho
50 cubos de gelo siberiano
1 rodela de limão
2 litros de Underberg (com soda... na caninha)
1 anão
1 lata de goiabada
5 potes de melado
2 garrafinhas de molho inglês
10 garrafas de Ron Bacardi
1 eletrola Sonata
1 disco do Dick Farney ("Uma Rumba ao Cair da Tarde") ou qualquer LP de mambo do Dilo Perez Prado

Modo de preparo:
Beba tudo de uma vez, ponha o disco na vitrola e dance uma rumba ou um mambo para misturar tudo no estômago. Se você vomitar, use o anão para limpar a boca. Para encerrar, limpe o anão com o Habeas Corpus.

 

05 dezembro, 2004

Incompreensão e música de elevador
Por irmão Paulo

Antes me espantava com a capacidade que as pessoas tinham, em geral, de distorcer minhas opiniões. Hoje, já há tempos na verdade, vejo que todos compreendem o que querem compreender e já não espero nada de ninguém. Faço meu trabalho, aquele para o qual vim ao mundo, estoicamente. Sem esperar reconhecimento ou compreensão.

Assim, o bostíssimo Festival de Cinema foi uma iniciativa importante e louvável. Ninguém nunca tinha feito algo assim antes. Cheio de erros e raro de acertos, mas as primeiras pedaladas são sempre as mais difíceis. O tal insucesso de público (relativo, pois coisa boa acaba sendo pra pouca gente mesmo) pode até ser um dado positivo, numa cidade cujo público leva Amazonino e Serafim pro segundo turno. A Mostra Paralela e as exibições no largo salvaram a festa. Ano que vem vai ser melhor, se resolverem trocar de festival e fazer o meu. O resto são sombras de árvores alheias.

A turma que chacoalha com a iniciativa é a mesma que incensa gente como Tom Jobim. Registro 10 anos de sua partida, ou vinda. Tom, o incompreendido Rei do Elevador, superou até Henry Mancini que pontificou absoluto durante décadas.

Rejeita-se a expressão, quase sempre utilizada em tom depreciativo. Música de elevador é um termo cunhado para designar a música tocada em bares, restaurantes, elevadores (quando os elevadores tinham música), enfim em ambientes onde deveria servir de fundo musical, sem atrapalhar a vida e os pensamentos das pessoas.

Tom Jobim, na verdade, foi um músico popular de amplitude limitada. Até meu ouvido de lata percebe que Samba de uma Nota Só é puro Nigth and Day. Nas poucas vezes que ousou fugir ao café-com-leite bossanovista e arriscar na música séria deu-se mal. Sua Sinfonia de Brasília, que deveria ser algo grandioso e futurista, como o momento e a cidade, ao estilo de um Assim Falou Zaratustra – só que no cerrado, acabou um arremedo de sinfonia villa-lobosiana, fazendo com que o fundo musical oficial de Brasília tivesse, ainda, gosto de Estado Novo.
Era também limitado em outros aspectos. Quando moço, músico preocupado com o cachê para pagar as contas. Depois, rico, em buscar uma causa que lhe desse norte, achou-a no super marketing de ecologista. Nunca foi um pensador como Chico Buarque, investigador de costumes como Noel Rosa ou mesmo de sons e ritmos como Villa-Lobos. Despolitizado, mas por não entender de política. Bonito, foi um traçador de mulheres. Talhou-se, assim, para ser compositor de música de elevador.

Nesse tipo de música, que se escuta durante tempo interminável sem enjoar, Tom permanece imbatível. Nada melhor para preencher os espaços vazios numa reunião de amigos em casa, num almoço descontraído e charmoso, em momentos mais promissores com a mulher desejada que um legítimo Tom Jobim de elevador (ou de avião) no som. Sem ser cantado por ele, obviamente, para não tisnar suas obras-primas com seu mugidos sofridos. Um brinde ao inesquecível Tom e, waaal, à sua insuperável obra de elevador.

 

04 dezembro, 2004

Pequenas leis de Azancoth para a Economia de Mercado e afins (Tomo I)
Por Prof. Azancoth (Cathedrático & Devasso)

1. Bastante pesquisa acabará comprovando qualquer teoria.

2. Se os fatos não confirmarem a teoria, abandonemos os fatos.

3. Se os engenheiros construíssem edifícios da mesma maneira como os economistas planejam a economia, qualquer pica-pau persistente destruiria a civilização.





 

O FANTÁSTICO FESTIVAL DE CINEMA
Por irmão Paulo

Como divulgado às fartas no Diário Oficial, de reduzida circulação mas onde se encontram as verdadeiras notícias, o Secretário de Cultura permaneceu os últimos meses de férias. Dizem que colaborando na campanha do Sr. Abelha. É um direito que lhe cabe e um privilégio que, se concedido mesmo, foi lastreado nos resultados por ele obtidos. Nunca ninguém realizou o que ele realizou, motivo pelo qual é um divisor de águas. Dito isto, ao malho. Construtivo.

De férias, pelo que se sente, deixou em seu lugar uma trupe de profissionais que foram devidamente engabelados pelos franceses. Aliás, os franceses gostam de sair por aí aplicando em países subdesenvolvidos, fizeram isso durante anos na África, Ásia e mesmo América. Os franceses são foda. A empresa promotora, executora ou sei lá o quê do Festival, parece ter mantido tudo em segredo, revelando ao final que não viria nenhuma estrela de primeira grandeza. Imeditamente, ao menos foi o que pareceu, foi concebido um plano B, e o fato de não vir nenhum artista de porte, só craques de bastidores, foi focado como uma característica do evento, uma saída inteligente – capitalizar o fracasso com o argumento de que tudo foi planejado assim. Se os franceses são foda, no mau sentido, diria que Robério é mais phoda ainda, num raro elogio que faço.

Faltou Herzog, faltou Cláudia Cardinale (que tem doces lembranças daqui), faltou Sean Connery, Natassia representando o pai, faltaram muitos. Assim, os franceses tornaram a lista de ausentes o documento mais importante da iniciativa, passando recibo de que talvez não apenas o Brasil não seja sério.

O Festival ficou reduzido ao segundo escalão das novelas da Rede Globo – Quinto Escalão em termos de cinema internacional - e à presença do Comendador Barreto (que, por sinal, conhecedor do caminho das pedras, já deve ter farejado cheiro de reais por estas plagas). Comendador Barreto conhece toda arte refinada de fazer filmes furrecas com dinheiro público. Teve também a presença do diretor de “A Missão”, um chatíssimo filme com Robert de Niro e depois mais artistas globais.

Estive presente à Noite de Abertura, ao lado de todos aqueles fantasmas penados (presos ao início do século passado) apavorados com a tela de cinema. Ao lado disso, acompanhei a transmissão pela televisão. Com um pouco de treino é possível estar em mais de um lugar ao mesmo tempo – expandido (mas isso é assunto para outro momento). Pra variar, a melhor coisa da noite foi a apresentadora – Daniela Assayag, com um vestido cuja alcinha deixava ver a tão procurada marca do biquíni, caindo pelo belo e pré-renascentista corpo, aliados àquele irônico e enigmático sorriso, que se abria cada vez que o outro apresentador (pedante como sempre) pronunciava nomes de artistas brasileiros enrolando o erre: Kadiú Móliterrniu. Daniela, ah Daniela, se morto eu não fosse tu te verias envolta em minha corte irresistível. Daniela é uma fera indômita em busca de arreios. Já falei a vocês de como foi mágica a cena daquela linda mulher cavalgando um boto no meio da Arena do Festival Folclórico?

A tradução, feita por uma velha senhora (além dos franceses, ninguém que tenha se educado após a II Guerra fala francês no Brasil), foi correta. Concluída a cerimônia, feita a foto oficial ao irônico fundo musical de Porto de Lenha, foi iniciada a inacreditável exibição de uma continuação bosta de um filme bosta. Mas, waal, o cinema só pode existir como arte (mesmo que em raros momentos) por conta da grande quantidade de bosta vendável. Então, um viva à Tainá 2!

Saí voando (literalmente) para assistir No Paiz das Amazonas, mesmo com pianista de cocar, a visão daquelas brumas me emociona. De repente, não mais que de repente, deparo com meu amigo Fran Pacheco, em seu médium, cercado de mulheres, e já meio inebriado com o pó das mariposas da noite. Imagino a farra que depois se deu. Não sei o porquê, mas não funcionou pra mim aquela exibição conspícua, seja qual for a justificativa sócio-cultural apresentada. Mandei-me. Talvez por me ter visto por lá é que Fran cobre estas mal traçadas, que dou a público a contragosto e a destempo. Estava preparando um ensaio sobre um peixinho curioso aqui da Amazônia, o candiru, mas interrompo para atender ao Fran.

O Secretário da Cultura tem mesmo a bunda virada pra lua. Algo que tinha tudo para ser um fracasso retumbante, conseguiu ser transformado em algo de avaliação complexa e imprecisa. Marcaram o Festival na mesma época do Festival de Brasília (coisa dos gringos, certamente), escolheram um segmento da ficção onde não acontece nada de novo desde que Fileas Fog concluiu sua volta ao mundo e fundou a National Geographic Society. Não conseguiram sensibilizar os astros mundiais para dar glamour ao festival, nem selecionar filmes de gente grande. E pra completar, o filme ganhador não tem nada de aventuresco. Mas os artistas globais vieram, para a patuléia não há diferença entre Cristiane Torloni e Demi Moore, Gianechini e Tom Cruise. São todos a mesma coisa – celebridades tipo genérico. Pra mim, tudo a mesma merda. Ainda assim, tem gente que achou um milagre ter sido feito um festival com tal porte com apenas 4 milhões. Oriundos de recursos privados.

O nosso deveria ter sido um Festival de “Cinema de Arte”, entre aspas mesmo, cabendo nesse balaio grande os gêneros clássicos – Drama e Comédia –, além daqueles filmes inclassificáveis mas bons e, ainda, tendo justificativa de sobra para a falta de grandes astros. Fazendo um festival cabeça, com condições de fomentar ainda mais o intercâmbio profissional e a capacitação dos artistas locais, correríamos o risco de, talvez, ter gente boa por aqui: Almodóvar, Werner Herzog, Woody Allen (quem sabe), Costa-Gavras, Milos Forman, Polanski, Robert Altman, Terry Gilliam para ficar em alguns diretores. E até mesmos atores do porte de Omar Shariff (de volta agora), Claudia Cardinale, Sophia Loren - porque não?, Jeanne Moreau, Fernanda Montenegro, Leonardo Villar, a Juliette Binoche, o próprio Gérard Depardieu, Isabelle Adjani, o estupendo Jean Reno etc. Eis a diferença.

Ao franceses deram com os burros n’água, se dependesse de mim, não voltariam mais aqui. Reavaliaria esse conceito de Mundial de filme de Aventura, essa tentativa de reproduzir o glamour de outros cantos do mundo, que não combina com o Brasil, onde até para eleição de entidade de classe a turma faz o maior carnaval. Porto de Lenha, como vaticinou a música de Torrinho (no fundo da foto oficial), tu nunca serás Liverpool.

Nem Cannes.


 

03 dezembro, 2004

Quociente Emocional (teste o seu)
Por Prof. Azancoth (Cathedrático & Devasso)

Boa noite a todos. O presente teste é uma parceria minha e de meu colega, Ph.D. e psicoterapeuta da Universidade de Goyo-Erê, Dr. Aftasärdem Aftasdöem (carinhosamente chamado pelos seus colegas e alunos de Prof. Treme-Treme).

Estire-se no divã confortavelmente, respire fundo, fique calmo e responda à seguinte questão:


O seu filho de seis anos chega com você e diz: - "Papai, sabe quem vem todo dia aqui em casa, logo que o senhor sai prá trabalhar?"

- "Não...", responde você. E completa: - "Quem é, filhote?"
- "É o tio Ricardo. Ele vem ajudar a mamãe todo dia a limpar a casa enquanto eu fico brincando no quintal. Você sabe quem é o tio Ricardo, papai...?"

a) Você não sabe quem é o tio Ricardo e não quer nem saber quem é;
b) Você não sabe mas desconfia quem seja o tio Ricardo, e acha que deve ser gente boa;
c) Você acha que é algum perobo, desses que gostam de ajudar na limpeza de casas;
d) Você acha que sua mulher é uma santa.

Resposta:
Se você respondeu a, b, c ou d fique certo que você é bastante calmo e manso, e sabe controlar perfeitamente suas emoções. Mas fique certo também de uma coisa: que o Ricardão tá baixando na tua mulher, isso eu não tenho a menor dúvida.

 

02 dezembro, 2004

O Roberito é nosso!
Por Fran Pacheco

"And the Roberito goes to... Brazil! Brei-siuu!", anunciou nosso projeto de Cid Moreira, o Jazz-Man Humberto Amorim. Naquele instante, o Teatro centenário quase veio abaixo, tamanha a comoção. Sim, sim, a estatueta é nossa! Para sempre! Não há dúvida, não há desculpa, não há sofisma. Desde a Palma de Ouro, com O Pagador de Promessas, e do Urso de Prata de Central Station, o cinema tupiniquim não galgava tão alto grau de destaque em festivais internacionais. Amazônidas, fomos palco de um momento inominável. O Grand Prix do Júri multi-étnico, concedido ao filme Quase Dous Irmãos, de dona Lúcia Murat foi a marmelada, digo, o fecho de ouro, a apoteose que todo secretário da "Curtura" sempre sonhou para seu festival. Quando a diva La Torloni chamou à tribuna, em seguida, no calor da histórica conquista, "o Doutor Eduardo Braga, o grande idealizador deste festival" (script típico do Robério), a claque galvanizou-se, urrou, contorceu-se, gritou num brado retumbante: salve, salve! Xerimbabos se descabelaram e tietes ameaçaram se jogar dos camarotes. Sim: o Cadeirudo é Pop.

Dudu ficou tão pimpão com a mise-en-scene roteirizada e dirigida pelo genial Secretário, que talvez faça outro festival, só pra ser aplaudido gostoso de novo e jantar toda noite com celebridades. Quem sabe, no próximo alinhamento da Terra com Marte e Júpiter. Basta o Robério arranjar uma nova trupe de negocistas ucranianos, líbios, tchetchenos, o que for. Menos franceses. O cineasta J.R. Rodrigues, nosso autoproclamado bicho da goiaba verde da sétima arte, já deu seu ultimato: quer patrocínio público para suas produções. Márcio Souza considerou um "milagre" termos feito um festival deste porte, com míseros 4 milhões de merrecas. Normandy Litaiff acha que o cinema mundial precisa de mais dois anos para conseguir produzir novos filmes para um festival como o nosso. E Zé do Caixão se passou direitinho pelo Rubens Edwald Filho. Com a palavra, Mister Humbertow Amorim: "That's all, folks!"

 

Obrando arte moderna
Por Fran Pacheco

A todos os proctologistas que suspeitavam da verdadeira natureza da arte dita "muderna", eis a comprovação de suas teorias: ela teve sua gênese nos banheiros públicos, nas "casas de força". Pesquisa realizada pelos britânicos (sempre eles) acaba de revelar que o "Urinol" (foto), de 1917, do emérito gozador Marcel Duchamp é a obra mais influente sobre a arte contemporânea (mais que Guernica, de Citröen Picasso e minha instalação-conceitual inédita “Pichorra Transcendental”).

Moral da história: minha senhôra, minha amiga - quando seu pimpolho fizer pipi no sofá ou caquinha no canto da sala, não o reprima! Pode ser a vernissage de um futuro gênio pós-muderno.


 

Entrevistin bem rapidin
Por Torquato Piauí

Encontrei casualmente o Waly “Batatinha” Sailoormoon na Usina Chaminé, logo depois da palestra da Bia Junqueira sobre Direção de Arte para Cinema, e resolvi saber sua opinião sobre o Amazonas Film Festival - Mundial do Filme de Aventura. O papo que rolou, depois de alguns finórios cabalísticos, foi esse:

Waly, como você avalia, hoje, o Me Segura em função do panorama político-cultural 70-73, fazendo um paralelismo quântico com o Festival de Cinema que está rolando em Manaus?

Falar sobre o “ME SEGURA...”? Bem, uma coisa para mim é visceral, visceral: marcar o caráter IRREDUTÍVEL dele. O livro está ali inteiro integral tal qual uma rocha donde mina uma fonte d’água quem quiser saber do que ele trata não faça arrodeios se chegue mais para perto bote as palmas da mão em concha arregace suas mangas e beba DIRETO sem intermediários sorva daquele manancial intacto. Eu não parei ali mas ele está lá intacto. Que queriam de mim? A brandura dos que batem no próprio peito mea culpa mea máxima culpa? Uma Madalena arrependida expiando autocríticas? O prosseguimento moto contínuo do mesmo périplo? O “ME SEGURA...” de novo? O “ME SEGURA nº 2”? O meu é um curso enviés torto oblíquo de través. O meu é um fluxo MEÂNDRICO. Eu subo e desço, mas não desagüei de todo ainda. Quanto o Amazonas Film Festival não passa de uma piada, BULLSHIT pago em euros aos picaretas do Le Public Système Cinéma. Filmes como “Story Undone” (Dastaneh Nataman), do iraniano Hassan Yektapanh, a gente acha em qualquer lata de lixo da periferia de qualquer grande cidade brasilírica. Me dá mais um trago, que só de falar nessa porcaria já me deu enjôo...

Em termos de linguagem, como você define o Me Segura e o Amazonas Film Festival?

Antonio Cândido quase entendeu o alicerce do “ME SEGURA...” quando assinalou a RUPTURA DE GÊNEROS que ali de fato ser perfaz... O texto “A MEDIDA DO HOMEM” é uma espécie de curto KABUKI CABOCLO. É TEATRO RELÂMPAGO pois possui estrutura homóloga ao COMÍCIO RELÂMPAGO. TEATRO DA TORTURA visto do vértice do torturado. CONCISÃO E BREVIDADE. Já quanto ao Amazonas Film Festival, não dou um mísero tostão furado pelo alcance cognoscitivo, ou pior, pela atuação efetiva sobre a realidade de criar um pólo cinematográfico no meio do mato. Os convidados, os filmes selecionados, os locais de exibição, a dinheirama gasta em bocas-livres, o ar entediado do governador na abertura, aquela coisa grotesca de tapete vermelho e o barata-voa que rolou depois, quando constataram que as salas estavam ENTREGUES ÀS MOSCAS, tudo não passou de um item do longo capítulo de esperança e desespero que o Robério Braga vem encenando na cultura HÁ DEZ ANOS (oito com o Amazonino, dois com o Eduardo). Parece uma encenação ao vivos dos “POSSUÍDOS” de Dostoievski com um elenco de um bando de niilistas obcecados por uma idéia-fixa, uma mono-idéia, que é encher o cu de grana à base da EMPULHAÇÃO CULTURAL, e com bem menos talento do que os personagens-soma do romance. Putz, deixa eu dar mais um tapa, que esse pretinho é dubom.... É lá da rua 13 é?...

Que significações teve o desbunde na geração 70 comparado ao conformismo do novo milênio?

Desbunde e desbundado são o que pode refletir o olho reificador do sistema. In “SAINT GENET, COMEDIEN ET MARTIR” eu encontro esta frase que recorto com minha tesoura-síntese: “As pessoas de bem dão nome às coisas e estas conservam tais nomes”. Quem sabe o que eu sei quem está dentro da minha pele sou eu. Agora se você quer saber o que eu faço: então vá lá. Sobre as outras questões a que você se refere: a História pode talvez não ser um pesadelo mas a historiografia político-cultural-literária certamente sempre será. E também ainda não me conformei de estar morto. Bom, mas deixa eu matar essa zureta... Tu tens mais aí?! Pô, bicho, então enrola...

Tudo bem, tudo bem. Vou apertar mas não vou acender agora. Se segura, malandro, e antes me dê uma receita de arte poética

All right, meu brodão. Negócio seguinte: deixa primeiro eu dar um tapa que vou tentar recitar OLHO DE LINCE pra minas do Pastel de Keijo, que vivem grelhando na laje da Dona Maria. Tô muito louco, tchê!

Quem fala que sou esquisito hermético
É porque não dou sopa estou sempre elétrico
Nada que se aproxima nada me é estranho
Fulano sicrano beltrano
Seja pedra seja planta seja bicho seja humano
Quando quero saber o que ocorre à minha volta
Ligo a tomada abro a janela escancaro a porta
Experimento invento tudo nunca jamais me iludo
Quero crer no que vem por aí beco escuro
Me iludo passado presente futuro
Urro arre erre y urro
Viro balanço reviro na palma da mão o dado
Futuro presente passado
Tudo sentir total é a chave de ouro do meu jogo
É fósforo que acende o fogo da minha mais alta razão
E na seqüência de diferentes naipes
Quem fala de mim tem paixão

 

01 dezembro, 2004

Diário póstumo de um cinéfilo (penúltimo)
Por Fran Pacheco

As opiniões sobre o festival se dividem. Todos os convidados do Governo, com hospedagem, alimentação e city-tours pagos, estão adorando. Os aldeões estão indiferentes. Uma senhora no terminal de ônibus (onde estão passando os filmes de 1 minuto) disse que preferia ver a imagem de um padre fazendo a pregação. Não tenho com quem discutir as nuances de fotografia, montagem e trilha sonora dos filmes coreanos e vietnamitas em cartaz. Não consigo falar com o Kakof, para polemizar e perdi o e-mail do Ivan Lessa. Rubens Edwald está vendido ao Governo. Fico desanimado. E ainda por cima, tenho cadáveres para enterrar. Poeticamente falando, é claro. Não fui ao Tropical Hotel assistir aos eco-documentários sobre a prática de necrofilia entre os patos do Canadá. E ainda confundo alhos com bugalhos, no caso de nossos vizinhos Peru e Colômbia. Com a agravante de que eu não faço a menor idéia do que sejam bugalhos.

A seguir, a penúltima seqüência (serei breve) dos filmes que vocês não viram. E uma pergunta intrigante: por que o próximo festival, se existir, só será daqui a dois anos? É tão difícil assim trazer nove longa-metragens para exibir num cinema?


Bocage, o Triunfo do Amor (hors-concours)
A poesia e a sacanagem do genial bardo luistano, num filme sem pé nem cabeça do nativo Djalma Limongi. Delirante. Sensacional. Sensacionista. Um Peter Greenaway deglutível. O melhor filme já exibido neste festival.

September Tapes
Jornalista que teve a esposa morta no World Trade Centre resolve ir à forra e matar Osama Bin Laden, embarcando com uma trupe de documentaristas rumo ao Afeganistão. Deles restam os tais tapes, que é o que vemos na tela. É sério. No pior estilo Dogma e Bruxa de Blair. Torci a valer pelos talibans.

The Snow Walker
Piloto cai com o avião no meio da tundra canadense e não se conforma. Recebe a ajuda de uma jovem nativa Inuit. Já seu pra sacar o que rolou? Uma mistura glacial do Survivor com "Eu Vou Tirar Você Desse Lugar."

O Silêncio da Floresta
A humilhação final para o pólo de cinema do Amazonas: Camarões já produz Cinema (e bom). Na verdade, até o Butão (no segundo barranco depois do Everest) produz, tendo já emplacado um filme ("A Copa") para concorrer ao Oscar, barrando na época o filmeco Orfeu, de Caca Diegues.

Quase Dois Irmãos
Segundo um diário local, "nossa única esperança de premiação". A indignação popular tomará as ruas se este filme com Werner Bento Gonçalves Schunermann, sobre dois ocupantes de um xilindró em plena Ditadura Verde-Oliva sair de mãos abanando. Estamos de olho em vocês, srs. Jurados! E ainda por cima pagando sua boca-livre.