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09 maio, 2007

A LEI DE PIRES

“A CULPA É DOS ACONTECIMENTOS.”
Waldir Pires, futuro ex-Ministro da Defesa, denunciando formalmente à Nação os verdadeiros responsáveis pelo Apagão Aéreo (08/05/2007).


 

07 maio, 2007

O Mongo e o Executivo
Por Stella Maris - especial para o Club

Se você é daqueles que sonha em ser um alto executivo, mas ainda ocupa o cargo de baixo rola-bosta, não esmoreça! Esqueça Roberto Shinyashique, ponha pra correr Layr Ribeiro, dê um safanão no primeiro Augusto Cury que vier com conversa mole. Esconjure de uma só vez qualquer Gustavo Cerbasi, Bernardinho, Vendedor Pit-Bull ou Família Schürmann que tentem lhe vender estratégias pré-moldadas para a sua, convenhamos, merda de vida. Se é para auto-ajudar-se, então auto-ajude-se com gente grande, com os verdadeiros manda-chuvas, os maiores tycoons de todos os tempos. Aqui vai nosso top-five (catado na Amazon.com!) a respeito:

5º - “If Aristotle Ran General Motors”
O velho filósofo cheio de idéias que ensinou Alexandre, o Grande a deitar na relva helênica tinha tudo para deixar Jack Welch e outros maiorais de Detroit no chinelo em qualquer brainstorm sobre Ética, Metafísica, reenginering, outsorcing e troca de óleo. Principalmente se a discussão fosse em Grego clássico. Pena que, por uma sutil contingência do destino, Ari tenha morrido dois mil anos antes da GM precisar de sua consultoria. Do mesmo autor de "If Harry Potter Ran General Electric"! (US$ 11.20)


4º - “Elizabeth I, CEO – Strategic Lessons in Leadership from the Woman Who Built an Empire”
Mocréias do mundo, unite! Sob este lema, a Rainha Virgem, na falta do que fazer (sem TV e sem querer, digamos, abrir seu capital) deu aquele empurrãozinho para a Inglaterra tornar-se um dos impérios mais vastos, bem-vestidos, snobs e escrotos que já existiram. Aprenda seus segredinhos, mas não saia por aí com cintos de castidade e roupas bufantes... (US$ 12.00)


3º - “Moses: CEO”
Este guia é um verdadeiro maná na chupeta. Além de garoto de recados do implacável Jeová (Deus, em sua fase Bad Boy), Moisés foi o maior rogador de pragas que o mundo já conheceu. Um talento que você precisa dominar se quiser passar a perna, de forma sagrada, no seu faraó ou capitão do mato. Apesar de péssimo guia de viagens (levou mais de 40 anos para ir do Egito à Terra Prometida, que é logo ao lado), o imortal autor do Pentateuco tem o mapa da mina para você chegar à sua Palestina particular. (US$ 14.00)


2º - The Leaderships Secrets of Attila, the Hun
Olha o flagelo dos deuses de Wall Street aí, gente! Atarracado, cabeçudo, analfabeto de treze gerações, porcalhão convicto, mas com uma cimitarra deesse tamanho. Podia ser um brasileiro qualquer, mas assim era o invocado Átila, um especialista avant la lettre em aquisições imobiliárias agressivas e lei de falências (onde botava os pés, nada mais dava certo). Entre para o clube dos bárbaros com MBA e detone a "face humana do capitalismo" e outras frescuras. (US$ 10.46)

- Make It So: Leadership Lessons from “Star Trek the Next Generation”
A série podia ser uma merda do tamanho da galáxia de Andrômeda, mas aquele lugarzinho onde “nenhum homem jamais esteve” guarda segredos que podem fazer sua carreira deslanchar de vez, nem que seja rumo ao primeiro buraco-negro da esquina. (US$ 16.10 - Grátis um par de orelhas do Sr. Spock)


 

04 maio, 2007

Fuçando o buraco negro
Por Fran Pacheco

Impossibilitada por razões congênitas de fazer algo que preste, a CPI do Abafão Aéreo estuda convocar Marcos Pontes – nosso turista espacial aposentado – para depor. Se a arrojada manobra estrelar funcionar, nem mesmo o Hubble poderá corrigir o foco da CPI. E a não ser que Pontes, o Sorridente, arranje um habeas-corpus preventivo, terá que abrir o jogo. Afinal, os feijõezinhos que ele plantou no algodãozinho, lá na Estação Espacial, brotaram mesmo? Ou foi tudo uma gigantesca farsa de 10 milhões de dólares? Nossos netos têm o direito de saber!


 

29 abril, 2007

Em mais um furo espiritual de reportagem, descobrimos o teor da primeira, sucintíssima e definitiva conclusão que o Secretário Especial de Ações a Longo Prazo, Prof. Dr. Ph.D. F.d.P Roberto Mangabeira Unger apresentará à gloriosa nação bananeira:

“NO LONGO PRAZO ESTAREMOS TODOS MORTOS.”

(P.S. Mas a CPMF continuará em vigor)


 

23 abril, 2007

As Metamorphoses
Por Fran Pacheco

Sempre que um partido desses muda de nome, penso logo naqueles filmes que mostram empresas prestes a cair na malha-fina americana, triturando a papelada e formatando os discos-rígidos para apagar os rastros de suas peripécias. Ou numa queima de arquivo, pura e simples. Alguém aí se lembra da UDN? Que fim levou? Estará enterrada junto com a ossada de Dana de Teffé? E a ARENA, o maior partido político do Ocidente? Levou sumiço junto com o menino Carlinhos? E o paradeiro do PRN, o partido delle? Que tal perguntar pro ex-lugar-tentente delle, o Calheiros, propondo é claro uma delação premiada?

Só pra ficar num exemplo ainda fresquinho no nosso esquecimento: alguém ainda recorda do PFL? Aquele, o pefelê, partido do coração de nove entre dez coronéis de barranco... o pefelê de tantas aprontações pra contar... Pois os velhos coronéis se reproduziram e a novíssima cepa – uma galerinha da pesada capitaneada por Rodriguinho Maia e ACMzinho – agora atende pela graça de “O Democratas” (sic), ou “DEM” para os íntimos. Isso depois que seus globalizadíssimos filiados descartaram(*) o acrônimo “PD”, de Partido Democrata, pelo chiquérrimo motivo de que, veja só, lá em França “pedê” quer dizer “baitolo”. Nem imaginam o que DEM quer dizer em dialeto swahili...

Além de renegar o nome de batismo, outros expedientes muito usados pelas facções, digo, partidos, são as fusões, incorporações, abocanhações, escamoteações, fagocitoses, simbioses, defecções, mimetismos, metempsicoses e, mais modernosos, morphs e remixes digitais. Acrescente-se o subterfúgio adicional do troca-troca e fica praticamente impossível reconstituir, no espaço-tempo convencional, o iter-criminis de um político, desde o dia em que recebeu a picadura da mosca azul até hoje.

Tudo isso depõe a favor de uma só pessoa: Darwin. Por mais que os neocarolas a proíbam nas escolas, essa tal de “Evolução das Espécies” existe, sim senhor. Não importa o quão mutável, complexo e hostil se torne o meio em que vive: devidamente adaptado o animal político sempre arranja um jetinho de ficar malemolentemente por sobre a carne-seca. Extinção? Nem pensar.

Quem parece ter empacado e não evoluir nunca é o eleitor – esse sim, um verdadeiro animal. Taí uma questão que nem Darwin explica.

(*) Descartaram também o old-fashioned Jorge Bornhausen, que as más línguas costumavam comparar com Hitler. Pura sacanagem. Hitler pelo menos sabia pintar.


 

21 abril, 2007

Até tu, Mangabeira?
Por Fran Pacheco

O mais novo aspone com status de ministro da Grande Coalizão pelo Progresso e pelo Bem dos Bons Companhêro (a.k.a. Governo Lula 2.0) é um “gênho” da raça, com QI quase igual ao do Roger (chasonnier do Ultraje a Rigor), sotaque que faz páreo ao do rabino Sobel – e desprovido de meias palavras. Prof. Mangabeira Cabeção, ídolo de Caê Meloso e mais conhecido no eixo Harvard-MIT-SPECTRE como Dr. Góri, nunca foi de poupar elogios ao seu novo patrão:

“Afirmow ke o presidentchi, avessow ao trabalhow e ao estudow, desatentow aos negótzios do Eshtado, fugidio de tudow o ke lhe traga dificuldade or dissabor e orgulhozo de sua própria ignorância, mostrou-ze inaptow para o cargow sagradow ke o povow brasileirow lhe confiow.”, declarou certa feita à Folha, no auge do furdunço do Mensalão, enfezadíssimo e com a mão direita (cheia de vontades próprias) tentando abrir-lhe a braguilha.

Prof. Cabeção ficou tão eufórico com a sinecura* oferecida pelo governo por ele considerado “o maish corruptow de nowssa histórrria nachional”, que num acesso de tremedeira teria tentado agarrar o presidente gritando “Mein Lulah! I can walk!”. (O Ministério da Informação nega veemente o ocorrido e promete arrancar em juízo R$ 30 mil de quem insistir na tese).

Agora o governo já abarrota a esplanada com 36 ministérios & cabides de 1º escalão, com expectativa de que até o final do mandato seja ultrapassada a marca dos 100 – a maioria a ser ocupada por notórias nulidades ou antigos desafetos, devidamente "pacificados". Futuras aquisições podem incluir o senador ACM, para o MIMA (Ministério da Malvadeza), Fernando Gabeira para o MINERVA (Ministério da Erva), Nelson Ned para um nanoministério e Bruna Surfistinha como go-go-embaixatriz do Brasil junto ao circuito noturno executivo-internacional. Afinal, se é pra continuar com essa cafetinagem de Estado, melhor chamar quem já tem ânus, digo, anos de experiência no setor.

*Trata-se de uma tal "Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo", cuja primeira missão, no longo prazo, é definir a que diabos será que se destina.


 

20 abril, 2007

The Fat Famiglia strikes again
Por Fran Pacheco

A recente divulgação do contrato milionário da Assembléia Ruminativa do Amazonas com uma empresa fornecedora de tíquetes-alimentação supostamente destinados a abastecer as vorazes panças dos nobres deputados & agregados trouxe à tona uma constatação marcante: o puder engorda, engorda absolutamente.

Não se questiona nem a necessidade de um deputado que ganha salário + verba de gabinete + jetons + otras cositas más necessitar dessa ajudinha tão “proletária” (ou no máximo tão “classe média”) chamada vale-refeição*. Na verdade um vale é pouco. Não tem tíquete de Itu que apascente a gula dessa gente. Basta analisarmos suas silhuetas. A incidência alarmante de palanques desmoronando ultimamente não deixa dúvidas sobre o excesso de carga que assola o meio político local.

Só pra começar: olhem o Belão. Porra, o Belão tem toda pinta de traçar três javalis no almoço. Não se sabe nem se o pantagruélico procônsul da assembléia adquiriu esse figurino Gerard-Depardiano graças à prolongada exposição ao puder, já que aparentemente sua casta vem mamando desde a fundação de Roma (Suetônio e Plutarco espalhavam à boca pequena que Rômulo & Remo eram da tribo dos Linx).

Quem quiser mais exemplares que visite o saite da Assembléia e contemple o banner lombrosiano, onde desfilam as sorridentes efígies de todos os eleitos pela infinita estupid... digo, generosidade e feeling político do povo amazonense. Magrinhos, há alguns, mas como diz o vulgo, devem ser “magros de rúim”. A maioria, ah, só pela cara, como diz o supracitado vulgo, deve “comer que é uma desgraça”.

Quanto ao benemérito aí, que paga a conta do banquete (não olhe pra trás), melhor não meter a colher no festival gastronômico legislativo. Não demora, em resposta a alguma blitz conjunta do Ministério Público e dos Vigilantes do Peso, os nobres onívoros, em desagravo a si próprios, decidam instituir o vale-tiramisu, o auxílio-Balla-12 e o tíquete-Beluga. Tudo em nome da transparência e da manutenção de suas necessidades e instintos mais básicos. E pra não dizer que não cuidam da saúde, podem arrematar com um vale-Botox e uma licença-spa. Duvida? Nunca subestime a filhadaputice de um parlamentar.

(*) Seria desabonador que um dia batessem à sua porta, você abrisse, olhasse para baixo e visse o Sinésio, todo pidonho, implorando por uma "kentinha".

 

18 abril, 2007

Amante dos sonhos
Por Fran Pacheco

Meio da madrugada. Dona Lurdinha acordou de repente, ouvindo uma voz abafada vinda do lado:

“Ana Paula...”

Era o marido, seu Egídio, que D. Lurdinha chamava há trinta anos de “Vidinha”. Pois o Vidinha estava falando o que não devia, dormindo, lívido, o barrigão para cima, empapuçado de suor, a boca aberta, arfante, repetindo bem baixinho:

“Ana Paula... Ana Paula...”

D. Lurdinha não entendeu ou não quis entender o mantra que o Vidinha insistia em repetir. Chegou-se mais perto, devagar, pra velha cama não ranger. Queria ter certeza. E ouviu bem mais do que esperava, quando Vidinha arfou bem alto:

“Ahhh... Ana Paula Arósio...”

Era isso mesmo?

Vidinha deu uma resfolegada, a barriga encheu-se de ar e, como que para tirar qualquer dúvida, arrematou no mais explícito êxtase:

“Ana Paula Arósio... aahh... assim eu morro...”

“Aaaaiii!” pensou D. Lurdinha, encolhendo-se para trás, contra o travesseiro, trincando os dentes para não gritar. Logo ele, o Vidinha do seu coração, logo ele, como pôde! como pôde! pai de três filhos, avô de seis netos, antigo congregado mariano, torcedor doente do América, logo ele! baixinho e meio careca, aquela papada pronunciada, aquele xulé devastador – sem falar nas três décadas de traques noturnos que ela, pelo bem do matrimônio, estoicamente suportara. “Não acrediiito!...Sem vergooonha...” E Lurdinha cobriu as orelhas com o travesseiro para não ouvir mais. Logo ele, como pôde! tamanho coroa, aquela cara sebosa cheia de crateras de bexigas, aquela pelugem brotando das narinas feito samambaia e ainda por cima cambota, mas tão cambota que no serviço militar era chamado de “culhões entre parênteses”. Logo ele... D. Lurdinha não conseguia entender. O que a Ana Paula Arósio viu no Vidinha?!

“Filha da puuuta...”, concluiu.

Teve vontade de enxotar o depravado de casa ali mesmo, aquilo era um lar de família, ele que fosse pros braços daquelazinha, só porque aquelazinha era “astista” (sic), só porque era “jovem”, “linda”, “gostosa” e “poderosa” e “etc.”, aqueles “olhos azuis”, aquele “carisma”... Dona Lurdinha nem teve coragem de se comparar com... a outra. Ou melhor, tentou, mas desistiu na hora. Esperou o coração acalmar, a tontura passar e pensou mais claramente: “não... não pode ser... não tem condição... o safado só pode estar sonhando...” E começou a rir aliviada, bem baixinho: “nunca, mas nunquinha que a Ana Paula Arósio ia dar bola pra um batoré desses... ah...ah...ah...” E passou a mão na testa suada do cônjuge desacordado: “sonha, vai sonhando, tigrão, ah... ah...” Pensou indignada no que essa televisão coloca hoje em dia na cabeça das pessoas. Pensou no Reynaldo Gianecchini, que ela achava “muito homem” e, comparando com o flácido ser que jazia ao seu lado, desatou a rir maliciosamente por debaixo do travesseiro.

Resolveu se vingar sonhando com o Gianecchini. E o Vidinha que visse o que é bom pra tosse, quando acordasse no meio da noite com a santa esposa gemendo “Giane... Gianequinho...”

E dormiu, como sempre, senhora absoluta da situação.

Só não consegiu sonhar com nada além de uma receita de bolo de fubá ensinada por um papagaio. Nem falou nada para o Vidinha no café-da-manhã. Vidinha, aliás, seu Egídio, despediu-se e avisou lacônico: “Hoje tem dominó. Chego mais tarde”. D. Lurdinha disse um “vai com Deus” protocolar e pensou: “vai bater na porta da Rede Globo, vai... ah... ah... ah...”

Mas seu Egídio passou bem longe de qualquer estúdio de TV quando saiu do trabalho e seguiu direto para o clube privê “Rosas de Mayo”, onde o ex-frentista Paulo Jorge, aliás, sua Ana Paula Arósio de ébano, já o esperava.


 

16 abril, 2007

Com que roupa?
Por Fran Pacheco

Faltando 18 meses para as eleições municipais, o estressado alcaide Sarafa ainda não decidiu se vai para a “pequena festa da democracia” (a grande festa já passou) atacando de Robin Hood ou de Kamikaze – já que pelo visto a bata de Madre Teresa de Calcutá terá que ser disputada a tapa com seu antípoda, o Capiroto Mendes. Torcemos fervorosamente para que os dois declarados amantes do povo mais humilde venham a se enfrentar não em debates soporíferos, mas numa agitada gincana de lava-pés.

Recomendamos, neste ínterim, que Sarafa se dedique a sessões intensas de fisioterapia para relaxar um pouco o dedo indicador, que vira e mexe não resiste e entrega algum desafeto (o último delatado foi um touro , detentor da esporrada mais cara da Amazônia Ocidental). Outro detalhe importante é aprender a arte de suar copiosamente e conquistar seu novo eleitorado na base dos ferormônios. Político no Amazonas que não sabe suar feito um porco fica com fama de fresco.

Ao Negão, recomendamos em primeiro lugar manter-se eloqüentemente calado, ou aprender de vez (tamanho velho!) que as necessidades devem sair pelo outro lado, não pela boca.

Em segundo, abandonar de vez essa coisa tão démodé de ser “oposição” ao Governo Popular Democrático de 1.000 Anos do PT. Faça como o Cadeirudo, o Cabo Pereira, o ACM, o Janene, o Sarney, o Calheiros, o Jáder, o Collor. Junte-se aos bons, aderindo enquanto é tempo a algum satélite da “base aliada”. Milhares de filhos da puta juntos não podem estar errados.

Logo, logo, veríamos o Negão sendo recebido em palácio por Lula, que elogiaria a “experiênça administrativa” do novíssimo companheiro. Veríamos o camarada Eronildo negando pela milésima vez ser adesista e afirmando que nunca foi oposição à “pessoa” de Amazonino, mas às “idéias” do dito cujo. Veríamos por fim o Cadeirudo afagando aqueles cabelos grisalhos e salpicados de pó (de estrada), comemorando a volta do “pai pródigo”. Quem sabe até Gilberto Mestrinho saísse brevemente do Retiro dos Artistas para tentar articular algumas palavras - em vão.

Mas seja qual for o modelito escolhido pelos dois principais contendores, faz-se mister manterem a retaguarda bem guarnecida. Afinal, no ateliê da Compensa, Pink & Cérebro (vulgos Melo & Braga) não vêem a hora de conquistar o mundo.

 

10 abril, 2007

O Ministério da Piada Pronta adverte...
Por Fran Pacheco

Após semanas e semanas de desenfreado consumo por parte da classe humorística, os estoques de piadas prêt-a-porter sobre o faniquito do rabino, o gol 1.000 e o apagão aéreo encontram-se perigosamente baixos. Recomenda-se parcimônia no trato da coisa, tendo em vista que tais problemas, embora aparentemente insolúveis, comportam um número apenas finito de gracejos.

Como poucos podem dar-se ao mesmo luxo de um José Simão, ambientalista que recicla todo dia a mesma coluna, com pequenas variações de fraseado e ademanes, o país espera que todo piadista, todo satirista e todo wit cumpra seu dever e pare de racionar o raciocínio. Coragem, senhores e pensem. Pensem, nem que seja na bunda da Dilma Rousseff.

Do contrário, o colapso avizinha-se implacável, ameaçando transformar de uma vez os bobos da corte na corte dos bobos – uns citando e/ou linkando os outros, numa orgia de confetes que só pode descambar na mais baixa forma de expressão humana: o humorismo a favor (vade retro!).

Em nome do pouco que resta de cinismo, anarquia, ironia e acidez no humorismo nacional, não se deixem contagiar pela euforia da aprovação estratosférica do governo. Resistam e não abandonem suas trincheiras gritando lulalá! De Chicos Carusos e Veríssimos este país já é auto-suficiente.

P.S. De pelegos também, mas Franklin Martins aceita analisar currículos.


 

05 abril, 2007

Notas do subterrâneo (CXXII)
Por Fran Pacheco

A decadência da Intelligentsia
Apesar de ter deixado os intelectuais brasileiros órfãos de assunto, o fim do Big Brother 7 veio em bom tempo. Se já tinha neguim alçando Alemão à categoria de “personagem brechtiano”, não tardaria muito para cada paredão ser motivo de quebra-quebra na faculdade de Filosofia.

Marca registrada
O fato do núcleo pobre da minissérie Amazônia ter passado metade das cenas dançando forró não deixa dúvidas: é uma legítima obra de Glória Peres.

Zeca Diabo forever
A maquiagem de Lima Duarte não convenceu como o terceiro avatar do seringueiro Bento, personagem aparentemente imortal que pontificou na trama desde o Ciclo da Borracha até o final da década de 80. Para alguém com cento e poucos anos ele estava inteiraço.

Physique du rôle
Ao contrário do que tudo indica, não há nenhuma cláusula contratual que obrigue Humberto Martins a fazer exclusivamente papel de cafajeste. Não é à toa que o mesmo já pensa em se aventurar por novos papéis. Uma cinebiografia de Jece Valadão, quem sabe.

Nervos à flor da pele
Toda vez que ouve Lula prometer uma “solução final” para a crise, Henry Sobel se treme todinho.

Com o pires na mão
Lula descartou mais uma vez anistiar o povo brasileiro de Valdir Pires - que aliás está cada vez mais à vontade no métier de ex-Controlador Geral da União. Resumindo: muita merda ainda há de ser jogada na turbina.

Efeméride
Este é o 693º post psicografado neste blogue, que até o momento contabiliza 2.954 comentários, 123.745 visitas individuais e 5 processos nas mais variadas varas. Isso tudo, da mesma forma que aquele encruado “mil” do baixinho, não quer dizer absolutamente porra nenhuma.


 

24 março, 2007

Trânsito: tem jeitinho?
Por Fran Pacheco

Pode até ser que haja vida inteligente em algum ponto remoto do universo. Nos órgãos de planejamento de trânsito da cidade não tem. Mesmo assim, as ôtoridades ditas competentes não desistem de ter “idéias”, as quais se chamássemos de “idéias de girico” incorreríamos em deplorável eufemismo.

Se conhecermos, porém, um pouco da psicologia animal, até que podemos entender o drama que aflige as rudimentares estruturas nervosas dos planejadores do tráfego urbano. Enquanto metade da cidade reclama da emputecente lentidão do trânsito a outra se queixa da velocidade homicida praticada por uma vasta legião de viúvas e viúvos do Senna. O último tecnocrata que tentou conciliar essa antítese, só de pensar no que diabos é “antítese” viu aterrorizado seus miolos escorrem fervendo pelas fuças.

Sem falar no problema dos suicidas, aqueles pobres coitados que desistem de tudo e decidem atravessar na faixa de pedestre – mas esses males d´alma estão fora de nossa alçada. O que podemos, e devemos, como deformadores de opinião, é primeiro ajudar, ou melhor, adestrar a municipalidade a parar de fazer coisinha feia por aí. Segundo, a saírem do muro e decidirem de uma vez por todas entre o caos e a esculhambação. Terceiro, a implantarem a Secretaria Extraordinária de Gambiarras à qual eu prontamente enviaria minhas próprias, royalty-free e muy viáveis...

Propostas para combater os excessos de velocidade nas ruas da cidade:

  • Correria se combate com engarrafamento. Aos apressadinhos, a municipalidade deve criar culhões e dizer em cadeia de rádio e TV: “Queriam o quê? Andar a 200 por hora que nem que na Alemanha? Taqui esse engarrafamento procês. Autobahn é o cacete!”
  • Equipar as vias com vasto sortimento de buracos, fendas, canyons, atoleiros e calombos, devidamente sinalizados (“Área de Conservação Permanente de Crateras; “Cuidado! Lombadas Camufladas.”)
  • Em casos extremos, retirar a cobertura asfáltica da pista e substituí-la por mata cerrada.
  • Instalação de chancelas nas faixas de pedestres.
  • Contratação emergencial, sem concurso público, de mil loiras de parar o trânsito.
  • Alargamento dos canteiros centrais de forma a tomarem a maior parte, se não toda a extensão da via trafegável.
  • Encenação de trombadas, engavetamentos e hecatombes em pontos estratégicos, com direito a gelo-seco e dublês gemebundos, cobertos de ketchup. Não tem quem não pare pra olhar.

Propostas para reduzir os congestionamentos nas ruas da cidade:

  • Promover o acesso gratuito e universal da população a cursos de paraquedismo, e possibilitar a todo cidadão ser jogado do alto de aviões Hércules da FAB diretamente sobre seu local de trabalho.
  • Implantar a jornada de trabalho de 40 horas semanais. Seguidas, para ninguém ficar nessa de ir e voltar do trabalho todo santo dia. O horário do almoço pode ser substituído facilmente com o uso de soro fisiológico.
  • Promover gestões junto às montadoras para reduzir em 30% o comprimento dos veículos, o que por si só reduziria em 30% a extensão dos engarrafamentos.
  • Implantação de um programa de emigração voluntária, com perdão total de dívidas de IPVA, IPTU, auto de infração, auto de fé e o diabo a quatro, a quem quiser dar o fora da cidade (levando o carro junto, é claro). Concomitantemente, promover ampla divulgação na mídia nacional de epidemias, assaltos, chacinas e atrocidades administrativas ocorridas na cidade "de formas" que qualquer valente pense duas vezes antes de não se mudar para cá com seu carro a tiracolo.

Por fim, caso faleça às autoridades a vontade política para implantar tão singelas medidas, que pelo menos acabem com a Voz do Brasil! Engarrafamento ao som de Voz do Brasil é meio caminho para o câncer.


 

11 março, 2007

Em defesa do baixinho
Por Fran Pacheco

Os sarcásticos e mordazes analistas de futebol (oficiozinho quase tão micha quanto o de “crítico de TV” ou “blogueiro formador de opinião”), em sua grande maioria membros da grande conspiração rubro-negra para conquistar o mundo (“Rumo a Tóquio 2007”), estão se esbaldando com a derradeira e solitária saga do Sr. Romário de Souza Faria, quadragenário, em busca de seu acalentado milésimo tento (era assim que se grafava “gol” quando Romário nasceu).

Francamente, senhores, nunca se viu tanto deboche, tanta acidez despejada contra a melhor idade! Contra o apogeu da medicina geriátrica, que permite ao provecto desportista o prodígio de dar seus bicões sem se desmilingüir. Ou arriscar cabeçadas, com suas veneráveis cãs, desdenhando o risco de um AVC. Não se respeita nem mesmo o respeito demonstrado pelos backs (“zagueiros”, na linguagem hodierna) adversários, que abrem passagem para o herói pátrio, o founding father do Tetra, sem ousar molestá-lo, assim como qualquer gentil-homem cederia seu assento no bond para, digamos, Henriqueta Brieba.

Podem rir-se da personalíssima contabilidade do imortal (ao que tudo indica) ludopedista de Jacarezinho, que aplica dribles desconcertantes na aritmética dita “clássica” e aglomera, no hiperespaço da pequena área, todos os seus tentos, digo goals, digo gols, mas todos mesmo, anotados desde priscas eras em papiros secretos, incluindo os marcados em várzeas já extintas, quermesses, churrascos de fim-de-semana, partidas de pebolim (totó) – e também os gols marcados por sósias, dublês e entusiastas dos mil golos. A maioria das testemunhas desses obscuros e controversos factos, é verdade, já faleceu ou não mais responde a provocações (e estímulos em geral). Essa controvérsia, das mais áridas e bizantinas (“credo quia absurdum”, resolveria numa só tacada o devoto), ficará em aberto, reservada para os decifradores de pergaminhos e palimpsestos – ou James Cameron, quem sabe.

Enquanto isso, fiquem vocês com os cro-magnons importados, com o Rocky XXIII, o Rambo XLVIII, Indiana Jones & o Corega Sagrado.... e não contrariem demais o baixinho! Acreditando ou não nos mil gols, é nosso dever humanitário torcer (ou zelar) para que ele chegue pelo menos lúcido até lá.

 

07 março, 2007

A hora do Cachação
Por Fran Pacheco

Camaradinhas, verdade é essa: tudo nesse mundão precisa de uma mãozinha americana para funcionar (a começar pela Europa velha de guerra, que sem a grana do Plano Marshall hoje seria uma imensa Albânia). Claro, há exceções: os nativos da Papua Nova-Guiné ainda devem fabricar orgulhosamente seus próprios atabaques (embora eu desconfie que é tudo jogo de cena – de noite eles assistem Baretta, que eu sei).

O que eu quero dizer, se me permitem uma pausa para um gole, é o seguinte. Foi só o talebã americano assumir que está mesmo afinzão do tal etanol brasileiro, que os nossos cromossomos monocultores ficaram todos ouriçados (“Plantation! Plantation!”). E, forçoso admitir, com mais um gole dessa purinha: têm toda razão. Esse negócio de o país ser tristemente alcunhado de “Bananão” já não estava casando bem com o nosso perfil muderno. Do Presidente a qualquer bicudo de menor patente, todos sabem, está na cara congestionada e no andar trôpego da nação: a verdadeira vocação nacional é o arco (que é como chamam álcool lá em Minas).

E arco do bão, como o aiatolá americano em breve sentirá no brinde protocolar com nosso companhêro conoisseur. Mas tem de ser um brindão daqueles, em copinho profissional, uma talagada só, profunda, de marcar a garganta de Mr. President a fogo. Afinal, será o gesto simbólico, embora ardido, que selará nosso upgrade de república de bananas para república da cana - a verdadeira Arábia da Mardita.

Só mesmo no gozo cerimonial daquela intimidade de bêbado, com uma mãozinha americana no nosso ombro dizendo pastosamente “sou teu amigo... te considero pra caramba...” que nosso adorado Bananão finalmente assumirá (tentando fazer um quatro sozinho, quem sabe, “me larga, porra!”) que esta terra ainda vai cumprir seu ideal. Ainda vai se tornar um imenso Cachação.


 

01 março, 2007

A culpa é do cálculo
Por Fran Pacheco

Mais uma vez somos muy gratos ao Haiti por ser o único favelão da América Latina a ter um crescimento do pibe menor que o brasileiro. Ah, um dia o Haiti ainda vai perceber sua verdadeira vocação na nova zorra mundial - a de segurar lanterna e pagar mico pros outros - e pedir nos semáforos uma gorjetinha dos demais países fuleiros do mundo.

Mas e quanto ao nosso pibe muxiba, de quem é a culpa por tão vexatório resultado? Do cálculo, ora pois! Onde já se viu não darmos o devido peso, na tal fórmula, ao fabuloso crescimento do PIB e da renda per capita dos nossos “nobres representantes”? Em quatro anos de boca-libre, o PIB do Chinaglia cresceu escalafobéticos 179%. Mixaria se comparado ao da deputada Andréia Zito (PSDB), que inflou 715%. Sem falar no “Primeiro-PIB”, o do efelentífimo, que veio a dobrar – fazendo comer poeira o crescimento da China, Índia e Rússia juntas.

Imagine agora a quantas não deve andar o PIB do Okamoto, do Marcos Careca, do Dirrceu, do Bob Jefferson, do Janene, do China (Gushiken) e de tantous outros, digamos, empreendedores controversos caídos no esquecimento? Eu pergunto: pode um país submergente como o nosso desprezar tamanho espetáculo do crescimento? Não pode. Ou tiramos uma casquinha do PIB dos “companhero” ou filiemo-nos todos ao PT.


 

24 fevereiro, 2007

É do careca que eles gostam mais
Por Fran Pacheco

Todo ano é a mesma cobiça: não importa se você seja uma Penélope Cruz ou um enrugadaço Clint Eastwood, todo mundo do mundinho de Roliúdi só pensa em agarrar o careca, beijar o careca em público, levar o careca pra casa, fazer com ele o que bem entender. Leonardo DiCaprio, quem diria, fica babando só de pensar no careca (pergunta: por que o DiCaprio sempre morre no final?). O Scorcese, tadim, já tentou de um tudo, mas em matéria de careca, até o fechamento desta edição, o veterano continua virgo intacto: nunca segurou o dito cujo - só em sonhos.

Sem falar nos cineastas brasileiros, essa raça cuja hipercriatividade e coberturas dúplex em Ipanema você sustenta. Ô gentinha pra desejar um careca! Mas o careca tem lá seus caprichos. Um deles é fazer doce pro Scorcese, mas pô, o Kubrick também nunca pôde sentir o indigitado nas mãos. O careca parece não estar mesmo muito a fim de baixar no nosso paraíso tropical. A não ser que o Almodóvar traga o careca dele, abocanhado em 99, e mostre pro Caê, de cuja casa é habituê. O careca parece ser mais chegado em tipinhos mediterrâneos: espanhóis ou italianos, como aquele Benigni, que saiu ensandecido, pisando nos astros distraído, quando Sophia Loren chamou: “Roberto! Vem pegar tuo carecazzo, bello!” O que o ser humano não é capaz....

Tantos gênios sem-careca e Walt Disney, quem diria, embora não soubesse desenhar nem a própria assinatura (era uma espécie de Niemeyer da animação), levou nada menos que 26 carecas durante a vida – sendo um deles em tamanho natural! Digo, um carecão de um metro e tanto de altura, acompanhado por sete sugestivos carequinhas a tiracolo, tudo de uma só sentada, em plena cerimônia de 1938. O segredo para se dar tão bem com o careca, o velho Walt levou para o túmulo.

Claro, há exceções: Woody Allen não foi pegar o careca em 78 e 87. Preferiu ficar no trabalho de sopro, digo, tocando clarinete num night club. Outro que deixou o careca a ver navios foi Marlon Brando, em 72. Por essa época, Brando estava mais ligadão em peles-vermelhas e em experiências heterodoxas com potes de manteiga. A verdade é que, para um sujeito que já traçara de James Dean até uma pata, num bordel-fazendinha de Tóquio (e pela qual teria ficado perdidamente apaixonado, para desepero da esposa), um careca a mais ou a menos não faria a menoooor diferença.


 

21 fevereiro, 2007

Unidos do Lulalá: uma avaliação pessoalíssima
Por Fran Pacheco

Confesso que em matéria de carnavalidades estou mais por fora que bunda de globeleza. Mas ainda hei de descobrir que sutis ponderações permeiam a cabeça de jurado de desfile carnavalesco. Por mais que eu esprema meus tão fatigados neurônios, a mim é impossível perceber aquela diferença crucial de um décimo de milésimo de ponto entre o remelexo de um mestre-sala e outro (será algum detalhe na plumagem?). Pior ainda é tentar achar alguma diferença infinitesimal entre os atuais sambas-enredos (sim, são vários e não um só, como eu pensava), já que a melhor coisa que havia nesse quesito, o Jamelão, tirou o time. Mas vamos lá, tentar avaliar por critérios estritamente pseudo-científicos o desfile da maior de todas as escolas de samba e lambança em atuação no país: o Blocão do Lulalá.

EVOLUÇÃO – Olhando de longe, parece tudo meio paradão. Mas tem movimento sim: as massas como um todo evoluem a passo de cágado. Alguns setores andam para trás. Mas a ala dos patrimônio... vejam só, que beleza, o patrimônio dessa turma não evolui: dispara na Avenida! Seguuuura....

HARMONIA – No ensaio geral, nas eleições, a harmonia do blocão era aquela maravilha: todos apoiavam o “Hômi” em nome do bem geral da gloriosa nação auriverde. Hoje, a coisa está mais enrolada que bacanal de minhoca. O que tem de “artista” querendo a receber a paga, disputando a tapa lugar na diretoria e na tesouraria, não está no orçamento.

COMISSÃO DE FRENTE – Já viveu dias de glória quando coreografada por Mestre Zé Dirceu. Agora anda fazendo cara feia com a D. Dilma. Mas há quem diga que o problema é na comissão de trás: sempre levando “crau” daquele boliviano doido.

FANTASIAS – Sem dúvida é o ponto forte da agremiação. Fantasia é o que não falta: crescimento de 5% do PIB, hegemonia brasileira, Gran-Gasoduto do Sul, ligando La Casa Del Caciete, na Venezuela, a Puerra Ninguna, na Argentina. Tanto delírio só poderia mesmo ter saído da parceria inseparável de nosso Efelentífimo Carnavalesco com o velho Joãosinho Caminhante.

ALEGORIAS – Outro quesito imbatível. Poucos puxadores, como nosso Efelentífimo, são capazes de tascar duas ou mais alegorias a cada frase de cada um dos milhares de pronunciamentos que faz - e sempre alegorias futebolísticas. Dá um pouco no saco, mas afinal, essa é a voz que o meu povão, ai que lindo!, entende.

SAMBA-ENREDO – Você já ouviu esse sambinha de outros carnavais: assistencialismo, embromação, anti-americanismo... Tudo o que o folião brasileiro mais aprecia. Não é de espantar que essa mesmíssima ladainha vá animar os próximos carnavais.

MESTRE SALA E PORTA BANDEIRA – Nesse quesito, prefiro a palavra maldita, vetada no frigobar presidencial: abstinência. Não quero nem sonhar com o Primeiro Casal, Seu Luís e D. Marisa, sambando até gastar o botox. Seria aberração demais. Não que os dois não levem jeito pra coisa, pelo contrário: por mim, já teriam sambado há muito tempo.

BATERIA – Ouvir os tambores de guerra do PMDB, as cuícas do PTB, as foices e martelos do PCdoB e o chacoalhar de jóias dos novos-ricos do PT é uma experiência acústica traumatizante, apocalíptica. Felizmente a antiga rainha-moma da bateria, D. Ângela Guadagnin, foi sambar a dança da pizza em outras freguesias.

TROFÉU ESTANDARTE DE OURO - Vai para a nova rainha da bateria, a gauchinha, deputadinha e comunistinha Manuela D´Ávila. Convenhamos: a pequena é de chuá! Sambar ela não samba, nem precisa, nem deve (aquele ar blasé derrete qualquer neoliberal). Manu faz em mim o mesmo que o Zé Dirceu fazia com o Bob Jefferson: desperta meus instintos mais primitivos. Se Manu, como toda boa comunistinha, come criancinha, então eu quero ser nenê de novo.


 

14 fevereiro, 2007

"Estamos aqui na Terra para peidar por aí. Não deixem ninguém lhes dizer o contrário."
Kurt Vonnegut

 

10 fevereiro, 2007

Ninguém segura essa indústria
Por Fran Pacheco

Ouçam o que vou escrever, leiam o que vou dizer, tanto faz: toda essa discussão sobre a necessidade premente de nossa indústria crescer não faz, atenção para a entonação “snob”: não faz o menooorrr sentido. Só os pobres de retina não vêem que a indústria do Bananão já é um prodígio de crescimento. Por exemplo: a indústria da violência. O setor ostenta uma pujança espantosa, uma aceleração assombrosa, capaz de driblar e fugir de qualquer crise, seja por túneis ou pela porta da frente da cadeia.

As projeções indicam que em poucos anos, a serem mantidos os atuais incentivos e subsídios (parceiras público-privadas facções-polícia; justiça cega, surda, muda e com lumbago; educação da molecada gerida pelo tráfico; Poder Público adepto do liberalismo estilo “deixa rolar”) elevaremos nosso PIB (profundo inferno brasileiro) a patamares nunca vistos no mundo civilizado. Bagdá, atual referência mundial em carnificina, não perde por esperar.

Mas nossa efervescência industrial não pára por aí. Vejam a indústria dos golpes: só um país com tamanha vocação artística poderia produzir tantos e tão talentosos estelionatários. Nossos trambiqueiros vivem uma explosão de criatividade, inovação e ousadia capaz de deixar no chinelo os gênios do Vale do Silício. Tudo em comunhão com os modernos princípios do código-aberto, do software-livre: malandro nenhum patenteia ou cobra royalties por suas invenções e sai por aí espalhando “eu sou o criador do Boa Noite Cinderela! Do golpe do bilhete premiado!”, querendo faturar com a história (a não ser que seja golpe de marketing). E embora haja tanto golpista trainee ingressando todos os anos no superaquecido mercado de trabalho, ninguém fala em saturação do setor – ao contrário, otário é o que não falta.

Se somarmos a tudo isso a meritíssima indústria das liminares e a meretríssima indústria da prostituição, a tão difamada, mas crescente indústria dos danos morais, a torrencial indústria da seca, a bem fornida indústria da fome, a indústria cult das faculdades de esquina, a epidêmica indústria dos planos de saúde, a bem-dotada indústria da pornografia, entenderemos de uma vez por todas que o que falta neste país não é indústria, mas infra-estrutura. Afinal, nesse ritmo o futuro do Brasil passa inevitavelmente pelo esgoto.


 

09 fevereiro, 2007

DELENDA BARANGAS!
Por Cezário Camelo, "Cecezinho"

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Sábado é dia de baranga entrar na BICA.

Com as proximidades do sábado magro, mais um crime ecológico começa a ser praticado nas ruas de Manaus: o abate clandestino e indiscriminado de barangas, muitas delas mal saídas da puberdade.

Os responsáveis pela prática desse crime hediondo são os ‘biqueiros”, uma corja de intelectuais que nunca meteram um prego em uma barra de sabão (segundo alertou domingo passado o intrépido Josué Babaovo, da Rádio Difusora), que se reúnem diariamente no bar do Armando e no sábado magro colocam a BICA na rua.

Segundo os “biqueiros”, o esporte de abater barangas não pode ser praticado por amadores porque, além de ser foda, eles podem vomitar depois da foda propriamente dita.

Por causa disso, o folião a perigo deve ter bem definido em suas mentes as características dos diferentes tipos de barangas que pintam nos bailes da vida, onde muita gente boa já pôs o pau na profissão.

Existem cinco tipos básicos de barangas, a saber:

Photobucket - Video and Image HostingJABURU – Costumam andar em bando e vestindo a mesma fantasia, geralmente abadás do Carnaboi. Ao sentir a aproximação de uma manada de jaburus, o folião experiente e suruba deve segurar com firmeza um crucifixo na mão direita e uma réstia de alho na mão esquerda, enquanto grita bem alto: “Sai pra lá, jaburu!”. É tiro e queda, mas se matou tem que comer.

BAGULHO – Qualquer baranga viciada em maconha, lança-perfume e cheirinho da loló, não necessariamente nesta ordem. Como ninguém come os bagulhos – só se o cara estiver também muito doido! –, os bagulhos possuem a xana bem apertadinha. Sem falar no tobias.

CANHÃO – Nome genérico das barangas que são amantes de seguranças desempregados, políticos corruptos (sei do pleonasmo e vocês podem enfiar ele naquele lugar) e militares aposentados. A maioria delas, aliás, é funcionária da rádio Difusora (o Josué Babaovo tem uma coleção particular de canhões para consumo próprio). Elas são bastante desinibidas, principalmente na hora de colocar o microfone na boca ou de empinar o traseiro para receber a pistola durante a roleta russa.

DRAGÃO – Baranga em estado terminal. Dançam sem calcinha em cima da mesa imitando a Rita Cadillac, ou seja, balançando o popozão metralhado de celulites, estrias e pano branco. Dão pra todo mundo, mas evite fazer sexo oral porque elas engolem e cospem fogo.

TRIBUFU – A baranga por excelência. Faz ponto nos mictórios masculinos de clubes de quinta categoria. Este tipo de baranga, quando é vista abraçada com algum folião, a polícia desaparta logo porque deve ser briga, mas tem neguinho que gosta e – suprema heresia! – até casa. Repare só na mulher dos seus amigos.
Bom, mas depois de escolher a sua baranga, o próximo passo é rebocar o animal para um lugar onde você não possa ser visto – a não ser por outros abatedores de baranga.

Como ninguém quer ser visto na companhia de uma baranga, nem você nem os outros caras vão ter coragem de espalhar o que acabaram de presenciar, sob pena de se denunciarem.

Algumas dicas de abatedouros clandestinos de baranga que você pode utilizar no sábado de Carnaval: o bondinho da Praça São Sebastião, as escadarias do Teatro Amazonas, as pensões da Quintino Bocaiúva, os apartamentos nos altos do Remulo’s e o banheiro do Bar do Armando.

Se não quiser perder tempo escolhendo uma baranga na festa da BICA, dê um pulo na Banda da Difusora, no mesmo horário, ali na Av. Eduardo Ribeiro, que, historicamente, possui a maior concentração de barangas por metro quadrado da história do carnaval amazonense. Sem falar nos qualiras.

Mas pelamor de Deus não vá rebocar a Arminda Mendonça, presidente da Manaustur, que aquela é uma baranga de estimação do prefeito. Evoé, Baco!

 
Fervendo e assando no Baile da Pesada
Por Ishtar dos Sete Véus, a Hedonista

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Hedôzinha está aprendendo a fazer micagens, digo, mixagens pra animar as náites manauaras.

Éééé fofitos... Euzita coloquei fire em vocês para ferver yestardey but... acabei fazendo um programito super light. E quer saber? Foi tuuuuuuuuuuuuudo de bom!!!
First, fui linda-loura-e-teatral curtir a Quinta Flash & Trash do Café Cancun, sob o comando dos DJs Cezar Dantas e Geraldinho... A trilha sonora?... Humor ácido-inteligente e ótimos hits de mil-novecentos-e-já-me-esqueço...

A festeira Mercinha Marinho, vestida de “Xuxa na Menopausa”, estava ma-ra-vi-lho-sa! Mercinha é uma dessas cinqüentonas cheia de estrias e botox, que podem mostrar na pista de dança o quanto são talentosas! Parabéns, fofita!!! Outro que abalou foi o artista plástico Rui Machado, que fez uma special appearence como uma bibete-chatinha-boazinha-carente viciada em tv a cabo. Funny! E eu pensando que o Rui não era chegado a um pincel!... Abafa!...

Curti a trashlândia com meu dear-friend-fofito-lindito-french-brazilian Daniel Rosenthal... Depois fomos jantar no Barbacoa... Huuuum... fazia tempo que eu não comia o frango com molho de laranja de lá...
Tuuuuuuudo... After... Caminha and beautiful dreams. Perfect night! Hoje...Well...It's Saturday Night!!! E vamos dançar, fofitos!

E Thank's God It's Friday!!! Ficar em casa? Well, como diria minha amiguita Michelle Karrate: No, no, no, bambino! Então... arrasa na production... Força na peruca e let´s groove!

Alguns places bacanitos pra curtir essa sexxxta-feira bacanééérrima:

SEVEN TURBO - Hoje é "o dia" do Seven. Pra quem curte house... Tóin tóin tóin chique...E não se importa de não ouvir nem Katrina K, nem Whitney ou Deborah. Reeeeze pra que Luiz Carlos Mestrinho, o DJ Le Jaguar, esteja dando o som por lá. O fofito é the best no place. O DJ Graciano Rebello também costuma tocar bem... Mudernos, bibetes e o-que-eu-tou-fazendo-aqui se encontram em perfect harmony.

CROCODILO’S - Já foi trash... hoje é cult. Hits de Gretchen e Tati Quebra Barraco costumam animar a trilha da casa. A decoration é qualquer coisa de surreal. Tem karaokê... música ao vivo... e dance-tudo (de disco à Kelly Key). De repente, você escuta Maria Alcina cantando: "Seu delegaaaado prenda o Tadeeeeu... Ele pegou a minha irmã e óóóó..." Junte uma galerita e have fun!

CLUBE A2 - Huuuuuum...hoje é um dia meio out. Quer ir? Prefira o domingão que tem a ótima Suzi Brazil animando o people.

FOSFOBOX - É nova. Fica na Cidade Nova. Me falaram beeeem. Euzita ainda não coloquei meus saltitos por lá, apesar de ter sido convidada pra tocar no place... Huuuum, maybe tonight. Who knows? É quase do lado de minha home... Não preciso nem tirar o Sammovel da garage. Toca house, eletro e o que mais der na head dos DJs. People muderno e descolado. Vá!

BISTRÔ - É do bem. Acho que hoje quem toca é o meu dear-friend Sidney Almada. Alexandra e Fernando Araújo são fofitos too. O agito acontece mais na quinta... quando o superqueridofofito Zeca Pessoa toca de Elisângela a Depeche Mode!

BANDA DA BICA - Nããããão é hoje. Só amanhã... Mas se quiser, fofito... Fique em casa guardando energy pra essa party carnavalesca que vai ser tuuuuuudo. Meu dear Cecezinho ficou de me levar... E vamos abalaaaar a Praça São Sebastião!!!

Beijitos no heart.


 

07 fevereiro, 2007

With a little help from my friends
Por Fran Pacheco

A campanha pela minha anistia

não será feita quando a mídia e os que
se opõem à (sic) esse direito constitucional
meu, quiserem ou impuserem. Mas quando
seus iniciadores decidirem.

Zé Dirrceu, blogueiro, ladrando.


É estranho como político algum tem pretensão nenhuma a coisa alguma, pode ver: suas candidaturas sempre nascem não de um desejo personalíssimo pelo “puder” (longe disso!), mas “do mais profundo clamor popular”, “do apelo das bases”, “do chamamento a combater o bom combate”. Aumento do próprio salário? “Não é um pleito pessoal, nem penso nisso... Mas se o colegiado de líderes assim decidir...”. Será que esses putos nunca têm vontade própria?

Agora vem esse blogueiro, o Zé Dirrceu, como quem não quer nada, fazendo que vai e não vai, e com uma lógica das mais tortuosas avisa aos homens de bem (os que têm úlcera) que sua auto-campanha pela anistia mais pessoal, particular e restrita da História muderna não será feita quando “os que se opõem à esse direito constitucional meu, quiserem ou impuserem”. Seria mesmo muita babaquice que alguém contrário a tal patifaria saísse por aí catando assinatura e colocando o bloco do Zé na rua. Seria caso para interdição civil.

O Zé aliás, num ato falho, diz que a tar da anistia já é um “direito constitucional meu (dele)”. Vasculhei a Carta Magna de cabo a rabo e vi nada disso não. Vi badulaques jecas e bizarros, como “O Colégio Pedro II, localizado na cidade do Rio de Janeiro, será mantido na órbita federal.”. Vi também belezuras parnasianas como “a casa é o asilo inviolável do indivíduo”, desprovidas do necessário adendo “... mas um pastor alemão e um sistema de alarme sempre vão bem”. Só não achei nada como o que tanto sonha o Zé: “Art. 5.675 Fica livrada a cara do Sr. Zé Dirceu, blogueiro, por todas as suas aprontações pregressas. Parágrafo único: foda-se a impessoalidade da Lei.”

A verdade é que o Zé mal consegue dorrmirr, esperando a hora de dizerr a senha para o ataque fulminante à Constituição. “Tora Tora Tora?” Não... tem erre demais, o Zé ficaria engasgado. Mas, se os corretores de FHC - sonhando com um tucanato de mil anos - compraram a emenda da reeleição, por que os moleques de recado do Zé (Chinaglia na comissão de frente) não podem emendar a "lei maior" (e o próprio conceito de lei, aquela coisa teoricamente "abstrata" e "geral") em prol única e exclusivamente do capo? No Brasil lei não se discute. Compra-se.

Se conseguirem mesmo transformar a “Carta Magna” em “Bilhetinho de Alforria do Zé”, se é pra avacalhar de vez, então faço questão que incluam o seguinte inciso: “A tumba do Fran Pacheco, localizada em Manaus, será mantida e bem-tratada por Juliana Paes”. Espero, com uma pequena ajuda dos meus amigos, colher as assinaturas e impressões digitais necessárias. Respeito aos mortos é sempre bom. E não vai causar nenhum rombo na coisa pública, isso eu te garanto.


 

05 fevereiro, 2007

Músicas boas, muito boas
Por Fran Pacheco

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O nosso morto é muito melhor
Por Fran Pacheco

Irmão Paulo* ligou-me naquela manhã, há dez anos, para avisar que tinha morrido. Confessou-se chocado.

Da minha parte a surpresa nem foi tanta, pois sabia que A) FHC, se não fosse um FDP com PHD, poderia ter dito num simples telefonema pros seus meninos da Petrobrás: “podem já parar com essa sacanagem de processo contra o Irmão Paulo, porra!” B) Processo nos EUÁ corre em dólar – você já entra no jogo meio ferrado, o que causa calafrios só de pensar num Márcio Tomás yankee, te cobrando por hora, em bandeira dois. E last but not least C) O cardiologista do Irmão Paulo, sua última linha de defesa, atendia pelo nome de Jesus Cheddar.

Isso mesmo: Jesus Cheddar. Uma mistura dessas, de divindade com queijo, não podia mesmo dar certo – o ataque cardíaco foi inapelável.

“Miztah Kurtz, he dead”, anunciaram os tambores da Botocúndia. A canalha respirou aliviada. A vida de João Kléber e outros imitadores vagabundos ficou mais difícil. A de Jabor e Mainardi, mais fácil. A nossa banda de Ipanema aqui em cima ficou cada vez mais completa.

Como todo vagabond que se preze, eu não peço desculpas por não ter ido no regabofe de domingo (se é que teve), nem ter postado nada em tempo hábil, como fez o bom menino Ruy. Como diria o conselheiro Acácio, dez anos de falecimento só se faz uma vez. Mas no sesquicentenário, quem sabe? E dane-se o mundo constituído. Waaaal.

* Irmão Paulo escrevia uma página inteira às quintas e domingos, na fase áurea deste blogue.


 

04 fevereiro, 2007

Esquentando a bacurinha no Boulevard
Por Ishtar dos 7 Véus, a hedonista

Hedôzinha levando seu novíssimo casalzito de pets para um ménage momesco.

Hello, crazy people do meu heart!

Atention, please, pra sonoplastia: toc, toc, toc, toc (barulho de meus saltitos descendo o Boulevard Amazonas no último sábado à tarde)... Cheguei linda-loura-e-ready-to-groove na Banda do Boulevard, louca pra dar em cima do Wilsinho de Cima e fazer o Onça (Paulo) beber água...

Fui com minha big-dear-friend-fervida-e-cheia-de-atitude Dimmy Kieer (que apesar do name... É a raiiiinha das drags brasileiras) conferir a party do place vizinho ao Cemitério São João Batista... Aaaaah... Como é lindo o Cemitério São João Batista... Êêê, Fran Pacheco, cadê o meu querido Cecezinho?!..

Well, vamos falar da night. Huuuuum... cheguei... e o place tava... huuuuuuum... stranger... Me irritei a little com Dimmy que de dez em dez minutos ficava conferindo o efeito tudo do Revlo Styler em seu hair! Mulher de aquarius too... vaidooooosa.

Eu já estava pronta pra bater meus sapatinhos vermelhos e me mandar daquela Terra de Oz errada quando... encontrei friendzitos fofitíííssimos: Luiz Cláudio Chaves, Alexandre Prata, Rogério Pina, Julinho Ventilari, Jander Vieira, Fernandinho Coelho, Luppa Romano, Zenaldo Cunha... Huuummm... fiquei... Éééé....

E... como diria Queen: It's a kind of Magic!... De repente... foi melhorando... melhorando... chegaram new bibetes... e... a Banda do Boulevard decolooooooou!!! Foi tuuuuuuuuudo de bom!!! Eu fervi horrores... Dimmy Kier, que ainda ia lançar seu novo CD “Sou uma diva”, na mesma noite, na boate A2, esqueceu do Revlo Styler...

O Wilsinho de Cima abriu o vozeiiiiirão no “Samba iô, iô, samba iá, iá, chegou a hora da cobra fumar, mulher bonita é na Banda do Boulevard”, que era tudo que as bibetes queriam ouvir... Resumo da opereta: Hedôzinha saiu de lá no finalzito... Com aquele friozito misturado com o sol da manhã... Acabaaaaaaaada mas very happy! Dimmy sumiu. Huuuuuuum...

Well... mas tem reclamation: ou euzita estou ficando surdita de tanto tóin tóin tóin na cabeça ou o som da bandalha estava muuuuito baixo!... Toc.. proc.. .Toc.. proc... (som de meus saltitos indo em direção ao túmulo de Santa Etelvina, a padroeira da leseira baré... às oito da morning!)...

No domingo, my head estava fervilhando de idéias para a Banda do Clube dos Terríveis, que deve sair na Quarta-feira de Cinzas... Tá, tá, tá... Era ressaca braba mesmo... De tardezinha, in my home escrevi... escrevi... escrevi... e ainda não parei... Então linditos... Hedô vai passar essa week em frente ao micro... num "surto" de criatividade!

Vão sair tomorrow?... Se jooooooguem na night... Euzita tenho outros planos pra semana... Have fun!!!... and I said again: Se você for dar pinta... Dê pinta, meeeeeeesmo! Sem medo de ser feliz! É o que fizeram esses três friends-linditos-que-eu-amo-de-paixão: Salomito, Renatinha e Zé Abdala... Saudaaaaaade dos meus queriditos que moram em San Francisco!...

Siiiiiiiiiiiiim... I´m sorry but eu sou lida pelo brazilian people nos States... What can I do se eu sou uma international woman? Hã?... O trio se prepara para desembarcar na city e ferver no Baile das Piranhas, nesse Saturday night fever... Tuuuuuudo de bom! Pode deixar que eu vou quebrar meu pink little pig cofrinho e ir curtir umas piranhagens com vocês!

Beijitos!

PS: Salomito está expondo numa Art Gallery em San Francisco... Chiquéééééérrimo... Depois, ele vai mandar as fotitas das obras pra euzita mostrar aqui... Ciao, bambinos!

 

Meu barraco com o Rei da Pilantragem
Por Torquato Piauí


A propósito de Wilson Simonal. Não é preciso conhecer a biografia do moço para se reconhecer um irrecuperável cantor de rock’n’roll. Mas a verdade é que ele começou mesmo pelas mãos de Carlos Imperial e foi lançado cantando aquele obsoleto gênero rebolativo, no programa do provecto senhor Jair de Taumaturgo etc etc. Não tem importância.

Como não teve importância para Simonal o fato de ter sido, depois, aproveitado por Luís Carlos Miéle (que já morreu e não sabe) e Ronaldo Bôscoli (que mesmo morto continua vivíssimo), em shows de boate e teatro, que faturavam bem para os três. Foi mesmo que nada, ou melhor, deu maior tarimba ao rapaz.

Simonal continuou cantando rock-baladas com esforço, a dupla fez o possível para melhorar, pelo menos, o seu repertório. E por dentro da – então – nova onda da bossa-nova, ele encontrou um “estilo”, uma “nova dimensão” que consistia em deixar cair um “champignon” enjoado sobre tantas canções bonitas que gravou, cantou em shows de boates, teatro ou no banheiro.

Há uma coleção deles: “Lobo bobo”, de Lira e Bôscoli, “De manhã”, de Caetano Veloso, “Minha namorada”, de Lira e Vinicius, “das rosas”, de Caymmi, “Roda”, de Gilberto Gil etc. ouçam o compacto de Simonal com “A banda” e “Disparada”. Pode? Não pode. E no entanto Simonal grava e faz sucesso.

Temos um “selo”, um nome para essas bobagens: o famoso “samba-jovem”, tolice publicitária e musical, barulheira desagradável, mistura cafajeste de samba e iê-iê-iê. Mas Wilson Simonal tem humor, dizem os seus amigos. É uma das pessoas mais engraçadas do mundo. Certo. Eu conheço Simonal e sei que é verdade. Engraçadíssimo. Conta piadas ótimas. E digo mais: tem uma voz muito bonita, é musical a beça, afinadíssimo. Mas canta rock, não canta samba nem aqui nem nos Estados Unidos.

Alguém mais afoito argumenta que ninguém tem obrigação de cantar samba, “apenas porque nasceu no Brasil”. Posso até concordar, acho que Roberto Carlos canata muito bem o iê-iê-iê dele. “Namoradinha de um amigo meu” é tão bonitinho! Mas isso não tem nada a ver com o que o Simonal faz, pelo amor de Deus.

Ele grava “Tem dó”, um samba d Baden e Vinicius, e, no entanto, não canta o samba, canta outra coisa. Aí é que está: se Wilson Simonal gravasse “The Shadow of Your Smile”, que é música americana muito boa, talvez o fizesse melhor do que Chris Montez. E talvez eu batesse palmas. Mas o serviço de Simonal é malfeito, é errado e feio. Porque não é coisa nenhuma.

Há muitos e muitos anos, assisti um show dele que estava em cartaz em Copacabana (Teatro Princesa Isabel) que mostrava claramente que Simonal estava irrecuperável porque estava satisfeitíssimo com o que fazia. Miéli e Bôscoli são profissionais, bons profissionais fazem o que pode. Procuram, pelo menos salvar as aparências e livrar a cara. Deram a Simonal para que cantasse um repertório honesto de músicas brasileiras. Que somadas a Wilson Simonal resultaram naquele aguado twist de segunda categoria.

Foi por causa disso que eu cortei o microfone e o impedi de se apresentar no desassombrado show “Zé Kéti Convida”, que rolou na semana passada, no falecido Le Bateau, em Copacabana, com a presença de Nara Leão, Jovelina Pérola Negra, Candeia, Beto sem Braço, Cartola, Nelson Cavaquinho, João do Vale, Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola, Bussunda, Mussum, Xangô da Mangueira, Fortuna, João da Baiana, Donga, Leon Eliachar, Almirante, Albino Pinheiro, Ferdy Carneiro, Leila Diniz, Adelino Moreira, Ary Barroso, Adoniran Barbosa, João Nogueira, Moreira da Silva e outros partideiros pedra noventa.

Aliás, se não fosse a enérgica intervenção do síndico Tim Maia, o auto-nomeado “Rei da Pilantragem” iria transformar nosso divertido sarau na casa da mãe Joana. Vade retro, Simonal! E enfie seu boneco Mug naquele lugar. É o jeito.

 

Só não vai quem já morreu
Por Wally Sailormoon


Hoje em dia, soerguer-me desta cama requer um esforço heróico. Admiro os de sangue quente, de fronte altiva, os de alma aventureira, os bravos, como Fran Pacheco e Cecezinho, mas minha natureza está ferreteada por uma sonolência torpe. Cada perna, cada braço, cabeça, tronco, membros; o corpo inteiro na recusa mole de se levantar.

Nem sempre foi assim, mas agora é difícil imaginar um tempo antes da abulia se instalar definitivamente em mim. A começar que somente aceito a expressão – abulia – porque não quero me abalar para inventar outra. Mesmo tratando toda esta história toda de diagnóstico como uma pasta a ser deixada de parte, resta-me uma ressalva: que ando sentindo ultimamente?

Sei que não posso partir de um ponto preciso definido assim como “tudo começou no dia tal... do mês tal... do ano tal”. Mas posso intuir que essa balada baiana tem culpa no cartório. Cair na pândega cerca de sete dias seguidos movido a mandrix não é pra qualquer hendrix... E ainda ter de encarar a petulância sibarita de uns e outros, que não entendem de asas crestadas pelo sol e confundem alhos com bugatti. Cansa. Cansa muito.

"Como é que alguém em sã consciência pode se divertir sendo esmagado por milhões de pessoas sob um sol de 40 graus? Esses baianos são malucos!", explica para sua acompanhante suíça um rufião do sul-maravilha, experimentando um caldinho de sururu na baixa do Sapateiro, enquanto limpa o suor do rosto. Deviam estar em Porto de Galinhas.

"Olha, véi, quem pode gostá de muska que rima calô com Salvadô e iê-iê-iê com iô-iô-iô?", questiona um pascácio com jeito de pernambucano, enquanto barganha o preço da moqueca de aratu com um ambulante desdentado, fantasiado de bob marley. Devia estar no Galo da Madrugada.

"Uai, sô, por que pagá tão caro só pra usá uma camiseta colorida com nome de canjica africana e brincá dentro de um cercado de corda junto com milhares de bêbado, fardados que nem ocê?", pergunta um mequetrefe, com sotaque de goiano – conheço cornos pelo sotaque! – a um vendedor de fitinhas de Nosso Senhor do Bomfim. Devia estar com saudades do Ricardão.

OK. Confesso. É tudo verdade o que dizem esses zé-ruelas. Mas há algo no Carnaval de Salvador que emociona, contagia, faz a vida parecer maravilhosa e, finalmente, vicia como buceta sem pentelho. O grande barato é a esbórnia nua e crua, sem maiores misticismos. Ainda não inventaram uma putaria tão insana como o carnaval soteropolitano.

Ali, uísque, vodka, cachaça e maconha fazem parte do café da manhã, beija-se loucamente qualquer boca feminina em seu raio de visão, come-se tudo que mijar de cócoras e não for sapo, amores eternos de cinco minutos surgem a cada esquina, queima-se o filme sem maiores conseqüências, encoxam-se bundas que não estão no mapa e pulam-se 20 horas diárias sem que o cansaço dê as caras.

Dormir está fora de cogitação. Quando o bloco cumpre seu trajeto, é hora de esticar em algum camarote pra rebocar outra vadia ou tentar sobreviver na pipoca para ver os outros trios. Como dizem os baianos, "se não güenta, por que veio?". Ou em linguagem de caboco amazonense: “Quem não agüenta pica, não se mete a fresco!”

A primeira vez que um trio elétrico cruza o nosso caminho a gente nunca esquece. De repente, ouve-se um ruído grave, algo parecido com um trovão. Em seguida, a maré humana recua e desaparece por alguns minutos para em seguida voltar em êxtase, arrastando tudo o que estiver pela frente. A pipoca pula mais que nunca e espreme os membros do bloco até que três corpos ocupem o mesmo lugar no espaço. Alguns choram, outros gritam. Tem gente que só se desgruda se for molhada com água, que nem cachorro.

Onde está o fracasso se a platéia inteira aplaude e ainda pede bis e só os zé-ruelas vaiam?

Vaia de bêbado não vale, claro. E agora é que a heliogábalo está começando, skindô, skindô!

Luz estrela ficou flat, queremos radiância óvni. Varei!

 

02 fevereiro, 2007

O enrugadinho é mais embaixo
Por Cezário Camelo, "Cecezinho"


As rugas são sinais de vida. Ou de morte, dependendo do lado do balcão em que você está. Cedo ou tarde aparecem e tomam conta das nossas expressões faciais. E a gente é obrigado a ter vergonha na cara por uma razão errada. As rugas dividem o rosto em pedacinhos do passado. Dão identidade à existência de cada pessoa – exatamente o documento que as mulheres odeiam. Financiam as bocas livres do Pitangui. São proibidas nas ilhas de Caras.

As rugas marcam o passar dos anos pela epiderme e a velhice é a sua marca registrada. E você sente tudo isso na própria carne. Porque as rugas botam pregas na vaidade de todo mundo. Mesmo os maiores velhacos da política (sei da redundância e vocês podem colocá-la no buraco apropriado) não escapam do julgamento das rugas. Pra comprovar, basta observar o rosto alquebrado do boto tucuxi ou do capiroto enegrecido sem as mágicas do Photoshop. É de dar pena.

Quem fabrica rugas é o tempo, com norráu para todos os tipos de pele – inclusive a do saco escrotal e do seu vizinho, ali ao lado. Quem tem intimidade com as rugas são os espelhos. E quem diz que as rugas refletem a idade não está totalmente enganado: está totalmente enrugado. Mesmo não sendo metrossexuais, cuidem das suas rugas, porque elas têm uma imagem a zelar. O enrugadinho é mais embaixo.

Existem vários tipos de rugas, todas com muita experiência. As mais comuns, mais assíduas e mais rugosas são estas:

Surpresa – Na testa. Ruga de receber visitas inesperadas, do encontro casual com um deputado salafrário (sei da redundância e vocês podem etc, etc, etc), de ver truque de mágico, de ouvir a conta salgada no restaurante barato. Ruga fingida quando o presente de amigo oculto é gravata outra vez. Ruga imensa quando anunciam que você vai ser pai de três crianças ao mesmo tempo. Ruga surpreendente de ser convidado para participar de uma tramóia do Cadeirudo.

Preocupação – Também na testa. É uma ruga ativa: não sai do lugar por nada. Ou melhor: por tudo. É uma ruga grande, rugona, verdadeiro bitelo. Ruga de quem tem um súbito desarranjo intestinal na hora em que entrou no quarto com aquela lebre que vinha sendo cantada há seis meses. Ruga responsável. Ruga de fim de mês. De meio de mês. E de início de mês. Ruga assalariada, meus caros.

Orgulho – Ruga acima do nariz. Quem tem orgulho de não ter rugas, tá com ela. Ruga de quem venceu na vida ou na fila. Ruga de quem foi nomeado para uma sinecura federal. Ruga que só usa a melhor maquiagem da Victoria’s Secret. Esta ruga se acha mais ruga do que as outras. Ruga de quem acertou sozinho na megasena acumulada. Ruga orgulhosa da gente, claro.

Tristeza – Pelos lados (de fora) da face. Esta ruga tem hora e tem motivos. Seus sulcos vão até a fossa. Ruga treinada em velórios, despedidas, fim de amor, dor-de-cotovelo, demissões sem justa causa, chifres sem motivação aparente, operações bariátricas mal-sucedidas e visitas ao cirurgião-plástico. Ruga abandonada à flor da pele.

Tensão – No pescoço ou no queixo. É a ruga do ponto crítico. Que surge nos piores momentos. Que, no fundo, no fundo, só quer saber de relaxar. A cara das pessoas fica muito feia quando esta ruga explode pelos poros. Ela não se contém nos dias e nos rostos de hoje. Foi por isso que inventaram o carnaval.

Desânimo – Mais uma nos lados da face. Ruga que não se esforça para sair do rosto. Ruga conformada, sim. Ruga que vem para ficar, sem ânimo para aceitar a companhia da ruga do riso ou o disfarce de um pó compacto. Ruga entregue aos traços. Ruga de pensionista em fila de banco.

Obstinação – Ali embaixo do lábio inferior. Ruga de governador ou prefeito quando manda um orçamento para ser aprovado na íntegra pelo legislativo. Ruga teimosa, que sabe o que quer. Ruga burra, que não argumenta. Ruga determinada a ver tudo com antolhos. Ruga pra hora de bater com a colher no prato. Ruga pro vinco que der e vier. De não arredar prega. É a famosa ruga do beiço e está sempre nas bocas.

Falsidade – Ruga disfarçada. Ruga popular. Ruga que nunca conheceu lealdade em nenhuma parte do rosto, apesar de estar em todas. É uma ruga capaz de enganar até a si própria. Ruga disputada a tapa pelos políticos, desembargadores, juízes e advogados de porta de cadeia.

Desgosto – Na parte inferior do rosto. Ruga grossa, ruga dolorida, molhada em lágrimas. Ruga profunda, ruga marcante. Ruga que se aborreceu com a existência em geral e a sua vida em particular. A ruga que vem das rusgas. Ruga de quem já levou tanto nabo na bunda que ganhou hemorróidas. Ruga nossa de cada dia.

Resumindo: as rugas todas são como a nossa cara. Ou coroa.

 

28 janeiro, 2007

O homem que fazia pular
Por Fran Pacheco

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Talvez você não tenha ouvido falar de Philippe Halsman. Pois saiba que boa parte das lembranças visuais que você tem do século XX foram clicadas por este cidadão. Imagens canônicas de Albert Einstein, Marilyn Monroe, Audrey Hepburn, Salvador Dalí, Sinatra, que se rendessem um IPTU mental cobrado da humanidade, deixaria os herdeiros de Halsman milhardários. Mas além de recordista absoluto de capas (101) da fase áurea da Life e de produzir instantênos de assombrosa maestria técnica (sem a muleta mágica do Photoshop), como o Dali atomicus aí em cima, Halsman possuia um inusitado dom: fazia qualquer um dar pulinhos diante de sua câmera. Qualquer um mesmo.

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Marylin (pulando ao lado do dito cujo), Groucho Marx, Jerry Lewis & Dean Martin, além de outros membros do showbizz ainda vá... artistas são destravados por natureza e por força do métier. Mas que outro fotógrafo teria conseguido a proeza de convencer o símbolo máximo da caretice e da falta graça, Richard Nixon, a se prestar ao ridículo de saltitar (e dando a constrangedora impressão de estar batendo as asinhas!) – sabendo que teria a presepada estampada numa das revistas de maior circulação da planeta?

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Tudo começou ao final de um recatado ensaio no palácio da família Ford, em alusão aos 50 anos da companhia. Bastou uma relaxante e desinibidora birita oferecida pela anfitriã, Mrs. Edsel Ford, para Halsman surpreender a si mesmo, perguntando na maior caradura se a coroa não toparia pular para a câmera. “De salto alto e tudo?”, ela perguntou – pelo visto mais “alegre” que o próprio fotógrafo. Em seguida, devidamente descalça, deu uma levitada básica. No que foi prontamente seguida pela nora, Mrs. Henry Ford II e pelo todo-poderoso filhinho-de-papai, Mr. Henry Ford II (fordinho). Quando Halsman deu por si, lá estava um dos mais poderosos clãs da América bancando os cangurus desengonçados.

Halsman tomou gosto pela coisa passou a fechar todos os seus ensaios com uma jam session saltitante. Virou sua marca registrada. Embora provavelmente fizesse isso por pura sacanagem (além da imensa conquista pessoal de fazer o Duque de Windsor bancar uma serelepe pulga) ele afirmava ter se especializado na “ciência do pulo” (jumpology). Como sabemos, o ser humano, esse fingidor, usa uma tremenda máscara na hora de ser retratado. Mas na hora de pular - naquele “momento decisivo” de que tanto falava o Cartier-Bresson - absorto com o inusitado do ato em si, a máscara cai e o elemento se revela. (Pra quem sempre desconfiou que Nixon fosse um rematado bundão, a prova cabal taí em cima). Quantos sacripantas não poderiam ser desmascarados pelo uso extensivo do método?

Infelizmente, Halsman foi cobrir os eventos do além-túmulo em 79 e parece não ter deixado muitos seguidores. A ordem do dia é retratar os neo-bilionários da Internet descalços sobre a mesa, fazendo macaquices com laptops etc – aberração que só reforça o clichet dos “gênios excêntricos” (a propósito, aquela foto do Einstein mostrando a língua não é do Halsman). Sem a Rolleyflex de Halsman por perto, só nos resta conjecturar que recônditos segredos o gênero humano esconde por trás de tanto botox.

 

A última do Roniquito (a última mesmo)
Por Fran Pacheco

A barra já estava pesadíssima em 68, o tempo fechando de vez, Márcio Moreira Alves perguntara em plenário: “quando o Exército deixará de ser um valhacouto de torturadores?”. E no olho do furacão, Roniquito, bêbado até dizer chega, abordou o ditador de plantão, General Arthur da Costa e Silva, numa recepção no Museu de Arte Moderna (MAM). Antes, como de praxe, tinha tomado todas e um poquito más, a título de breakfast com um adido americano, a quem estava ciceroneando pelo Rio (Roniquito era, como se diz em português corrente, well-connected).

Pois o Generalíssimo adentrou ruminante, cercado de meganhas descuidados e topou de frente com o enorme queixo do Roniquito, que com um cigarro apagado espetado entre os lábios, segurou o caudilho pelos ombros e tascou, com aquele hálito escocês: “Tem fogo aí, ô mariscal benefactor?”. Os guarda-costas não entenderam muito bem (Costa e Silva, com seu QI de protocordado, não entendeu nada). Por via das dúvidas, agarraram aquela “ameaça subversiva em potencial” e começaram ali mesmo a descer o sarrafo. O adido americano, igualmente cheio do aço, pensou que era um assalto – e com aquela valentia típica de quem não pode mais fazer um quatro, se esparramou por cima dos malfeitores, gritando pastosamente “Que porra é essa? Que porra é essa?!” – em inglês, evidentemente.

Arrastados pra delegacia mais próxima, os pés-inchados começaram a ser interrogados. O americano, caindo em si e obrando-se de medo, tartamudeava sem parar, querendo dar um telefonema, que aquilo era um lamentável mal-entendido, que contactassem a embaixada etc. Como o delegado não entendia patavinas de inglês, teve a péssima idéia de perguntar ao Roniquito “que que teu amigo gringo ta falando?”. E o Roniquito, sério pacas, embalou: “Pois ele tá dizendo que essa polícia daqui é uma grande bosta! Que vocês tão cagando pros direitos humanos! Que a ditadura de vocês é uma ditadura de merda! Que vocês são um bando de fascitas!”. Emputecido, espumando como uma hiena hidrófoba, o delegado esbravejou “pois esse gringo filho-da-puta vai ver o que é bom pra tosse!” e foi preparando o pau-de-arara. Uma guerra Brasil – EUA nunca esteve tão perto de estourar e só não foi deflagrada porque os contatos de Roniquito no Itamaraty entraram naquele momento na sala e resgataram os bebuns. Costa e Silva continuou não entendendo nada.

Roniquito, por sua vez, continuou aprontando. Diante da preleção de um tecnocrata que se gabava da quantidade de vergalhões produzidos naquele ano, arriou as calças, empinou o traseiro e gritou: “Meu amigo, o cu do povo não agüenta mais tanto vergalhão!”. E para uma grã-fina que vinha toda maravilhada do Theatro Municipal, dizendo que a-do-ra-va Maurice Béjart. “Béjart?”, cortou Roniquito, “Pois eu prefiro Foudet!”

Outra: para um casal de desconhecidos, numa mesa próxima, Roniquito começou a olhar fixo, com um sorrisinho meio safado, e fazer o “V” da vitória com a mão. O casal, constrangido, fez o “V” de volta. Como Roniquito não parava de olhar arregalado e insistia em repetir o gesto, veio o marido perguntar: “Já não chega tanto V da vitória?”. E o Roniquito: “V da vitória o caralho... Tô oferecendo duzentinhos pra comer tua mulher.” – só não foi esfolado vivo porque os garçons já estavam experts em salvar a pele do Roniquito na hora H..

Até quem num dia típico (ou seja, completamente de porre), atravessando a rua em slow-motion para molhar o bico no Antonio´s, Roniquito foi atropelado por um Fusca e voou longe. Diz a lenda que no trajeto, virou para os transeuntes e disparou: “Que é, porra? Nunca viram o Super-Homem?”. Meses depois, arrebentado e nas últimas, reclamava que o Antonio´s era muito, mas muito mal projetado: “Se ficasse do outro lado da rua, eu não tinha sido atropelado, pô!” Queria discutir o assunto a sério com um urbanista. “Arquiteto não. Tem que ser com urbanista!”

Roniquito secou a derradeira moringa no dia 24 de janeiro de 83, aos 45 anos – causando comoção entre a fauna da Zona Sul (como já disse, era amazonense, mas cresceu junto com Ipanema). Foi velado de olhos abertos (ninguém conseguiu fechá-los). Virou mito: cada “causo” tem tantas versões, adereços e plug-ins quantos forem os narradores. Tornou-se até patrono de uma cadeira da Academia Brasileira... da Cachaça. “Roniquto era uma época”, resumiu certeiro Hugo Carvana (aliás, aquele bêbado pentelho do filme Bar esperança é puro Roniquito). E o Jaguar, lembrando seu parceiro de libações e membro fundador da Banda de Ipanema: “nunca pensei que fosse sentir tanta saudade de um cara que vivia esculhambando a gente”. A esculhambação, como bem sabemos, continua. Só perdeu completamente a graça.


 

25 janeiro, 2007

A última do Roniquito
Por Fran Pacheco

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Mr. Quito, no traço do Jaguar: “Sem Roniquto, beber perdeu a graça!”


Faz exatos 24 anos que vocês aí do mundo fenomênico perderam o wit do mais adorável filho da puta* que a boemia carioca já conheceu: “Senhoras e senhores, aqui Ronald de Chevalier. Dentro de instantes, Roniquito”. Era assim que o respeitável e cavalheiresco economista amazonense Ronald Russel Wallace de Chevalier se anunciava ao adentrar nos butiquins de Ipanema. Dentro de instantes significava dentro de mais ou menos três doses de uísque.

Era o bastante para que, num estalar de dedos, o gentil-homem, articulista culto, multiglota, amante das belles-lettres e de Vivaldi, mentor intelectual de feras como Walter Clark e Mário Henrique Simonsen, cunhador do termo “aspone” (já consta no Houaiss) saisse de cena e desse lugar à sua temível versão etílica: Roniquito (fusão de Ronald com “faniquito”). Era fogo na jaca.

Seu instinto de autopreservação também entrava em standby: O endiabrado esculhambava abertamente a todos (principalmente quem merecia ser esculhambado), sem distinção de patente, porte físico ou do tamanho da horda adversária. Ter sobrevivido a tantos “causos” foi um feito.

Como na vez em que foi coberto de porrada por um brutamontes a quem acabara de enxovalhar no boteco. O grandalhão arrastou o mirrado Roniquito pra calçada, montou nele e com o pé na garganta do desaforado perguntou, cansado de tanto bater: “Já chega ou quer mais?!”. E o Roniquito, arrebentado, mas com uma lógica cristalina: “É claro que já chega, imbecil!”

Noutra começou a menosprezar, em pleno Beco das Garrafas, ninguém menos que o pernambucano Antônio Ninguém me ama, ninguém me quer Maria, também famoso pelo porte avantajado. Até que arrematou, intrépido: “Antônio Maria! Você foi parido por um ânus!”. Foi salvo de ser esganado ali mesmo por um cordão de isolamento. (Consta que depois os dois trêbados começaram a chorar um no ombro do outro, como manda o figurino).

No histórico velório do Zequinha Estelita**, figura querida dos boêmios, Roniquito apareceu completamente chumbado. Ouviu uma choradeira na câmara mortuária ao lado (estavam velando outro defunto) e foi tirar satisfação. Entrou com tudo no velório alheio e disparou: “Olha aqui! O nosso morto é muito melhor! É muito mais bonito! Esse morto de vocês é uma bosta!”. Novamente foi preciso uma intervenção semi-divina para deter o linchamento em curso.

Noutra vez, percebeu quietinho numa mesa do outro lado do bar o escritor Antônio Callado – para azar do autor de Kuarup. “Antônio Calladooo! Antônio Calladooo!”. Constrangido, meio que sacando que estava ferrado, Callado acenou de volta, sem graça. “Antônio Calladooo! Você já leu Faulkner? Já leu Faulkner, Antônio Callado?”. “Já li, sim...”, respondeu baixinho. E ouviu o veredito, bradado a plenos pulmões: “Então já sabe que você é um merda, Antônio Callado!”. Para sorte de Roniquito, além de ser um merda, Antônio Callado não batia.

E pro Fernando Sabino, segurando pelo ombro o futuro autor de Zélia uma paixão: “Fernando Sabino! Quem escreve melhor, Fernando Sabino? Você ou o Nelson Rodrigues?”. E o mineiro, achando que ia se safar: “O Nelson, é claro que o Nelson é muito melhor que eu... claro...”.”Cala essa boca Fernando Sabino! Quem és tu para julgar Nelson Rodrigues?!”

Sobre Ronaldo Bôscoli, era taxativo: “Deixou de ser poeta pra escrever essa merda de barquinho!”

E quando foi apresentado à socialite Vera do Nascimento e Silva: “Prazer”, disse a beldade, “Vera do Nascimento e Silva.” E o Roniquito, embevecido: “Esquina com quê?”

Numa apresentação de um virtuose do violino, em pleno Theatro Municipal lotado, Roniquito ficou tão maravilhado que começou a chorar escandalosamente, a ponto de abafar a melodia. Conduzido gentilmente pra fora, deu meia-volta e se despediu com um berro emocionado: “vai tocar bem assim na puta que pariu!”

Presidentes, Roniquito abordou pelo menos dois. A primeira vítima foi Juscelino, numa recepção. Cheio do aço, Roniquito foi chegando perto: “Juscelinoooo! Juscelinoooo!” Mantendo o sorriso congelado, JK cumprimentou a figura, que foi passando o braço pelos ombros do presidente, na maior intimidade, o copo de uísque on the rocks na outra mão: “Atenção que vai falar o presidente, o presidente vai falar! Jus-ce-li-no, o que você acha, da reforma agrária, Juscelino, da reforma agrária o que você acha...”. E o político tarimbado começou a dar aquela declaração enrolada, vazia, em cima do muro, “é uma questão complexa, delicada...”. Até que Roniquito largou o presidente bossa-nova e foi embora, aos berros: “Chega! Já Chega! Esse presidente não entende por-ra-ne-nhu-ma de reforma agrária!”

O segundo presidente a conhecer a fera foi o generalíssimo Costa e Silva, cercado de meganhas. Mas isso fica pro próximo pileque.


* Que fique bem claro: “filho da puta” aqui vai como exaltação, como quando vemos boquiabertos um drible impossível do Garrincha e dizemos: “olha só o que ele fez... filho da puta!”

** Foi a última vez que serviram birita na cantina da Capela da Real Grandeza. Como diria Lilico, tempo bão não volta mais.