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08 novembro, 2004

Divisor de águas
Por irmão Paulo

Ele é pretensioso, arrogante, grosso, traiçoeiro, mandão, destemperado, mordaz, irônico, dono da verdade. Amado e odiado em igual intensidade, ele tocou a criação da Amazonas Filarmônica, do Corpo de Dança do Teatro Amazonas, do Festival de Ópera, a revitalização dos grupos de teatro locais – com a criação de novos espaços, a implantação do Centro de Ensino Cláudio Santoro, do Museu da Imagem e do som, capitaneia o maior projeto editorial de todos os tempos no Amazonas, coordena a maior iniciativa de preservação e restauro do Patrimônio Histórico e Cultural de Manaus - cuidando da restauração do Palácio da Justiça e do Palácio Rio Negro (agora centro cultural) e seu entorno, da Catedral de Manaus, além da fachada das casas no entorno da Praça Sebastião e do próprio Teatro Amazonas. Ele é Robério Braga, historiador e escritor, Presidente do IGHA e da Academia Amazonense de Letras, Secretário da Cultura e, goste-se ou não dele, um divisor de águas no que diz respeito às iniciativas e políticas públicas culturais no Amazonas.

Discorde-se da política cultural do governo nos últimos anos, critique-se a indisfarçável filosofia circensis que cerca a maior parte das iniciativas culturais – fazendo com que o populacho pasme acompanhando os acontecimentos e paralise no aguardo da “próxima atração”, xingue-se o Festival de Ópera por incompatível com nossos hábitos culturais (poucos ousam agora), a contratação de músicos europeus (como fez antes Eduardo Ribeiro para a inauguração do Teatro Amazonas), goze-se da charrete da Roberiolândia (como fez o Ribamar), critique-se o valor dos cachês (como fez o Atum), conteste-se o volume de recursos destinado à manutenção da orquestra e à realização do Boi Junino, questione-se a qualidade e os critérios de avaliação das obras literárias publicadas com subvenção governamental e os critérios escolhidos para a reedição de importantes outras esgotadas, diga-se que estão fora de mora os desfiles de fantasia e a programação de natal, com apresentações em igrejas e locais públicos, estraçalhe-se o seringal – sucursal rural da Roberiolândia e o barco Justo Chermont, enfim arrombe-se com tudo, mas ao assim fazer reconheça-se que antes de Robério não havia nada e depois de Robério há tudo. Ou quase.

Pelo andar da carruagem, e dos mexericos, Márcio Souza pode vir a ocupar uma Secretaria Municipal de Cultura, a ser criada. Predileções literárias à parte, Márcio Souza é um dos grandes caras desse estado, sua indicação é a prova de que é possível ter uma gestão nula à frente de um órgão importante como a FUNARTE e, mesmo assim, permanecer na ativa e cotado para ocupar um outro cargo, tão ou mais importante, como o de primeiro Secretário de Cultura de Manaus. Aliás, justiça se faça igualmente aqui. Os resultados impressionantes do trabalho de Robério Braga impuseram ao Prefeito Arigó Nascimento a necessidade de implementar, mesmo que meia sola, algumas iniciativas de estímulo cultural, os tais valores da terra. Sendo que a própria criação de uma Secretaria Municipal de Cultura, se confirmada, decorrerá da dimensão que o tema ganhou após tão longa e frutificadora gestão de Berinho, como o chama o Ribamar.

Robério Braga exterminou a longa linhagem de subsecretários e coordenadores de cultura inativos. Linhagem que remonta, segundo me informam, um tal José Lindoso (conhecido como Josetito). Dele e d’outros devemos guardar lembrança, para sabermos o que não mais queremos. Como uma fera indômita, Robério Braga arrancou a fórceps dinheiro do orçamento estadual e de mecenas privados e implementou seus projetos e sua visão de política cultural. Realizou o memorável Encontro Internacional de Poesia, promoveu discussões (sic) com a comunidade artística na busca de aprimorar a política cultural do estado, mandou pras cucúias o sentimento derrotista de que não é possível fazer nada no Amazonas.
Ele é pretensioso, arrogante, grosso, traiçoeiro, mandão, destemperado, mordaz, irônico, dono da verdade. Amado e odiado em igual intensidade, ele tocou a criação da Amazonas Filarmônica, do Corpo de Dança do Teatro Amazonas, do Festival de Ópera, a revitalização dos grupos de teatro locais – com a criação de novos espaços, a implantação do Centro de Ensino Cláudio Santoro, do Museu da Imagem e do som, capitaneia o maior projeto editorial de todos os tempos no Amazonas, coordena a maior iniciativa de preservação e restauro do Patrimônio Histórico e Cultural de Manaus - cuidando da restauração do Palácio da Justiça e do Palácio Rio Negro (agora centro cultural) e seu entorno, da Catedral de Manaus, além da fachada das casas no entorno da Praça Sebastião e do próprio Teatro Amazonas. Ele é Robério Braga, Presidente do IGHA e da Academia Amazonense de Letras, Secretário da Cultura e, goste-se ou não dele, um divisor de águas no que diz respeito às iniciativas e políticas públicas culturais no Amazonas.

 

1 Comments:

  • At 12:39 PM, Blogger Raymond de Sá said…

    Pois é,tem gente que gosta de merda e está contente por isso...Questão de aplaudir mau uso de DINHEIRO PÚBLICO,apoiar este tipo que deixa o artista amazonense à margem dos projetos faraônicos (ópera, Jazz,manaus folia etc),coisa de colonizado mesmo.Uma perguntinha:este senhor Robério é sec. de cultura do amazonas ou do Leste Europeu? Há controvérsias....

     

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