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07 dezembro, 2006

O monge de 12 polegadas e 1/2 (parte II)
Por Prof. Azancoth (Cathedrático & Devasso)

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O barbudinho que nunca negava fogo, cercado por sua satisfeitíssima clientela.


Como eu ia dizendo, Rasputin baixou com seu mulherio em São Petesburgo em 1903, disposto a fazer a capital. Naqueles idos a fama do misterioso e esguio peregrino – que com seu toque mágico curava desde espinhela caída até gagueira – já tinha chegado aos umbrais da aristocracia mais antenada no assunto. A versão corrente era que bastava Rasputin pousar os dedões sobre a parte enferma do corpo, entoar umas orações num dialeto desconhecido, fazer caras e bocas e... não é que o sacana dava jeito mesmo? Só não topava curar impotência ou hérnia escrotal – é que, apesar de mágico, tudo indica que ele não escondia, nem jogava água fora da bacia.

Rasputin tomou a decisão certa ao trocar seu público-alvo. Afinal, apesar das caipirinhas do interior também serem filhas de Deus, as peruas da Corte, além de serem limpinhas, jeitosas e asseadas, tinham dinheiro pra burro – e uma pulsão irrefreável de enfeitar a testa dos maridos com frondosas galhas. Muitas, apesar de terem uma penca de filhos, nunca tinham visto um pênis – isso mesmo, uma iguaba – na frente (o bom costume exigia que os casais decentes copulassem separados por um lençol ou edredon, com um buraquinho no local estratégico e rezassem duas salve-rainhas logo em seguida).

O primeiro grande lance de Rasputin foi ter curado num passe de mágica a caganeira do bichon-frisé da grã-duquesa Militsa de Montenegro, que ficou encantadíssima e na mesma hora arranjou para si uma penca de doenças para serem devidamente tratadas. Militsa tinha uma irmã, Anastásia, tremendo pitéu, que também entrou na roda. As Montenegros eram amicíssimas de ninguém menos que a Sua Majestade, a Imperatriz Alexandra e decidiram introduzir o santo homem no seio da família imperial. Foi fácil.

Rasputin tornou-se logo arroz-de-festa no palácio dos Romanov. Somente ele detinha a manha para aplacar o sofrimento do pequeno príncipe-herdeiro Aleksei, que havia herdado de sua bisavó, a Rainha Vitória, o chamado “mal dos nobres”: hemofilia. Essa doencinha hereditária das mais escrotas todos conhecemos. Meu amigo Henfil tinha e ia levando até ser assassinado pelo governo brasileiro, que lhe vendeu sangue contaminado com aids. Toda vez que o príncipe piorava, com sangramentos internos incontroláveis, lá vinha o Rasputin, sabe-se lá se com reza braba, com alguma erva, hipnose, engenharia social ou o diabo que o valha e conseguia, para espanto dos físicos oficiais, fazer o moleque melhorar e sair pulando.

A partir daí, Rasputin deitou e rolou na condição de guruzão oficial do Império, que literalmente caiu de quatro com a sua influência. Mas essa transa fica para o ato final.

Continua...