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19 agosto, 2006

Surfando nas ondas culturais de Paraty (II)
Pela nossa caravana de transviados especiais

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Depois de passar dois dias vendo a coisa preta, Hedôzinha foi entregue em domicílio.


SEXTA-FEIRA, 11 DE AGOSTO

10h - Mesa 6 - Prosa, política e história
Alonso Cueto, Luiz Antonio de Assis Brasil, Olivier Rolin

A boa literatura, assim como a boa trepada, é um espelho que reflete nossas experiências individuais e coletivas. Pense numa suruba com dois cialis na cabeça e meia-dúzia de escravas etíopes (aquele preto velho detonando a Hedô não me sai da cabeça...). Ou tente ler Sören Kierkeegaard com 15 mojitos na moringa dentro de um ônibus superlotado de farofeiros a caminho da praia. Sim, essas experiências extra-sensoriais são só para os loucos, só para os raros. Pois bem: nessa orgia lítero-alcóolica onde fui debatedor/rebatedor (o taco de beisebol presenteado pelo Joe Di Maggio tinha que servir para alguma coisa...), três autores que utilizaram a ficção para recriar eventos históricos e atuais discutiram o papel da literatura na compreensão da política molusca e da história tucana, tanto no pretérito passado como no futuro do presente. A margem imóvel do rio é um dos romances históricos de Assis Brasil em que, nas palavras de um crítico, “ao invés de sair do Brasil o autor entra nele como em uma geografia misteriosa”. Devia ter se afogado na merda, o infeliz. Ele queria o quê? Que o rio fosse imóvel e a margem corresse?... (Hummm... Será que a Hedô gozou?... Não creio... Preto velho tem muito bodum...) Autor de Grandes miradas e A hora azul, relatos perturbadores do Peru contemporâneo, Alonso Cueto é um escritor fissurado em inovar. Aliás, na língua quíchua, cueto é uma corruptela de “cu estreito”. Quando em contato com Peru, pode realmente sofrer algumas fissuras. Inclusive a fissura de dar o cu. Com esse sobrenome, não paga dez que o Afonso atraque de popa. Já entre os romances de Olivier Rolin, que se baseiam em memórias da França nos anos 60, se encontram Porto Sudão e Tigre de papel. Ou seja, apesar de ter um caralhinho no nome o sujeito tem toda a pinta de que senta em cadeira ocupada. Esse negócio de os príncipes do Sudão, a mulher do Conde D’Eu e a rainha de Bagdá é coisa de gaúcho, digo, de viado, desde meus tempos de pirralho no grupo escolar Euclides da Cunha! Pô, Fran, não agüento mais cobrir (no bom sentido) esses escritores perobos... Aliás, vou perder uma boca-livre hoje à noite com meia-dúzia de estagiárias do JB porque o DJ é um tal de Junior Vasquez, que tem todo baque de qualira! Falar nisso, cadê a cadela da Hedôzinha?!

12h - Mesa 7 - As matérias do romance
Carlos Heitor Cony, Ignácio de Loyola Brandão, Miguel Sanches Neto

Minha língua – mas qual mesmo minha língua, exaltada e iludida ou de reexame e corrompida? – quer dizer: vou vivendo, bem ou mal, o fim de minhas medidas; quer dizer: minha grande paixão literária é um assunto sem valor; quer dizer: meu tom de voz não fala mais rouco; quer dizer: três escritores de gerações diferentes, cada um com seu estilo singular crepusculino-amaralino, encontraram-se para ler e conversar sobre os caminhos da criação literária. E se apóiam numa escrita anti-reticente. Vantagem é ser reticente neste século generoso. Vã chantagem é ser irônico com a generosidade deste século. Com a generosidade diabólica deste século de luzes. A ficção de Carlos Heitor Cony (Pilatos, Quase-Memória) flerta com o memorialismo, mas vai muito além dele, pois os temas que aborda vão do mais intimista e subjetivo ao político e histérico, ao poético e histórico. Vergonha do estilo próprio, fraqueza de suportar este espetáculo sem condimentos. Luz atlântica: falso nome de coisa nova. A obra de Loyola se consolidou durante o regime militar, a que faz alusão numa prosa descarnada e fragmentária de Zero e Não haverá país nenhum, romances marcados por um realismo feroz e violento, reflexos também da brutalidade da vida brasileira. A representação do obscuramente sombrio, da curtição enquanto valor dos esgotados, da libertinagem com as migalhas do poder, da dissipação de forças, da queda na servidão, do jogo com a própria vida pra ver no que dá. Plareira pala ou paródia? Paródia caipira. Em outro tom, mais memorialístico e compassado é o relato A veia bailarina. Um título boçal de suplemento provinciano. Um texto antigo. Les illusiones perdues... Educação sofrida... Na obra de Miguel Sanches Neto (Chove sobre a minha infância, Venho de um país obscuro) predomina a relação entre invenção e registro autobiográfico, trabalhada com lirismo. Retrato do artista quando jovem na tradução portuguesa. A portrait of the artist as a colonized old man. Medo da contaminação. Tudo isto cheira século dezesseis. Tudo isto cheira século dezessete. Tudo isto cheira século dezoito. Tudo isto cheira século dezenove. Sim, vou cheirar também essas duas carreirinhas. CHUÉ. Meu olhar amansa qualquer animal. Porra, Piauí, esse brilho foi malhado. Manera, fru-fru, manera.

15h - Mesa 8 - Conferência Zé Kleber: literatura e política
Tariq Ali

Maior barato: tocaram o apito do fim do recreio exatamente enquanto a moçada descobria, como uma pancada na nuca, que a literatura tem o seu lado. Mais uma vez a FLIP homenageou Zé Kleber (1932-1989), querido poeta, ator, músico, cineasta e político de Parati. O desvairado utopista da nação Arembepe. Na palestra deste ano, o romancista e ensaísta Tariq Ali, principal intelectual de esquerda da Grã-Bretanha e editor da revista New Left Review, deitou falação sobre a complexa relação entre as esferas literária e política. E enquanto Tariq fechava o papo europeu, fundindo a cuca para suicidar-se à romântica, Zé Kleber, nossa prata de casa, procurava e não podia encontrar soluções para os amigos febris deste lado do mar, entre a cruz e a caneta na mão. Salve-se quem puder etc. e tal, e agora é o que se vê: adeus ideologia dos três mosqueteiros, adeus que não tem mais jeito. Cada um por si e pronto: um livro inédito na mão e uma tese à guiza de desculpa. Quem pediu? Qual seria a função da literatura, já considerada um veículo de mudança política e social nos dias de hoje? Até que ponto a política se reflete na ficção? Os trabalhos de não-ficção mais recentes de Tariq Ali são Confronto de fundamentalismos e Bush na Babilônia. Quem vai ler? O Hezbolah de bode? O best-seller As novas faces do império foi lançado na FLIP. E daí? Alguém vai ler com olho móbil? Sei, sei. Em meio à arrancada geral Zé Kleber, muito vivo, também se arrancou – mesmo quando veio pro clube já havia se arrancado. Agora já foi. Pode transar à vontade por aí. Pode até voltar: já não será mais a velha sopa de colher para os meninos. Ou será, ou não será – não interessa mais. Zé Kleber foi o poeta máximo da consciência brasileira em transe e isso já passou, bonecos. Tudo é perigoso. Tudo é divino-maravilhoso. E pra encerrar o papo deste dia feio, um nome só: Ingrid Bergman. É linda demais. É muito linda. Desmaiarei em breve. Aguardem.


17h - Mesa 9 - Profissão repórter: a arte da reportagem
Lillian Ross, Philip Gourevitch

Aaaaaaai... tou exausta... pleaaaaase, deixem uma garota loura e up-to-date descansar um pouco! E eu amei esse evento dedicado à arte da reportagem, com a participação de dois jornalistas fofitos que moram no meu heart!!!... “Acho que a reportagem e o relato de fatos são uma forma imaginativa,” sapecou Philip Gourevitch, editor da publicação The Paris Review e autor do livro Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias, que narra o massacre dos tutsis pelos hutus... Hedô também é cultura... Abafa!... O bofito-escândalo conversou com a lindita Lillian Ross, lenda-viva do jornalismo narrativo e baluarte da revista norte-americana The New Yorker... A Lili (para os íntimos) traz no currículo (ui!) alguns livros clássicos como Reporting e Filme... Te mete!!!... Sei que o Cecezinho vai me odiar (e eu amo aquele cafajeste!!!), mas depois do bate-papito rolou jogação totaaaaal na party de Mr. Junior Vasquez, special guest do clube “Sui Generis”, o hot-hot-hot-point de Paraty... E o que é Junior Vasquez?... Euzita e meu dear-friend Benjamin Zephaniah (Seu Jorge, para os bem íntimos... Abafa!...) desvendamos o secret do amiguito de Madonna: o som dele não segue uma tendência... Não é coerente... Ele te surpreende! Tá tribal... de repente, vira house-baba... Tá house? Lá vem um hard-trance... É como se elezito dissesse: "Aaaah... vou colocar isso aqui... Tou afim! Eu sou tudo! Eu posso... Dancem se quiserem, bibetes!!!" E todo mundo dança! Porque é tudo muuuuuuuuuuuuuito bom... Uma viagem...Uma viagem inesquecível! E LAST DANCE ao final... Quem imaginaria? Foi perfeito! Sorrisos, abraços, palmas... Um show! E foi muuuuuuito bom reencontrar friends tão queridos... RR, SC, PA, SP, BH, USA, México, Espanha... E também conhecer pessoitas novas e fofitas from Jamaica, Canadá, Alemanha, França, Holanda... Ééééé... Uma coisita united colors no ziriguidum!!! E teve a mega-hiper-super-party-Anos-70 no Eh Lahô com o fofito carioca Ricardo Lamounier e seus remixes antológicos... E teve também a grande surpresa dessa FLIP: Big Boy e Ademir no after do Porto da Pinga!!! Os fofitos tocaram como nunca tocaram antes! Nem nos áureos tempos do Le Bateau ao vivo ou nos Bailes da Pesada no Canecão... Eles fizeram mágica... Misturaram Daniela Mercury-tribal... com The Promise... Jackson do Pandeiro... com Ramones... Jorge Bem... com Erasure... Aguinaldo Timotéo... com Roxy Music... e ainda mandaram uma versão ma-ra-vi-lho-sa de "Killer", do Seal... Tudo foi de muuuuuito bom gosto... As bibetes deliraram!!! Congratulations, linditos! Você foram top top top top!!! E quero mandar um beijito muuuuuuuuuito especial para um lindito que tá longe (ele odeia bibetes, qualiras, frangos e escritores, nessa ordem!)... Mas que, tenho certeza, tá pensando muito em Ishtar All Star... Por falar nisso... Acho que vou ligar pra ele! Ai, ai, ai, Embratel... Será que ele ainda me quer?...