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18 agosto, 2006

Surfando nas ondas culturais de Paraty
Pela nossa caravana de transviados especiais


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Seu Jorge meteu a capadócia na volúvel Hedôzinha.


QUARTA-FEIRA, 9 DE AGOSTO

21h30 - Show de abertura
Maria Bethânia

Barbra, Celine, Gloria, Whitney, Madonna, Elton John que me perdoem... Mas não existe cantora mais gay e com glamour que Maria Bethânia!!! Fofitos, ela é uma espécie de mulher-traveca... sem a parte da dublagem, porque Miss Mana Caetano canta muuuuuuuito. E dá uma pinta basiquita que é um luixo. Muita pluma, muito brilho, muito glamour e o estoque completo dos produtos Lancôme na cara! A primeira musiquita que ouvi dessa fofita foi "Carcará.... pega, mata e come". Foi love at first ouvida... Que gogó... Que pintosa! Não é à toa que 10 entre 10 drags de pedigree já dublaram essa poderosa. Ela abala Sucupira, Saramandaia e adjacências... Uhhhm... que cheiro de queimado é esse? Ai! Meus brigadeiros!!! Fui, liiiiinditos!

QUINTA-FEIRA, 10 DE AGOSTO

10h - Mesa 1 - Invenções do interior
Maria Valéria Rezende, André Laurentino, Juliano Garcia Pessanha

Olhando de fora pra dentro, “interior” é geografia, mas também subjetividade, campo semântico da orgia, todo mundo nu com as mãos nos brotos. Um lugar no mapa ou o fundo da mulher amada - sem calcinha, evidentemente - quando fica na posição de lótus. É entre esses interiores e seus conflitos que nasceram, física e literariamente, escritores tão distintos quanto os reunidos nesta mesa ginecológica. A diva Maria Valéria Rezende encena em “O vôo da guará vermelha” as esperanças e desejos de dois personagens que, vindos do interior, encontram-se na cidade grande, cenário da busca metafísica de Juliano Garcia Pessanha em livros como “Ignorância do sempre”. Em suma, coisas de viado. Já “A paixão de Amâncio Amaro”, estréia literária de André Laurentino, se passa no sertão pernambucano, mas é em outros interiores que circulam seus delicados personagens - todos viados, evidentemente. Se eu não tivesse trazido a Hedô para carcar depois, teria ficado na mão. Como tem viados-escritores e escritores-viados por essas bundas, digo, bandas, meu cumpadi! Varei!


13h - Mesa 2 - Vozes em verso
Astrid Cabral, Carlito Azevedo, Marcos Siscar

Encontro marcado de três premiados poetas de dicção própria. Poetas apropriados no momento propício. Muito além do pas-des-deux da diversidade da lírica brasileira contemporânea. A Amazônia de Astrid Cabral (De déu em déu, 1998, Rasos d’água, 2003) é uma presença forte em sua obra, que se distingue pelo olhar crítico sobre o cotidiano, o tom coloquial e a indagação metafísica. Uma poetisa apropriada, por supuesto. Apropriação - papo apropriado: arrogância do grande artista. O grande artista sugando a seiva de todo mundo. O grande artista - único corpo balançando. Escrever uma frase inteira sobre a dor. O grande artista subindo. Como numa caverna. Numa caverna a caveira do grande artista. FRASE VERDADEIRA: cai sobre mim abate sobre mim o peso da minha imbecilidade. Trabalho e dinheiro. Sucesso na vida. UM DEUS GUIA MINHA MÃO (para todo o sempre ou voltará ela a tremer atraída pelo período anterior?). Você é o lado mais claro do mundo. Início da viagem, Ulisses dentro do barco (tapando os ouvidos contra as sereias): - meu barco vai partir num mar sem cicatrizes. São esses traços também marcantes no trabalho de Carlito Azevedo (Collapsus Linguae, 1991, Sublunar, 2001) e de Marcos Siscar (O roubo do silêncio, 2006), cujas poesias procuram estar à altura do fervilhamento da vida e de seus múltiplos estranhamentos. Apoteose a Prometeu: odeio fraqueza odeio gente fraca odeio pessoas fedendo a cervejas odeio fracassados. Amor devoção fé absoluta e total. Campo de concentração: reeducação pelo trabalho permanente. Aperta outro, Piauí!

16h - Mesa 3 - Homenagem a Jorge Amado
Myriam Fraga, Alberto da Costa e Silva, Eduardo de Assis Duarte

Chuva miúda não mata ninguém. Tudo barra limpa e todos os sinais devidamente abertos. Para homenagear Jorge Amado (1912-2001), autor de clássicos inesquecíveis como “Gabriela, cravo e canela” e “Dona Flor e seus dois maridos”, e que estaria completando 94 anos neste dia, três intelectuais discutiram seu legado literário. Alberto da Costa e Silva, poeta, ensaísta, membro da Academia Brasileira de Letras e grande especialista em assuntos africanos, Eduardo de Assis Duarte, autor de “Jorge Amado: romance em tempo de utopia”, e a escritora e biógrafa, Myriam Fraga, diretora da Fundação Casa de Jorge Amado, em Salvador. A discussão foi quente. Quente por causa dos temas quentes como acarajé saindo da frigideira e quente pela temperatura geral da platéia (convidadíssima), subindo, subindo, queimando, queimando e pegando fogo. Cecezinho, por exemplo, foi um que esfriou bastante, mas em matérias de exceções Cecezinho sempre se dá muito bem. Hedôzinha me deu um beijo, o poeta Sailormoon, de longe, elogiava. Classe A, artistas & poetas, fotógrafos e cronistas, atores e atrizes, Classe B, classe 2ª, jogadores e futebolistas, marginais e pirados, copidesuqes, cineastas, vampiros e mocinhas, amor & tara, os divinos e os repelentes, os deuses e os mortos, os morto-vivos e os vivíssimos, publicitários e mecenas, amantes, desamantes, diamantes, carreiristas, bafonzeiros e desocupados, o tout-Rio de cima e o tout-Rio de baixo, caras limpas e caras bem quebradas, todo mundo lá, todo mundo firme nessa primeira grande mesa redonda da melhor literatura brasileira que este cronista comovido agradece só porque existe. Salve Jorge!


19h - Mesa 4 - Palavras da rua
Benjamin Zephaniah

Desconfie de qualquer filho da puta com excesso de melanina na pele, que se apresentar para você e sua mina dizendo ser poeta rastafari, DJ, dramaturgo, romancista, macumbeiro, vegetariano convicto e mestre de kung-fu. Um crioulo com esse currículo, chamado Benjamin Zephaniah, só porque sabe usar talheres direito e expressar suas idéias de maneira clara e direta, se transformou em quindim dos endinheirados no mundo literário britânico. O aprendiz de ganga zumbi da pérfida Albion superou as dificuldades de crescer em meio à discriminação racial de seu país e levou a experiência das ruas (cheirar cola, fazer malabares, bancar o avião) a livros de poesia como “Too black, too strong” e “City psalms”, além de romances como “Refugee boy” e “Gangsta rap”. Poeta premiado e leitor performático, Zephaniah ergueu uma voz enérgica e solitária em defesa dos pobres e marginalizados de Parati, sendo muito aplaudido. Não satisfeito, ainda levou a Hedôzinha para ver a coisa preta, depois de se passar por Seu Jorge (esse não, o outro) interpretando “Ponta de Lança Africano (Umbabarauma)”, em versão drum’n’bass. Aí, eu capo um safado desses, coloco no pelourinho, dou 23 chibatadas (é o número do meu sapato bico chato de um olho só, se é que me entendem), e no dia seguinte tem um monte de crioulos postando desaforos vulgares contra a honra da genitora do Fran Pacheco e de nosotros, quiçá, nos acusando de racistas, chauvinistas e torcedores do Vasco da Gama. Aquele Afonso Arinos era um bosta! E essa Hedôzinha, só matando! Varei!