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19 agosto, 2006

Surfando nas ondas culturais de Paraty (III)
Pela nossa caravana de transviados especiais

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Depois de ser corneado por um negão, Cecezinho resolveu marcar a Hedôzinha de perto.


SÁBADO, 12 DE AGOSTO

10h - Mesa 11 - Do amor e outros demônios
André Sant’anna, Lourenço Mutarelli, Reinaldo Moraes

Éden, edenias & edenidades. Amor, sexo, escatologia. Paca, tatu, cotia não. Erotismo e humilhação. Desbunde e melancolia. Narradores anônimos, míopes ou fragmentários. João Grande Ser Tão Veredas. Sertanejo leal sem ânimo competitivo sem jagunçagens sincero sério sereno sertanejo leal devagaroso destes que aprenderam a ler o escrito das coisas licenças rogando ramo jasmim branco sem peçonhas cheiroso nas todas duas mãos por trás sem figurar fera escrita parecença nenhuma se sabendo vezeiro nos usos fiduciais desusados defronte dos ditos amigos ex-critores, assustados com o leão do meu coração. Alegria para apreciar as coisas. A prosa dos instigantes escritores Reinaldo Moraes (Tanto faz, Umidade), André Sant’anna (Amor, O paraíso é bem bacana) e do premiado cartunista Lourenço Mutarelli (O cheiro do ralo, O natimorto) se desenvolve num fluxo ora caudaloso, ora taquigráfico, mezzo aliche, mezzo calabresa, expondo a superficialidade, a violência, os impasses e os paradoxos das relações humanas. Nietzsche faria o mesmo, se aqui baixasse. Noutro sentido, mais táctil, menos duráctil, são textos de lumpendelirantes e pós-caudatários do grande romance Ilusões perdidas ou Recordações da casa dos mortos. Morte dos valores liberais (a festa acabou...) e sacação dos swinguinificados novos. SIMdrome/NÃOdrome de poetas gabarros: demarcando o tamanho do círculo que vou dançar no centro, minha fé: vou morrer no momento certo. Minha fé: vou durar o tempo certo para desenrolar ainda algumas coisas no mundo. Durante certo tempo: quietude ESTADO DE GRAÇA LUZ DE DEUS se movendo em meu rosto coração se expandindo nos afetos afinidades – nenhuma raiva, só satisfaction. When I’m drivin’ in my car and that man comes on the radio, He’s tellin’ me more and more about some useless information, supposed to fire my imagination, I can't get no, oh no no no. Hey hey hey, that’s what I say. Provisória precária alegria. Hello crazy people. Nos beirais dos telhados, andorinhas. A manga rosa, Maria Rosa, Rosa Maria Joana... A doença infantil do drop-out leftista. É a sua presença, Torquatália! Eparrei!


11h45 - Mesa 12 - Muitas vozes
Ferreira Gullar, Mourid Barghouti

Histórias sobre o exílio e o regresso sempre acompanharam a humanidade. Sofrer à distância é coisa de guerrilheiro macho (Fidel em Miami e depois desfilando solenemente pelas ruas de Havana). Guerrilheiro viado vira logo porteiro de sauna gay (Gabeira em Estocolmo e depois com a sunga de crochê da Leda Nagle no Posto Nove de Ipanema). Esta mesa redonda reuniu dois poetas extraordinários que souberam fazer da experiência do tempo passado, do banimento e do risco da perda das raízes matéria viva do poema. Há trinta anos, Ferreira Gullar escrevia no exílio o Poema sujo, uma reflexão vigorosa e penetrante sobre a infância, a perda e o resgate. Turvo turvo a turva mão do sopro contra o muro escuro menos menos menos que escuro menos que mole e duro menos que fosso e muro: menos que furo escuro mais que escuro: claro como água? Como pluma? Claro mais que claro claro: coisa alguma e tudo (ou quase) um bicho que o universo fabrica e vem sonhando desde as entranhas azul era o gato azul era o galo azul o cavalo azul teu cu (esse poema é a cara da Hedôzinha...). O taliban Mourid Barghouti viveu três décadas distante de sua terra, a Palestina, antes de finalmente retornar. Em Eu vi Ramallah, o autor narra as memórias de seu retorno de modo lírico e comovente. O exílio é a morte, diz ele. “Desde aquele verão comecei a ser estrangeiro, uma condição que sempre pensava ser a de um outro. O estrangeiro em que nos transformamos vive, essencialmente, naquele pedaço escondido e silencioso dentro de si, sem encontrar conforto em lugar algum. Desprezam-no por ser estrangeiro ou têm pena dele porque é estrangeiro, e isto é mais cruel do que aquilo.” É por isso que ainda prefiro os poetas aos escritores: a viadagem entre os primeiros é verdadeiramente ínfima. Com exceção dos pretos safados, evidentemente, que fazem dub poetry nos puteiros de Kingston a troco de ganja. Falando nisso, a sirigaita da Hedôzinha, que deve estar sofrendo da síndrome de motosserra (não pode ver pau em pé que já cai matando!), não perde por esperar. Vou picotar sua cabeleira loura, pintar de negro (a recorrência inconsciente ao preto safado já está me tirando do sério) e marcar de perto. Potrancas selvagens a gente ensina a se comportar é metendo as esporas. Nos dois buracus.


17h - Mesa 14 - O último leitor
Ricardo Piglia

A virtude é a mãe do vício conforme se sabe; acabe logo comigo ou se acabe. A virtude é o próprio vício – conforme se sabe – estão no fim, no início da escada. Chave. Chuva da virtude, o vício, é conforme se sabe; e propriamente nela é que eu me ligo, nem disco nem filme: nada, amizade. Chuvas de virtudes: chaves. A crítica literária pode ser uma forma de autobiografia? Pode, conforme se sabe. O escritor argentino Ricardo Piglia propõe essa questão em suas notáveis reflexões sobre as grandes obras da literatura. Ri muito. Amar-te/ a morte/ morrer. Há urubus no telhado e a carne seca é servida: um escorpião encravado na sua própria ferida, não escapa; só escapo pela porta de saída. “Escrever ficção muda a maneira como lemos, e a crítica que um escritor escreve é o espelho secreto de sua obra”, diz Piglia em Formas breves. Ri muito. A virtude, a mãe do vício como eu tenho vinte dedos, ainda, e ainda é cedo: você olha nos meus olhos mas não vê nada, se lembra? Nesta tarde-noite excepcional, um dos mais respeitados romancistas e críticos literários da Argentina, autor de Respiração artificial e O último leitor, avaliou em que medida “o crítico encontra a sua vida no interior dos textos que lê”. Ri muito. A virtude mais o vício: início da MINHA transa. Início fácil, termino: Deus é precipício, durma, e nem com Deus no hospício (durma), o hospício é refúgio. Fuja. (Sei lá, mas desconfio que o Batatinha andou misturando alguma coisa – cânhamo? ópio? mescalina? titica de vaca? – na minha ração diária de cogumelos frescos com tofu, ricota e arroz integral. Que viagem, bró! Ri muito!)


19h - Mesa 15 - Nas fronteiras da narrativa
Ali Smith, Jonathan Safran Foer

Ai, fofitos... Sabe aqueles dias que até uma loura linda-up-to-date-tudo se olha no espelhito e... uó!!! Aí ela apela: espelhito mágico... espelhito meu... Quem é mais bonitita que eu?... E o espelho te dá uma lista de peruas que dá para encher três maracanãs e um morumbi?... Eu tava assim nessa friday night... Meio jaburutita... Meio guabiruzada... Meio Mortícia... Meio Madame Min... Olheiras avilosas, cabelo ruinzito e uma espinha na minha testa deformando essa face alva que God me deu!... Culpa do meu dear-friend rastafari (Seu Sete da Lira, para os ultra-íntimos... Sete?! Parece conta de mentiroso, mas foi isso mesmo... Sete vezes sem tirar de dentro... Abafa!!!)... Tchudo bem... respirei fundo, coloquei "Beautiful" da Christina Aguilera no iPod e me auto-convenci: You are beeeeeautiful, no matter o que esse espelhito uó diga!!! E fui toda poderosa conferir mais um papo-cabeça em Paraty... Para ti, para mim, para nós... O livrito de estréia de Jonathan Safran Foer, Tudo se ilumina, e sua continuação, Extremamente alto, incrivelmente perto, são o must da ficção contemporânea... Li de cabo a rabo (ui!)... Já em romances como Hotel World e o premiado Por acaso, Ali Smith explora os limites da narrativa literária... Muito veneno destilado... Muito sugar baby love! (The Rubettes não era o máximo?...)... O chato foi ver minhas amiguitas pocheteiras amando e dando vexame durante as sessões de autógrafos... Os dois escritoritos ficaram na maior saia-justa, chamaram a polícia, maior frisson... Olha, fofitos, é assim mesmo... Esqueçam as barbies se beijando de língua e desviando a atenção do people! Eu adooooro elas, mas às vezes minhas amiguitas inchadas são uó! Claro, existem barbies superfofas e do bem... Tente achar uma dessas no meio do populacho... ou senão... Que tal uma Susie? Uma fofolete? Um pula-pirata? O negócio é be yourself!!! Ainda não inventaram anabolizantes que dão personalidade, carisma e um beautiful heart! Ai, que lindo isso... Mulher de peixes, né?... Conselheeeeeeira... Tô me sentindo Cinira Arruda... Abafa! Quando entrei na fila to buy my books, levei um catiripapo uó que me deixou zonza... Cecezinho estava possesso querendo praticar tiro ao alvo no Seu Sete da Lira... que, aliás, saiu correndo e, pela velocidade, já deve estar em Kingston! Euzita? Fiz a egípcia e fingi que não conhecia... Please, tenho um nomezito a zelar... E se vocês acham que isso é barraco de corno manso... Rá, rá, rá... Não imaginam o que ele fez comigo no banheiro depois do fuá... Quase que eu chamei um exorcista, o padre Quevedo, uma mãe-de-santo, o Walter Mercado, o padre Sérgio... Cecezinho estava overdosado de MDMA, benzina e viagra... De repente cismou que eu era uma seringueira, prima em 2º grau do Chico Mendes ou da Marina Silva, não entendi bem... E que a gente tava participando de um empate em Xapuri (AC)... Éeééééé!... Cecezinho quis me obrigar a tirar leite do pau!!! Só aceitei participar da experiência mística depois de receber mais três caitiripapos uó, que me deixaram zonza... Felizmente, depois de duas horas de canguru perneta, ele desistiu da brincadeira e foi biritar com o Piauí... Mas me deixou toda assada... Ai, que vexame!

 

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