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03 agosto, 2006

Cada vez mais fatal e a todo vapor
Por Torquato Piauí

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Preciosidade da discoteca do Torquato: Gal, na histórica capa do LP "Índia" (1973), pela primeira vez mostrada sem retoques (leia-se gilette).

Disse e repito: Gal é a maior cantora do Brasil. E garanto.

E você, bobão tropicalista, não venha me falar em época: todo mundo sabe que existem cantores maiores em cada “época”, para todas as “épocas” e que Aracy é a maior cantora e que Ângela e Dalva também são as maiores e que Elizeth, ainda, é a maior cantora. Mas se você quer saber mesmo da maior cantora, a que sintetiza melhor e mais profundamente todas as épocas no recado desta época aqui, a mais quente, presentemente, perfeita e livre eu lhe digo, bobão: Gal.

Sabe o que é uma cantora? Sabe como é?

Começa pela zona do repertório (e aí começam a entrar, é claro, os amigos, desde que Deus – sempre os faz e os junta). Dá pra não se arrepiar com essas pepitas incandescentes: Dê um rolê (Galvão - Moraes Moreira), Pérola negra (Luiz Melodia), Mal secreto (Jards Macalé - Wally Sailormoon), Como 2 e 2 (Caetano Veloso), Hotel das estrelas (Duda - Jards Macalé), Assum preto (Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira), Bota a mão nas cadeiras (Folclore baiano), Maria Bethânia (Caetano Veloso), Não se esqueça de mim (Caetano Veloso), Luz do Sol (Carlos Pinto - Wally Sailormoon), Fruta gogóia (Folclore baiano), Charles Anjo 45 (Jorge Ben), Coração vagabundo (Caetano Veloso), Falsa baiana (Geraldo Pereira), Antonico (Ismael Silva), Sua estupidez (Erasmo Carlos - Roberto Carlos) e Vapor barato (Jards Macalé - Wally Sailormoon).

Aí, passa pela observação menos caduca do público que assiste aos seus shows e compra seus discos e culmina, é óbvio, no que canta, ou seja: com o que canta: com, quando, onde, como.

O show de Gal Costa no Teatrão da Siqueira Campos, A Todo Vapor (que depois virou um álbum duplo, conhece, bobão?), não foi pensado nem feito para quem anda atrás de mistérios: é a coisa mais simples do mundo. Bobões da imprensa “especializada” e bobões cegos-surdos não sacaram as palavras-destaque de Wally (devagar com a bezendrina, Batatinha. Aquilo, em excesso, quando não mata aleija!) e Luciano, do que se utilizaram para demonstrar ignorância e insensibilidade profundas a respeito de todas as novas formas de poesia, da imagem e do canto. Querem explicações. Esses bobões não contam nada.

O show é simples e, por isso mesmo, complexo. A complexidade reside na dificuldade que as pessoas ainda enfrentam para, simplesmente, ouvir e sacar o canto desligado/ligadíssimo de Gal, as transas da técnica inteligente com a emoção (sincera?, perguntam os trouxas), que recria, por exemplo, uma gravação recente da boneca – Falsa Baiana – dentro do espírito normalmente pop do show por inteiro, das transas de Gal (mais Wally, Luciano e Paulinho e Leny e Jorginho e Novelli), do público que chega lá e escuta e se liga, do ambiente geral do Teatrão e de tudo o que Gal representa com seu canto e com sua presença (ainda) entre nós. Ufa!

Daí, meninos que é bom não perder esse show (está disponível em DVD pirata no Canto do Fuxico) nem deixar de ouvir o disco (tem em CD pirata duplo por apenas trêrreá no mercado Adolpho Lisboa). Não há nada melhor, atualmente, na Música Popular Brasileira extra-exaltação. Nem o último disco do Nunes Filho.

Nada melhor do que Gal: nada mais liberto, mais à vontade, mais maneiro, mais pesado. Essas coisas todas que irritam os bobões tropicalistas brasileiros. Essas transas que se deve transar agora, enquanto tem Gal por aqui. As músicas mudam e o show é novo, quente e belo.

Quem pode, pode, quem não pode se sacode.

Ou então faz como o Berinho Braga, que torrou 5 milhões com instrumentistas de quinta categoria oriundos de rendez-vous de New Orleans e espalhou pelos quatro cantos do planeta que fez o maior Festival de Jazz do Brasil.

Gal é dez. O Cadeirudo é 15. O Carteiro é 16. O Capiroto é 25. O Asmodeus é 45. Berinho é 24 e faz meinha. Ufa! Ufa! Ufa!