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02 julho, 2006

FIM DO DILEMA: PERDEMOS JOGANDO FEIO
Por Cezário Camelo, "Cecezinho"

Cecezinho já comeu muito a mãe do Thierry Henry, mas acha que não tem nada a ver.

O Bussunda me deixou aqui no bar com duas inglesas desesperadas (e, infelizmente, apesar dos avanços da engenharia genética, eu continuo tendo solamente um bimbo, o que causou algum constrangimento), dizendo que ia carcar a musa da Copa, uma tal de Fátima Bernardes, se não me engano. Com dez minutos, ele voltou, me passou um texto – supostamente surrupiado do jornalista Rodolfo Fernandes – e saiu correndo em perseguição a um argentino, que havia lhe passado a “mano del diablo” na poupança.

Merda. Na hora em que ia ao banheiro esvaziar o tinhoso, fui parado por uma afro-descendente (é esse o nome correto para nega do cabelo duro, qual é o pente que te penteia?). Papo vai, papo vem, tive que morrer em 2 mil francos para uma vaca que comi, há muito tempo – se não me falha a memória –, no subúrbio parisiense de Les Ulis. Ela acha que aquele chute de trivela do Thierry Henry tem a ver com meu DNA. Bobagem. O Thierry, como a maioria dos jogadores brasileiros, não tem pai nem mãe. Tem “tios”. Eu era só mais um.

Como eu já havia mandado minhas tralhas para o Fran Pacheco (e nada de vir grana pra gente carcar essas 40 mil bundas brasileñas disponíveis e sem saber o que fazer da vida), limitar-me-ei (desde que fui expulso do Colégio Dom Pedro II, pelo menos 20 anos antes da fundação do Clube da Madrugada, eu tinha obsessão por colocar uma mesóclise no pescoço francês de alguém... Valeu, Fran!), repito, limitar-me-ei a transcrever o texto surrupiado. Ele é o resumo do que eu acho:

“A Seleção Brasileira finalmente resolveu o dilema que a perseguiu na Copa do Mundo, entre ganhar e jogar bonito: perdeu jogando feio, que foi a situação mais constante nesta competição. E perdeu para uma equipe, a França, que passeou em campo e talvez não tenha estado presa a discussões inúteis como esta, pois ganhou jogando bonito, com direito a um show de bola, uma aula de futebol dada por Zidane nos nossos dois Ronaldos.

O técnico Parreira decidiu morrer afogado aos seus dois laterais. Podem acusar a imprensa de perseguição, mas o fato é que a torcida brasileira no estádio, a torcida que está na Alemanha e não lê jornais brasileiros, começou a gritar o nome de Cicinho precisamente aos 22 minutos DO PRIMEIRO TEMPO. O lateral entrou em campo faltando quinze minutos para o jogo acabar, no desepero. Seria inútil listar as bobagens que nossos dois laterais fizeram hoje – foram iguais em toda a Copa. Vale lembrar apenas duas: aos 24 minutos do primeiro tempo, Cafu perdeu a bola sozinho para um adversário e fez uma falta bisonha. Do outro lado, reparem em todos os replays que quiserem ver o que Roberto Carlos fez no gol da França - ele ficou totalmente parado. Todos os jogadores do lance, brasileiros e franceses, se mexem, MENOS NOSSO LATERAL ESQUERDO.

O Brasil teve um único sinal de que era um time de verdade na Copa: contra o Japão. Em todos os demais, fez o mesmo joguinho de ontem, com as previsíveis jogadas afuniladas pelo meio, os irritantes chutes de Dida para a frente, as inúteis jogadas dos laterais. Colocar Robinho aos 33 minutos do segundo tempo mostra que Parreira nunca o teve como uma verdadeira opção. O mesmo vale para Cicinho e para uma outra alternativa qualquer na lateral esquerda. O técnico decidiu, como dissemos, morrer afogado com o que todos viam que não estava dando certo. O jogo contra a França foi exatamente igual aos demais. Começamos um pouquinho melhor, o adversário cresceu e nos envolveu totalmente – isso aconteceu com a Croácia, com a Austrália, com Gana e hoje.

Não tivemos, nunca tivemos na Copa, toque de bola, rapidez, qualidade técnica, alternativas de jogo, lances pelas pontas, subidas dos laterais. Dependemos única e exclusivamente dos lampejos individuais de nossos atacantes – com o apagão geral que tiveram, fomos presa fácil.

O jogo do Japão ficará para sempre na memória como a partida em que o Brasil jogou como o Brasil. Não deve ser por outro motivo que foi a única em que se viu o lampejo de Ronaldinho Gaúcho, o craque que poderia ter sido e não foi. Muito se escreverá ainda sobre o que houve com o dito maior jogador do mundo. E o que analisar da atuação de Kaká hoje? Desde que a Copa começou, os torcedores imaginavam que com um quadrado supostamente mágico seria impossível que todos falhassem juntos num jogo. Pois foi exatamente o que aconteceu. Só que não foi em um único jogo – foi em todos os jogos. Tivemos faíscas dos nossos jogadores, nunca vimos verdadeiramente uma atuação sequer próxima do aceitável de qualquer um dos quatro do “quadrado”.

O fato é: o quadrado deu certo com uma formação e jogamos a Copa com outra. Todas as vezes em que o quadrado nos encantou estavam em campo Robinho e pelo menos um lateral ofensivo.

Sem alternatives, ficamos atados a um esquema tático que apagou nossas estrelas. A tal ponto que, perdendo para a França ontem, faltando poucos minutos para a partida acabar, o Brasil ainda estava tocando sua bolinha na defesa e no meio de campo, sem raça, sem determinação, sem objetivo e objetividade. Perdemos por não saber encerrar na hora certa o trabalho de uma geração, representada pelos veteranos laterais. Estava evidente, e a torcida toda pediu isso, que era a hora de mesclar alguns jogadores mais experientes, como Ronaldo, Ronaldinho, Gilberto Silva e Lúcio, por exemplo, com jovens como Robinho e Cicinho. Isso saltou aos olhos durante a competição. O próprio Parreira testou este time, viu que dava certo, mas não teve coragem , ou vontade, ou não viu necessidade, de efetivar as mudanças necessárias. Tivemos, aos 35 minutos do segundo tempo, o primeiro lance de área em todo o jogo – é ridículo para uma Seleção Brasileira. Encerramos o primeiro tempo com dois chutes, nenhum para gol (contra 4 da França), fizemos 10 faltas, recebemos três cartões, tivemos 46% de posse de bola (contra 54% da França). Mas, com toda essa ululante realidade, fomos mexer no time só no desespero.

Menos mal que tenhamos visto a aula de futebol de Zidane, seus dois balõezinhos em Ronaldo e em Gilberto Silva e o espaço que teve para desfilar em campo. Agora é aguardar o confronto entre a seleção que ganha e não se incomoda em jogar bonito (a França), com a que quer ganhar de qualquer maneira à imagem de seu treinador (Portugal). Talvez tenha nos faltado um pouco de cada uma dessas duas características, que representam o autêntico futebol brasileiro.”

Se o Bussunda não mexeu no texto alheio, o jornalista que escreveu isso senta na boneca. Nem o nosso ovíparo lusitano Armando, do bar de mesmo nome (comer a dona Lourdes... Fala sério!), acreditaria que o Felipão quer ganhar de qualquer maneira. Quem quer ganhar assim é a gente, lusitanos de quatro costados, colonizados, aportuguesados ou não, cansados de pegar gonorréia, mula, cavalo de crista, chuveirinho e cancro mole das coristas francesas. E levando ferro seguido desse tal de Zidane. Bola pra frente, Portugal!

 

3 Comments:

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