Image hosting by Photobucket

01 julho, 2006

Blam! Blam! Bimbalham os Sinos!
Por Cezário Camelo, "Cecezinho"

O sono acabou! Rude despertar! Que coincidência! Menos de 24 horas depois dos macaquitos argentinos dançarem um último tango em ritmo de Kraftwerk, os macaquitos brasileños resolvem fazer a mesma coisa e atravessar no samba, atropelados pelo can-can de fogo de mestre Zidane. Asterix, Obelix e companhia agradecem. Eu tenho pena é das crianças, digo eu acrescentando minha poderosa voz de baixo-cantante ao coro de carpideiras infelizes, perdidas nas ruas de Frankfurt, que preferiram ir ao estádio em vez de me pagar um boquete.

Quase todo mundo conhece a Lei de Murphy. Ou, se não conhece, já foi nela enquadrado. Diz o seguinte, o parágrafo único da Lei de Murphy: se uma coisa pode dar errado, geralmente dá. Não adianta. Por maior que seja a cautela, por maiores as prevenções tomadas, a besteira ocorre onde e quando menos se espera. Do início de uma conflagração mundial a uma chegada até o botequim da esquina. Da cantada em uma mulher pudica a uma gonorréia de gancho. Havendo a possibilidade de dar chabu, não paga dez que o foguete estoura na mão do distinto ou da distinta.

A Lei de Murphy foi testada este sábado aqui na Alemanha, na hora em que o lateral Roberto Carlos resolveu arrumar a meia para melhor mostrar pra tevê a marca do patrocinador e deixou livre o insinuante macaco Thierry Henry. Que despachou os canalhinhas num belíssimo sem-pulo (coisa de macaco do primeiro mundo) e ainda mostrou os colhões pra nossa torcida. A princesa Isabel, no mínimo, foi uma grande escrota.

O futebol socialite brasileño (Kaká renovou o contrato até 2010 e foi capa da Caras, Ronaldinho Gaúcho mostrou pra Gente IstoÉ sua nova casa de praia em Ibiza e o imperador Adriano vendeu as fotos do pimpolho para a Lui Magazine), que eu, particularmente, sempre achei uma merda, sifu. De verde-amarelo-azul-e-branco. Como diria o filósofo Murphy, sapato alto não combina com grama rebaixada. Apenas isso.

Que não ia dar certo, eu já sabia há uma eternidade. Parreira é burro demais, mesmo ganhando 500 mil paus por mês da CBF e sabendo que vinho tinto não combina com bodó cozido em tucupi. Sim, ele usa terno Armani de 5 mil euros. E daí? O Parreira entende tanto de futebol quanto o Galvão Bueno de arbitragem.

Eu estava serenamente no Luna Bar localizado em frente ao estádio Waldstadion, em Frankfurt, vendo os batedores de carteira ucranianos em ação – são mestres! – quando um som familiar quebrou a monotonia do meu entardecer. Era aquele ônibus ridículo com aquele ridículo texto na lateral dizendo que estava sendo monitorado por 180 milhões de brasileiros.

Os macaquitos mascarados brasileños (estavam indo para um baile de máscaras, imagino!) cantavam uma musiquinha em homenagem à Dona Nike, que eu conhecia de outros carnavais: “I woke up this morning Nike / I had you on my mind / I woke up this morning Nike / You know that I felt so fine / You know I need you / You know that I love you / This is my pledge of love to… / My pledge of love / My pledge of love / Darling, darling, darling to you / Yeah, to you.”

Como ninguém aqui tem obrigação de falar inglês, tento uma tradução aproximada, imaginando os cifrões que, ao cabo, e ao tenente também, estavam na cabeça daqueles pretensos futebolistas – ex-hexacampeões –, alguns segundos antes de sumirem pelo acesso ao túnel: “Eu acordei esta manhã, Nikinha, / Com você na minha cabeça / Eu acordei esta manhã, Nikinha, / Você sabe me sentindo bem legal / Você sabe que eu preciso de você / Você sabe que eu te amo / Este é meu penhor de amor pra... / Meu penhor de amor, / Meu penhor de amor, / Querida, querida, pra você, / Sim, pra você”

A merda é que não combinaram nada com Zidane, um dos últimos moicanos do futebol criativo e imprevisível, que é financiado pela concorrente Adidas. Deu no que deu. Eu já ia me levantar do boteco pra ir pra Parintins ver o desfecho da boiolada (é esse o nome daquela festa?), quando apareceu uma inglesinha, aos prantos, e resolveu se consolar no meu cheio-de-varizes. Ao fundo, ouvia-se a Marselhesa em Frankfurt. Vai que é tua, Felipão!

 

2 Comments:

  • At 1:20 PM, Anonymous Anônimo said…

    Hmm I love the idea behind this website, very unique.
    »

     
  • At 5:26 PM, Anonymous Anônimo said…

    Hmm I love the idea behind this website, very unique.
    »

     

Postar um comentário

<< Home