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23 junho, 2006

Você já foi a Benin?
Por Wally Sailormoon

Se não fosse pelos parangolés, Benin seria uma bosta.

Benin, mas por que Benin e não a Áustria por exemplo – me indagava estupefato o publicitário Carlito Maia, enquanto apertava mais um. Porque o Benin é a Proto-Bahia – pensei calado.

Fran Pacheco e seu programa de milhagem me proporcionaram esta travessia do Atlântico nas asas da Varig Varig Varig e eu ia recitando qual mantra os versos de Fernando Pessoa “Ó mar, quanto de teu sal são lágrimas de Portugal?”. A grandeza da abdicação poética Arthur Rimbaud ou a trivialidade de um safari noveau riche com jornalistas brasileiros.

Caso a aduana me perguntasse – quais as armas que você está levando? Eu de pronto responderia: as armas da crítica. Porque a crítica (e o diário, o correio, o em tempo, etc...) que não toque na poesia.

O projeto de uma Bahia não localista, desprovinciana, não-autista, uma Bahia capaz de estabelecer pontes, conexões com Europa, Ásia, África e América. Será esse sonho louco, fora de propósito de um Erasmo retardado, u-topia?

Fran Pacheco e seu programa de milhagem me proporcionaram sentir no Benin o fenômeno ronaldiano conhecido como mito do Brasil ou mais especificamente o mito da Bahia por entre os africanos, um inesperado banzo da Bahia, uma saudade de uma terra prometida e não atingida – bem como aqui, á beira do Rio Negro, ou na América do Norte, ou em Trinidad-Tobago, na Jamaica, no Haiti et caterva – provocada pela diáspora negra. O mito da mamãe África. Mito propulsor.

No aeroporto, um imenso mural, um verdadeiro dazibao beniense insiste em desmentir tal mito regressivo: “L’oiseau volant ne peut jamais regarder em arrière. La revolution en avant”.

Mas minha cuca de poeta batuca e reluta: tal pássaro voador não será uma encarnação entusiasmada da entidade que atende pelo nome de Orfeu ou Ossaim?

Benin, pobre Benin, com seu socialismo de fachada. Hélio Jaguatirica iria adorar os parangolés, mas... e o resto, essa favelização kitsch que agride os olhos e as narinas? A África é a mulher oprimida do mundo.

Um aforismo anarco-niilista do meu parceiro Torquato Piauí informa um pouco melhor: “O primeiro decreto de toda nação africana a ganhar independência é produzir a sua cerveja nacional.” Coitado dos africanos, ainda mais enfrentando o Brasil nas semifinais.


 

4 Comments:

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