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23 maio, 2006

BATE-PAPO EXCLUSIVO: O PULO DO JAGUAR
Por Cezário Camelo, "Cecezinho"

Cecezinho mostrando a versão drum'n'bass para o hit "Eram Duas Caveiras que se Amavam" sob o olhar atento do futuro sócio Jaguar.

Meus encontros com Jaguar sempre foram uma farra. E bote farra nisso. Sempre que a gente se topa, sai topando em canecas de chope mis, entremeadas com o infalível steinhegger. Desta vez, nos encontramos no Bracarense, eleito por várias vezes o melhor boteco do Rio e fomos servidos por Chico, por sua vez eleito o melhor garçom da Cidade Maravilhosa. De lá, nós fomos arrastados - no sentido figurado, ainda - por Jaguar para o Informal, outro botequinho maravilhoso, também no Leblon. O “nós” aí somos eu e a serelepe Istharzinha, que estava impossível. O velho Jaguar tá urrando mais do que nunca. Faz charge n’O Dia, escreve crônicas semanais e acaba de lançar dois livros de uma vez – Ipanema, se não me falha a memória” e “Confesso que bebi”. O papo que transcrevemos abaixo foi extraído do que rolou nas mesas e balcões dos botecos do Rio. Vamulá!

CECEZINHO – Desde que te conheço, você sempre foi arredio quanto à idéia de escrever livros de memórias. Que bicho te picou que de repente você lançou dois de uma só fornada?

JAGUAR – Sei lá, eu devia estar de porre quando assinei os contratos. Depois me arrependi, mas era tarde, já tinha bebido os adiantamentos.

ISHTAR – Quais as diferenças básicas entre “Ipanema, se não me falha a memória” e “Confesso que bebi”?

JAGUAR – A única diferença é que no livrinho sobre Ipanema não dou os endereços dos bares.

CECEZINHO – Desde que comecei a escrever com regularidade fui perdendo a capacidade criativa como cartunista. Hoje, fazer uma charge, pra mim, é muito mais trabalhoso do que escrever um texto. Quando penso numa idéia ela me vem como escrita. Como você consegue manter as duas capacidades, como escritor e cartunista?

JAGUAR – Sou desenhista de calunguinhas, como dizia o general Juarez, escalado para censurar o Pasquim (era o general de Ipanema, pai da Helô, a da música do Tom e Vinicius). Faço uma crônica às quartas n’O Dia. Depois da assinatura, tem um aviso para os eventuais leitores: Jaguar é cartunista e boêmio. Depois que lancei os livros, o editor da página gentilmente acrescentou: cartunista boêmio e escritor. Pedi para tirar escritor, não é pro meu bico, tive um trabalho desgraçado para dar a impressão de que escrevo com facilidade. Escrever, para citar só dois nomes, é para o Veríssimo e o Millôr, que, aliás, desenham bem paca.

ISHTARPor que você faz questão de lançar seus livros em bares, e não em livrarias, como os demais mortais?

JAGUAR Bebe-se melhor em bares do que em livrarias.

CECEZINHO
Qual o tipo de humor que melhor se faz no Brasil, hoje, e quem faz?

JAGUAR Tem dois tipos de humor: o bom e o ruim. Poucos fazem humor bom e aqui, ó (fazendo um cotoco!) que vou dizer quem, prefiro guardar minha boca para beliscar tira-gostos.

ISHTAR Qual a diferença entre o humor que se faz hoje no Brasil e o que se fazia na época da ditadura?

JAGUAR No tempo da ditadura os milicos, que eram simplórios, mandavam nos prender. Agora a gente pode até xingar a mãe da mulher do presidente da república que não acontece nada, eles se consideram olimpicamente acima do bem e do mal.

CECEZINHO Era mais fácil fazer humor naquela época?

JAGUAR Era. De um lado estavam os bandidos, milicos e seus puxa-sacos paisanos. Nós éramos os mocinhos. Depois a gente caiu na real, ou melhor, no real. Quando descobrimos que o Brasil não era um filme de bandido-e-mocinho já era tarde demais.

ISHTAR Por que a Bundas deu com a os burros n’água?

JAGUAR Bundas era um nome estulto. Se a idéia era espantar o burguês, o Ziraldo deu com os burros n’água. Que nem um poodle, bunda é uma palavra de livre trânsito no seio-siliconado ou não-da família brasileira. A revista fez o maior sucesso de público mas, por causa do nome, nunca arrumou um anúncio e foi a pique. O pessoal da propaganda, que faz um discurso muito moderninho, no fundo, no fundo, é de uma babaquice espaventosa, basta ver os anúncios de carro ou de maionese provocando orgasmos múltiplos .

CECEZINHO O que você achou da idéia do Ziraldo de ressuscitar o Pasquim?

JAGUAR Tão tola quanto as tentativas de tirar aquele submarino russo do fundo do mar. O Titanic e o Kursk só afundam uma vez. O Pasquim também; quando afundou, a tripulação já tinha abandonado o navio, soçobrou com o rato (o Sig) e o comandante (eu). Quem seria o editor-chefe? Só se for o Chico Xavier; Henfil morreu, Paulo Francis morreu, Flávio Rangel morreu, Fortuna morreu, Tarso de Castro morreu e eu estou sentindo uma dorzinha chata aqui no lado, será o baço, doutor?

ISHTAR O que você acha da imprensa que se faz hoje no Brasil?

JAGUAR Dizia-se antigamente que jornal servia para embrulhar peixe. Mas antes de embrulhar o peixe o peixeiro pelo menos folheava o jornal. Hoje, nem isso. Outro dia, numa banca, vi um sujeito comprar o jornal, arrancar o cupom que dava direito a concorrer a um eletro-doméstico e jogar o resto fora. É dose.

CECEZINHO A charge que hoje se faz no Brasil tá tão engajada como antes ou é apenas um elemento gráfico do jornal?

JAGUAR Eu diria que nem sim nem que não, muito pelo contrário.

ISHTAR Quais suas atividades, hoje, na imprensa?

JAGUAR Às quartas escrevo e no resto da semana o que aparecer eu traço. Procuro convencer os leitores e principalmente os editores, que o velho cartunista que vos fala ainda saca tão rápido quanto qualquer garoto. Outro dia, num boteco, um sujeito, quando soube que eu era eu, me disse com a voz pastosa, mas com todo o respeito: “Não me leve a mal, mas eu pensei que o senhor já tinha morrido.” Ri à beça.

CECEZINHO - Como bom boêmio, cite alguns botecos indispensáveis do Rio e de outras cidades que você freqüenta.

JAGUAR No “Confesso que bebi” enumerei 148 bares onde bebi e que já fecharam. 50 anos e lá vai pedrada de ronda pelos bares na vida me ensinaram que não tem nenhum bar indispensável. Indispensável é bar.

ISHTAR Com o lançamento desses livros você já pode se considerar um homem realizado ou falta plantar uma árvore?

JAGUAR O homem realizado ainda não nasceu ou não sabe que morreu. Talvez eu me julgasse realizado se algum dia plantasse uma bananeira. Mas sei que jamais conseguirei.

CECEZINHOQuais os seus projetos daqui pra diante?

JAGUAR Estou desnorteado. Tecnicamente, já devia ter morrido. Meu projeto de vida era beber e fuder até os 60 anos. Estou vivo, bebendo e fudendo. Meu projeto de vida, hoje, não tem mais sentido.

ISHTAR – Se você resolver morrer, queremos contar com sua colaboração no Club dos Terríveis, de Manaus... (risos)

JAGUAR – Prometo que vou estudar o assunto com carinho (risos).


 

4 Comments:

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