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21 dezembro, 2004

Geléia Geral Brasileira
Por Torquato Piauí



um poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia resplandente cadente fagueira num calor girassol com alegria na geléia geral brasileira que o jornal do brasil anuncia

ê bumba iê, iê boi ano que vem mês que foi ê bumba iê, iê iê é a mesma dança, meu boi

"a alegria é a prova dos nove" e a tristeza é teu porto seguro minha terra é onde o sol é mais limpo e mangueira é onde o samba é mais puro tumbadora na selva-selvagem pindorama, país do futuro

ê bumba iê, iê boi ano que vem mês que foi ê bumba iê, iê iê é a mesma dança, meu boi

é a mesma dança na sala no canecão na TV e quem não dança não fala assiste a tudo e se cala não vê no meio da sala as relíquias do brasil: doce mulata malvada um elepê de sinatra maracujá mês de abril santo barroco baiano superpoder de paisano formiplac e céu de anil três destaques da portela carne seca na janela alguém que chora por mim um carnaval de verdade hospitaleira amizade brutalidade jardim

ê bumba iê, iê boi ano que vem mês que foi ê bumba iê, iê iê é a mesma dança, meu boi

plurialva contente e brejeira miss linda brasil diz bom dia e outra moça também carolina da janela examina a folia salve o lindo pendão dos seus olhos e a saúde que o olhar irradia

ê bumba iê, iê boi ano que vem mês que foi ê bumba iê, iê iê é a mesma dança, meu boi

um poeta desfolha a bandeira e eu me sinto melhor colorido pego um jato viajo arrebento como roteiro do sexto sentido foz do morro, pilão de concreto tropicália, bananas ao vento

ê bumba iê, iê boi ano que vem mês que foi ê bumba iê, iê iê é a mesma dança meu boi

feliz natal para os não-bovinos! ê bumba iê, iê boi ano que vem mês que foi!