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02 dezembro, 2004

Entrevistin bem rapidin
Por Torquato Piauí

Encontrei casualmente o Waly “Batatinha” Sailoormoon na Usina Chaminé, logo depois da palestra da Bia Junqueira sobre Direção de Arte para Cinema, e resolvi saber sua opinião sobre o Amazonas Film Festival - Mundial do Filme de Aventura. O papo que rolou, depois de alguns finórios cabalísticos, foi esse:

Waly, como você avalia, hoje, o Me Segura em função do panorama político-cultural 70-73, fazendo um paralelismo quântico com o Festival de Cinema que está rolando em Manaus?

Falar sobre o “ME SEGURA...”? Bem, uma coisa para mim é visceral, visceral: marcar o caráter IRREDUTÍVEL dele. O livro está ali inteiro integral tal qual uma rocha donde mina uma fonte d’água quem quiser saber do que ele trata não faça arrodeios se chegue mais para perto bote as palmas da mão em concha arregace suas mangas e beba DIRETO sem intermediários sorva daquele manancial intacto. Eu não parei ali mas ele está lá intacto. Que queriam de mim? A brandura dos que batem no próprio peito mea culpa mea máxima culpa? Uma Madalena arrependida expiando autocríticas? O prosseguimento moto contínuo do mesmo périplo? O “ME SEGURA...” de novo? O “ME SEGURA nº 2”? O meu é um curso enviés torto oblíquo de través. O meu é um fluxo MEÂNDRICO. Eu subo e desço, mas não desagüei de todo ainda. Quanto o Amazonas Film Festival não passa de uma piada, BULLSHIT pago em euros aos picaretas do Le Public Système Cinéma. Filmes como “Story Undone” (Dastaneh Nataman), do iraniano Hassan Yektapanh, a gente acha em qualquer lata de lixo da periferia de qualquer grande cidade brasilírica. Me dá mais um trago, que só de falar nessa porcaria já me deu enjôo...

Em termos de linguagem, como você define o Me Segura e o Amazonas Film Festival?

Antonio Cândido quase entendeu o alicerce do “ME SEGURA...” quando assinalou a RUPTURA DE GÊNEROS que ali de fato ser perfaz... O texto “A MEDIDA DO HOMEM” é uma espécie de curto KABUKI CABOCLO. É TEATRO RELÂMPAGO pois possui estrutura homóloga ao COMÍCIO RELÂMPAGO. TEATRO DA TORTURA visto do vértice do torturado. CONCISÃO E BREVIDADE. Já quanto ao Amazonas Film Festival, não dou um mísero tostão furado pelo alcance cognoscitivo, ou pior, pela atuação efetiva sobre a realidade de criar um pólo cinematográfico no meio do mato. Os convidados, os filmes selecionados, os locais de exibição, a dinheirama gasta em bocas-livres, o ar entediado do governador na abertura, aquela coisa grotesca de tapete vermelho e o barata-voa que rolou depois, quando constataram que as salas estavam ENTREGUES ÀS MOSCAS, tudo não passou de um item do longo capítulo de esperança e desespero que o Robério Braga vem encenando na cultura HÁ DEZ ANOS (oito com o Amazonino, dois com o Eduardo). Parece uma encenação ao vivos dos “POSSUÍDOS” de Dostoievski com um elenco de um bando de niilistas obcecados por uma idéia-fixa, uma mono-idéia, que é encher o cu de grana à base da EMPULHAÇÃO CULTURAL, e com bem menos talento do que os personagens-soma do romance. Putz, deixa eu dar mais um tapa, que esse pretinho é dubom.... É lá da rua 13 é?...

Que significações teve o desbunde na geração 70 comparado ao conformismo do novo milênio?

Desbunde e desbundado são o que pode refletir o olho reificador do sistema. In “SAINT GENET, COMEDIEN ET MARTIR” eu encontro esta frase que recorto com minha tesoura-síntese: “As pessoas de bem dão nome às coisas e estas conservam tais nomes”. Quem sabe o que eu sei quem está dentro da minha pele sou eu. Agora se você quer saber o que eu faço: então vá lá. Sobre as outras questões a que você se refere: a História pode talvez não ser um pesadelo mas a historiografia político-cultural-literária certamente sempre será. E também ainda não me conformei de estar morto. Bom, mas deixa eu matar essa zureta... Tu tens mais aí?! Pô, bicho, então enrola...

Tudo bem, tudo bem. Vou apertar mas não vou acender agora. Se segura, malandro, e antes me dê uma receita de arte poética

All right, meu brodão. Negócio seguinte: deixa primeiro eu dar um tapa que vou tentar recitar OLHO DE LINCE pra minas do Pastel de Keijo, que vivem grelhando na laje da Dona Maria. Tô muito louco, tchê!

Quem fala que sou esquisito hermético
É porque não dou sopa estou sempre elétrico
Nada que se aproxima nada me é estranho
Fulano sicrano beltrano
Seja pedra seja planta seja bicho seja humano
Quando quero saber o que ocorre à minha volta
Ligo a tomada abro a janela escancaro a porta
Experimento invento tudo nunca jamais me iludo
Quero crer no que vem por aí beco escuro
Me iludo passado presente futuro
Urro arre erre y urro
Viro balanço reviro na palma da mão o dado
Futuro presente passado
Tudo sentir total é a chave de ouro do meu jogo
É fósforo que acende o fogo da minha mais alta razão
E na seqüência de diferentes naipes
Quem fala de mim tem paixão